Meu Estranho Mafioso
29 Vinte e cinco.
Notas iniciais
NO DIA SEGUINTE, acordei com os terremotos que estavam acontecendo nos meus ouvidos — vulgo roncos do Natsu.
Ainda estávamos abraçados e corei imediatamente ao perceber a falta da minha roupa. Ele inconscientemente apertou-me mais próxima de seu corpo, e sorri por causa de tal gesto. Observei cuidadosamente seu rosto. Os cílios eram grandes, embora quase não os desse para ver normalmente. Os fios rosáceos lisos caiam gentilmente pelo rosto e ele parecia um criança devido ao sorriso incrivelmente feliz e fofo que fazia. Deslizei as mãos pelos músculos firmes de seu braço, aconchegando-me um pouco mais perto de seu peito e ouvindo seu coração bater.
Ali, nos braços de Natsu, era tão quentinho...
Empurrei meu corpo delicadamente com os pés, escorregando até a altura de seu queixo e mexendo em seu cabelo macio. Senti seu cheiro novamente e sorri abertamente.
Cheiro de Natsu...
Tristemente deslizei pelo seus braços, me levantando. A camisa social que ele vestira na noite anterior estava ali. Trajei-a e percorri o quarto com os olhos.
Será que alguém já teria chegado?
Uma olhada para o despertador digital de Natsu me deu a resposta. Ainda eram sete da manhã, ninguém deveria estar acordado...
Postei-me em frente à cômoda que havia visto na noite anterior. De maneira incrível, as flores do colar havaiano continuavam com seu cheiro adocicado bem vivo. Senti um geladinho nas pontas dos dedos ao passá-los pela pedra lisa do colar do outro lado. Peguei a moldura com a imagem da bela garota, indagando para mim mesma quem deveria ser.
— Bom dia, Luce... — Balbuciou Natsu, com a voz meio grogue de sono. Enlaçou suas mãos em volta de minha cintura e depositou um beijo na base de meu pescoço. Senti um calafrio de prazer perpassar-me rapidamente.
— Bom dia... — Murmurei de volta, percebendo-o tentar abrir os olhos, mas os fechando por causa da luminosidade do cômodo. Abriu somente um, observando-me fixamente.
— O que está fazendo? — Indagou.
— N-nada! — Exclamei envergonhada.
— Estava fuxicando nas minhas coisas, certo?
— S-sim... — Admiti, ainda mais vermelha. — Desculpe.
Suspirou.
— Por que está se desculpando? Você é minha namorada, é claro que não vou querer guardar nenhum segredo de você.
Encarei-o, surpresa.
— Sério?
Suas bochechas foram tomadas por um tom rubro e ele acenou positivamente. Sorri.
— Ei... Quem é esta? — Perguntei, mostrando-lhe o quadro que ainda segurava.
— Hum? — Lançou um olhar rápido pela imagem. — Ah! Essa é a minha mãe.
Então era mesmo a mãe dele...
Sentamo-nos na cama, enquanto ele observava a moldura com um olhar amoroso e admirado.
— Como ela se chama? — Brandi, pois o quarto estava muito silencioso.
— Honoka... O nome dela era Honoka.
— Era?
— Já lhe contei, não? — Virou-se para mim surpreso. — Lembra? Na viagem às montanhas Sakura.
— Oh! É mesmo! Sinto muito!
— Então... Você perdeu sua mãe cedo por causa de uma doença... — Puxou assunto Natsu, ao meu lado, na montanha Sakura.
— Sim... Se me lembro bem, você também, certo?
— É.
— Como ela morreu? — eu sei, pergunta cretina. Principalmente no que deveria ser um dia animado.
— É o que se ganha como esposa da máfia. — Comentou ele, com um sorriso estranho. — Ela estava preparada. Nós também.
— Tudo bem. — Afirmou, bagunçando o cabelo e deixando seu corpo cair na cama. Decidi mudar de assunto, indo até a cômoda e colocando o quadro no lugar onde o achei. E então vi o colar com pedra lisa.
— Ei, Natsu. — Chamei, recebendo um grunhido fraco dele como resposta. — E esse colar? Tem algum significado?
— Que colar? — Levantou-se para ver objeto em minhas mãos. Em seguida... Tudo passou muito rápido. A expressão de choque em seu rosto, ele correndo até mim, me jogando no chão e tomando o colar de minhas mãos... Em seguida voltando a si e me ajudando a levantar...
— Natsu? — Murmurei chocada. Que reação foi essa?
— Desculpe, Luce. — Murmurou em um fio de voz. Ele havia se virado para a parede e evitava olhar para mim. — Poderia não me perguntar sobre isso, por favor? — Apertou o colar mais forte em sua mão. — Eu ainda não... sou capaz nem sequer de pensar nisso... Então... Não pergunte.
A atmosfera ficara muito pesada e carregada do nada.
O que esse colar significa para Natsu?
— Tudo bem. — Respondi simplesmente. Ele parecia sofrer pelo que pude notar em sua voz, então não vou pressioná-lo, muito menos dizer “você acabou de dizer que não gostaria de guardar nenhum segredo de mim”.
Afinal... Quem sou eu para reclamar dos segredos dos outros? Eu mesma escondi muitas coisas que aconteceram aqui dele...
✩✩✩
— Eh?! — Exclamou Erza, que passara a noite na mansão, na mesa do café da manhã ao ar livre. — Quer dizer que vocês agora são oficialmente namorados?
— Si-sim... — Concordei, sentindo minhas bochechas corarem fracamente.
— Nada mal, idiota rosado! — Elogiou Gray, que estava (cora mais ainda) só de cueca, encaixando o pescoço de Natsu em seu braço.
Meredy chiou para mim igual a um gato raivoso enquanto agarrava a perna do irmão fortemente.
— Onii-sama! Diga que é mentira! Não pode ser verdade isso que estou ouvindo! Eu sou a única que você pode amar! Somente eu e ninguém mais! — Implorou.
— Ojou-sama, pare com isso! — Bronqueou Virgo, tentando tirá-la da perna de Natsu.
— Me largue, Virgo! — Tentou ordenar a rosada.
— Me largue, Gray! — Ordenou Natsu, que estava sendo asfixiado pelo moreno que ainda o prendia pelo pescoço enquanto Meredy acabava puxando seu corpo para a direção contrária através da perna.
— Vocês dois, parem! Estão asfixiando o coitado do Nii-sama! — Interrompeu Aries.
— Nãoooo! — Berrou Meredy, agarrando mais forte ainda a perna do irmão. — Cuide da sua vida, Aries idiota!
— Meredy-chan. — Chamou Loki, ajoelhando-se ao lado da rosada menor e dispensando Virgo com um aceno de cabeça, que prontamente aceitou. Afagou a cabeça de Meredy gentilmente e lhe deu um sorriso galanteador. — Você não devia falar assim com sua irmã. Além disso, você ama seu Onii-sama muito e não quer que ele morra, certo?
Observei chocada Meredy largar a perna de Natsu lentamente e começar a chorar se agarrando a Loki.
— Não quero que o Onii-sama morra! — Gritou. Suspirei de alívio, e infelizmente a rosada percebeu, pois virou-se apontando para mim, cheia de raiva: — Você pode morrer, sua bruxa velha! Morra! Morra! Morra!
Aries lhe deu um tapa na cabeça.
— Pare com isso, Meredy! — Bronqueou com a voz incrivelmente assustadora. — Desculpe por isso, Lucy. Meredy geralmente fica fora de controle nessa época.
— Nessa época? — Estranhei.
— Esqueça o que disse. No entanto, fico feliz que você e meu irmão tenham se entendido enfim. — Deu-me um sorriso sincero. — É difícil admitir, porém meu pai foi de grande ajuda dessa vez. — Afirmou.
— Eh?
Ela ignorou-me e foi conversar com Loki. Pude percebê-la corar quando dirigiu-se a ele. Hum...
Acho que alguém aqui está apaixonada...
— E-espere um pouco! — Exclamou Ultear, totalmente aparvalhada. — Como assim “oficialmente namorados”? Vocês já não estavam namorando a sério antes?
— Você não tinha percebido ainda, Ur? — Indagou Igneel, recostando seu braço na cadeira aonde estava sentado. Suspirou teatralmente. — Que lerda.
— Não me chame de Ur! — Ralhou. — Isso realmente me pegou de surpresa... Não havia percebido que era uma farsa...
— Como disse, lerda — concluiu o rosado mais velho, recebendo seu olhar enervado.
— Sabe... — Murmurei. — Isso me intriga a algum tempo, porém... Por que não gosta que lhe chamem de Ur, Ultear-san?
— Ah, isso. — Parou de sufocar Igneel (que estava roxo) para explicar-me. — Esse era o nome da minha mãe. Não é que a odeie, mas... apenas não gostaria de continuar a ser comparada a ela. Foi uma mulher incrível, no entanto tivemos alguns problemas familiares e ela perdeu a capacidade de ter bebês... no final acabou adotando Gray, que havia perdido os pais em uma...
— Esse não é um bom assunto para comemorações. — Interrompeu o moreno, aparecendo magicamente ao meu lado. — Veja bem, seu namorado estava sendo sufocado há pouco. Não está preocupada com ele?
— Não muito. — Disse sincera.
Ele e Ultear olharam surpresos para mim.
— É assim que se fala, Luce! — Elogiou-me Igneel, deixando seu braço direito descansar sobre meus ombros. — Você já tem o espírito de um Dragneel!
Ultear suspirou.
— Senhor “espírito Dragneel”, não esqueça que tem alguns deveres para cumprir nessa semana, antes da — travou por alguns segundos — pausa.
Estranhei sua atitude.
Pausa? Como assim pausa?
— Tsc! Como você é chata, Ur!
— Ah! — Interrompi, lembrando-me de algo. — Igneel-san, Natsu e eu nos entendemos.
Percebi seu olhar confuso, assim como o dos irmãos morenos na nossa frente. Lentamente um ar entendido tomou-lhe a face, para logo em seguida ficar de tom azulado.
— Ah... É verdade... Fizemos uma promessa ontem, não foi?
— Exatamente! Cumpri minha parte entendendo-me com Natsu. Sua vez.
— E-estou animado... — Tentou dizer entusiasmado, mas falhou completamente.
— Vamos lá! Não é difícil! — Incentivei. Era estranho vê-lo desanimado, uma vez que ele era sempre alegre e tal...
— Ma-mas...
— Vou cobrar, viu? — Repeti sua fala de quando fizemos a promessa.
Ele sorriu, assumindo a derrota.
— Você realmente não tem jeito... Igual sua mãe.
Apenas abri um largo sorriso para ele.
— Lucy... — Chamou-me Ultear.
— Sim?
— Poderia vir aqui um pouco?
Estranhei. Era raro eu conversar muito com a Ultear-san...
— Claro... — Concordei.
✩✩✩
— Hum... — Murmurei para mim mesma, andando pelo corredor vazio que ladeava o enorme quintal atrás da mansão.
— Escute bem, Lucy. — Começara Ultear, assim que ficamos a sós. — Não quero soar como uma velha chata, muito menos repreendê-la dessa forma, porém seria bom não pressionar Igneel dessa forma. Pelo menos... não agora.
— O que quer dizer? — Indaguei confusa.
Ela sorriu tristemente.
— Sabe... — Encostou uma mão na parede fria. — Essa é uma época triste para a família Dragneel. Foi a época em que Meredy ficou totalmente grudenta e incestuosa em Natsu, Aries e Igneel pararam de se entender e... que Honoka morreu.
— Oh!
— Eles podem não demonstrar, mas ainda sofrem muito com isso.
— Entendo.... Obrigada, Ultear-san. Não irei pressionar o Igneel-san agora.
Sorriu aliviada para mim.
— Obrigada. Fico feliz que tenha entendido.
—... Essa realmente me pegou de surpresa! Não esperava que o aniversário de morte da Honoka-san estivesse tão perto... Não seria nesse dia, seria?
Deixei minha mente divagar, porém fui bruscamente arrancada de meus devaneios ao sentir alguém assoprar em meu ouvido.
— Igneel-san! — Virei-me para pessoa em tom repreensivo.
— Woah! Calma aí, ane—san! — Disse um alaranjado, dando um passo para trás.
— Loki! — Exclamei. — A-a-a-a-ane-san?! Não me chame assim, não sou uma yankee!
— Yankee, Yakuza, Máfia... Somos todos fora da lei, certo? — Murmurou olhando para o jardim.
— E-eu não sou!
— Claro, claro... Namorada do líder da máfia.
— Argh! — Não conseguia vencê-lo em argumentos.
— No entanto, devo agradecê-la.
— Eh?
— Com isso ela está satisfeita, acho.
— Loki! Você sabe quem é ela?
— Seria estranho se não soubesse — riu.
— Me conte!
— O quê?!
— Por favor! — Implorei.
— E-eu não posso! Você deveria descobrir por conta própria!
Agarrei sua roupa, o impedindo de prosseguir.
— Por favor, Loki! — Imploro.
Encarou-me.
— Eu não...
— Você me deve uma, por ter me largado lhe esperando na viagem às montanhas Sakura.
— Isso é jogo duro, Lucy. Pode me pedir qualquer outra coisa, mas isso...
— Por favor...! — Comecei a forçar o choro. Teria que fazer chantagem emocional, pelo visto.
— Ah! Não chore! Tudo bem! Está certo, eu conto! Apenas pare de chorar!
— Mesmo? — Indaguei, limpando as lágrimas que brotavam em meus olhos.
— Sim, conto.
— Eba! — Abracei-o. — Agora vai! Conte logo!
— Sua... — Balbuciou irritado. Apenas pisquei meus olhos inocente e docemente. Soltou um longo suspiro. — Certo. Não sei para o que quer, mas...
— Todos ficam falando dela há algum tempo. É lógico que vou querer saber quem é! — Esclareci.
— Okay... Lucy, ela é...
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