Meu Lar
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Santana chegou eufórica ao apartamento onde estava hospedada temporariamente. Fora um milagre conseguir aluga-lo sem um prazo longo ou específico. Tratou logo de telefonar para uma transportadora e combinou a mudança para a primeira hora da manhã. Tendo combinado tudo tratou de ligar para sua mãe, a fim de dar a boa notícia.
– Ola, madre. – saudou feliz.
– Ola, mi hijá. Que alegria é essa que você está transparecendo na voz apenas com um ‘olá’? – perguntou curiosa.
– Eu consegui o emprego, madre. – vibrou – Finalmente estou pressentindo que vamos ter paz.
– Madre de Díos, filha que felicidade. Você merece isso, mi hijá. Merece finalmente ter paz para criar Alícia. – comemorou.
Conversaram por mais um tempo e combinaram a volta dela e de Alícia para dali a uma semana e meia. Não chegou a falar com a filha que já estava dormindo em função do fuso horário. Estava ansiosa para ter seu bebê novamente junto dela.
Na manhã seguinte o caminhão chegou cedo, conforme haviam combinado e carregaram as poucas coisas que a latina possuía, sendo a grande maioria de sua filha.
Chegou ao Rancho Fabray perto das onze da manhã e foi direto falar com Noah a fim de pegar as chaves da casa que seria seu lar dali para a frente. O moreno na mesma hora se ofereceu para ajuda-la a acomodar as caixas dentro da casa, o que foi aceito de bom grado por Santana.
Com a ajuda de Puck as caixas foram colocadas mais rapidamente nos cômodos onde seus respectivos conteúdos seriam acomodados. Santana escolheu o quarto mais iluminado para Alícia e seria o primeiro a receber a devida arrumação para receber sua filha.
Estava sozinha distraída arrumando alguns brinquedos e não percebeu a aproximação da figura loira, que por alguns instantes ficou observando o esmero com que arrumava os pertences da criança que logo habitaria o local. Virou-se para pegar mais alguns ursos dentro de uma das caixas e se deparou com Quinn a observando atentamente, levando um pequeno susto.
– Me desculpe. Não foi minha intensão assustá-la. Só vim ver se estava tudo bem e se não precisa de ajuda com nada. – ofereceu-se cordialmente.
– Não precisa se desculpar, eu só estava distraída. – falou e logo completou – Não precisa se preocupar, está tudo em ordem. Só estou colocando algumas coisas no lugar. Puck já me ajudou a carregar as caixas mais pesadas para seus respectivos lugares.
– Noah é bastante prestativo, ainda mais com mulheres bonitas como você. – disse passeando os olhos pelo corpo da latina, que vestia apenas um short bem curto e uma regata que deixava bem evidente os seios avantajados.
–Huuumm, obrigada... eu acho. Mas não se preocupe, não costumo me envolver com colegas de trabalho. – esclareceu a fim de evitar qualquer tipo de mal entendido que viesse a lhe prejudicar futuramente.
– Não estou preocupada. – disse, tentando ser discreta ao devorar o corpo da latina com os olhos – A vida é sua e você se envolve com quiser, desde que não prejudique seu desempenho no trabalho.
– Volto a repetir que não costumo me envolver com colegas de trabalho.
– Bom saber. – disse afinal e rapidamente completou – Bom, já vou indo. Desculpe por entrar assim, mas bati e você não deve ter ouvido.
– Não tem problemas, a casa é sua afinal. – tentou soar casual, mas a simples presença de Quinn tirava sua concentração.
– Enquanto você morar aqui a casa é sua e não entrarei sem ser convidada.
Com aquelas palavras Quinn deu um leve aceno de despedida e saiu. Estava no seu limite do controle, ver a morena naqueles trajes havia quase feito com que se descontrolasse e a possuísse ali mesmo, entre os brinquedos da filha. Sentia o volume entre suas pernas querendo tomar vida e seria bastante constrangedor agir como uma adolescente em frente a sua nova empregada, ainda mais no primeiro dia.
Sentia uma atração inexplicável pela latina, mas teria que se controlar para não estragar sua relação profissional com a mulher, que pelas recomendações apresentadas parecia ser uma excelente veterinária.
Santana ficou ainda um tempo parada olhando para o local onde Quinn estivera pouco tempo atrás. Não entendia como aquela mulher conseguiu praticamente a hipnotizar apenas com aqueles olhos de um verde profundo. Por um momento sentiu o olhar lascivo da loira sobre seu corpo, mas ela era boa e logo disfarçou, afastando qualquer vestígio de desejo de sua expressão.
Era uma mulher forte, mas desde a morte da esposa havia ficado um tanto fragilizada, ainda mais pelo fato de ter ficado com um bebê para criar sozinha. Agradecia aos céus o fato de poder contar com sua mãe na criação da filha, pois não era fácil trabalhar o dia inteiro e ainda tomar conta de uma criança.
O dia passou voando, mas ao final dele as coisas já estavam quase que totalmente nos devidos lugares. Estava exausta e sem pensar duas vezes foi tomar um banho morno e relaxante. Ficou por um bom tempo embaixo do chuveiro e quando saiu sentia estar um pouco mais relaxada.
Estava se dirigindo até a cozinha quando ouviu uma leve batida na porta. Achou que poderia ser Noah, ou até mesmo Quinn, mas surpreendeu-se ao se deparar com uma mulher desconhecida que logo se apresentou.
– Olá, sou Emma. – disse – Desculpe te incomodar a esta hora, trabalho para Quinn na casa grande e ela pediu que eu lhe trouxe o jantar. Pensou que você poderia estar exausta depois de um dia inteiro arrumando suas coisas. – sorriu simpática.
Santana espantou-se com aquela cordialidade de sua nova patroa, jamais esperaria ser tão bem recepcionada.
– Nossa, quanta gentileza. Entre Emma. – convidou.
– Hoje não. Ainda tenho alguns afazeres para terminar. – informou – Mas qualquer hora apareço aqui para conversarmos.
– Quando você quiser. Será muito bem vinda. – respondeu Santana da mesma forma.
– Aqui, pegue o embrulho. Espero que goste, não sou a melhor cozinheira, mas faço tudo com muito carinho. – disse brincalhona.
– Tenho certeza que vou adorar.
– Se precisar de alguma coisa é só chamar. Aqui somos todos uma grande família, a maioria de nós só tem os amigos daqui. E Quinn não é tão durona quanto costumam dizer por aí. – disse dando uma piscadela.
– Obrigada, Emma. Não sei porque, mas desde que cheguei aqui me senti realmente em casa. – declarou sem pensar.
– Nosso coração sabe de coisas que nossa mente nem suspeita. – disse enigmática e logo se despediu, deixando uma Santana pensativa para trás.
Não sabia o que era, mas o que disse para Emma era o que realmente sentira. Ali parecia um lar e tinha certeza que poderia criar sua filha em paz, longe de todos os problemas que a perseguiam desde a morte de Brittany.
Santana e Brittany se conheceram ainda na escola e sempre tiveram um forte carinho e amizade uma pela outra. Com o passar do tempo e o costume de sempre ter a outra por perto começaram a namorar, mesmo a família de Brittany sendo contra o relacionamento.
Superando todas as expectativas as duas foram para faculdades na mesma cidade e passaram a morar juntas. Eram bastante unidas e sempre se ajudavam mutuamente. Sabiam que o amor que nutriam uma pela outra era mais de amizade do que propriamente uma paixão avassaladora. Sentiam-se bem e seguras uma com a outra e aquilo bastava.
O casamento foi uma coisa natural, assim como a decisão de engravidar. A loira quis ser ela a carregar o primeiro filho do casal pois Santana estava trabalhando como veterinária em uma grande rede produtora de gado e era bastante solicitada em seu serviço.
Suas vidas iam de vento em popa. Eram felizes, estáveis financeiramente e tinham um bebê a caminho. O fato de a família de Brittany não aceitar o casamento das duas já não as abalava mais, pois o carinho da mãe e do resto da família de Santana supria qualquer falta que pudessem fazer.
Tudo ia bem até que Brittany começou a passar por problemas na gravidez, que só forma se agravando no decorrer do período da gestação. Santana estava cada vez mais preocupada com a esposa, mas esta sempre lhe dizia que tudo ficaria bem.
O dia mais feliz da sua vida também fora o mais triste. No mesmo dia em que pegara a filha nos braços pela primeira vez, também foi o que recebera a notícia da morte da esposa no parto. Algo se quebrou dentro de Santana naquele dia e sua vida seria um verdadeiro inferno se não fosse a alegria de ter sua filha junto a si.
Logo recebeu uma carta de demissão de seu sólido e inabalável emprego, o que desestruturou completamente sua vida. Desde então vinha lutando com unhas e dentes para sustentar sua família, mas nunca conseguia manter um emprego por muito tempo e sabia bem o motivo disso.
Mas agora, ali no Rancho Fabray, sentia que as coisas eram diferentes. Longe de onde todo o inferno de sua vida começara, conseguiria dar prosseguimento em sua vida e se estabilizar.
Finalmente sentia que teria paz e tranquilidade ali naquele local, com aquelas pessoas que estavam sendo tão receptivas com ela e com certeza também o seriam com sua família.
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