O CAMINHO PARA a escola fora bem... tenso.

Natsu e eu tivemos que ir juntos na limusine, afinal não poderia ir a pé até a escola por dois simples motivos:

• Morrer com a caminhada de quilômetros de distância, além de provavelmente ter que voltar quando chegasse lá, pois a aulas já teriam acabado;

• ser alvo de assassinato.

E como havia encerrado nossa última discussão de um modo bem rude, ele estava com raiva até de ouvir minha voz — não que me importe. Além disso, depois de hoje à tarde só teria que ver a cara dele quando estivesse na escola, pois voltaria para meu apartamento.

Sim. Era isso que iria fazer!

Havia pedido para Virgo mandar todas as minhas coisas para meu apartamento, assim só teria que buscar minhas roupas que haviam ficado lá.

O dia passou bem rápido, aliás. Mal chegamos a escola e nos sentamos, as aulas acabaram.

Sai rapidamente, indo em direção à praça central. Passei na padaria para comprar algumas massas para estocar em casa, e fui até lá. Erza me buscaria mais tarde, como combinado, para me levar até a mansão Dragneel.

O caminho estava calmo como sempre, o vento brincando com as mechas de meu cabelo, o rio correndo com um agradável barulho ao lado. Aquilo era tranquilizante. Saber que estava voltando ao meu lar.

Percebi um cão latindo em frente ao meu prédio e me dirigi até lá, pois rapidamente o reconheci. Era Lector... Acompanhado de Sting!

— Sting! — chamei fazendo-o notar minha presença.

— Lucy! — exclamou surpreso, dando uma puxada na coleira de Lector para ver se conseguia o controlar. — Há quanto tempo! Não esperava a ver por aqui!

— Essa é a rua da minha casa sabe... — observei. Ele riu, envergonhado. Reparei que carregava uma sacola de mercado consigo. — O que é isso? — indaguei apontando para o objeto.

— Ah! Isso? So-sorvetes...

— Sorvetes?

— Sim. Bem... Pensei que seria um bom pedido de desculpas pelo o que Lector fez...

— Mas ele não fez nada!

— Ele rasgou sua sacola! Porém... Acho que você não gosta de sorvetes...

— Por que acha isso? — indaguei.

Ele permaneceu calado, desconfortável em responder minha pergunta. Suspirei.

— Sorvete é um ótimo pedido de desculpas — sorri, fazendo-o devolver o gesto.

— Sabe... — entregou-me a sacola e agradeci. — Pensei que você tivesse sido uma alucinação.

— Como assim?

— Vim aqui ontem, no entanto não te encontrei em nenhuma hora do dia. Pensei que tinha sido uma ma-maravilhosa miragem.

Suas bochechas tomaram um tom rubro, assim como as minhas.

— Na-não... Só aconteceu de eu ser envolvida em uma confusão com um grande idiota, nada demais.

— Sério? — arqueou uma sobrancelha.

— Sim.

— Quem você chamou de idiota? — questionou uma voz irritada atrás de mim. Uma voz que passara a conhecer muito bem. Uma mão de repente foi apoiada em um de meus ombros e virei-me o mais rápido que pude, encontrando um Natsu com uma expressão sarcástica.

— Natsu!

— Dragneel! — exclamou Sting atrás de mim, chocado.

— Eucliffe — respondeu Natsu, com um aceno de cabeça.

— Vocês se conhecem? — questionei, confusa com a troca de olhares entre aqueles dois.

— Pode se dizer que sim — o brilho nos olhos do rosado me assustou um pouco. Fazia-o parecer mais... humano assim.

— E-eu tenho que ir, Lucy — o loiro anunciou. — Até mais!

— Sting? Espere! Ia chamar você para tomar um pouco de sorvete...! — contei olhando sua figura partir correndo.

Ele se virou rapidamente, gritando de volta:

— Fica para outra hora!

— O que foi isso? — perguntei para mim mesma, inconfortável com a maneira com que nos despedimos.

— Então... — murmurou Natsu, irônico, ao meu lado assim que teve certeza que Sting já havia indo mesmo embora. — “Ia chamar você para tomar um pouco de sorvete, meu amado Sting-kun”.

Bati nele com a sacola.

— Não coloque palavras em minha boca! O que está fazendo aqui, aliás?

— Por causa de ontem, Erza teve que remarcar o encontro para hoje e me pediu para vir em seu lugar — explicou.

— Pensei que não veria mais sua cara hoje... — lamentei.

— Sentimentos recíprocos.

Caminhamos lado a lado até a praça, aonde a limusine provavelmente estaria nos esperando. Chegando ao local movimentado, Natsu me parou.

— O que foi? — perguntei.

— Não quer me pagar um sorvete?

— O quê? Por quê?

— Simplesmente porque... “sorvete é um ótimo pedido de desculpa”.

Peguei um dos potes de sorvete que estavam na sacola e taquei na cabeça dele.

— Ai está. Meu adorável pedido de desculpa.

Ultrapassei-o, uma vez que ele havia abaixado para pegar o pote. Antes de entrarmos na limusine novamente, o ouvi resmungar:

— Cara, você não é nada fofa mesmo!

Ignorei-o e entrei na limusine, dando um “boa noite” para Sargittarius. Natsu entrou depois e começou a reclamar e dizer que eu era estranha. Eu então respondia e começávamos a brigar. E neste clima fomos de volta para a enorme mansão.

✩✩✩



Acordei no dia seguinte com alguém esmurrando a porta — sim, dormi na mansão Dragneel, porque Virgo esqueceu-se de mandar minhas coisas para meu apartamento aparentemente... “aparentemente” —, com muita força, diga-se de passagem.

Levantei lentamente, ignorando o barulho e fui até lá calmamente. Ao abrir a porta, dei de cara com um Natsu furioso.

— Até que enfim! — exclamou.

— Pois não? — perguntei calma. A expressão de raiva dele fazia-me querer rir, mas segurei esse desejo muito bem.

— Você... — apontou para meu rosto. Quase dava para ver a raiva saindo dele. — Olhe o que você fez!

Ele se virou de costas apontando para sua cabeleira rosa. Olhei fixamente o lugar para onde ele aprontava, porém não vi nada.

— É seu cabelo — afirmei. — Não tem nada demais. O que quis dizer com o que eu fiz?

— Como assim? — indagou irritado. — Olhe direito! Tem um galo aí!

Olhei atentamente mais uma vez. Era verdade, tinha um pequeno galo nascendo ali.

— É verdade — confirmei. — E...? O que fiz?

Virou-se para mim, o ódio refletido em seus olhos.

— Você fez isso!

— Eu? — arregalhei os olhos.

— Não, a Virgo! — tentou ironizar. — Claro que foi você!

— O que está dizendo? — perguntei surpresa. — Não fiz nada que fosse deixar um galo em você, seu maluco!

— Claro que não — seu tom era irônico. — Somente tacou um pote de sorvete na minha cabeça!

— Ah... — murmurei, lembrando-me do dia anterior.

— “Ah”... Nada! Como vai me recompensar por isso?

— O quê? Quer que eu te recompense por ter feito um galo em você?

— Claro!

— E como vai me recompensar pelo fato de estar sendo alvo de assassinato graças a você?

— I-isso... Não vem ao caso agora!

— Claro que não — respondi sarcástica. — E?

— E o quê?

— Tem mais algum motivo de você ter vindo me acordar?

— Claro que não! Até parece que ver seu rosto é algo que deseje!

— E mesmo assim, veio até aqui para reclamar do filhote de galo na sua cabeça...

— O quê? Ele está doendo, fora o fato de que logo, logo vai inchar!

— Ah! Pare de choramingar! Você é um mafioso! Se faz esse drama todo por causa de um galo, imagine quando for atingido por uma bala!

Seu rosto tomou uma expressão convencida.

— Eu nunca sou atingido — disse.

— O quê? Que atitude convencida!

— Não tenho culpa se meus adversários não sabem segurar uma arma direito — balbuciou com arrogância.

— Com certeza não é isso!

— O que quer dizer?

— Aposto que você nunca foi o foco deles. Caso contrário, teriam tentado atirar em você, não em mim.

— Se fui ou não alvo, tanto faz. Sempre erraram.

Suspirei. Como podia ficar tão cansada com uma conversa?

— Falar com você é incrivelmente cansativo — afirmei.

— Não é fácil para mim falar com você também.

— Isso é ótimo! Agora, passar bem — encerrei nossa conversa como fiz da última vez: fechando a porta em sua cara.

Suspirei pesadamente. Bem, vendo pelo lado bom, era sexta-feira!

Mas... De certa forma, sinto que hoje vou conhecer alguém... Só não sei se será de uma forma boa ou má.

✩✩✩



Natsu e eu descemos da limusine exasperados e exaustos. Tínhamos discutido durante todo o caminho até a escola.

Quando entrei na sala, que estava barulhenta como sempre, larguei-me em cima da cadeira, deixando a parte superior do meu corpo repousar sobre a mesa.

— O que foi Lucy? — indagou-me Mirajane, sentando-se em seu lugar ao meu lado. — Algo errado?

— Não é nada. Somente o Natsu... de novo.

— Oh! Deve ser realmente difícil, uma vez que ele é você-sabe-o-quê.

— Sim — alguns dias atrás (lê-se “ontem” aqui), fiquei totalmente surpresa ao descobrir que todos da cidade sabiam que Natsu era o senhor mafioso.

— Por falar nisso... — murmurou ela, chamando minha atenção. — Está na época deles voltarem...

— Deles quem? — indaguei.

— Hun? Ah! Um dos esquadrões especiais da família Dragneel. Ele é formado por quatro pessoas, se não me engano...

— Esquadrões especiais?

— Sim. A família Dragneel tem vários esquadrões espalhados pelo país. Esse esquadrão que citei é um dos mais conhecidos. Eles moram aqui, mas vivem saindo em “missões” ordenadas por Natsu.

— Eles são conhecidos? Isso não deixa a identidade deles em perigo?

— De jeito nenhum. Eles são bem assustadores. Não é a toa que a família Dragneel domina o país.

— Acho que estou me metendo com uma pessoa perigosa demais...

— Não precisa se preocupar Lucy. Natsu não fará nada a você. — afirmou sorrindo.

— Como assim?

— Ele não fez nada até agora, e olha que você até o agride! Além do mais... Você é estranha.

Encarei-a.

— Estranha? Você também, Mira? O que isso significa?

Ela olhou-me como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Como assim, Lucy? É algo tão fácil de ver...

Abri a boca para responder, porém neste momento o sinal tocou, fazendo a classe se arrumar e cair em um silêncio profundo. Natsu ficava cutucando-me durante quase todas as aulas, para me irritar, porém não ia funcionar. Ou era isso que pensava. Durante a aula de inglês da professora Charles, quase taquei o meu livro em sua cabeça. Resultado: uma bronca da professora e uma visita à diretoria.

— O que houve agora? — perguntou o diretor Makarov assim que estávamos acomodados nas poltronas macias de sua sala. Natsu, pelo visto, já havia ido parar ali outras vezes.

— Nada demais — disse o rosado.

— Ele ficou me cutucando durante todas as aulas desde o período da manhã — entreguei recebendo um olhar irritado.

— Hoo... — murmurou o pequeno diretor (pequeno mesmo). — E...? Não foi só por isso que vieram parar aqui, foi?

— Acontece que... fiquei irritada e... — comecei envergonhada.

— Acontece que essa louca tentou me acertar com o livro dela. Fora que ela já havia me machucado no dia anterior. Veja Makarov! Dá para ver claramente o galo que me deixou!

Lancei lhe um olhar enfurecido. Quando saíssemos dali ele ia ver só! Como ousa me chamar de louca?

Makarov subiu em cima da mesa, ficando da altura que tínhamos quando estávamos de pé. Inclinou-se um pouco para frente e observou o lugar que, segundo Natsu, havia o galo master.

— Não vejo nada aí — suspirou Makarov, voltando a sua poltrona acolchoada.

— Como assim mestre? — Mestre? — Claramente tem algo aqui!

— Se tem algo aí, é pequeno demais para se ver.

Abafei a gargalhada que pretendia dar com a mão, sentindo o olhar de Natsu em minha costa. Ele estava furioso, o que só me alegrava.

— De qualquer forma... — continuou o diretor. — Voltem para a sala logo.

— Eh? Não vamos ser punidos? — indaguei surpresa.

— Não vejo nada demais na situação. Só não façam muita algazarra na aula.

— Oh... Entendo. Obrigada então — respondi confusa. Bom, acho que como o líder da máfia estava envolvido diretamente no caso, não teria como sairmos de lá com uma punição, qualquer que fosse.

— Aliás, Lucy... — chamou-me o velho bondoso.

— Sim?

— Você é realmente estranha, como dizem os rumores.

— O quê? — Natsu gargalhou ao meu lado, retirando-se da sala seguido de perto por mim.

Por que todos dizem isso de mim?

— Você ainda não me recompensou por ter feito esse galo — observou Natsu assim que fechei a porta.

— Cale a boca! Quer que eu o faça ficar maior? — indaguei nervosa.

— Uuuh! Que medo! — exclamou sarcástico.

— Tsk! Ainda bem que hoje é o último dia que terei que te suportar assim!

— O que quer dizer?

— Quero dizer que hoje mesmo volto para meu apartamento.

— Quer dizer, se Virgo enviar suas coisas para lá, né?

— Não — respondi. — Peguei todos os meus pertences e enfiei-os na bolsa hoje de manhã — esclareci.

— Cara... Realmente não confia em nós?

— De jeito nenhum.

— Pode pelo menos me dizer o por quê?

— Porque confiança é algo que se ganha com o tempo — sorri para ele, o que era raro.

— Sinceramente... Estamos tentando salvar sua vida, não percebe?

— E por causa de quem ela está em risco?

Ele parou de caminhar, ficando para trás. Pude sentir seu olhar em minhas costas novamente, mas dessa vez ao invés de raiva, pude senti-lo analisando-me.

— Cara... — suspirou exasperado. — Quanto tempo vai continuar com essa atitude? Quer ser morta?

— Claro que não, idiota!

Virei-me para continuar meu discurso, porém engasguei ao perceber que ele estava mais perto do que imaginei. Quase nos beijamos quando virei.

— O-o quê? — perguntei, mesmo que ele não tivesse perguntado mais nada.

Ele sorriu. Nossa respiração se misturava calmamente.

— Hee... — murmurou. — Não é que você consegue agir de jeito fofo de vez em quando?

Ele aproximou-se, nossos narizes ficando a poucos centímetros de distância. Senti minhas bochechas esquentarem. E então, quando ele se aproximou mais...

Dei-lhe um belo tapa na fuça.

— Ai! Isso doí! Sua... — virou-se para me encarar, mas como não sou boba, saí correndo até a sala, com ele em meu encalço. — Espere! — gritava irritado.

— De jeito nenhum! — mandava de volta.

Passamos por uma das coordenadoras da escola, Aquarius, e ela gritou para não corrermos no corredor, mas ambos a ignoramos. Ao chegar a sala, peguei minha bolsa — que estava pesada, diga-se de passagem —, e joguei para o lado com força, o acertando na cabeça. Ele caiu no chão e não fiquei ali para vê-lo se levantar.

Saí da Fairy Tail gargalhando. É claro que depois ele podia ir ao meu apartamento, que sabia muito bem onde ficava, e atirar em mim enquanto dormia, mas valeu a pena.

Fiquei algum tempo na praça, esperando ver qual direção a limusine seguiria ao sair da escola, porém ela seguiu o trajeto normal. Isso indicava que precisaria trancar muito bem meu apartamento aquela noite.

Andei calmamente pela minha não tão conhecida rua, observando que enquanto esperava Natsu se retirar da escola, já havia anoitecido. Percebi que havia vários becos por ali, deveria tomar cuidado... Nunca se sabe quando um furacão rosado irritado ia atacar. Mas pelo visto ele havia desistido, ou estava realmente mal...

Talvez não devesse ter batido com tanta força na cabeça dele...

Nããão! Ele merecia!

Ouvi um som estranho atrás de mim... Seria o Natsu?

Virei-me para olhar quem era, mas não havia ninguém ali. Quando olhei para frente, ali estava um homem encapuzado encarando-me.

Gritei sem pensar duas vezes e saí correndo.

E então alguém o socou, enquanto o ladrão corria atrás de mim. Ao olhar para trás, vi o mesmo cara que observei me avaliar no meu primeiro dia de aula, seu cabelo era de um tom castanho alaranjado, a pele alva, e os olhos estavam escondidos pelos óculos escuros que usava. O que era muito estranho... Quem usava óculos escuros durante a noite?

— Você está bem? — perguntou-me.

— Sim... — respondi observando-o melhor. Parecia diferente ao daquele dia. Como posso dizer... Seu cabelo estava maior?

— Que bom... — virou-se para partir.

— Espere!

— Hun?

— P-p-pode me dizer seu nome? Depois quero agradecê-lo por ter me salvado.

— Não precisa — replicou.

— Eu insisto! — respondi, encarando-o.

Ele sorriu levemente.

— Meu nome é Loki. Não se esqueça — e com isso se despediu.

— Sem sobrenome...? — observei.

Levantei-me e fui para meu apartamento. Fiz toda a organização que ficara pendente na semana graças ao Sr. Dragneel, tomei um longo banho, fiz minhas higienes e fui dormir.

Acordei no meio da madrugada com o barulho de vozes do lado de fora. Quem discutia no meio da madrugada em frente a uma pensão?

Será que essa cidade só tinha malucos?

Olhei pela janela que dava para o lado da rua de onde vinham às vozes, lá embaixo, vi dois caras brigando e uma mulher de cabelo azul claro pedindo para os dois pararem.

Eu estava nervosa, e muito, com a esquisitice daquela cidade, então desci as escadas da pensão com um balde cheio de água em mãos e, ao abrir o portão, taquei nos dois barraqueiros. Ambos me encararam com raiva.

A azulada era muito bonita, o cabelo era azul ondulado e usava uma roupa que lembrava muito as de lolita. Seus olhos eram de um negro profundo.

Um dos brigões era bem bonito, possuía cabelo negro e olhos de um cinza escuro, e tanto ele quanto o outro, que possuía o cabelo branco e olhos da mesma cor do moreno; estavam sem camisa, mostrando seus peitorais definidos.

— O que está fazendo? — perguntou o moreno.

— Quem você pensa que é? — indagou o albino.

— O QUE ACHAM QUE ESTÃO FAZENDO A ESSA HORA DA MANHÃ NA FRENTE DA MORADIA DOS OUTROS?! — gritei.

— Ah! — exclamou a azulada. — Como ousa falar desse jeito com Gray-sama?

— Quem raios é “Gray-sama”? — indaguei irritada.

— Eu — o moreno se aproximou e perguntou: — Você é nova na cidade?

— S-sim... — como ele não estava com frio?

— Entendo — disse o albino. — Então não sabe quem somos.

— Ela não sabe quem nós somos — enfatizou o chamado Gray, puxando a azulada que o encarava admirada para trás de si.

— E? — interrompi a briga entre eles. — Quem são vocês?

— Somos simplesmente a guarda pessoal de Natsu Dragneel, o esquadrão mais privilegiado.

Encarei-os desanimada.

— Mais gente do grupo do Natsu? — meu olhar devia aparentar cansaço.

— Eh? Conhece Natsu-sama?

— Preferia não conhecer esse imbecil.

Eles me encararam como se fosse maluca. Suspirei pesadamente.

Por que será que sempre acabo envolvida com esse povo que servia a família Dragneel?