Ao sinal do recreio, Butter congelou. Teria que conversar com Butch. Mas não estava pronta. Não depois daquela cena dela. Mas como se pudesse ler os pensamentos dela, ele não foi até a morena. Pelo contrário, foi jogar bola com os garotos.

Butter suspirou de alívio.

Alguém colocou a mão no ombro dela. Ela pulou e deu um grito.

— Ai, que susto! – Ela esbravejou, olhando para uma menina que nunca tinha visto antes. Ela tinha os cabelos na altura do queixo e roxos e seus olhos eram castanhos-escuro. (É, parece coisa de anime, mas sabem como é!)

— M-me desculpe... – A menina reverenciou. – Sou nova aqui e não conheço nada...

Butter resolveu escutá-la.

— Meu nome é Sayumi Wolts e eu tenho 15 anos... – Disse a garota, em tom baixo, o qual Butter escutou.

— Prazer! – Butter apertou a mão dela com força e depois se desculpou. Lembrou do que o Professor dissera sobre ser mais delicada. – Eu sou a Buttercup, tenho 15 também.

Ela sorriu.

— Estou na sala ao lado da sua. – Sayumi disse.

— Que legal! – Butter disse, sorrindo.

— B-bem... você conhece aquele menino ali embaixo, né? – A menina apontou para Butch.

— Ah, fala daquele traste? É, conheço. INFELIZMENTE. – Butter disse, com desgosto.

— A-ah... Bom... Queria que falasse pra ele por mim... – Sayumi corava e tremia.

— Falar o que?

— Meus sentimentos...

— O QUE? Não me diga que você...

— Sim, eu gosto dele. Digo, como posso gostar sem conhecer, né? – Ela riu, envergonhada. – Mas eu admiro bastante ele. Já tinha visto ele por aí.

“Ela definitivamente não conhece esse moleque vilão que é o Butch!”

— Você deve estar cega. Logo esse cara? Ele é malvado. – Alertou a Butter.

— Ah, não pode ser. – Sayumi disse, chorosa.

— Mas ele é legal quando quer... eu acho. – Butter forçou pra dizer isso, mas um largo sorriso se abriu em Sayumi.

— Então... quero conquistá-lo! Me ajuda? – E pegou nas mãos da morena.

— E-eu? Por que eu?

— Não é seu irmão? – Sayumi perguntou.

— Não. Graças à Deus. – Butter bufou e isso fez a japinha rir.

— São tão parecidos... Vocês não são mesmo parentes? – Insistiu a japa.

— NÃO MESMO! – Butter ergueu o tom de voz e logo baixou. – D-digo... Imagine... Eu e Butch parentes, hahaha... – Ela fez como uma garotinha kawaii.

Sayumi sorriu.

— Bom, mas o Butch é meio que meu “guarda-costas”. – A morena fez aspas.

— Como assim?

Butter suspirou e se viu obrigada a contar toda a história.

— Ah... – Disse Sayu, desanimada.

— Não se preocupe! Eu te ajudo! Não sinto nada por esse traste a não ser ódio!

— Obrigada, Butter-chan. De verdade. Você é uma amigona. – Sayu sorriu e pegou nas mãos de Butter a deixando sem ação... de novo!

— Conte comigo pro que precisar. – Butter sorriu. Não estava fingindo o sorriso meigo. Ela QUIS fazer aquilo.

— Tá bem... Vou lanchar, depois conversamos. Sayonará!

— Ah, até... – Acenou Butter.

A morena foi comprar um suco, mas estava com uma estranha sensação dentro dela.

“Que estranho... Parece que perdi a fome. Eu nem ia comprar nada mesmo. Mas parece que estou com dor. Dor no peito... MEU DEUS! Dor no coração? Eu vou morrer?!”

Butter, lá de cima, observava Butch.

“Como ela gostou do Butch?”

Aí ela balançou a cabeça.

“Por que me importo? Eu odeio ele. E ele conquista várias garotas, ela vai ser mais uma. Afe.”

Mas estava inquieta. Seu coração estava apertado.

“De repente, juntar a Sayu e o Butch pode não ser uma boa ideia... Ele pode fazer mal a ela e...”

Aí ela se tocou.

“NÃO, BUTTERCUP! ELE É SÓ UM TRASTE DE GUARDA-COSTAS! VOCÊ NÃO SENTE NADA POR ELE ALÉM DE ÓDIO!!”

Butter continuava lutando com as emoções, quando se tocou numa coisa.

“Quer dizer que era tudo plano do Professor? Chamar o Butch pra me proteger... e pra tentar juntar nós dois?” – Ela ficou boquiaberta com tal pensamento.

Ela precisava descobrir. Se descobrisse, poderia acabar com tudo aquilo e se livrar de Butch e ficar longe... assim Sayumi e Butch poderiam ficar em paz juntos.

“Mas por que não fiquei feliz?” – Suspirou ela, triste.

Ela precisava de Butch ao lado dela, por mais que negasse. Precisava aceitar o fato que poderia estar começando a gostar de um cara que sempre odiou e o que sentiu anteriormente era ciúmes. Ela não sabia como era. Era a primeira vez que sentia isso. Pelo menos, ela se sentia como uma garota agora.

“Se foi seu plano, Professor... Parabéns!”

Antes ela não tinha preocupações... Só praticava esportes, andava de skate, jogava videogame, etc... Agora poderia se preocupar com o tão esperado e temido amor? Será que estava pronta pro seu maior desafio?