Meu Estranho Mafioso
7 Sete.
Notas iniciais
— IMBECIL? — Indagou o albino olhando para mim estupefaço.
— Quem é você? — Perguntou a azulada. — Juvia não gostou de você. Como ousa insultar Natsu-sama?
— Acalme-se Juvia. — Pediu Gray. — Você. — Se dirigiu até mim. Corei por alguns minutos. Ele realmente era bonito, mas meu rosto esfriou ao notar o olhar que Juvia lançou-me. Já entendi que ela gosta dele. — Como conhece o Natsu?
— Ele é um imbecil que acaba com minha paz. — Respondi.
Os três olharam para algum ponto atrás de mim. De alguma forma, já sabia o que esperar. Natsu.
— Por que será que toda vez que me encontro com você, estou sendo chamado de imbecil? — Ressoou a voz dele, irritada, atrás de mim.
Claro que era Natsu. Digam-me um dia em que ele não apareceu em minha frente desde que cheguei a Magnolia.
— Por que está aqui?
Ele cerrou os olhos em minha direção.
— Aconteceu algo?
— Por que a pergunta?
— Digo... Olhe seu estado. Por que está mostrando para todos sua beleza natural?
Ele estava sendo irônico, claro. Mesmo que meu pijama fosse composto de um short meio curto (lê-se na metade das coxas aqui) e uma camisa regada que deixasse minhas curvas — que eram pouquíssimas, aliás —, a vista. Meu cabelo estava todo embaraçado, minha roupa toda bagunçada... Estava um fiapo.
— O que está fazendo aqui? Ainda são três da manhã.
— Vim devolver sua chave. — Ele mostrou a pequena cópia que eu havia feito da minha chave.
— Waah! — Corri até ele e arranquei o objeto de sua mão. — Onde conseguiu isso?
— Caiu da sua bolsa ontem, quando você brutalmente atingiu minha cabeça. — Lançou-me um olhar irritado ao se lembrar da situação.
Sorri em sua direção envergonhada. Depois lembrei-me da hora.
— E por que veio devolver a essa hora?
— Era a hora perfeita. Assim, além de devolvê-la, lhe daria um susto como vingança por ontem.
— Você sabe que isso é crime? É invasão!
— Você esquece que sou da máfia? Não existe isso para mim!
Ah!
… É verdade.
Coloquei minha mão na testa e murmurei para ele:
— É mesmo. Esqueci que você é um mafioso...
— Como alguém esquece isso? — Olhou-me. — É verdade. Estamos falando da estranha da Lucy.
— Eu ainda estou segurando um balde. — Ameacei.
A risada de Gray ecoou pela rua vazia. Natsu e eu nos viramos. Os três, que assistiam tudo, pareciam achar aquilo à coisa mais engraçada do mundo.
— Então... — Começou o de cabelo branco. — Você é a garota dos boatos.
Olhei para ele indagativamente. Natsu fez de meu pensamento suas palavras:
— Boato?
— Sim. — Respondeu Juvia. — Por todas as seções e esquadrões da máfia estão da falando da estranha que chegou à cidade.
— Por que todos me chamam de estranha? — Perguntei em um suspiro tão alto que Gray pôde ouvir-me.
— Como assim? — Indagou inclinando-se em minha direção. — Isso não é óbvio?
— Também sempre dizem isso...
Minha visão começou a ficar turva. Deveria voltar para dentro logo, estava muito cansada da semana desastrosa. Mas um pouco e eu acabaria desmaiando ali mesmo, na rua.
— De qualquer forma, foi um não muito prazer conhecer vocês, Juvia, Gray e...
— Lyon. — Apresentou-se o albino. — Lyon Vastia.
— Lyon. — Repeti. Virei-me para Natsu. — Obrigada por me devolver minha chave e até nunca mais.
Ele colocou as mãos nos bolsos da calça.
— Não seria mais fácil dizer isso antes das férias? Afinal, nos veremos na segunda-feira.
— Nem me lembre disso. — Reclamei.
Atravessei o portão da pensão e o tranquei, escorando-me nele. Estava realmente com muito sono, se não fosse logo para o quarto dormiria ali mesmo.
Subi as escadas arrastando meus pés sobre cada degrau, ao chegar o meu apartamento cai sobre a cama pesadamente, adormecendo rapidamente.
✩✩✩
Acordei lá pelas dez horas da manhã. Teria dormido até mais tarde, mas meu celular estava provocando um terremoto em minha cama então tive que atendê-lo.
Era Mira.
— Bom dia Lucy! — Saldou-me animada do outro lado da linha. — Queria ter te ligado mais cedo, porém meu celular estava sem bateria, então...
— Bom dia Mira. — Bocejei. — Por que está me ligando?
— Ah! É que em breve serão as provas trimestrais, e como você perdeu toda a matéria me perguntei se não gostaria de vir aqui para estudarmos juntas.
A menção de provas fez-me levantar rapidamente.
— As provas?!
— Sim. Ora, você não sabia? Pensei ter pedido a Natsu para lhe entregar o horário de provas...
— É! — Enervei-me. Natsu me pagaria por isso. — Ele não me avisou nada.
— Bom... Aposto que teve um motivo para não fazê-lo. — Realmente teve um motivo... Esse motivo foi tê-lo feito ficar inconsciente. — E então? Não quer vir aqui para fazermos um grupo de estudos? Chamarei a Erza também!
Suspirei alegre.
— Isso seria muito bom. Obrigada, Mira.
— Não é nada... Pode marcar meu endereço?
— Um minuto! — Anotei o nome e número de sua casa, a rua e o bairro. — Obrigada Mira. Logo, logo estarei aí!
— Estarei esperando! Pode vir para almoçar, assim teremos mais tempo para revisar.
— Okay!
Corri para o banheiro, onde tomei um banho rápido e fiz a higiene matinal. Peguei uma roupa qualquer em meu guarda-roupa, o que resultou em minha camisa regata branca e meu short cinza. Coloquei um par de meias que vinham até pouco acima do joelho e uma bota de cano baixo. Prendi minhas madeixas loiras em um rabo de cavalo alto e arrumei o material necessário em uma bolsa comum. Capturei um dos pães que comprara anteriormente e o devorei rapidamente.
Tranquei meu apartamento e desci as escadas, ouvindo um barulho familiar logo atrás de mim. Ignorei e segui em frente atravessando o portão prata. E então me dei conta de quem estava atrás de mim. Era o salvador da noite anterior! Loki!
— Bom dia. — Saldou reconhecendo-me.
— Bom dia. — Respondi. — Mora aqui?
Ele olhou a enorme construção para onde apontava.
— Bem... Pode-se dizer algo assim.
— Como?
— Ah! Nada, nada. — Respondeu enigmático. — É, eu moro aqui.
— Entendo... — Disse um pouco confusa. — De qualquer forma, muito obrigada por ontem! Quando puder, farei algo para lhe recompensar.
Ele sorriu e devolvi o gesto.
— Já disse que não precisa.
— Mas... Você pode ter salvado minha vida! — Exclamei. Ele riu e pegou uma mecha de meu cabelo, cheirando-a e depois roçando seus lábios ali.
Senti minhas bochechas esquentarem.
Ele riu novamente, largando meu cabelo e se virando.
— Até mais, Lucy.
— Até... — Respondi.
Espera! Como ele sabe meu nome? Não o disse a ele em nenhum momento, a não ser que... Teria a ver com o boato que Gray, Lyon e Juvia mencionaram mais cedo?
Desisti de pensar nisso e fui até a casa de Mira. Ao chegar lá, notei que a construção era gigante com uma garagem bem espaçosa. Toquei a campainha e esperei. O moço da padaria, que fora tão simpático comigo, atendeu.
— Ah! — Exclamou ao me reconhecer. — Pois não?
— Hã... Desculpe, devo ter me enganado de endereço... Por acaso sabe onde mora Mirajane Strauss? — Indaguei.
— Aqui mesmo. Você deve ser a Lucy, estou certo?
— Sim, está.
—Entre, fique à vontade!
Adentrei a casa e ele me levou até a sala, que era toda pintada de branco com móveis negros e almofadas de um vinho profundo.
— Nee-chan! — Gritou ele. — Lucy está aqui!
— A Mira-nee está no banho, Elf-nii-san. — Esclareceu uma garota de cabelos brancos idênticos ao de Mira. Aliás, ela era totalmente idêntica a Mira, só que mais nova e com o cabelo bem curto.
— Sente-se. — Ofereceu-me o moreno que mais parecia um gigante de tão alta que era sua estatura. — Aliás, não me apresentei! Sou Elfman Strauss e aquela ali é a caçula da família, Lisanna.
— É um prazer. Chamo-me Lucy Heartfilia.
Ambos encararam-me chocados.
— Heartfilia?! Então você é a dos boatos?
— Eh? Espera... Não me digam que até vocês já ouviram falar de mim...
— Você é muito corajosa! — Exclamou a albina olhando-me admirada.
— Eh? Que boato você ouviu a meu respeito? A maioria diz que sou estranha...
— Bom... Você é mesmo um pouco estranha. — Respondeu Elfman. — Mas acho que você é muito homem!
— Homem? — Estranhei sua frase. — Mas sou uma mulher...
Lissana riu.
— Apenas ignore o Elf-nii-san. Ele sempre diz isso.
— Oe, Lisanna! — Advertiu o irmão mais velho.
— De qualquer forma... — Ignorou-o virando-se para mim. — Não pressione tanto o pobre Nat-kun, Lucy-san.
— Nat-kun?
— Ah! Somos amigos de infância. De qualquer forma, não o pressione tanto, caso contrário ele dará um sumiço em você.
Engoli em seco. Ela estava certa. Nunca tinha parado para pensar direito, porém... Natsu é o líder da máfia!
— Ara, Lucy, você chegou! — Chamou atenção Mirajane, descendo a escada.
— Mira-san! — Ela usava um vestido vinho longo e um colar negro que possuía uma pedra azul. Estava linda.
— Já almoçou?
— Não... Ainda não. — Respondi.
— Que bom! — Exclamou animada. — Erza só virá depois do almoço, então o que acha de almoçarmos e conversarmos até ela chegar?
— Isso seria ótimo. — Sorri.
Ajudei a família Strauss a preparar o almoço que depois de pronto e servido resultou em uma conversa animadíssima. E então a campainha ressoou pela casa, indicando a chegada de Erza.
Enquanto Mira foi atender a porta, eu e Lisanna recolhemos os copos e taças que usamos bebendo e tomando sorvete. Empilhei tudo em meus braços enquanto Lisanna abria a porta do lava-louça, onde organizamos tudo.
— Então Lucy... — Começou.
— Hun?
— O que está achando de Magnolia?
Sorri para ela.
— Lhe digo quando tiver a oportunidade de explorá-la.
— Ainda não passeou pela cidade? — Indagou surpresa.
— Não.
— Por quê?
— Por causa do Natsu.
Ela parou seus movimentos e fitou-me.
Suspirou pesadamente.
— Peço desculpas pela atitude do Nat-kun, Lucy. Ele só não sabe demostrar muito bem o que pensa.
— Não, acho que o problema dele é grosseria mesmo...
— Você sabe... — Ela adotou um olhar triste. — Ele era muito animado e brincalhão antigamente...
— Me pergunto o que o mudou tanto...
— Isso foi... — Lisanna começou, mas decidiu não contar. — Não posso contar. No momento certo ele mesmo lhe revelará, acho.
Seu sorrido demonstrava grande tristeza e preocupação.
— Hey, Lisanna... — Chamei-a. — Você está livre amanhã?
— Eh? Sim. — Olhou-me confusa. — Por quê?
— Já que eu não conheci a cidade... Poderia ser minha guia?
Um sorriso alegre brincou em seu rosto.
— Seria um prazer!
Erza e Mira entraram na cozinha e chamaram-me para estudar. Subimos a escada e fomos até o quarto de Mira que era de um azul claro muito fofo. Passava uma sensação de calma, talvez em contraste aos móveis brancos.
Fizemos a revisão e demos muitas risadas. Demorei a perceber... No entanto aquele dia fora muito bom, sem nenhum pingo de irritação.
✩✩✩
— Lucy-san! — Escutei Lisanna me chamar no dia seguinte em meio à praça central. Ela corria em minha direção e, ao me alcançar, parou apoiada no joelho, respirando ofegante. — Desculpe o atraso! Elf-nii-san me pediu para ajudar ele em uma coisa antes de sair e acabou levando mais tempo do que imaginei.
— Não, tudo bem. — Respondi com um sorriso. — Também me atrasei um pouco. Cheguei há pouco.
— Sério? Mesmo assim, sinto que lhe devo um pedido de desculpas. Vamos ver... — Olhou em volta sondando as lojas no local. — Ah! Comprarei-lhe um donnut!
— Donnut?
— Se preferir, podemos tomar um sorvete...
Estava prestes a escolher o sorvete quando um rosto perpassou em minha mente.
— Prefiro o donnut. —Respondi.
— Então está decidido! — Agarrou a minha mão e saímos correndo em direção a uma grande loja no lado esquerdo da praça. A construção era gigante, demostrando que ali era uma cafeteria. Por dentro havia mogno por toda parte: nas mesas, bancadas e bancos que davam um toque alegre e aconchegante ao local, pois tinha equilíbrio com todas as flores que ali estavam espalhadas.
Lisanna puxou-me até uma das mesas que davam para a janela que consistia em um vidro temperado bem grande e dava visão para as pessoas que passeavam para lá e para cá do lado de fora, na rua. Sentamos no banco de mogno estofado e apertamos o pequeno botão vermelho aveludado que havia ali.
Não demorou muito, um dos garçons do local veio nos atender.
— Posso anotar seu pedido?
— Sting-kun?! — Exclamei ao ver quem nos atendia.
— Lucy! Há quanto tempo! Tudo bem?
— Sim, sim, tudo e com você?
— Estou bem. O que a trouxe aqui hoje?
— Ah! Isso? Lisanna está me mostrando à cidade e... Lisanna?
Ela demonstrava um olhar assustador em direção a Sting.
— Lisanna-san! Há quanto tempo, não é mesmo? — Perguntou ele, um sorriso estampado no rosto.
— O que faz aqui? — Rosnou ela. Sobressaltei-me com sua atitude, porém Sting pareceu não ficar nem um pouco surpreso.
— Trabalho aqui. — Respondeu simplesmente. Seu rosto obteve uma expressão sádica. — Como andam as coisas entre você e o Natsu? Ainda estão como antes ou... — ele riu e Lisanna encolheu um pouco, como se estivesse tremendo de medo diante de uma memória há muito esquecida.
— Er... — Tentei interromper o momento incômodo, mas Lisanna recobrou a consciência e se virou para o balcão gritando:
— Com licença! — Alguém que parecia a gerente do lugar, de cabelo castanho e longo, olhos da mesma cor, que usava óculos e vestia um uniforme negro que constituía de uma camisa social, colete sem mangas e uma saia que ia até pouco acima do joelho, negros, olhou em nossa direção. — Esse funcionário está agindo de forma indesejada!
Sting tremeu ao ouvir isso. Engoliu em seco quando ela o chamou e retirou-se. Lisanna adotou um olhar satisfeito e virou-se para mim.
— Vamos Lucy-san. — Chamou levantando-se. — Sinto muito, porém lhe pago outra coisa em outro momento, okay?
— Oh...
Saímos da loja e paramos em frente à mesma, as pessoas andavam ruidosamente ao nosso lado.
— Aonde podemos ir agora? — Indagou-se.
— Er... Lisanna?
— Sim?
— O que foi isso há pouco?
— Ah... Somente Sting sendo um imbecil.
— Você o conhece? Parece guardar grande rancor dele...
Ela suspirou pesadamente.
— Bem... Sim. É uma longa história. Pelo visto, o conhece também, certo?
— Sim... Nos conhecemos através do Lector.
— Entendo. — Seu olhar era vago. Olhei-a indagativamente. — De qualquer forma, deveria evitar qualquer tipo de contato com ele, Lucy-san.
— Lisanna?
— Então, aonde podemos ir agora?
Ela saiu andando. Olhei-a sem entender nada. Por que deveria evitar ter algum contato com o fofo do Sting?
O final do dia fora bem calmo, caminhamos e rimos muito, e por causa disso mal me aguentei em pé depois do banho. Caí pesadamente sobre a cama e repensei sobre meu final de semana inteiro.
Incrível! Só percebera agora, mas... Passei o final de semana inteiro sem ver o Natsu!
Sairia pulando, caso pudesse.
Mesmo assim... O que será que aconteceu entre Lisanna e Sting? E pelo que pude entender, Natsu estava envolvido também...
Bom, não é da minha conta afinal. O problema deles é deles. Ponto final.
Deveria mesmo é me preocupar com Natsu... Como Lisanna disse, ele podia mesmo dar um sumiço em minha pessoa...
Embora eu não ache que ele faria isso... Será que estou começando a confiar nele? Ou será que é porque ele não fez nada até agora?
Argh! Não importa! Tenho que dormir... Será uma longa semana.
E com a semana de provas chegando, não tenho tempo para pensar em coisas relacionadas à Natsu.
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