Meu Lar
5 Capítulo 05
Notas iniciais
Mais uma vez acordou cedo e preparou seu costumeiro café matinal, sentando-se em seguida na varanda para ver o sol nascer. No fundo tinha esperanças que Quinn apareceria novamente naquele dia para lhe fazer companhia, mas suas expectativas foram frustradas.
Após algum tempo perdida nos próprios pensamentos entrou em casa e terminou de se arrumar. Naquela manhã teria de ir até a cidade para providenciar alguns medicamentos necessários para o gado e para os cavalos.
Antes de sair se dirigiu até a estrebaria onde estava Blue Sky e o animal aparentava estar bem. Quando retornasse a tiraria da baia para se exercitar. Era um animal realmente lindo e estava completamente apaixonada pela doçura que demostrava ter.
Passou no escritório de Quinn para avisar que ia até a cidade pegar os itens necessários, mas não a encontrou. Procurou por Puck que estava tomando café na cozinha da casa grande, junto com Emma e a patroa.
– Bom dia. Desculpe interromper. – falou com vergonha de ter interrompido.
– Não precisa se desculpar, Santana. Gostaria de tomar café da manhã conosco? – Emma convidou animadamente.
– Obrigada, Emma, mas já tomei e só vim ver com a Quinn se há problemas de eu ir até a cidade buscar alguns medicamentos e outros itens que estão faltando. – disse encarando a loira que estava séria e não a olhava.
– Pode ir, Santana. Compre o que for necessário e diga que depois eu acerto. – falou num tom que a morena até então desconhecia.
– Ok. – disse sem saber o que falar, ela não devia ter gostado de ser interrompida na refeição – Volto mais tarde, então. Me desculpem mais uma vez ter interrompido.
– Você não precisa que eu vá junto? – se ofereceu Noah, que levou uma olhada indecifrável de Quinn.
– Não há necessidade, obrigada. – agradeceu – Volto assim que possível.
Saiu sem olhar para trás. Aquela atitude de Quinn a havia deixado intrigada. A loira sempre parecera tão amistosa e de repente nem a olhara no rosto. Será que havia ficado brava pela atitude que tomara no dia anterior? Se fosse teria de pedir desculpas e prometer que nunca mais aconteceria algo daquele tipo novamente.
...
Assim que Santana saiu pela porta Quinn pensou em segui-la e dizer que iria junto com ela, mas tinha de refrear sua vontade e colocar-se em seu lugar. Seu lema sempre fora de nunca se envolver com empregados, profissionalismo acima de qualquer coisa. E com certeza a latina não iria querer qualquer tipo de proximidade com ela depois do que ficara sabendo.
Terminou seu café em silêncio e foi para o escritório. Logo em seguida recebeu uma ligação de um de seus clientes fazendo uma grande encomenda de gado para o mês seguinte, o que significava que teria de movimentar seus cowboys ainda naquele dia para que trouxessem o gado das pastagens mais afastadas o quanto antes para serem devidamente tratados e cuidados antes da entrega.
A viagem a cavalo demorava em média um dia para ir e outro para voltar, em função da extensão dos campos do rancho. Como ainda era cedo podia organizar tudo e enviar Noah e Will com mais alguns empregados para a missão. Saiu rapidamente do escritório e foi em busca do amigo.
– Noah, organize o que for necessário e junte uns cinco ou seis cowboys para te acompanharem até o campo mais ao norte para buscar o gado que está lá. Temos um grande negócio para fechar até o começo do mês que vem e temos que estar com os animais todos em ordem. – anunciou.
– Vou organizar os suprimentos então e mandar os homens se prepararem. Provavelmente ficaremos dois ou três dias longe. – concluiu.
– Provavelmente. – concordou – Já vou ligar para o local onde Santana vai fazer as compras e encomendar mais algumas coisas que ela possa trazer.
– Ótima ideia. Vou apressar as coisas para partir logo. – falou já saindo.
Cerca de uma hora depois Noah, Will e mais cinco empregados partiram rumo ao destino combinado, no máximo em três dias estariam de volta para começarem a verificar se estava tudo bem com os animais que seriam trazidos.
...
Em torno das nove da manhã Santana chegou até o local onde faria as compras necessárias. Desceu do carro e não percebeu um homem que ficou a observando do outro lado da rua escondido às sombras de uma viela.
Entrou no estabelecimento e foi logo atendida por um rapaz simpático que apresentou-se como filho do dono, seu nome era Kurt e em meio a conversa contou que namorava um dos cowboys que trabalhavam para Quinn, de nome Blaine. Santana lembrava vagamente de tê-lo visto no rancho, mas com certeza o procuraria logo que chegasse em casa.
Casa? Mal fora morar no local e já estava o considerando sua casa. Afinal tinha de admitir que nunca se sentira tão bem em outro lugar que morara antes, nem na casa que dividira com Brittany enquanto a esposa era viva.
Santana seguiu conversando com Kurt enquanto era atendida e pegava o necessário e ainda o que Quinn encomendara por telefone. Terminou de comprar tudo quase a uma da tarde, decidiu almoçar na cidade mesmo antes de voltar para o rancho. A caminhonete estava cheia e teria de ir devagar na volta, mas não chegaria muito tarde.
Almoçou tranquilamente em um restaurante que servia comida caseira. Já era passado das duas da tarde quando seguiu seu rumo ao Rancho Fabray. Dirigia tranquilamente, quase no limite de velocidade, mas não corria muito em função das mercadorias na caçamba da caminhonete.
Já havia percorrido boa parte do caminho e àquela altura já estava mais perto do rancho do que da cidade. Adentrou na estrada de terra que levava ao seu destino, ainda teria que percorrer uma longa distância por ali. Agradecia que o caminho era bom e bem cuidado, sem buracos, era totalmente plano e de fácil tráfego.
Olhava os campos a sua volta e aspirava o ar puro que entrava pela janela. Ali se sentia livre como nunca antes. Só faltava ter sua filha e sua mãe junto dela para sentir a felicidade completa.
Prestava atenção na estrada quando sentiu um pneu estourar. Quando foi conseguir segurar o veículo outro pneu estourou e acabou por perder o controle e sair da estrada, chocando-se contra uma árvore. Mesmo não vindo rápido acabou por bater com a cabeça na direção e desmaiou sem conseguir esboçar qualquer reação.
...
Já estava escurecendo quando Quinn saiu do escritório. Fora um dia agitado e não parara um segundo sequer. Foi até a sala de Santana verificar com ela se havia conseguido comprar tudo e não a encontrou. Procurou nos estábulos e no celeiro, também não tendo sucesso.
Perguntou a um dos cowboys se a havia visto e ele foi veemente ao dizer que não a vira durante todo o dia. Quinn achou estranho e foi até a casa ao lado da sua. As luzes estavam todas apagadas e não houve qualquer resposta quando bateu à porta. Aquilo estava muito estranho. Em um lampejo foi até a garagem e constatou que a caminhonete dela não estava ali, sinal que ainda não havia retornado.
Já estava tarde e começava a se preocupar, ela já deveria ter chegado há horas. Correu de volta a seu escritório e ligou para o armazém onde ela tinha ido fazer as compras e Kurt a informou que ela havia saído de lá um pouco depois do meio dia.
Uma onda de preocupação tomou seu corpo. Santana já deveria ter chegado há horas. Alguma coisa com certeza devia ter acontecido.
Correu até sua casa e pegou a chave da própria caminhonete, avisando Emma que sairia em busca da latina que ainda não tinha retornado. As noites ali naquela região não eram das mais amistosas, em função dos coiotes e outros predadores que poderia aparecer, além do frio que começava a surgir depois do sol se pôr.
Dirigia em uma velocidade razoável, olhando para todos os lados. Não entendia porque, mas seu corpo tremia de nervoso. Tinha que acha-la o quanto antes e bem.
Já tinha percorrido cerca de trinta quilômetros na estrada de terra quando avistou ao longe algo fora da pista, que poderia ser o veículo de Santana, mas o escuro da noite poderia a estar enganando. Acelerou a própria caminhonete e deparou-se com a da latina contra uma árvore, com a frente toda amassada.
Uma onda de terror tomou conta de si e desceu do carro correndo. Alcançou o veículo de Santana e encontrou a latina desacordada e com um filete de sangue seco do lado da têmpora. Forçou a porta até conseguir abri-la. Examinou-a e aparentemente aquela era a única lesão que tinha.
Sabia que era arriscado tirá-la do carro, mas não podia deixá-la ali e não tinha como chamar ajuda naquela altura da estrada, onde o celular não pegava. Sem pestanejar puxou-a com cuidado e a levou para a própria caminhonete, ajeitando-a no banco do carona ainda desacordada.
Voltou até o veículo da latina e fechou-o, mandaria um de seus empregados em seguida para pegar as coisas que haviam ficado ali e no dia seguinte mandaria rebocar o veículo.
Entrou na própria caminhonete e colocou o cinto de segurança em Santana, com certeza ela não estaria inconsciente se estivesse usando o cinto na hora do acidente. Medo era o que Quinn sentia. Há quanto tempo ela estaria desacordada? Passou a mão levemente pelo belo rosto e imediatamente despertou de seu transe, tratando de dirigir de volta para o rancho, ligaria para o médico quando chegasse em casa.
Dirigiu o mais rápido que pode e em seguida parou o veículo em frente da própria casa. Nem pensou direito quando fez a volta no veículo e Emma veio a seu encontro, assustada. Pegou Santana no colo e levou-a para dentro. Sua casa possuía muitos quartos, mas inconscientemente levou-a ao seu, depositando-a delicadamente em sua cama macia.
– O que houve, Quinn? – perguntou Emma, assustada.
– A caminhonete dela saiu da estrada e se chocou contra uma árvore. Pelo que vi ela estava sem cinto de segurança e bateu a cabeça. – informou preocupada, analisando atentamente se não havia nenhum outro ferimento – Emma, ligue para o médico e peça para ele vir agora. Não importa o custo.
– Estou indo. – saiu rápido nervosa, mas com um brilho nos olhos diante de tanta preocupação de Quinn.
Quinn foi ao próprio banheiro e pegou o estojo de primeiros socorros e uma toalhinha úmida. Delicadamente limpou o rosto de Santana e viu que o ferimento não era muito grande, apenas um pequeno corte quase rente aos cabelos.
Limpou o local e fez um curativo improvisado até o médico chegar. Tirou as botas da latina para que ficasse mais confortável e pegou um pouco de álcool que colocou perto do nariz desta para tentar fazer com que recobrasse a consciência.
Agradeceu aos céus quando viu que sua ação teve resultado e Santana começava a voltar a si, dando pequenos gemidos. Mexeu-se levemente e abriu os olhos devagar, deparando-se com o rosto preocupado de Quinn a encarando.
– O-o que houve? – sussurrou.
– Sua caminhonete saiu da estrada e bateu contra uma árvore. – disse devagar para não assustá-la.
As imagens do que ocorrera surgiram como um flash na cabeça de Santana, que momentaneamente fechou os olhos em função da enxurrada de lembranças que tomaram conta de sua mente.
– Dois pneus estouraram e eu perdi o controle da direção. – informou ainda tonta.
– Dois? – perguntou espantada – Isso é no mínimo coincidência demais.
– Eu comprei tudo que você pediu. – informou ainda desnorteada, fazendo Quinn finalmente sorrir diante da preocupação inusitada da mulher a sua frente.
– Não importa agora. – falou acariciando o rosto preocupado – Mas muito obrigada. Vou mandar alguns homens para que busquem tudo em sua caminhonete e amanhã ela será rebocada até uma oficina.
– Droga, isso vai sair uma fortuna. – falou preocupada.
– Não se preocupe. O Rancho arcará com todas as despesas.
– Não. – protestou – A culpada fui eu e o veículo é meu.
– Sim, mas você o estava usando em serviço. Então não adianta protestar. O Rancho pagará por tudo. – falou encerrando o assunto.
– Estou com sono. – falou de repente – Onde estou?
– Não durma, o médico chegará logo para te examinar. Você está no meu quarto. – informou.
– Por que me trouxe para cá? – perguntou espantada.
– Na hora do susto nem pensei... – disse sorrindo, mas sabia que havia a levado para seu refúgio para que ficasse protegida.
– Eu me sinto melhor, acho que já posso me levantar. – falou tentando se levantar, mas ficando tonta e caindo deitada de novo.
– Fique quieta, teimosa. Já disse que o médico chegará em breve. Vou ficar aqui conversando com você para que não durma. – informou, se acomodando melhor na cama, apoiando as costas na madeira e começando a falar sobre coisas aleatórias.
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