Meu Estranho Mafioso

58 Quarenta e sete.


Notas iniciais
FELIZ DIA DAS BRUXAS ~adiantado~!! Sei que demorei, porém mudei algumas coisas nesse capítulo, tanto que nem terminei aonde queria. :v Enfim, espero que aproveitem, e não me deem vácuo como veem fazendo ultimamente. (T o T) Enjoy~

REVIREI-ME NA CAMA, arrumando uma posição mais confortável para poder dormir — ou ao menos tentar. Quando parava quieta sempre me apareciam visões de tudo o que andou acontecendo. Da mão de Max no vidro do porsche de Natsu até a mão na caixa, embrulhada como um presente. Da forma como Max parecia estar no mesmo estado que Mystogun à como Juvia estava deitada quando a visitamos antes. Da maneira como o bordado no lenço parecia estranhamente maternal, algo que Juvia seria em breve.

Por que tudo parecia estupidamente interligado?

Virei-me novamente.

— Está se remexendo igual um animal desesperado — a voz de Natsu retirou-me de meus pensamentos.

Abri os olhos e issei meu corpo, procurando por ele em meio ao breu. Não demorei muito a achá-lo. Estava encostado nas portas que davam na sacada, observando-me com os olhos ônix destacados pela pouca luz que entrava pela fresta das cortinas; os braços cruzados e a roupa sendo a mesma de quando saímos — a calça preta e a camiseta branca simples.

— Como entrou aqui? — indaguei. — Tenho certeza de ter trancado a porta.

— Como se uma porta fechada bastasse — murmurou, descruzando os braços e desencostando-se de seu apoio. — Deveria trancar as portas da sacada. Nunca se sabe o que pode entrar.

— É verdade — concordei. — Qualquer porcaria pode entrar por elas.

— Está tirando uma com minha cara? — sentou-se ao meu lado e ligou um dos abajures.

— De maneira alguma — respondi. — Por que está aqui?

— Estava preocupado.

— Com?

— Você, ora essa! — deu um peteleco doloroso em minha testa. — Estava me perguntando se estaria indo dormir calmamente ou se havia algo que pudesse estar perturbando-a.

— Seria estranho não estar assustada — assumi. — Estou tentando agir da mesma maneira de quando descobri que era um mafioso, porém não parece estar indo muito bem...

— Ficou assustada quando descobriu que era um mafioso? — surpreendeu-se.

— Quem não ficaria? Embora nunca tenha admitido isso nem para mim mesma. Todo esse quadro, nossa situação... Tudo isso me assusta muito, Natsu — confessei, sentindo meu corpo tremer, como para provar meu sentimento. — Quando a situação ficou tão complicada?

Abraçou-me.

— Desculpe, Lucy — pediu com a voz rouca em meu ouvido. — É tudo minha culpa. Evitei tanta coisa, e mesmo assim...

— Tanta coisa? Aconteceram coisas das quais não sei? — afastei-o.

Ele soltou um bufo.

— De quantas coisas você sabe? Sinceramente, Lucy. Se conseguimos evitar problemas que possam lhe envolver, não deveria ficar feliz? Já está apavorada demais com uma mão para ter estômago pelo que poderia acontecer — arregalei meus olhos. — Desculpe — pediu, tocando-se do que havia proferido. — Só — bagunçou os cabelos — ando sobre muita pressão. Perdão.

Demorei um pouco para digerir tudo aquilo.

— Pressão? Do quê?

— Assuntos familiares nada agradáveis — suspirou. — As coisas entre meu pai e meu avô sempre foram meio tensas, no entanto ultimamente andam piorando... Deve ser porque aquela época está chegando...

— Que época?

— Esqueça — mudou de assunto: — Já que está tão assustada, posso ficar aqui essa noite. O que acha?

— Seria ótimo, no entanto não estou a fim de você vir com safadeza para cima e...

Ele riu.

— Não vou! Seria um absurdo de minha parte fazer isso — tirou os sapatos e enfiou-se embaixo da coberta. — Hoje irei apenas lhe fazer companhia, para seu azar — observei-o desconfiada. — É sério!

— Certo... — murmurei, voltando a repousar minha cabeça no travesseiro macio. — Já que é assim, pode ficar. Happy está dormindo ali no canto, de qualquer forma — avisei e o rosado encarou meus olhos como se soubesse o que quis insinuar: Happy era à prova de safadezas.

— Minha palavra realmente vale pouco para você... — balbuciou.

— É porque não anda ficando comigo muito nos últimos tempos — disse. — Está sempre ocupado, escondido em algum canto com Flare.

— Está com ciúmes?

— Não — respondi. — Estou angustiada, porque tudo indica que está me abandonando aos poucos. Depois de tudo o que passamos para ficarmos juntos, da mesma forma que estamos agora, você mesmo está largando mão. É como se todos os obstáculos transpassados fossem para absolutamente nada.

— Lucy... — acariciou meu rosto com sua mão. — Sinto tanto por tê-la feito se sentir assim...

— Sente mesmo?

— Claro! Boba — beijou-me calidamente. — Estou muito preocupado pelo fato de Lullaby estar aqui, no entanto vou mudar minhas prioridades agora. Você é mais importante do que qualquer outra coisa.

— Natsu... — murmurei.

— Aqui — cruzou os dedos de nossas mão e fixou seus olhos nos meus. — Se eu fizer isso se sentirá mais segura? — sorri e concordei com a cabeça. — Ótimo — sorriu. — Boa noite, Lucy. Pode dormir despreocupada. Quando acordar, estarei aqui.

Suas palavras passavam-me um sentimento de confiança, então, com uma calma estranha se apossando de mim, acabei adormecendo.

✩✩✩



Quando acordei no dia seguinte, a primeira coisa que vi foi o rosto adormecido e fofo de Natsu. Nossos dedos continuavam entrelaçados, e não pude evitar sorrir para isso. Por que será que andei desconfiando tanto dele? Tenho certeza que Natsu fará qualquer coisa para manter suas promessas comigo.

Desvencilhei minha mão cuidadosamente temendo acordá-lo e levantei da cama, indo até o banheiro e enchendo a banheira enquanto escovava os dentes. Mergulhei na água levemente morna, sentindo meus músculos relaxarem e finalmente tendo a sensação de estar acordada. Quando saí do cômodo, já devidamente vestida, dei de cara com Natsu terminando de vestir uma jaqueta completamente diferente e da qual não lembrava.

— Vai sair? — indaguei.

— Oh! Finalmente saiu! — exclamou, notando minha presença, uma vez que seus olhos estavam fixos em Happy, como se estivessem conversando algo que não fazia ideia. — Estava pensando que havia desmaiado na banheira — avaliou-me minunciosamente. — Esta roupa está boa.

— Boa? — balbuciei, confusa. — Para o quê?

— Precisamos ir para a escola hoje — respondeu, consultando a hora no relógio de pulso.

— Quê?! — exclamei. — Pensei que Mira havia dito que...

— É — cortou-me —, ela tentou. Makarov disse que não podia permitir que ficasse tanto tempo longe da escola por causa do festival cultural.

— Festi... — interrompi-me, lembrando que era exatamente nessa época que ocorria esse tipo de evento. — Ah, que ótimo!

Tudo o que precisava agora era ter que participar de um evento desse porte com uma espécie de psicopata atrás de mim.

— Não se preocupe — Natsu entrelaçou sua mão com a minha —, vou estar do seu lado o tempo todo.

Encarei seus olhos ônix. Eles refletiam tal confiança, como se Natsu fosse fazer até o impossível para me proteger. E quer saber? Tinha certeza de que faria mesmo, se fosse necessário.

— Certo — respondi simplesmente.

✩✩✩



Quando cheguei a Magnolia me senti extremamente envergonhada por causa das minhas brigas com Natsu em meio da sala de aula, mas aquilo nem se compara com o nível de vergonha que senti ao pisar na sala hoje com Natsu. Mesmo quando voltei às aulas, aonde os outros alunos observaram-me com medo por ser “a namorada do mafioso”. Absolutamente nada se comparava.

Até mesmo Laxus, que sempre parece ter desinteresse por qualquer coisa, olhou para nós como se soubesse da situação — o que era bem possível, uma vez que ele era namorado de Mira e primo de Natsu...

Há alguma coisa pior que olhar de pena?

A hora do almoço pareceu demorar horas para chegar, e quando veio, não me senti melhor em nenhum aspecto. Levy estava ocupada com as atividades de sua sala e Gajeel, como seu “guarda-costas”, acabou indo ficar com ela. Natsu, quem disse que estaria ao meu lado o tempo todo, foi falar com Makarov e me largou sozinha na sala...

— Solitário... — murmurei baixo.

— Ah... — cantarolou alguém, sentando-se na mesa que pertencia a Mira. — Então o Natsu simplesmente lhe largou aqui, completamente só. Que péssimo exemplo de namorado.

Era Milliana, uma das garotas do grupo da Kagura.

Confiável, pensei. Bom... pelo menos, era o que pensava. Mira havia me dito que Kagura era alguém em quem podia se confiar, então como Milliana anda com ela, creio que também possa significar segurança.

— Milliana, deveria ser um pouco mais educada — bronqueou Kagura, aproximando-se. Seus olhos castanhos focaram em mim: — Desculpe por isso.

— Eh? Hã... Tudo bem... — murmurei, levemente confusa. Nunca cheguei a conversar com outras pessoas da escola fora Erza, Mira e Natsu...

Nossa, pensando nisso, parecia até que estava destinada a ter problemas com Natsu. O que é mais triste do que pensam.

Kagura puxou a cadeira de Gajeel e recostou-se nela, cruzando as pernas ao fazê-lo.

— Como está se sentindo? — Indagou Milliana, desdobrando um pano rosa claro e colocando seu obentou nele.

— O quê? — estava meio perdida na conversa.

— Ah, sabe como é — murmurou, destravando a tampa do obentou. — Essa coisa de ter alguém atrás de você e lhe mandando presentes nada agradáveis...

— Como sabe disso? — surpreendi-me.

Kagura soltou uma risada.

— É difícil ter alguém que não saiba — sussurrou.

— O que quer... — comecei.

— Ah, Natsu mandou espalhar por aí — explicou Milliana.

— Como?

Por que Natsu faria algo assim?

— É entendível o ponto de vista dele... A pessoa que fez aquela atrocidade tem duas opções: ou para de lhe atormentar...

— Ou é pega o tentando lhe assustar — terminou Kagura.

— Deve ser por isso que ele te deixou sozinha! — exclamou a morena em um momento de entendimento.

Isso significa que Natsu estava me usando como isca? Ah, vamos ter uma conversa bem séria quando nos reencontrarmos.

— Que fofo — elogiei o almoço de Milliana, que fora organizado de forma a parecer a cabeça de um gato.

— Não é? — perguntou retoricamente, estranhamente animada. — Tão fofos, amáveis e inteligentes!

— Milliana ama gatos — esclareceu Kagura, enchendo a boca em seguida com arroz e carne de seu almoço. Observei as duas. Elas eram mais fáceis de se comunicar do que imaginava... — Não vai?

— O quê?

— Não vai comer seu almoço? — questionou Kagura novamente.

— Oh! Claro! — sorri envergonhada, puxando meu 'bentou de baixo da mesa.

— O que é isso? — indagou Milliana, abaixando-se para pegar um papel que caiu no chão. Congelei, lembrando-me que foram com aquelas mesmas palavras e aquele mesmo movimento que Levy pegara aquele lenço. Tremi enquanto a morena levantava, trazendo consigo um pequeno pedaço de papel quadrado. — Oh! Uma anotação! Tome — devolveu-me o papel. — É algo de química?

— Hã... É — respondi, torcendo que minha voz não falhasse.

Água.

Era só isso que estava escrito no papel. Até aí tudo bem, no entanto a letra não era a minha. Era a mesma do bordado.

De repente, senti-me vulnerável. Se havia conseguido colocar um papel embaixo de minha mesa, isso significava que a pessoa tinha uma forma de acesso à escola, o que não era bom de maneira alguma.

Para meu alívio, Natsu voltou nessa hora, então soube que tudo ia ficar bem.

✩✩✩



— Erza avalia todo mundo que entra naquela escola. Tem que ser alguém de fora — soltou Natsu, assim que estava terminando de estacionar a BMW azul na garagem da mansão, em meio de tantos carros. Socou o volante. — A forma como sempre conseguem te amedrontar me irrita.

— Irrita tanto que me deixou sozinha lá na escola.

— Ainda está nervosa por isso? — perguntou surpreso. Soltei um bufo enervado como resposta. — Vamos lá, não foi por mal. Estava levando em consideração sua segurança.

— Se a pessoa que está atrás de mim tivesse me sequestrado, como iria me proteger? — briguei. — Sabe, protegemos as coisas para que não aconteça nada com elas.

— A pessoa não chegou perto, chegou?

— Chegou perto, Natsu! Bem perto! — praticamente esfreguei aqueles papéis na cara dele. — Perto o bastante!

— Por favor! — revirou os olhos. — Essa pessoa com certeza está brincando com você. Qual outro motivo teria para mandar essas palavras sem noção?

Lancei um olhar enervado para ele, já totalmente sem paciência.

Depois de “água”, havia recebido mais dois quadrados de papéis com palavras. O primeiro no bolso do casaco do uniforme da escola, o qual sempre deixava na Fairy Tail, aonde estava escrito o nome da escola; e o segundo no meu armário de sapato na hora de ir embora, neste escrito “festival”.

Para alguém tapado como Natsu podia parecer algo sem sentido, mas na verdade era bem simples: água, Fairy Tail, festival. Estávamos nos preparando para um festival na Fairy Tail. Tudo o que restava saber era aonde água se encaixava.

— Desculpe — soltou Natsu com um suspiro, rolando seus olhos ônix em minha direção. — Sei que não deveria... O que é aquilo?

Meu corpo endureceu complemente. Essa frase andava me seguido nos últimos dias.

— O que foi? — indaguei amedrontada.

— Tem alguém ali... — apertou os olhos, tentando enxergar em meio à escuridão. Parecia que o sangue havia parado de correr por minhas veias. Era a pessoa misteriosa? Bem ali, na mansão Dragneel? Natsu desistiu de tentar ver algo no escuro e ligou o farol do carro — que era de Igneel, aliás. Natsu disse que seu pai ficaria furioso se soubesse que ele havia sequer tocado nas chaves.

— O que é? — perguntei, ao ver sua expressão surpresa.

— Mas que raios... — botou a cabeça para fora. — Aries?!

Meus músculos relaxaram ao ouvir aquele nome, e virei-me para ver porque Natsu parecia tão surpreso. Meu queixo caiu ao constatar a pessoa que estava aos... hã, amassos, com ela.

— Rogue?!

✩✩✩



Natsu nunca aparentara ser alguém moldado para ser irmão mais velho. Até mesmo Gray dissera isso uma vez. E eu mesma vivia pensando isso dele. Porém ver o modo como encarava Aries, que se retraia no sofá, e ocasionalmente olhava para Rogue — de quem já não gostava muito, vale lembrar — mudava totalmente meu ponto de vista.

— Então — começou — quer dizer que vocês estão em um “rolo” faz algum tempo...

— Sim... — afirmou Aries baixo. Parecia que ela estava envergonhada demais até para falar, o que era novidade considerando que era... bem, a Aries.

— E há quanto tempo isso vem rolando? — o rosado indagou, e não pude evitar encarar Rogue por causa dessa pergunta.

— Não muito — respondeu, focando seus olhos vermelhos em mim.

— O quanto “não muito” significa? — não consegui evitar perguntar.

— Menos tempo do que o seu com ele — apontou com a cabeça para Natsu.

— Espere um pouco! Se você está se envolvendo com Aries há pouco tempo, porque tentou nos separar? Aliás, sabe que Aries é três anos mais nova que você, não sabe?

— Sim, eu sei. — Rogue virou-me as costas para responder Natsu. — Não é como se no começo estivesse positivo para um relacionamento com Aries.

— Ele, na verdade, fez tudo o que pode para não ter um relacionamento comigo — confessou a rosada. — Desculpe, Lucy, não pude me deter.

Apenas encarei seus olhos castanhos, compartilhando todos os meus pensamentos só comigo.

— Você não respondeu minha pergunta! — Natsu praticamente rosnou para Rogue.

— Não confio e nem gosto de você — respondeu o moreno, sem se amedrontar. — Não o acho alguém que ofereça segurança para Lucy, além disso — voltou a me encarar —, como poderia abrir mão dela tão fácil?

O Dragneel bufou.

— Sempre pensei que fosse alguém de caráter. É incrível como as pessoas no fundo nem sempre são como aparentam.

— Não fale como se estivesse por dentro de tudo — sibilou Aries, defendendo Rogue.

Natsu arregalou os olhos.

— Ele tentou voltar com Lucy enquanto se relacionava com você!

— Não, ele tentou salvar um relacionamento de anos com Lucy que foi completamente destruído por você — suspirou — e por mim.

— Por você? — o rosado arqueou uma sobrancelha.

— Ela armou tudo para você e Lucy se conhecerem — explicou Rogue. — Desde o primeiro esbarrão até o primeiro “eu te amo”. Não é irônico o como conseguiu tudo o que quis?

— Inclusive você — sussurrei, alto o bastante para apenas Aries, que estava ao meu lado, ouvir. A rosada virou-se para olhar em meus olhos.

— Sempre soube que Aries tinha um dedo nessa história, mas toda... Você realmente puxou o lado materno da família.

Aries pareceu atingida com essas palavras. Aliás, ela parecia ser a principal vítima de nossas palavras ali. Um enorme nó de culpa de formou em meu estômago, porém obtive sucesso em ignorá-lo.

— Dizer isso — balbuciou ela com um leve sorriso nos lábios — é algo que me faz pensar realmente quem estou favoritando.

— Não comece, Aries. Sabe muito bem em qual sentido quis dizer.

— Claro que sei. Entretanto, não é exatamente isso que pode ser o “às” da questão?

— Não, não é — o mafioso parecia irritado com aquela conversa. —Isso não é algo para se conversar agora, Aries.

Foi minha vez de ser atingida. Isso claramente indicava que Natsu não havia me contado tudo.

— Lucy... — chamou-me Rogue, tocando meu braço delicadamente. — Podemos ter um minuto à sós?

Observei Natsu e Aries. Parecia que saíam fagulhas de seu olhos, como se pudessem colocar fogo naquele cômodo apenas por vontade própria. Seria impossível interromper aquela conversa silenciosa dos dois.

— Claro — respondi de má vontade.

Caminhamos lentamente até a varanda que dava no enorme quintal da mansão — a mesma onde tomamos chá com Levy quando ela chegou de Lupinus.

— E então? O que quer falar comigo? — indaguei, sem dar tempo dele se recostar em algum canto.

— Sabia que estaria nervosa — admitiu com um sorriso triste. — Desculpe.

— É só isso? Que perda de tempo — tentei voltar para a sala de estar.

— Espera, Lucy — impediu-me de ir segurando meu cotovelo. — Realmente preciso conversar com você sobre isso. Não quero deixar nenhum mal entendido entre nós. Sabe o quanto é especial para mim.

Senti lágrimas brotarem em meus olhos.

— Não queria que não se apaixonasse por ninguém... Definitivamente tinha fé de que ia arrumar alguém — confessei.

— Eu sei, loirinha — tentou virar-me para poder ver meu rosto, porém resisti.

— O que realmente me incomoda nisso tudo não é o fato de ter encontrado alguém, muito menos dessa outra pessoa ser a irmã mais nova do meu namorado. O que incomoda é que, mesmo estando começando a desenvolver esse relacionamento, tentou salvar um... nós.

Aquela nunca foi uma palavra tão difícil de ser dita...

— Lucy, olhe para mim — pediu.

— Não. Estou envergonhada o bastante sem precisar olha para você. Eu que fui a cretina, não é verdade? Eu que pisei em seus sentimentos esse tempo todo.

— Não é verdade.

— É sim! Seu grande mentiroso! — virei em sua direção e comecei a socar seu estúpido peito bem definido. — Você soube desde o começo! Por que não impediu? Por que deixou que me apaixonasse por Natsu? — as lágrimas finalmente rolavam pelo meu rosto. — Por quê?

— Uau! Olhando assim, parece até ter sido uma péssima ideia! — tirou sarro, segurando meus pulsos para não atingi-lo mais. — Uma vez me disse que não queria que toda sua vida fosse planejada por seu pai, lembra? — neguei com a cabeça. — Bom.. Você disse! — riu. — E era exatamente por esse motivo que veio para cá, caso não se lembre — respirou fundo. — Acontece, Lucy, que quero lhe ajudar da melhor maneira que posso. Você não queria, e creio que ainda não quer, que os outros fiquem decidindo o que deve fazer. Quer andar com seus próprios pés — levantei a cabeça para encarar seu olhar avermelhado sobre mim. — Isso significa que deve cair e se levantar sozinha. Em todos os sentidos! Então porque deveria continuar se mantendo presa a mim?

— O quê? — não entendia o que ele estava querendo insinuar...

— A princípio, também fui uma das coisas planejadas por seu pai — confessou. — O jovem prodígio em Judô e órfão... Seu pai praticamente me adotou apenas para que eu a protegesse...

— Está dizendo que meu pai pagou para que me protegesse? — franzi o cenho.

— Quase isso — admitiu. — A questão, Lucy, é que me apaixonei por você. Verdadeiramente. No entanto, o que vivemos foi uma mentira em sua maioria. Fui patético em não ter lhe contado isso antes, por isso peço desculpa.

— Ainda não entendo... Do que você tinha que me proteger? — praticamente ignorei o que ele havia dito.

— Oh, bem... — desviou o olhar. — Acho melhor pedir maiores explicações a seu pai. Não estou por dentro de muita coisa. Aliás, deveria mesmo se comunicar mais com seu pai. O coitado me envia mensagens perguntando sobre você praticamente todo dia. Chega a ser irritante.

O nó de culpa que ignorei voltou com força o bastante para sentir minhas bochechas arderem.

— Vou ligar para ele — prometi.

— Boa garota. — Rogue finalmente soltou meus pulsos e limpou minhas bochechas. — Lucy, no passado ou no presente, tudo o que quero é seu bem estar. Entende o que quero dizer?

Acenei com a cabeça, concordando.

— Aries encontrou alguém muito bom — elogiei.

— Estou contando que diga isso para seu furioso namorado lá dentro — brincou.

— Pode deixar! — dei-lhe uma cotovelada.

Nos encaramos amorosamente.

— Ainda vai querer me proteger? — perguntei.

— Até parece que deixaria de lhe considerar uma das pessoas mais especiais para mim só porque estou namorando Aries — revirou os olhos. — Vem cá!

Puxou-me para um abraço, me pegando de surpresa no começo, porém acabei relaxando naquele calor muito bem conhecido. Fazia-me lembrar de quando chovia e víamos um filme deitados abraçados no espaçoso sofá de casa.

Olhando agora, minha relação com Rogue havia mudado de status. Não éramos mais ex-namorados, tampouco irmãos. Melhores amigos, talvez? Ele realmente sabia me desvendar...

Independente do que fosse, sabia que sempre poderia contar com o moreno. E ali, naquela varanda da mansão Dragneel, silenciosamente havíamos selado um novo começo entre nós.

Notas finais
Olhando agora, o nome do capítulo nem combina muito com o conteúdo. :v Faria mais sentido com o planejamento anterior e tal, mas enfim... Finalmente descobriram o relacionamento Rories! o/ Ué, Jude estava protegendo Lucy de algo? O quê? • Obrigada aos que favoritaram! [CURIOSIDADE - AI] - Sei que disse no final do arco anterior que a ação ia começar antes que imaginassem, e no final, não tivemos um momento de "ação" ainda. ~Sorry~ Não é que eu originalmente tenha tido a vontade de trollar vocês UASHUASHAUSHAUSH É que, enquanto organizava as ideias desse arco — afinal, tenho muita coisa para explicar — acabei criando um enredo totalmente novo. Então se estão esperando pela ação, por favor, tenham um pouco mais de paciência, pois AGORA SIM ela está mais perto. (^ u ^) Até o próximo, desu~