— Senhor Natsu Dragneel e sua namorada, Lucy Heartfilia. — Anunciou o mordomo, e sua voz ressoou no salão que ficou em completo silêncio naquele momento.

Senti os olhares curiosos repousarem sobre mim e remexi-me incomodada. Erza e Mira lançavam-me olhares surpresos e chocados e, só de pensar como seria assim que Meredy chegasse, fui tomada por um grane tremor. De repente senti muito frio.

Natsu colocou sua mão sobre a minha, fazendo-me acordar.

—Está tudo bem. — Sussurrou, de certo modo esquentando-me com suas palavras. — Estou aqui. Só precisa confiar em mim.

Observei seu rosto com atenção. Ele também parecia nervoso, afinal, se nossa farsa não fosse perfeita, seria obrigado a se casar com alguém que mal conhecia.

Sorri para ele, sentindo minhas bochechas esquentarem.

— Eu confio em você. Sei que vai dar tudo certo, pois está aqui.

Suas bochechas foram tomadas por um tom rubro. O salão inteiro vibrou ao ver-nos, ambos, corados. Não demorou muito para as pessoas virem em nossa direção, ansiosas para darem uma olhada em mim.

Após muitos e muitos nomes e rostos para memorizar, murmurei para Natsu:

— Hey, estou cansada. — Meus saltos estavam me matando. — Poderíamos nos sentar?

— Claro. — Sorriu virando-se para o grupo com qual conversava animadamente. — Com licença, senhores.

Andamos até a mesa em que as tão conhecida ruiva e albina estavam e o rosado puxou uma cadeira para mim.

— Obrigada. — Murmurei feliz em finalmente descansar um pouco.

— Então... — Começou Erza com um sorriso malicioso. — Namorada, hein?

Nós dois coramos.

— Não era você, Natsu, que estava dizendo que para namorar com Lucy a pessoa deveria ser louca ou ter sérios problemas mentais? — Lembrou Mira.

— Fi-fique quieta, Mira! Tenho meus motivos para isso ter acontecido.

— Que grosso! — Exclamou ela, segurando o riso.

— As coisas parecem estar animadas por aqui, Salamander. — Balbuciou uma voz atrás de Natsu.

— Gajeel! — Exclamou, assim que o viu. Era um garoto que aparentava ter nossa idade, com grandes e rebeldes cabelos negros. Seus olhos eram de um vermelho vivo e ele tinha, exageradamente, muitos piercingsem seu rosto. Em cima da sobrancelha, no nariz, na orelha... E carregava em seu ombro um gato negro. — Não esperava vê-lo aqui! E com Lily ainda por cima!

— Realmente não planejava vir. — Respondeu, sentando-se na cadeira vazia ao lado de Natsu. — Mas lembrei que você talvez fosse se dar mal, você sabe — ele mordeu um pedaço de maça que estava na cesta de frutas no centro da mesa — com esse lance de casamento forçado e tal, porém você deu um jeito de se livrar disso. — Riu debochado, olhando em minha direção. — Valeu loirinha, por sua causa vim aqui para nada.

— O quê? — Murmurei.

— Não seja rude, Gajeel! — Bronqueou Erza.

— Bem, não que me importe. — Ignorou-a. — O importante é a opinião do velho.

O rosado lançou lhe um olhar sério.

— Você está torcendo para algo dar errado. — Acusou.

— Mas é claro! — Concordou com um sorriso.

— Gajeel! Deixe o pobre Natsu em paz! — Advertiu Mira. — Se continuar o zombando, vou ficar brava.

Olhei assustada para Mira. O que ela estava dizendo para um mafioso? Tamanha foi minha surpresa quando ele virou o rosto para o lado murmurando um “Tsc”.

— Er... — Comecei. — Como é seu pai, Natsu?

Seu rosto tomou um tom azulado, embora suas bochechas tenham tomado um tom rubro.

— C-como posso descrevê-lo?

— Estranho? — Opinou Erza.

— Animado? — Sugeriu Mira.

— Pirado. — Disse Gajeel desinteressado.

— Isso tudo. — Concordou. — Ele é meio... Inusitado, talvez?

— Talvez?

Neste momento as luzes desligaram e a voz do mordomo voltou a ecoar pelo salão.

— Meredy Dragneel... — Senti meu sangue gelar. Era agora. — E seu pai, Igneel.

Um holofote saído sei-lá-raios-de-onde iluminou a entrada, e lá estavam eles.

Meredy estava uma graça. Seu cabelo curto tivera as pontas cacheadas, e usava uma tiara branca para combinar com seu lindo vestido branco, que parecia brilhar. Ao seu lado, encontrava-se um homem de aparência jovial. Seus cabelos eram rosa, assim como seus olhos. Vestia uma camisa negra com risca de giz e usava uma gravata rosa. Ele era... Bem bonito. Não aparentava nem um pouco ser pai de três filhos.

— Levante-se Lucy. — Avisou-me Natsu. — É agora!

Aquele nó no estômago que não sentia desde a primeira vez que vim para a mansão Dragneel havia voltado. Acho que no fim, ele significa ansiedade.

Caminhamos lentamente até o centro do salão, onde Igneel e Meredy estavam cercados, sendo — tenho quase certeza — bajulados pelos convidados.

Ao chegarmos lá, Natsu pigarreou e o grupo pareceu evaporar, abrindo passagem para nós.

— Meredy. — Disse ele. — Está muito fofa.

— Obrigada Onii-sama! — Ela olhou em minha direção com um olhar de desânimo. — Ah. Então você veio, bruxa velha.

— O-oi Meredy-san. — Murmurei, ignorando a onda de irritação que me perpassou.

Ela caminhou até nossa frente e puxou meu braço do de Natsu, entrelaçando o dela no dele e mostrando a língua em minha direção. Natsu riu, envergonhado pela atitude da irmã.

— Então você é Lucy Heartfilia, a garota dos boatos. — Disse Igneel, fazendo-se presente.

— Que boatos? — Indaguei.

— Você não sabe? — Espantou-se.

— Não...

Observou-me, analisando-me completamente.

— Então... Você é a namorada do meu pequeno Natsu... Hum... Belo corpo. — Elogiou.

— O quê? — Perguntei surpresa.

— Velho! — Advertiu Natsu.

— Belo corpo? — Indagou Meredy. — Onde? A única coisa que presta nela são esses pares de peitos, e tenho certeza que são falsos!

Olhei-a chocada. Ela era só uma criança! Que tipo de palavreado ela estava usando?!

— Não. — Respondeu Igneel. — Veja bem Meredy, como poderiam ser falsos?

— É um daqueles enchimentos práticos, não?

— Impossível! Existem enchimentos desse tamanho?

— Ela pode estar usando mais de um, não?

— Faz sentido...

Sem perceber, os dois entraram em uma discussão própria deles.

— Desculpe, Lucy. — Pediu Natsu. — Esqueci de avisar, mas ele pode parecer ser meio pervertido.

— Você acha? — Perguntei irônica.

— Só tem um jeito de saber. — Concluiu Igneel, virando-se em minha direção. — Terei que tocá-los.

— Ha? — Exclamei chocada, protegendo-me com meus próprios braços.

— Vamos lá, Lucy. É pelo bem da ciência. — Por um segundo, juro tê-lo visto soltar o ar pelo nariz, igual um touro quando excitado.

Natsu protegeu-me com seu braço, entrando na frente.

— Pare com isso, velho! Você está a assustando!

— Ora Natsu... Aposto que você também quer tocá-los. — Acusou, e Natsu corou.

— C-claro que não!

— Não? Espera! Quer dizer que vocês ainda não...

— Waah! Não diga! — Desesperou-se Natsu.

Igneel riu maliciosamente, olhando em minha direção.

— Então Lucy, você dois por acaso já...

— É claro que não! — Interrompeu Meredy. — O Onii-sama jamais faria isso! A única pessoa com quem ele fará isso algum dia serei eu!

— Não, Meredy! Papai lhe proíbe permanentemente de fazer isso!

— Não! Irei me casar com o Onii-sama e seremos muitos felizes com nossos trinta filhos!

— Mer, já disse que isso não vai acontecer. — Esclareceu Natsu. — Você é minha amada irmãzinha e só.

Os verdes olhos da rosada encheram-se de lágrimas.

— O Onii-sama não me quer mais! — Berrou. — E é tudo sua culpa, sua bruxa velha!

— Minha culpa?! — Exclamei.

— Mer, com toda certeza a culpa não é dela.

— É sim, Onii-sama! Ela roubou você de mim! Bruxa velha! Bruxa velha! Ladra! Bruxa! Velha caquética! Bruxa velha!

— Pare com isso Meredy! — Rugiu Natsu irritado.

Meredy começou a chorar ainda mais.

— Filha, não fique assim! — Pediu Igneel, abraçando-a. Olhou irritado na direção de Natsu. — Não poderia ter sido mais gentil?

— Ele tentou, mas Meredy realmente precisava disso. — Disse uma mulher de longos cabelos negros. Trajava um vestido negro com detalhes perolados, seus olhos eram castanhos e segurava um leque preto com detalhes brancos em frente à boca.

— Ultear! — Exclamou Natsu. Se me lembro bem, ele ligara para ela no dia que salvei Meredy.

Ultear fechou seu leque e bateu fortemente na cabeça de Igneel.

— Por que fez isso? Doeu!

— Era a intenção! Por que não me esperou?

— Queria conhecer logo a namorada do Natsu.

— E isso é motivo para não me esperar?

— Você estava demorando demais, Ur!

— É verdade! — Concordou Meredy, que incrivelmente havia parado de chorar. — Queria ver o Onii-sama logo!

— Dê um tempo nesse fetiche, Meredy!

— Não é um fetiche! Onii-sama e eu ainda iremos trocar juras de amor algum dia!

— Já disse que não! Papai proíbe!

— Pare de gritar, Igneel! É rude! O que Lucy vai pensar?

— Acho que agora é tarde para pensarem nisso... — Observou Natsu.

Todos olharam para mim.

— É um prazer conhecê-la, Lucy. Meu nome é Ultear Milkovich, sou a governanta dos Dragneel.

— Ah! O prazer é todo meu!

— Que festa mais chata. — Murmurou Igneel. — Está sem nenhuma animação. Lyra! — Chamou, e uma garota de cabelo castanho claro apareceu ao seu lado.

— Pois não, senhor Dragneel?

— Dê uma animada nessa festa, por favor!

— Sim, sim! — Exclamou animadamente.

— Lyra... A famosa cantora Lyra? — Indaguei para Natsu.

— Então você a conhece. Nada mal.

Igneel pigarreou ao meu lado.

— Então, senhorita Heartfilia, me daria a honra dessa dança?

Olhei para Natsu em busca de uma resposta, porém Meredy o puxou pelo braço e começaram a dançar.

— Claro. — Respondi sorrindo.

Segurei a mão que estendia-me e começamos a rodopiar pelo salão, como várias outras pessoas começaram a fazer. A música era bastante animada, e Igneel sabia fazer piadinhas, de modo que ri quase toda a dança.

— O Natsu deu muito trabalho? — Indagou, perto do final da música.

— Eh? Um pouco. Ele adora me irritar e não consigo saber o que ele pensa, mas... Existem pessoas mais difíceis de lidar. — Como a Meredy, por exemplo; pensei.

— Entendo. — Sorriu timidamente. — Não o leve a mal, Lucy. Antigamente ele era bastante animado, entretanto ocorreu um acidente e bem... Só digamos que ele começou a agir assim. Embora ache que não importa dizer isso uma vez que o namora, então já deve saber.

Sorri envergonhada. Igneel era tão legal! Sentia-me muito mal em enganá-lo dessa forma.

A música finalmente chegou ao fim, mas Lyra não parou nem para respirar! Logo em seguida começou uma bela música.

— Senhor Dragneel. — Chamou Natsu. — Poderia pegar minha acompanhante para esta dança?

Igneel suspirou dramaticamente como se aquilo fosse a última coisa que quisesse, e entregou-me para Natsu sorrindo. Enquanto isso, Lyra entoava:

Acredite, acredite

Há mágica aqui esta noite

Acredite, acredite!

O ritmo da música de repente ficou muito animado, mesmo assim Natsu rodopiou comigo pela sala.

— Ele lhe encheu muito?

— Quem? — Indaguei.

— O velhote.

— Nem um pouco. Igneel é um amor de pessoa. — Respondi sorrindo.

Ele sorriu para mim novamente e, de novo, senti meu peito aquecer. Não havia reparado antes, no entanto ele ficava realmente fofo quando sorria.

Um vento um pouco frio invadiu o salão através da sacada, porém o ignorei quando tocou minhas bochechas, pois tentava seguir o ritmo de Natsu. Ele realmente dançava bem.

Era uma noite muito calma,
A atmosfera fria tocou minhas bochechas
Tenho certeza de que eu olhava para você sem pensar
“... Não é minha culpa.”
Você estava fazendo aquele tipo de rosto
Eu senti que esse tempo em que nada estava acontecendo,
permaneceria sempre em minhas lembranças

— De novo, me desculpe por lhe envolver nisso, Lucy.

— Está tudo bem. Não é tão ruim quanto pareceu. Embora fosse ser bem melhor caso Meredy-san não ficasse me chamando de bruxa velha.

— Peço desculpa por isso também.

— Ora, você está incrivelmente educado essa noite.

Ele riu.

— Que culpa posso ter? Fico assim em belas noites.

Olhei para o lado em que ele lançava seu olhar e percebi que era verdade. O céu estava incrivelmente iluminado àquela noite. As estrelas pareciam brilhar mais.

— Se pudesse fazer um desejo... — Murmurei. — Pediria para ter mais noites assim.

Nesta noite em que cintilam as estrelas,
se eu pudesse fazer um desejo
Espero que este tempo continue para sempre.
Enquanto olhamos para o mesmo céu,
Aquilo que é mais importante para mim
Está ao meu lado, foi o que pensei.

— Obrigada, Natsu.

— Pelo quê?

— Pela noite maravilhosa. — Sorri.

Suas bochechas coraram.

— Obrigado a você... Por tudo.

— Não há de quê.

Continuamos dançando, e infelizmente a música chegava cada vez mais perto de seu final.

Nesta noite em que cintilam as estrelas,
havia uma coisa que eu tinha esquecido.
Meu coração se agitava quando eu tentei falar com você.
Na escuridão da noite, toquei a sua mão.
Você percebeu isso?
Isso... Eu tenho certeza que é esse tipo de coisa...

As estrelas cintilam...
Nesta noite...

Natsu e eu por fim nos separamos, e tinha algo que estava chamando-me atenção.

— Hey, Natsu... Posso passear um pouco pelo bosque?

— O quê?

— Depois eu volto! Juro! É só que... Ver as estrelas dali parece tão romântico...

— E o que vou fazer se você se perder ali?

— Se estiver preocupado, pode vir comigo.

Encarou-me por um tempo e por fim decidiu acompanhar-me.

Descemos as escadas rapidamente e eu estava certa, como constatei ao chegar lá. Era realmente muito melhor ver as estrelas ali.

— Está satisfeita? — Indagou Natsu, atrás de mim.

— Sim! Muito obrigada! — Respondi sorrindo.

— Hey, Luce... — Luce?— Por que você é assim?

— Assim como?

— Cabeça dura, orgulhosa e idiota...

— Quer acabar com minha noite? — Indaguei nervosa.

— Porém... — Ignorou-me. — Mesmo que eu brigue... Irrite... E derrube coisas sobre você...

— Onde quer chegar?

— Mesmo que me odeie, provavelmente... — Continuou. — Aceitou o meu pedido.

— Acho que mesmo querendo muito, não iria aguentar ver você se dando mal. Não me pergunte o porquê.

— Por que está sendo tão generosa, oferecendo até sua paz para me ajudar?

— Eu... Não sei. — Admiti.

Ele aproximou-se e parou sua mão perto de meu rosto.

— Está tudo bem... Se lhe tocar?

Arregalei meus olhos com esse pedido.

Por que Natsu estava sendo tão fofo?

Suas ações, nos últimos dias... Procurando-me desesperadamente, ensinando-me coisas que não sei... Protegendo-me...

Enquanto pensava em tudo o que fazia, ele ousou tocar-me, e aproximou-se cada vez mais de mim.

Pergunto-me... Se não deveria me apaixonar por ele... ¹

Natsu aproximou seus lábios dos meus. Nossas respirações se misturaram e sentíamos aos poucos o choque da proximidade.

— Ah! O que pensa que está fazendo com o Onii-sama?! — Interrompeu Meredy.

— Meredy! — Bronqueou Ultear, saindo de trás da moita junto com a rosada. — Você acabou com o clima!

— Essa bruxa velha estava tentando seduzir o Onii-sama!

— Embora eu ache que foi o contrário. — Murmurou com um sorriso malicioso, fazendo ambos corarmos.

— A-acho melhor e-eu... Você sabe... Ir embora. — Murmurei para Natsu.

— B-boa ideia. — Respondeu. — Eu levo você!

Saímos correndo, com Meredy em nosso encalço.

— Espere! Devolva o Onii-sama! — Gritava ela.

Quando finalmente nos despistamos dela, Natsu chamou Sargittarius, que nos levou até meu apartamento. O caminho todo em um silêncio desagradável.

Finalmente descemos na frente da pensão e agradeci a Sargittarius pela carona.

— Lucy... — Murmurou Natsu. — Sobre agora há pouco...

— Tudo bem — interrompi —, vamos esquecer.

Abri o portão e entrei, com ele me seguindo.

— Entretanto, Lucy... Eu...

— Natsu! Foi... Sei lá! A mentira nos pegou de jeito ou algo assim. Não vai acontecer de novo, certo? — Observei, entrando no meu apartamento.

Ao adentrá-lo, fiquei chocada com o que vi.

— Olha Lucy... — Natsu parou assim que viu.

Minhas roupas e coisas estavam todas jogadas pelo quarto, a poltrona estava caída de lado e minha mochila escolar parecia ter sido remexida.

Alguém havia invadido meu quarto.

Notas finais
¹ - Cena retirada do mangá Momo. — Meredy estraga prazeres. u3u Obrigada aos que favoritaram! Reviews?