Meu Estranho Mafioso
13 Treze.
Notas iniciais
NA MANHÃ SEGUINTE encontrei-me com Erza na mesma cafeteria em que fui com Lisanna.
— Eh? — Exclamou surpresa, deixando seu bolo de morango de lado. — Foi convidada?
— Sim. — Confirmei.
— Sabia! Ele não conseguiria lhe deixar de fora! Afinal, você é a estranha dos boatos! — Recostou-se em sua cadeira.
— Pode até ser. — Respondi, descansando meu copo de shake de chocolate sobre a mesa. — Porém quem mandou o convite foi a Aries-chan.
— Aries? — Indagou chocada.
— Yep.
— Entendo... Se a Aries lhe mandou, Natsu não poderia deixar de convidá-la nem se quisesse. — Sorriu com um de seus pensamentos. — Aries é incrível! Sempre consegue o que quer. Entenda isso, Lucy.
— Com certeza! Natsu manda no país, Aries-chan manda no Natsu... Não é difícil ter essa conclusão.
— Então deveríamos chamar Mira e irmos comprar nossos vestidos!
— É verdade. Como são as festas dos Dragneel?
— Basicamente: comida, bebida, dança e mafiosos, muitos mafiosos. — Engoli em seco. — Entretanto relaxe, Lucy. Ninguém seria louco o bastante para convidar inimigos para a festa.
— É mesmo, não é? — Ri totalmente envergonhada. — Ei, Erza... Vai convidar o Jellal para a festa?
Ela corou violentamente.
— Q-quem sabe... — Murmurou. — Acha que a Mira vai chamar o Laxus?
— Provavelmente não. — Respondi. — Se ela fizesse isso, ele poderia vir a perder o emprego.
— É verdade.
Tomei outro gole do meu shake, constatando que estava acabando. Decidi pedir algo para levar e apertei a pequena campainha que havia sido instalada perto do centro de mogno da mesa. Era um sistema interessante que impedia gritos e barulho desnecessário. Você apertava a campainha, que avisava o número de sua mesa e um garçom ou garçonete vinha lhe atender. Simplesmente genial!
— Mas e você, Lucy? — Indagou a ruiva, tirando-me de meus devaneios. — Já sabe com quem ir à festa?
— Nem, sobre isso...
— Pois não? — Indagou uma voz familiar, que também notei como sendo a do garçom que viera nos atender.
— Sting-kun! Há quanto tempo! — Exclamei.
— É mesmo, Lucy-san! Por onde andou nessa última semana?
— Excursão escolar. — Esclareci.
— Entendo. Havia me esquecido que Fairy Tail não deixa os alunos quietos por muito tempo... Posso anotar seu pedido?
— Ah, claro! Eu quero um... Hum... Petit Gateou, para a viagem, por favor.
— Petit Gateou. — Repetiu, anotando em seu pequeno bloco de pedidos. — Mais alguma coisa?
— Por mim, não. — Respondi, inclinando-me sobre a mesa com meus braços cruzados. — Irá querer levar algo, Erza?
Sting virou-se para ela temeroso, como pude perceber.
— Hum... — Murmurou pensativa. — Claro. Um cheese cake de morango, inteiro. — Respondeu.
— Como esperado. — Ri.
— Anotado. — Respondeu ele. — Um minuto que já os trago. Vão encerrar a conta?
— Sim.
Entregou-me uma capinha com a conta e deixamos ali o valor a ser pago.
— Então, com licença. — Pediu, retirando-se.
Erza olhou para a janela, procurando algo no céu.
— Sting... — Murmurou.
— Hun? Não me diga que está interessada nele? — Perguntei brincalhona.
— Idiota! Não diga isso nem de brincadeira! — Exclamou enojada. — Só estou pensando no que a Lisanna deve sentir. Ela ama essa cafeteria...
— Lisanna? Como assim?
— É algo complicado... Assuntos passados. Esqueça. — Pediu. Levantou-se. — Vamos buscar Mira, não temos muito tempo para decidir nossas roupas. E ainda temos que marcar hora no salão... Tudo o mais rápido possível, o aniversário dele é daqui a dois dias!
— Realmente. — Concordei. — É melhor nos apressarmos.
Sting caminhava em nossa direção, totalmente atento à conversa.
— Então vai ao aniversário do Dragneel. — Disse entregando-nos nossas caixas — a minha era consideravelmente menor a de Erza — e relaxando ao meu lado.
— Intrometido. — Acusei sorrindo. — Obrigada.
— Não há de quê. — Respondeu retribuindo o gesto. — Então, hm... Tem um par?
— Eh? Eu...
— Mesmo que ela não tivesse — intrometeu-se Erza rispidamente —, com toda certeza vocênão seria alguém com quem formaria par.
— Erza! — Bronqueei. Por que ela estava sendo tão rude?
— Não me culpe, Lucy. — Deu de ombros. — Sting não é bem-vindo a mansão Dragneel. — Murmurou, olhando para nós de canto. Devo admitir que seu olhar dava-me calafrios. — Ele sabe muito bem o porquê.
O loiro sorriu debochadamente.
— Ora, como são rancorosos. Perdoar não é um dos lemas da família Dragneel?
— Perdoar realmente é um dos lemas, porém ele não se aplica a você. Manchou a honra que toda a família tinha com o que fez. E a honra de Natsu... Ainda por cima!
— Oe, oe. Honra? — Riu Sting. — Natsu deveria ter cuidado melhor dela, senão nada disso teria acontecido.
— Seu...! — Sibilou a ruiva.
— É-é melhor irmos, não é, Erza? — Intrometi-me. — Não temos muito tempo para comprarmos nossas coisas.
— É verdade. — Concordou, e com um último olhar de ódio na direção de Sting, se retirou.
— A-até logo, Sting-kun. — Despedi-me.
— Ah... Claro. Até!
— Hey, Erza! — Chamei após algum tempo. — O que foi isso?
— Desculpe. Ver o Sting esquenta o sangue de qualquer pessoa que serve a família Dragneel.
— Eh? Você serve a família Dragneel? — Choquei-me.
— Hum? Não havia lhe contado?
— Não...
— Sou a líder de um dos esquadrões. Embora isso não venha ao caso. Sting é um maldito.
— Eh? O que ele fez, Erza?
— Assuntos pessoais do Natsu. Um dia acho que você irá saber... Porém pela boca do próprio Natsu.
Encarei-a. Como assim?
Mira vinha caminhando em nossa direção, segurando uma sacola de compras.
— Mira! — Chamei assim que a avistei.
— Oh! Lucy! E Erza também! O que fazem por aqui?
— Estávamos pensando em lhe chamar para comprarmos nossos vestidos para o aniversário do Natsu. — Esclareceu Erza.
— Eh? Lucy também foi convidada?
— B-bem... — Comecei.
— Sabia! — Exclamou contente. — Um segundo! — Pediu. — Elfman! — Chamou, e logo em seguida o moreno apareceu ao seu lado.
— O que foi, Nee-chan?
— Pode levar essas sacolas para casa? Irei fazer compras com Lucy e Erza.
— Ah... — Murmurou. — Tudo bem, por que não?
— Obrigada. — Agradeceu sorrindo. — Vocês já tem em mente o que irão comprar?
— Não faço a mínima ideia. — Respondi sincera.
— Que ótimo! Não quero parecer convencida, mas tenho um ótimo olho para essas coisas! Venham, vamos! — Chamou, nos puxando pelo braço.
Passamos o resto da tarde indo de loja em loja, vendo diversos vestidos de diversas cores e, tenho que admitir, Mira tinha mesmo um bom olho para isso! O vestido que me ajudou a escolher era simplesmente lindo... E simplesmente caro. Doeu-me seriamente ver minha mesada indo embora assim que paguei a atendente da loja. Iria usar o dinheiro para pagar o aluguel e comprar alguns livros.
Entretanto era algo necessário, afinal havia aceitado o pedido de Natsu e isso era um dos sacrifícios que havia aceitado ao confirmá-lo.
Infelizmente para mim, Erza e Mira já tinham reservado um horário no cabeleireiro, e aparentemente todos os salões estavam ocupados. Incrível! Um vestido maravilhoso, e meu cabelo uma arara.
Bem... Tenho dois dias para decidir o que fazer com ele. Ainda tenho muito tempo.
✩✩✩
Foi o que pensei, pois esses dois dias passaram em uma velocidade incrível e logo era hora de se aprontar para a festa.
— E agora? — Indaguei-me com um suspiro, voltando para casa desanimada. — Não consegui arranjar nenhuma solução para meu cabelo e sou péssima mexendo com essas coisas...
— Lucy? — Chamou-me uma voz. Era Lisanna, que pelo visto estava tomando um sorvete. — O que faz aqui?
— Eu moro aqui. — Respondi sem vontade.
— Engraçadinha. — Murmurou. — Quero dizer, por que está aqui? Não deveria estar se aprontando para a festa do Nat-kun?
— Deveria. — Concordei. — Porém não consegui arranjar nenhum cabeleireiro para dar um jeito no meu cabelo.
— Se quiser posso lhe ajudar. Sou uma excelente criadora de penteados. — Gabou-se.
— Eh? Mas você também tem que se arrumar para a festa, não é?
Ela cruzou seus braços em suas costas e soltou um muxoxo:
— Eu... Não vou.
— Por quê? Você é amiga de infância dele, certo? Então você deve ir.
— Não posso.
— Como assim?
— O senhor Dragneel não me considera mais uma visita bem vinda lá.
— O quê? Por quê?
— Chega de perguntas, Lucy. — Bronqueou. — Você não tem que ficar perfeita?
— É mesmo! Vai me ajudar?
Ela sorriu.
— Claro!
✩✩✩
Lisanna era incrível! Em menos de uma hora cacheou todo meu cabelo e o prendeu em um coque alto, deixando madeixas onduladas em todo seu comprimento. Arrumou minha franja de um modo muito estranho, mas que a deixou bem lisa e macia, assim como o resto das mechas.
Quando ela concretizou seu trabalho, liberou-me para vestir meu vestido, que era negro, tomara que caia suspenso apenas por uma fita. Era lindo. Vindos não sei de onde, ela entregou-me um colar de ouro com um pingente de estrela detalhado com diamantes e dois brincos de pérolas negras.
— Você está linda! — Exclamou quando rodopiei à sua frente, mostrando o visual finalizado.
— Obrigada! — Sorri para ela.
— Agora você vai encontrar a Mira-nee e a Erza, né? — Indagou.
— Sim... Não sei porque, no entanto... Meu coração começo a bater um pouco rápido agora. — Revelei.
— Deve ser a ansiedade não?
— É, acho que deve ser isso...
— Afinal... — Continuou, ignorando-me. — Você deve estar pensando: “o que será que o Natsu vai achar disso?”.
— É claro que não! — Exclamei, embora tivesse tido mesmo esse pensamento e nem entenda o motivo de ter ficado nervosa.
Ela riu.
— Vamos Lucy! Ele é meu melhor amigo, acha que ainda não sei?
— D-do que está falando? — Perguntei insegura.
— Do que será? — Fez mistério. — Você ainda tem que encontrar as outras, certo?
— É mesmo! — Lembrei-me.
Saímos e tranquei meu apartamento, e só então lembrei algo.
— É mesmo... Não tenho visto Loki desde que voltei.
— Loki? É melhor tomar cuidado com ele, Lucy. — Avisou-me a albina. — Ele é um mulherengo. Bem... Desejo-lhe boa sorte! E até qualquer dia!
— Obrigada! E é mesmo uma pena você não poder ir...
— Tudo bem! Já fui a muitas festas dos Dragneel minha vida toda, além disso, já comemorei com o Nat-kun seu aniversário. Agora vá, elas estão lhe esperando!
— Okay. Tchau!
Andei calmamente pela rua, ignorando os olhares que as pessoas a minha volta lançavam em minha direção. Quando finalmente alcancei a praça central fiquei chocada ao constatar quantos carros havia ali, e todos se dirigiam para a mansão Dragneel. Engoli em seco. Iria demorar eras até conseguir chegar à mansão.
— Lucy! — Chamou-me Erza em um pequeno conversível azul escuro. Ao seu lado, havia um cara com a mesma cor de cabelo do automóvel. Ele era... Lindo. Os olhos eram de um castanho claro, quase mel, e tinha embaixo do olho esquerdo uma estranha marca vinho. Esse deveria ser o tal Jellal Fernandez. Mira não exagerara em nada quando disse que ficaria de queixo caído. Porém, mais belo que ele, era ele e Erza juntos. Ela estava linda, havia escolhido um vestido completamente preto... E meio curto. O cabelo tinha sido ondulado em algumas mechas e duas delas foram separadas de cada lado da cabeça, se juntando com uma fita em forma de rosa. — Vamos logo! Mira já está aqui!
Corri até o veículo com cuidado, pois estava usando salto. Ao chegar lá, vi que Mira também estava muito formosa. Seu vestido era de um verde fosco e, assim como o meu, havia uma fita do mesmo tom do resto do vestido, destacando sua cintura. Seu cabelo estava divo como sempre, a diferença é que ela resolvera alternar um pouco e prendeu uma mecha com um laço verde pequeno.
— Você está linda, Lucy! — Exclamaram.
— O-obrigada. — Respondi envergonhada. Em comparação a mim, elas pareciam deusas. Sentei-me no banco ao lado de Mira e murmurei para Jellal. — Olá, me chamo Lucy, é um prazer e obrigada por me dar carona.
— Prazer, Lucy. — Respondeu. — Sou Jellal e a carona não é nada demais. — Sorriu.
Talvez por serem membros mais próximos de Natsu, os guardas que arrumavam a baderna de carros nos deixaram passar, e logo havíamos chegado até a mansão.
As árvores que a rodeavam haviam sido enfeitadas com luzes que davam um toque romântico ao local, e lá de dentro dava para escutar uma música calma, porém gostosa... Talvez fosse jazz...
Subi as escadas com o grupo até o hall, aonde Virgo atendia a todos pegando seus casacos e afins. Droga! Havia esquecido completamente do casaco! Passaria frio na volta para casa. Separei-me do grupo ali e subi as escadas em direção contrária a eles, caminhando rapidamente pelos enormes corredores até o quarto que lembrava pertencer a Natsu. Bati na porta e com seu consentimento, entrei.
Ela virou-se para me encarar e parou no ato.
— Hee... — Murmurou, e senti aquele golpe de ansiedade voltar. — Você consegue quando quer, hein?
— O-o que quer dizer com isso?
— Estou dizendo... — Falou aproximando-se. — Que você está muito bonita.
Senti minhas bochechas queimarem com tal afirmação. E elas arderam ainda mais quando reparei no que ele trajava. Vestia uma camisa social do mais puro branco, com um colete negro por cima e calças que combinavam com ele. Jogado em cima da cama estava o casaco do terno e o rosado brigava ferozmente com a gravata borboleta, tentando arrumá-la. Sorri com a cena.
— Posso saber a graça? — Indagou nervoso.
— O maior mafioso do país não sabe arrumar uma gravata.
— Isso é complicado demais para mim! — Exclamou, puxando a gravata com raiva.
— Não acho.
— Então me mostre como se faz, sabichona. — Murmurou, entregando a gravata para mim.
Peguei o objeto e o deslizei por seu pescoço, puxando-o um pouco para frente, totalmente consciente do quanto aquilo aproximava nossos corpos. Sentia seu olhar sobre mim durante todo o processo. Por fim terminei com um nó perfeito e afastei-me, olhando orgulhosa para a gravata borboleta bem colocada.
— Hoo... — Admirou-se, olhando para o espelho. — Isso também tem alguma ligação com seu pai?
— Tem. — Ri. Então ele ainda se lembrava disso...
— Muito bem. — Exclamou ele, colocando seu terno. — Graças a você, estou pronto. — Estendeu seu braço em minha direção e entrelacei o meu ao dele. — Vamos, senhorita Heartfilia?
— Vamos, senhor Dragneel.
Caminhamos silenciosamente pelo corredor. Meu coração batia rapidamente. Minha paz iria acabar de vez, entretanto devia uma a Natsu...
Chegamos até uma entrada circular, aonde uma das empregadas nos viu e sussurrou algo para o mordomo que dizia o nome dos convidados. Pelo visto, ela já havia sido avisada posteriormente.
— Senhor Natsu Dragneel... — Anunciou o mordomo, enquanto estávamos entrando. — E sua namorada, Lucy Heartfilia.
Encontrei Mira e Erza no meio da multidão, olhando em nossa direção chocadas. Notei também, com alívio, que Meredy ainda não havia chegado.
Bem... O que poderia fazer?
— Fale logo! — Rugi irritada com sua enrolação.
— Lucy, será que você poderia... Você sabe, só por pouco tempo... Fingir ser minha namorada?
— Ha? Por que faria isso?
— Porque me deve uma. — Calei-me. — Além disso, se não arranjasse uma namorada, meu pai me obrigaria a me casar agora. E fala sério! Isso seria um saco. É por pouco tempo também. Depois podemos fingir que brigamos, o que não seria novidade, e fingir que terminamos.
— Até que não é uma má ideia, mas... — Opinei.
— Fala sério! Até parece que eu queria ser visto como um casal como você, porém que escolha tenho? Meredy pensa que você é minha namorada, pelo modo que a tratou e com certeza contará para o velho. Como me livraria disso sem sua ajuda?
Cerrei os olhos, surpresa com seu pedido, e pensei sobre o assunto.
— O-okay. — Aceitei hesitante.
Devia uma a ele e esse era meu modo de pagá-lo.
Fale com o autor