Meu Lar
3 Capítulo 03
Notas iniciais
No dia seguinte Santana começou a se inteirar de tudo que tinha de fazer no rancho. Na verdade não era nada que fugisse do que estava acostumada a fazer em seus empregos anteriores.
Começou tratando dos cavalos, que sempre eram mais delicados que o gado e exigiam mais atenção. De cara se apaixonou por um garanhão preto, com a crina ondulada. O animal era simplesmente lindo. Exalava poder e força. Tentava se aproximar dele gentilmente, mas o animal ainda estava desconfiado.
– Ele é arisco como a dona dele. – falou Puck, com um sorriso de lado.
– Como? – perguntou baixo, ainda tentando se aproximar do animal.
– Ele é o cavalo da Quinn. – informou – Só ela consegue se aproximar dele.
– Não duvide de mim, Puckerman. – desafiou Santana – Leve o tempo que precisar, ele ainda vai confiar cegamente em mim.
– Veremos. – disse com um sorriso debochado, logo se afastando.
– Ei garotão, me deixe te examinar. – falava suave – Deixe eu ver se está tudo bem com você.
Aproximava-se lentamente com a mão estendida. O animal repentinamente ficou quieto e não tentou mais se afastar. Santana já estava se vangloriando mentalmente quando uma outra pessoa surgiu por trás dela e acariciou carinhosamente o dorso do cavalo.
– Calma, menino. A Santana só quer cuidar de você. Pode confiar nela. – dizia Quinn suavemente com sua voz firme.
Com Quinn ainda acariciando-o, Santana passou a examina-lo, constatando logo em seguida que o animal estava aparentemente em perfeitas condições. Fez a coleta de um pouco de sangue para análise a fim de ter um resultado mais aprofundado das condições do animal.
– Está tudo bem com ele, aparentemente. – anunciou – Agora vou fazer as análises no sangue e ter mais uma certeza de que está tudo bem.
– Tenho certeza que meu meninão está bem. Não é, Black? – dizia carinhosa.
– Amanhã mesmo já te levo o resultado de todos os animais examinados hoje. – falou de forma profissional, mas por dentro se derretendo pela forma que a loira tratava o cavalo.
– Obrigada por hoje, Santana. Vá descansar, o dia foi puxado. – disse simplesmente.
– Ok, obrigada. Boa noite Quinn. – falou saindo logo em seguida.
Enquanto Santana se afastava Quinn a analisava atentamente. A latina tinha um andar sensual, mesmo que não propositadamente. Sentia-se estanha quando estava próximo a ela o que com certeza não era um bom sinal. Pretendia manter-se o mais afastada possível, pois não estava nem um pouco interessada em descobrir o que aquilo significava.
Fechou com cuidado a portinhola da baia de Black e saiu pensativa da estrebaria. Observara a movimentação da latina durante todo o dia e já de início percebera que ela não tinha medo do trabalho. Não era de se esquivar diante de uma dificuldade e estava se mostrando extremamente competente.
Só uma coisa a estava encucando: por que ela não permanecera nos outros empregos? Os motivos das dispensas não estavam especificados nas cartas de recomendações que ela lhe apresentara, mas com certeza com tempo e paciência descobriria tudo.
Santana caminhava cansada, mas extremamente feliz para sua nova casa. Ao lembrar que em breve sua menininha estaria correndo por ali, sorriu feliz. Ia distraída pensando da filha e não ouviu que lhe chamavam, surpreendendo-se ao se deparar com Puck em sua frente.
– Ei, latina. Faz um tempão que te chamo. – disse rindo.
– Me desculpe, Noah. É que me perdi em pensamentos. – respondeu também sorrindo abertamente.
– Seu dia foi cansativo. – afirmou – Não gostaria de tomar uma cerveja comigo para relaxar? – disse galante.
– Huumm, vai ficar para a próxima. Só quero tomar um banho, comer alguma coisa e cair dormindo na cama. – respondeu amigavelmente.
– Vou cobrar então. Boa noite. – falou levando a mão ao chapéu de cowboy que ele usava.
Noah parecia ser um cara realmente legal. Se seus gostos fossem outros, com certeza daria uma chance ao rapaz, mas tinha certeza que sua preferência era a mesma que a dele. Ainda com um sorriso nos lábios, entrou em casa para finalmente ter um momento de descanso.
Ao longe Quinn observava aquela cena e ao ver o sorriso que Santana dirigira a Noah desejou momentaneamente estar no lugar do amigo. Viu quando ela se afastou com um sorriso ainda bailando nos lábios carnudos e ficou triste por não ser o motivo dele ter brotado ali.
Punindo-se mentalmente por estar tendo aquele tipo de pensamentos por uma garota que conhecera há apenas três dias, dirigiu-se até sua casa pisando duro. Não queria e não iria criar qualquer tipo de expectativa com a latina. Tinha certeza que se viesse a se envolver com ela ao final seria tratada com desprezo, como já fora antes e com certeza não queria vivenciar aquilo novamente.
Mal raiara o dia e Santana já estava sentada na varanda de sua casa com uma caneca de café em mãos. Adorava aquela hora do dia em que o sol raiava e tudo parava para apreciar aquele espetáculo de luz e vida.
Sem sombra de dúvidas aquela era sua hora favorita do dia, onde se perdia em pensamentos e tomava as decisões mais importantes de sua vida. Sempre gostara de acordar cedo, sentia-se revitalizada a cada nascer do sol.
Aquela hora da manhã já dava o vislumbre do quão quente seria aquele dia. Já estava vestida com uma calça jeans justa, uma camisa branca de tecido leve e suas inseparáveis botas de cowgirl. Prenderia os cabelos em um rabo de cavalo e colocaria seu chapéu, para bem enfrentar o sol quando saísse ao campo para dar uma olhada no gado que estava confinado ali perto.
Um movimento foi captado por sua visão periférica e ao virar o rosto viu Quinn se aproximando com a seriedade que sempre tinha no rosto.
– Bom dia. – disse simplesmente.
– Bom dia, Quinn. – respondeu e decidiu ser simpática com sua patroa – Você aceita tomar um café comigo?
– Se não for muito incomodo eu vou aceitar. A Emma só acorda mais tarde e meu café é realmente ruim. – disse com um sorriso envergonhado no rosto.
– Senta aqui que vou pegar uma xícara para você. – falou batendo sem perceber no local bem ao seu lado.
Enquanto Santana se perdia dentro de casa, levando um suave perfume que deixou Quinn inebriada, esta sentou-se onde havia sido indicado. Momentos depois a latina voltou com uma caneca em mãos e estendeu para a loira que a pegou prontamente e sorveu seu conteúdo.
– Nossa, Santana. – deliciou-se – Isso aqui está maravilhoso. Não deixe a Emma ficar sabendo disso, mas o seu café é muito melhor que o dela, é sensacional.
Quinn falava com um brilho diferente nos olhos, parecia uma criança que havia acabado de ganhar um doce.
– Obrigada. – disse rindo, frente àquele entusiasmo inusitado – Pode deixar que não contarei a ela.
– Isso aqui está bom demais. – disse enquanto sorvia o líquido quente – Acho que vou ter que vir te visitar todas as manhãs. – falava sem pensar, até que um lampejo de lucidez passou em sua cabeça – Me desculpe estar sendo inconveniente. Não sei se deu para perceber que sou viciada em café.
Diante daquela confissão Santana teve que rir. Quinn ficou encantada com aquela risada espontânea da latina e sentiu uma vontade quase que incontrolável de provar aqueles lábios que provavelmente estavam com gosto de café. Sentiu uma onda de excitação novamente tomar seu corpo.
– Pode vir quando quiser. – disse simplesmente.
– Então, qual foi sua visão do trabalho depois do primeiro dia. – falou mudando de assunto e ficando repentinamente séria.
– Sinceramente eu gostei muito. Me senti muito á vontade para exercer minha função. Sem falar que todos foram muito receptivos comigo. – dizia feliz.
– Fico feliz que você tenha apreciado. – respondeu sincera – E da casa? Você está gostando? Não falta nada?
– Está tudo perfeito, obrigada. – disse grata.
– Quando sua mãe e sua filha virão? – não conseguiu conter a curiosidade, estava se coçando para conhecer Alícia.
– Semana que vem, não vejo a hora de ter minha pequena nos braços novamente. – disse com um brilho nos olhos.
– Deve ser difícil ficar longe dela...
– Você nem faz ideia, mas eu precisava vir sozinha para resolver a questão do emprego e só trazê-la depois de tudo acertado. – falou pensativa.
– Tenho certeza que ela vai adorar morar aqui. Com certeza será muito paparicada por todos. Você não sabe o que é quando Emma e Will trazem os sobrinhos deles. É uma verdadeira festa. – disse sorrindo e olhando o relógio em seguida – Nossa, perdi a noção da hora conversando com você. Nos vemos mais tarde.
Mal falou e já saiu em direção à própria casa, nem dando tempo para Santana se despedir. As palavras ditas por Quinn tinham deixado a latina ainda mais feliz. O que mais lhe importava era o fato de sua filha ser bem recepcionada e tratada por todos, e pelo que via ali ela teria tudo ali.
Ainda com um sorriso no rosto foi terminar de se aprontar para mais um dia gratificante de trabalho.
Antes de começar a inspecionar os animais que ainda não vira dirigiu-se ao mini laboratório instalado no mesmo prédio em que era o escritório de Quinn a fim de verificar as análises que havia deixando processando desde o dia anterior.
Depois de uma atenta inspeção verificou que apenas um dos animais equinos apresentava problemas. Com o resultado em mãos rumou à sala de Quinn, entrando logo depois de bater. A loira estava concentrada em algo que lia no computador, girando levemente a cabeça na direção de Santana e fazendo sinal para que sentasse, enquanto digitava alguma coisa.
– Desculpe te fazer esperar. – disse polidamente instantes depois – Era meio urgente o que eu tinha que responder.
– Não tem problemas. Somente vim conversar com você sobre o resultado das análises do material que colhi ontem. – continuou – Apenas um dos animais apresentou um pequeno problema de verminoses e se não tratarmos desde agora pode se agravar e alastrar aos demais.
– Qual dos animais? – perguntou simplesmente.
– A égua Blue Sky. – verificou no papel.
– Foi a minha última aquisição, não faz nem duas semanas que ela está aqui. Os antigos donos me garantiram que ela estava livre de qualquer doença ou praga. – disse exasperada – Eu não tinha nada que ter fechado o negócio antes de ter examinado o animal detalhadamente, mas não podia perder essa aquisição. – puniu-se.
– Não se preocupe, Quinn. Isso é uma coisa bem simples. Pelo que vi ela não está tomada por esta praga ainda e se começarmos imediatamente o tratamento logo ela estará livre de qualquer problema. – tranquilizou.
– E o que pretende fazer? – indagou.
– Primeiro recomendo que ela fique isolada dos demais animais para não alastrar. É só por precaução mesmo. E imediatamente passarei a ministrar um vermífugo e prosseguirei com análises periódicas até erradicar tudo. – informou.
– E os demais animais?
– Vou acompanha-los também, mas o maior risco de eles também adquirirem problema de verminoses seria se o ambiente onde ficam não fosse limpo periodicamente e também se houvesse alguma fonte de proliferação na comida, o que já verifiquei não ser o caso.
– Ótimo, pode fazer o que achar necessário. Aqui você tem carta verde e não precisa vir me consultar a cada procedimento que for fazer. – tranquilizou-a.
– Fico grata que seja assim. Há locais que cada procedimento que você vá fazer precisa de autorização do proprietário. Fico realmente feliz por você não ser assim.
– Faça como achar melhor. Afinal a profissional da área aqui é você, não posso ficar dando palpite, apesar de saber bastante também. – gabou-se.
– Obrigada pela confiança. – falou sorrindo e logo saindo da sala, deixando para trás uma Quinn embevecida com o requebrado de seu quadril ao caminhar.
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