Meu Estranho Mafioso

43 Trinta e seis.


[DS → Natsu Dragneel]

DIRIGIA RAPIDAMENTE DE volta para a cidade.

Estava furioso.

Lucy... aquela idiota! Será que minhas palavras não significavam nada para ela? Não era tudo da boca para fora!

O quê? Se mudar? Por que deveria? Não estava confortável na mansão Dragneel?

Inferno!

Desviei sem muita paciência de um lerdo que dirigia na minha frente.

Ah, não. Não era culpa dela, tenho certeza absoluta disto. É culpa dele.

Rogue Cheney.

O maldito ex-namorado dela. Tenho certeza que foi aquele cara que anda mexendo com a cabeça da Luce. Desde que chegou, ele só plantou a discórdia entre nós!

Merda!

Soquei o volante assim que parei o carro em um sinal vermelho. Deslizei um pouco no banco do motorista, sentindo aquela porcaria de cinto de segurança impedir-me de ir mais adiante. Soltei um longo suspiro, observando o teto cinza claro.

Não poderia culpar o ex dela sozinho... Fora eu que dera a afastada inicial. Entretanto, o que poderia fazer? Desde que aqueles... malditos fizeram aquilo com meu irmão, não consigo me controlar ao segurar uma arma.

Tornei a suspirar...

Lucy... O que devo fazer para não perdê-la?

— Veja bem, Natsu... É claro que Lisanna está magoada com você. — Explicava minha mãe, quando tinha seis anos e conheci Lisanna, mas automaticamente a afastei — como, nem eu sabia, então fui procurar respostas com a mulher mais inteligente que conhecia: minha mãe.

— Eu sei disso, mamãe! Só não entendo porquê ela está magoada!

— Ora essa! Você claramente me disse que não quis contar a ela sobre seu irmão! Garotas não gostam de caras que guardam segredos por muito tempo.

— Mas papai disse que isso dá um ar misterioso para um homem.

— E você é lá um homem, Natsu? — Riu, debochando de mim.

— Mamãe! — Ralhei.

— Fala sério! Um homem não sentaria no colo da mãe igual você está fazendo agora! Além disso, seu pai não está cem por cento correto.

— Não?

— Hun-hun – Meneou a cabeça em um “não”. — Homens misteriosos tem lá seu charme sim, no entanto, alguns exageram. A graça deles está em ir descobrindo-os aos poucos. Que graça teria estar na presença de uma pessoa que não revela seus segredos nunca?

— Então a Lisanna está magoada por não contar nada para ela?

— Hum... É, por aí. Até que você entendeu rápido. — Sorriu orgulhosa.

— Claro que entendi! Sou um homem muito inteligente! — Gabei-me.

— E nem um pouco convencido. — Remendou.

— Mas por que ela quer saber do meu irmão? Ela não devia saber de mim? — Encarei seus olhos azuis amáveis.

— Talvez ela goste do seu irmão.

Senti meu rosto inchar de raiva.

— Isso não é justo! — Berrei.

— Ora... Não me diga que gosta dela?

Minhas bochechas arderam fortemente.

— Cla-claro que não! — Respondi veemente.

— Tão fofo! — Apertou-me em um abraço sufocador. — Estou criando um tsundere!

— Tsun...! Espere um pouco! Não sou tsundere! — Afirmei convicto.

— Tsc! — Bufou, logo em seguida arrumando uma mecha de seu cabelo negro e olhando novamente para mim. — Sabe Natsu... Talvez ela veja o seu irmão como uma forma de lhe atingir.

— Como assim? — Indaguei.

Ela apenas riu.

— Vai ter que descobrir sozinho. — Apertou uma de minhas bochechas.

— Mas eu...

— Não. — Cortou-me. — Cuide bem dessa semente aqui — apontou para minha cabeça —, que tenho certeza que receberá frutos aqui — apontou para meu coração.

— Hã? — Não entendi. Ela riu.

— Onde será que sua curiosidade o levará? Bem, mantenha o que disse em mente: não é legal manter segredos por muito tempo com uma pessoa que ama. Isso só a afasta. Agora, a mamãe tem que ligar para o vovô. Será que meu “homenzinho” pode me dar licença?

Apenas soltei um muxoxo.

… Manter um segredo por muito tempo, hein?

Soltei um suspiro exasperado e abri meus olhos, que havia fechado ao lembrar-me daquela cena. Atrás de mim, alguns imbecis buzinavam. Apenas coloquei meu rosto para fora da janela e o barulho sessou imediatamente. Andei tão concentrado em Luce recentemente que até esqueci-me de minha posição.

… Devo ter um monte de trabalho acumulado...

Novamente, encho-me de raiva.

Isso não teria acontecido se aquele maldito Rogue Cheney tivesse vindo para cá! E Aries parece concordar comigo, o que a põe fora de jogada.

Quem poderia tê-lo trago até aqui?

Meu pai? Há! Sei muito bem que ele e o pai de Luce não são as pessoas mais chegadas do mundo. Lembro-me claramente dele reclamando que não podia visitar Layla por causa dele. Como ele mencionava mesmo? Ju... Jude devora almas, ou algo do gênero. Lembro-me que ouvíamos muito esse nome toda vez que Layla ligava. Aliás, ela é minha madrinha. Acho que nunca cheguei a mencionar isso para Lucy...

Uma ideia surge-me de repente. Iria resolver isso. De uma vez por todas!

[Natsu Dragneel → Off]



— Obrigada! — Agradeci ao taxista que paguei para levar-me até a mansão Dragneel. Observei a estrada deserta à minha frente. Inspirei profundamente antes de dar o primeiro passo em direção a mansão. A ele.

A caminhada, que sempre me pareceu de três à cinco minutos, durou quase vinte. Resultado: cheguei nas portas duplas me arrastando.

Por que não fizeram a entrada mais próxima? Pelo menos poderiam deixar os carros se aproximarem! Com toda certeza reclamarei com Igneel-san mais tarde!

Toquei a campainha e Virgo atendeu-me em segundos.

— Hime-sama! — Exclamou, sem demonstrar surpresa nenhuma na expressão.

— Oi... — Disse envergonhada. Acho que estou começando a dar com o pé atrás. — Eu... hum... posso entrar?

— Ora essa! — Brandiu, dando um passo para o lado e meneando a cabeça para que entrasse. — A Hime-sama mora aqui. Não precisa pedir para entrar.

— Ah, vejo. — Sorri amareladamente. Ela ainda não sabe... — Ei, Virgo, hum...

— Sim? — Indagou depois de algum tempo em silêncio.

Respirei fundo.

— Natsu está aqui? — Perguntei.

— Natsu-sama chegou à pouco. Está repousando na cozinha junto da Ojou-sama.

— Oh, certo — acenei para ela —, obrigada Virgo.

— Não fiz nada mais que minha obrigação, Hime-sama.

Apenas acenei e segui em frente.

Acalme-se Lucy! É só chegar e lançar um ultimato para o Perigoso! Só isso! É fácil, simples e...

Arregalei os olhos aos chegar na cozinha e focar Natsu.

… Rápido.

— Ai meu Deus! O que houve? — Praticamente gritei, correndo até ele e Aries.

A rosada estava fazendo alguns curativos no braço dele e o mesmo segurava um saco de gelo frente ao olho.

— Por que está aqui? — Indagou azedo. Sua voz estava rouca e seca.

— Vim falar com você. — Respondi. — O que aconteceu? — Tornei a perguntar, recebendo como resposta apenas um bufo da parte de Natsu.

Lancei um olhar suplicante para Aries, a qual também permanecia quieta e séria.

— Parece que esse pirralho aqui — contou Igneel, aparecendo no cômodo junto a uma Meredy curiosa — levou a primeira surra na vida dele em um mano a mano.

— Natsu? — Estranhei. Quem bateria em um mafioso? — Por que...

— Nem nós sabemos. — Cortou Meredy, soltando um suspiro exasperado. — Ele não quer contar e, por mais que eu tenha certeza que sabem, nem papai nem Aries-nee querem abrir a boca.

— Bem, seja lá quem tenha feito isso — lamuriou Igneel, dando um meio sorriso — conseguiu fazer um belo estrago. Não que eu saiba! — Acrescentou, dando a todos nós a certeza que sabia sim.

Aproximei-me do dito cujo.

— Você parece péssimo. — Afirmei, recebendo um olhar irritado. Sorri. Isso me lembrou quando nos conhecemos... — Quer tirar esse saco de gelo para eu poder lhe ver bem?

— Não! — Assustou-me com seu grito. — Estou ótimo. Deixe-o onde está.

Observei Aries atrás do rosado. Ela sussurrava algo para mim...

E-n-o-r-m-e... O-l-h-o... R-o-x-o.

Enorme olho roxo.

Segurei a risada.

Natsu levou uma surra e não quer que os outros vejam seu olho! Que patético!

Tsc, tsc! Que mafioso mais estranho...

— Você já o está segurando há um bom tempo — disse Aries —, é melhor trocarmos esse gelo. — Puxou o saco de gelo, deixando à mostra um enorme roxo perto dos olhos.

— Meu Deus! — Exclamei ao observar a mancha em seu rosto. — É sério! Quem fez isso com você?

— Não interessa. — Respondeu amargo. — O que queria comigo? Pensei que fosse embora daqui.

— Embora? — Murmurou Virgo, que acabara de entrar na cozinha. Senti os olhos de Igneel avaliarem-me pelas costas e minhas bochechas arderem.

— Hã... — Segurei sua mão, fazendo-o arregalar os olhos (ou ao menos um, né). — Será que podemos conversar? A sós. — Especifiquei.

— Claro... — Balbuciou desconfiado.

Fomos até uma das amplas varandas que davam no quintal. A floresta parecia bem assustadora àquela hora. As estrelas continuavam sobrepujadas pelas nuvens, porém dava para perceber algumas de relance. Apoiei-me no balaustre branco, respirando fundo. Coragem, Lucy. Coragem!

Pude sentir os olhos de Natsu encarando-me, entretanto optei por permanecer naquela posição.

— Desembucha logo. — Falou impaciente, postando-se ao meu lado.

Lancei meu olhar em sua direção. Péssima ideia. Seus olhos fitaram os meus, prendendo-me de uma maneira que achei impossível de desviar.

— Tive uma conversa com um... amigo... — Comecei. — E ele aconselhou-me a... lhe dar uma última chance...

Arregalou os olhos ônix.

— É um bom amigo. — Disse.

— Também acho. É uma pena que não possa conversar com o ele o mesmo tanto que gostaria... De qualquer forma — ri de mim mesma —, vim aqui hoje lançar um ultimato.

— Ultimato? — Ele parecia confuso. Não o culpava.

Soltei um longo suspiro.

— Quero confiar em você, Natsu. — Lancei.

— E pode. — Afirmou.

— Então me prove. Só quero que tire esses muros que estão me impedindo de lhe conhecer.

Expirou fortemente, finalmente entendendo a situação.

— Então, no fim, tudo se resume a isso, não? — Olhou a floresta negra a frente. — Ela tinha mesmo razão...

— Ela?

— Minha mãe. — Soltou um sorriso debochado. — Acho que está certa, sabia? Eu disse que não queria esconder nada de você, porém acabei descumprindo com minhas palavras. Sou realmente um idiota.

— Ainda bem que sabe.

— Bem... — Continuou, após olhar-me de maneira controversa: — Posso ao menos deixar algumas coisas de fora?

— Como por exemplo? — Incentivei.

— Meu irmão. — Prontamente explicou: — Não superei a morte dele até hoje, se quer saber. Acho um assunto muito difícil de falar até mesmo com minha família.

É claro que iam ter exceções, Lucy, sua burra! Você mesma não consegue falar muito da sua mãe sem mudar de assunto.

— Certo. — Concordei.

— O que quer saber primeiro?

— Está mesmo disposto a me contar? — Acenou com a cabeça afirmativamente. — Bem... Por que é tão violento quando pega em uma arma?

— Isso — suspirou — tem a ver com meu irmão. A parte mais fácil de explicar, aliás. Ele foi morto brutalmente em minha frente e, em um lapso muito embaçado de minha memória, só sei que matei agressivamente os assassinos.

— Certo, acho que comecei com a pergunta errada. — Interrompi. — Me fale a repeito de Lisanna.

— O que tem ela? — Sua expressão contorceu-se em algo confuso.

— Vocês se conhecem desde crianças, não? Mas não parou apenas em amizade...

— Luce...

— Parou? — Indaguei.

Bufou.

— Não, não parou. — Admitiu. — Lisanna foi meu primeiro amor, embora na época ela gostasse de meu irmão. Coisa que não agradava muito Aries, aliás.

— Por que não?

— Aries era a “Meredy” do meu irmão. Só que pior. — Se Meredy foi mais leve que Aries, agradeço por ser a rosada de olhos verdes a me encher. — De qualquer forma, depois de virarmos três filhos, ao invés de quatro, nos consolamos da forma que podíamos. O problema é que isso acabou levando-nos a um relacionamento. Foi legal a princípio, no entanto tudo mudou com a chegada — observei raiva perpassar por seu rosto — de Sting à Magnolia. Ele foi um homem “de encantos maravilhosos”, nas palavras de Lisanna, e isso acabou abrindo uma enorme fresta de desconfiança em nosso relacionamento.

— Mas Lisanna odeia o Sting. — Afirmei, lembrando-me do desastroso encontro no Fairy Latte, pouco depois de chegar na cidade.

— Deve odiar, uma vez que ele a fez ser completamente odiada pela minha família. Ele se infiltrou entre os nossos membros, e depois nos traiu. Ainda por cima, ele tentou fazer o mesmo que fez com você, mas ela... meio que se rendeu ao momento. — Soltou um sorriso triste.

Tampei minha boca com as mãos. Agora entendi porque Erza disse que Sting tinha ferido a honra de Natsu duplamente.

— Ela disse que seu pai não gostava muito dela...

— Meu pai pode perdoar muitas coisa, menos traição. Ele acha que, se for se envolver com um relacionamento com alguém, o mínimo que deve fazer é ser leal àquela pessoa. Por exemplo, mesmo que estejamos nessa relação vai-volta, não estou saindo por aí beijando alguma das minhas ex-namoradas.

Corei por dois motivos:

Primeiro: havia beijado Rogue mais de uma vez, fora que quase rolou outra coisa no sofá do apartamento dele;

Segundo: ele se manteve fiel mesmo quando fiz tudo isso.

Espera aí... ex-namoradas? No plural?

— Quantas namoradas você teve? — Tinha um pouco de raiva em minha voz que não pretendia demonstrar, e ele sorriu ao notar isso.

— Antes de você, duas. E espero que seja a última, sinceramente.

— Então depois de mim planeja não ter outras?

— Como posso ter outras se vou estar morto? — Calei-me diante daquela confissão.

— I-idiota. — Afirmei em um sussurro. Ele deslizou, meio hesitante, sua mão sobre meu braço desnudo.

— Quer saber mais ainda? — Indagou. Tinha certeza que ele sabia da resposta:

— É claro que sim.

Notas finais
E então, a história começa a ser contada. Quem bateu no mafioso? * Gente, não percam tempo pensando para quem o Igneel ligou no último CDU. Não é ninguém importante, sério. E se eu mudar de ideia, vão saber mais para frente. • Obrigada aos que favoritaram no último capítulo! Deixem um review, please~