Meu Estranho Mafioso

30 Vinte e seis.


— ARIES, escute a mamãe: seu irmão não sabe escolher garotas direito. — Observou Honoka, minha mãe, quando possuía apenas quatro anos de idade.

— Não acho que isso deva ser algo para vocês duas interferirem. — Reparou meu irmão.

— Onii-san, fique fora disso! — Bronqueei.

Ele apenas suspirou.

— Papai, por que elas duas não cuidam da própria vida? — Indagou para Igneel que estava de pé ao lado de mamãe, lendo um livro.

— Não faço a mínima ideia. Natsu vai ficar irritado por irem decidindo coisas da vida dele assim.

— Ele não pode brigar comigo. — Afirmou Honoka, cheia de confiança. Apoiou as mãos na cintura fina e começou a rir de maneira alta e irônica. — Afinal, sou a mãe de vocês. Posso me meter em suas vidas o quanto quiser!

— Honoka, deveria para com isso. — Observou papai. — Está assustando nossos filhos.

— Não ligooo! — Cantarolou.

— Mamãe! — Reprendeu meu irmão.

— Eh?! — Bufou. — Que filhos chatos vocês são. Não posso nem me sentir livre para brincar com vocês. Onde está a alegria da juventude de vocês?

— Você sugou toda. — Respondeu meu pai.

— Hum... — Ela ponderou por alguns segundos. — Yeap. Acho que tem razão, Igneru!

— Mamãe... Isso quer dizer que você é infantil.

— Eh?! Igneru, seu malvado! — Começou a socá-lo.

— Desculpe! Desculpe! — Implorou ele, fechando o livro.

— Não!

— Tsc! Você realmente não tem jeito... — Murmurou ele, puxando-a pela cintura para mais perto e selando seus lábios. Ambos, eu e meu irmão, coramos ao ver a cena. — Hum... — Grunhiu, tentando separar-se um pouco de mamãe. — Por que Natsu está demorando tanto no banho? Você dois podem verificá-lo para mim?

— Não quero ver o Natsu-nii tomando banho. Eca! — Enojou-se meu irmão.

— E-eu também não... — Balbuciei baixinho.

— Ora essa! Você é um homem! Não tenha vergonha de ver um corpo igual ao seu! — Reprendeu minha mãe. — E quanto a você, Aries... Conto com você para tomar conta de seu irmão quando eu não puder.

Afagou minha cabeça e a encarei admirada.

— Certo! Eu o farei!

— A-Aries?! — Exclamou meu irmão, surpreso e chocado.

— Você não pode ver seu irmão pelado! — Interrompeu papai, em um guincho.

— Foi você que sugeriu. — Observei.

— M-mas mudei de ideia!

— Igneru... — Tentou mamãe.

— Não!

— Vamos lá, Igneru... — Murmurou mamãe de forma mimada. Chegou seu lábios perto de seu ouvido e murmurou algo. — Eu vou...

Papai arregalou os olhos e sorriu em seguida.

— Aries! Vá ver Natsu tomando banho! — Ordenou.

— Papai! Isso não é...

— Vamos lá, você também! — Disse, empurrando-nos para fora da sala onde ele estavam — a biblioteca, só para constar.

— O que eles... — Comecei.

— V-vamos ver porque Natsu está demorando tanto! — Cortou ele.

Naquele dia, jurei para mim mesma que tomaria conta do nii-sama.



—Tempos atuais-

— Aries-sama! — Interrompeu minha leitura um dos mafiosos que nos serviam. — É oficial, seu irmão terminou o namoro com a ruiva.

Somente suspirei.

Peguei um dos prendedores de cabelo afiados que estavam ao meu lado e taquei em sua direção, mantendo mais dois em minha mão ameaçadoramente.

— Quantas vezes já falei — sibilei — para não me chamar assim quando estiver trabalhando?

— Desculpe! — Implorou, encostando a testa no chão frio.

— Como deve me chamar?

— Eh?

— Estou lhe fazendo uma pergunta séria! Como mandei me chamar?

— Er...

Bufei de frustração. Quantos retardados estavam me servindo?

— Ella. Repita comigo: “Ella-sama”.

— E... Ela-sama...

Novamente suspirei.

— Ele terminou com ela, hein? Não foi nem um mês de namoro...

— Er... Ari... — Mostrei-lhe o prendedor. — O que faremos? — Consertou. — Igneel-sama só nos deu até o aniversário de seu irmão para fazer algo a respeito.

— Meu pai?

— Sim!

— Entendo... — Balbuciei, olhando pela janela marcada pelas gotas de chuva. — Então ele sabe disso também... aquele velho idiota – joguei o prendedor em um alvo para dardos. — Tsc! Como me irrita!

— O que devemos fazer a respeito?

Ponderei durante alguns segundos.

— Leve-me até a estação amanhã. É triste, porém... terei que escolher o alvo eu mesma.

— Sim, Ela-sama!

E então? Como será meu próximo alvo?



—No dia seguinte-

— Estou cansada de caminhar e procurar. — Reclamei, dando passos firmes e cheios de frustração.

— Ela-sama! Por que não descansa um pouco? — Sugeriu um de meus subordinados. — Veja, há uma lanchonete logo ali.

— Parece uma boa ideia. — Concordei.

Enquanto ele foi buscar uma taça de sorvete para mim, observei o movimento do lado de fora das janelas da lanchonete. Nada especial.

Afinal, estávamos quase no final do semestre, seria besteira minha esperar alguma aluna nova para qualquer uma das escolas de nossa cidade... Apoiei meu queixo na palma da mão, observando as diversas pessoas que iam e vinham. Pude ver a banca de jornal, com as edições sobre meu irmão.

Como Natsu-nii-sama os deixou entrevistarem-no, não faço ideia. Talvez tenha sido obra daquele velho pervertido?

De repente, vi algo que chamou-me atenção. Uma garota de cabelo loiro e vestida de forma muito simples. Ela foi de encontro com Tara-san, a ex-modelo rabugenta que agora era dona de uma pensão na cidade. Parecia ser pouco mais velha que eu, talvez da idade de meu irmão... e ela me lembrava alguém, mas... Quem?



— Olhe Aries! — Chamou-me papai. — Veja só, sua pequena curiosa, o que achei!

— O que, papai? — Indaguei, enquanto segurava meu enorme ursinho de pelúcia — ele cerrou um punho e colocou na frente da boca, virando-se minimamente e tremendo muito. — Papai?

Ele riu baixinho.

— Minha filha é tão... fofa! Venha, Aries! — Estendeu a mão para mim. — Sente-se no colo do papai...

— Não quero. — Cortei-o, agarrando meu ursinho mais fortemente. — Mamãe disse para não chegar tão perto de você, pois iria querer roubar minha pureza.

— Que imagem Honoka está fazendo vocês terem de mim? — Indagou em voz alta.

— Ela também disse: “Ouça bem, Aries. Só mamãe pode ficar perto do papai, ou tocá-lo, ou ter qualquer outro tipo de contato. Papai pertence somente a mim”. — Contei.

Seu rosto explodiu em um tom vermelho.

— E-entendo... Se é assim, não tenho escolha... — Sentou-se ao meu lado. — Veja, esses somos nós, mamãe e papai, quando nos graduamos.

Observei a imagem onde mamãe brincava com uma mecha de seu cabelo e era observada com admiração por todos a sua volta. Na foto de baixo, papai sorria abertamente, com várias garotas a sua volta, e na ao lado estavam os dois... e uma mulher de longos cabelos loiros e olhos castanho claros.

— Quem é essa? — Apontei para a mulher na foto.

— Essa? É minha melhor amiga de infância, que também foi minha primeira namorada e agora é uma das melhores amigas da sua mãe... Layla.

Então ela provavelmente é a filha de Layla, hein? Ouvi falar de algo assim.

Decidi.

Ela será meu alvo.



— Ela-sama, seu irmão já teve um contato com a novata hoje. Fizemos como pediu e demos um jeito de fazê-lo perceber a presença dela!

— Oh, entendo... Bom trabalho. Meu problema é como o Nii-sama reagirá a ela...

— Talvez fique interessado. — Murmurou Loki, apoiando-se no batente da porta.

— Loki...! Não havia percebido que estava de volta.

— Eh? Que maldade dizer isso para seu melhor amigo!

— Melhor amigo, claro. — Observei-o se jogar no sofá. — E? O que faz aqui?

— Fiquei com saudades de você. Não posso?

Soltei um longo suspiro.

— É uma ótima hora. Mantenha-me atualizada sobre esse assunto, por favor.

— Mal volto de um trabalho e já me manda para outro? Você é cruel, Aries.

— Não me chame de Aries aqui.

— Okay, okay... Desculpe, Ella.



—Na semana seguinte-

Natsu-nii está preso no trabalho, hein? Provavelmente chegará atrasado na escola.

Virei-me na cama.

Quero conhecer a tal Lucy... Será que ela é legal? Ouvi dizer que ela não se dá bem com o Nii-sama... Ela é maluca? Ou não sabe quem é o Nii-sama?

Seja lá qual for, ela é estranha...

— Aries-sama, pediu para me chamar? — Indagou Virgo, abrindo a porta depois de bater e eu conceder sua entrada.

— Virgo-chan... Quero conhecer essa garota dos boatos... O que faço?

— Eh?! Fala da estranha garota que não se dá bem com seu irmão?

— Exato.

— Bem... Não sei se deveria me atrever a lhe dizer isso, mas... temos um estoque de Krug Clos lotado. Sabemos como é seu irmão depois de beber uma certa quantidade de álcool...

Levantei-me em um rompante.

— Virgo, você é um gênio!

Corri até meu celular e disquei um dos números quaisquer com que estava acostumada.

— Alô? Ela-sama?

— Tenho um favor para lhe pedir. Poderia colocar na bebida de meu irmão uma certa quantidade de álcool?

— Ela-sama, isso é...

— Ha?! Vai desobedecer uma ordem minha?

— Na-não. E-entendido.

E depois... Bem, vamos pular essa parte, uma vez que já sabe o que acontece. Nii-sama dá um banho nela com o Krug Clos e etc. Não é a primeira vez que acontece.

De qualquer forma, Lucy não saber que meu irmão é o maior mafioso do país me irrita!

Novamente, então, disquei aquele número.

— Amanhã use alguma roupa que não mostre seu rosto e tente assassinar Lucy Heartfilia. — Ouvi a resposta dele do outro lado. — Não. Apenas tente. Se a garota sair ferida, eu mesma dou um fim em você. — Mais murmúrios. — Certo. Apenas faça isso.

No dia seguinte, liguei para Erza fingindo estar preocupada com Lucy e meu irmão sozinhos e pedi para dar uma rápida olhada antes de seu encontro. Sucesso. Erza protegeu Lucy, pelo que observei através de uma das câmeras que tinha espalhadas pela cidade.

Bem... Com isso só me restava a viagem de uma semana. Heh... fácil. Loki serviria para essa tarefa.

Mas antes, precisaria de informantes.... Quem poderia me atualizar de tudo o que acontecesse nas montanhas Sakura e no monte Hakobe?

...Gray! Certo! Marcarei um escândalo bem em frente ao apartamento de Lucy. Isso é fácil, só preciso pedir ao Lyon para dar as caras e problema resolvido!

No tempo da viagem, ficaria aqui para dar um jeito das coisas acontecerem depois que eles voltassem. Precisava de um motivo para eles se encontrassem depois do início das férias... e Loki apareceu com a brilhante ideia de bagunçarmos o apartamento da loira. Ele mesmo se ofereceu para esse trabalho. O motivo vamos deixar para outro momento.

Com isso, Lucy era a única que meu irmão poderia recorrer para ser sua “namorada”. Acertei um dos meus objetivos, agora deveria transformar esse namoro de algo falso para verdadeiro...

Lucy se mostrou incrivelmente culpada por não dar um presente para meu irmão — sinal de que meus planos estavam dando mais que certo.

…No entanto, foi aí que as coisas desandaram.

Teve um erro nos meus planos... que atende pelo nome de Sting Eucliffe.

Depois daquela coisa horrenda que fez com a pobre Lucy, não consegui medir o que aconteceria em seguida.

—... Até seu apartamento foi incendiado. Me desculpe, Lucy. — Implorei para a loira que se sentava a minha frente, ouvindo tudo com uma expressão chocada e surpresa.

— E-eu não podia imaginar que você estava por trás de tudo, Aries. — Afirmou. — Mas pensar que conseguiu planejar isso tudo me surpreende. Incrível!

— Nem tanto. Há fatores que não consigo lidar de forma alguma, como Meredy... e meu pai. Aquele velho pervertido sabe de tudo o que faço, então por isso não deve ter dito que sabia que você era uma namorada falsa. É triste admitir, porém isso de eu saber e controlar os outros... provavelmente puxei dele...

— Quando... — Começou a especular. — Quando estávamos no baile de fundação. Como sabia que iria ouvir Natsu e os outros?

— Eu não sabia. Natsu-nii sempre se gaba para alguns simples subordinados nesses tipos de festas. Estava me perguntando como fazê-la ir até aquele corredor. Igneel deu um jeito nisso para mim. Por isso devo agradecê-lo.

— Então no final, todos vocês queriam que eu ficasse com Natsu, hein? Só não entendo o porquê.

— Você é filha de Layla. Se for como meu pai disse que sua mãe era, ao menos um pouco, conseguirá curá-lo de suas cicatrizes do passado. É nisso que creio.

— Aries...

— Aliás, se quiser atualizar Levy-chan, tudo bem.

— Eh?! Como assim “atualizar”? Não me diga que Levy-chan também sabe o que você andou planejando...?!

— Bingo! — Confirmei.

— Mas como?

— Fui até sua terra natal procurar por algo que pudesse utilizar para fazê-la agir como queria, isso quando você estavam nas Montanhas Sakura, e acabei me encontrando com Levy-chan e... bem... o seu tão comentado ele.

— Você o conheceu?!

— Claro. Lucy... você sabe escolher namorados. Parece até um desperdício separá-la dele. — Encarou-me chocada. — Pensei em trazê-lo para cá, como fiz com Levy, porém ele se negou a isso. Disse que esperaria você ligar para ele e atualizá-lo das novidades você mesma.

Entristeceu-se.

— Sou uma péssima pessoa.

— Claro que não. Você é incrível.

— Hum... — Negou em um murmurio, balançando a cabeça. — Você que é. Você e seu pai. Ambos só planejaram isso porque se importam muito com Natsu.

— Lucy! — Exclamei.

— Agora... Aries-chan. Confirme algo que percebi: você gosta do Loki-kun, não é?

— O quê? — Soltei em um guincho.

— Vamos lá! Percebi como reage quando ele fala com você.

— Lucy... — Segurei o riso. — Isso é impossível!

— Não é porque são amigos de infância que precisa ter essa atitude...

— Não. — Cortei. — Você não entendeu. Isso é impossível porque Loki... Quer saber? Descubra sozinha.

— Eh?! Ainda vai me esconder coisas?

— Desculpe. É algo pessoal dele!

Bufou.

— Tudo bem. Vou ver se encontro seu irmão.

— Tome cuidado. — Avisei. — O fator Meredy ainda está por aí.

Ela riu.

— Tudo bem. Obrigada.

Quando ela finalmente deixou-me sozinha, dirigi-me até a janela mais próxima, encostando minha mão no vidro frio e observando o céu azul.

Gostar do Loki-kun, hein...

Apertei meus dedos contra o vidro, observando suas pontas ficarem brancas.

Na verdade, Lucy que era incrível mesmo. Passar por tudo isso e ainda poder me perdoar... Também conseguir ignorar Meredy... E ainda por cima...

Ser capaz de ler meu coração.

Notas finais
E ai? Alguém pensou que "ela" poderia ser a Aries? :3 Um mistério já foi. Agora troque ela, pelo "você" (ou "irmão mais velho", vocês que sabem). Honoka egoísta! Não quer dividir o Igneel nem com a própria filha! Finalmente chegamos ao capítulo 30! o/ • Obrigada aos que favoritaram! Reviews?