Meu Estranho Mafioso

59 Quarenta e oito.


— BEM — começou Rogue, afastando-se finalmente —, acho melhor voltarmos lá para dentro antes que Natsu ache outro motivo para querer me matar.

Ri, acenando com a cabeça em seguida.

— Pensei que ele tinha começado a lhe aceitar, mas agora vejo que vai demorar mais do que imaginei para vocês dois se entenderem.

Foi a vez dele de rir.

— Não vamos nos entender, Lucy.

— O que é uma pena, pois planejo passar bastante tempo ao lado dele — tipo minha vida inteira, evitei dizer.

— É mesmo? — arqueou as sobrancelhas. — Então quer dizer que simplesmente vai desistir de tudo para ficar ao lado de Natsu, hein? — murmurou.

Parei de andar e observei as costas de Rogue. Sabia bem ao que ele estava referindo. Aquilo realmente era algo que andava evitando pensar. Sei que uma hora terei que parar e enfrentar o peso de tomar essa decisão, porém não quero, e nem preciso, encarar isso agora.

— Talvez — foi só o que respondi. Respirei fundo, sentindo aquela segurança que apenas Rogue (e Gray) conseguiam passar para mim. Uma segurança em que podia confidenciar tudo o que quisesse, pois eles estariam lá para me ouvir e me aconselhar. — Estou preocupada.

— Com o que você não estaria preocupada? — perguntou. — É namorada de um mafioso que está sendo perseguida por alguém. — Segurou a maçaneta da porta da varanda.

— Sei que parece irônico — impedi-o de abrir a porta. — Mas é como se tivesse algo... Se uma pessoa consegue colocar presentes e mensagens em coisas pessoais sua, o que isso deve significar?

— Não significa justamente que esse alguém é próximo?

Neguei com a cabeça.

— Ninguém que conheço e que anda comigo faria algo desse gênero.

— Ninguém, hein? — sussurrou, tão baixo que não tinha certeza se havia mesmo dito algo.

— O quê? Tem algum palpite?

— Não. Lucy, o que exatamente quer que lhe diga?

— Eu... — suspirei. — Não sei. Seria ótimo se soubesse quem está por trás disso.

— Infelizmente não sei — acariciou uma mecha de meu cabelo, enquadrinhando meu rosto com os olhos. — Porém posso ajudar a tentar descobrir. Isso, claro, se tiver dicas.

Bufei.

— Se água, Fairy Tail e festival foram dicas, vá em frente!

— Vai haver um festival na Fairy Tail? — arqueou as sobrancelhas.

— Vai sim. Oh, desculpe! Esqueci de mandar uma mensagem o convidando — lancei-lhe um sorriso amarelo. — Essa parte também pegou rápido... Queria saber aonde água se encaixa.

— Fairy Tail não tem uma piscina ou algo assim? — indagou.

— Tem... Rogue, você é um gênio! — exclamei ao entender seu pensamento. Dei-lhe um abraço em agradecimento, ao mesmo tempo em que as portas se abriam para dar visão à Natsu e Aries.

— Vê? — Natsu nos indicou. — Ele nem consegue ficar a sós com ela sem sair a agarrando! Por falar nisso — puxou-me pelo braço —, vá abraçar sua namorada — esbravejou.

— Oh, Natsu, poupe-nos. — Aries revirou os olhos, segurando a mão de Rogue.

— Como a situação ficou? — indaguei.

O rosado bufou.

— Decidimos deixar para meu pai decidir.

— “Decidimos” nada — rebelou-se Aries. — Papai vai ter que aceitar isso. Tenho certeza que ele não dará um voto negativo para Rogue. Você é o único que não goza da companhia de Rogue.

— Não aproveito mesmo. Só porque o suporto não quer dizer que, necessariamente, gosto dele. Aliás, ele também admitiu não gostar de mim agora há pouco.

— Um dia vocês dois vão se entender — profetizei.

— Nunca — afirmaram os dois, convictos.

— Vão ver só — foi apenas o que respondi.

✩✩✩



A Fairy Tail realmente é exagerada. Não que isso fosse alguma novidade para mim — deixara de ser há tempos! —, no entanto voltei a lembrar disso assim que vi o enorme letreiro no portão de entrada.

— Finalmente está aqui! — vibrou Natsu, ao meu lado. — Dá para acreditar que o festival já é amanhã? E — soltou um assobio —, olha esse letreiro! Makarov não está de brincadeira esse ano!

— Você parece tão contente... Como uma criança — comentei.

— Ora, minha amada Lucy, o festival significa apenas uma coisa: uma diversidade deliciosa de comidas!

— Para você! — repliquei mal-humorada. — Vem cá, por que mesmo é o único que não precisa fazer nada?

— As pessoas não se sentem muito bem quando estou presente — deu de ombros.

Bufei.

— Ótimo — entrei no território da escola. — Bem, vejo você mais tarde. Tenho que ver os últimos preparativos para a peça.

— Certo. Ah, soube que Yukino mesma escreveu o roteiro da peça. É verdade?

Confirmei com a cabeça, deixando um sorriso escapar por meus lábios.

— É genial! Ela fez uma interpretação embasbacante de Tanabata! — elogiei. — Uma pena ser tarde demais quando me inscrevi.

— Não tinha algum papel sobrando? Tipo... Árvore três ou algo assim?

Neguei.

— Sinceramente... Ninguém fica responsável de ser o cenário atualmente. De qualquer forma, gosto de supervisar as falas. Se alguém esquecer algo no meio da fala, só preciso sussurrar no microfone que a pessoa irá se safar! — olhei o relógio no hall da escola, aonde alguns alunos tomavam café. — Opa! Tenho que me apressar! Nos vemos mais tarde?

— Claro — sorriu, acariciando minha mão.

Despedimo-nos e corri em direção ao teatro, que era onde o grupo da peça tinha marcado de se encontrar.

— Desculpe a demora! — pedi para o grupo.

— Tudo bem! — exclamaram alguns deles.

— Ei, Lucy! Tem como dar uma olhada aqui? — chamou uma das garotas do grupo de Kagura, Arania (ou algo assim), indicando o vestiário feminino.

— Certo! — corri até lá.

— O que acha? — indagou assim que alcancei-a, apontando para dentro do vestiário. Lá estava Kagura, a personificação da vergonha em pessoa, usando um belo yukata com enormes peônias destacando-se pelo tecido de aparência muito confortável.

— É lindo! — elogiei. — E combinou perfeitamente com Kagura! Se prendermos o cabelo dela em um coque agora ficará esplêndido!

— Por que tenho que vestir algo tão vergonhoso? — reclamou Kagura novamente.

— Porque é a protagonista da peça — voltou a explicar Arania.

— Então dê o papel para outra pessoa! — implorou. — Dê para Lucy! Ela sabe todas as falas da peça! Não vai ser difícil me substituir!

— Sabe que Yukino pediu para você pegar esse papel porque gosta muito de você — fez pouco caso. — Além disso, mesmo que Lucy saiba as falas, não sabe as ações. E não compareceu aos ensaios em grupo.

— Ela é esperta o bastante para pegar tudo hoje! — suplicou.

Arania suspirou.

— Lucy — virou-se para mim —, acha que pode trocar de função com ela?

— Eh? — fui pega de surpresa. —... Talvez, não tenho certeza. Não acha que Kagura precisa apenas se acalmar e...

— Vou avisar Yukino — cortou, nem se dando ao trabalho de me ouvir até o final. — Tenho certeza que Kagura estará hiperventilando amanhã se não for responsável por outra coisa.

— Obrigada! — exclamou a morena. Sentou-se no banco do camarim, abanando-se com um leque que fazia parte do cenário. — Desculpe, Lucy. Decidi que iria ficar no meu lugar do nada...

— Tudo bem... — murmurei. — Só foi rápido demais para eu conseguir processar... Tem pavor de público ou algo do gênero? — sentei junto a ela.

— Mais ou menos... — admitiu. — Quando tinha nove anos aconteceu um acidente na peça da qual participava. Toda a plateia viu minha vergonhosa e infantil roupa íntima de Gekota. Desde então, não participo em um papel por medo de voltar a acontecer. Ainda mais com roupas vergonhosas como essa...

— Não vai para templos e coisas do gênero?

— Eh? Vou sim, os adoro. Por quê?

— Ora... Não é a mesma coisa que se vestir para ir até um? Veste yukata neles, não?

Calou, tocando-se do que estava me referindo.

— Pensando assim, parece realmente algo estúpido estar com vergonha dessa roupa — puxou a gola do traje.

— E, veja, da forma como yukata é vestido, não tem como verem suas roupas de baixo.

— Ah! — soltou um suspiro pesado, notando que o que falava era realmente certo. — Que idiota de minha parte! O que faço agora? Irei ter magoado Yukino à toa!

— Não se preocupe! — levantei-me, disposta. — Irei encontrá-la para você e explicar que tudo não passou de um mau entendido.

— Faria isso? — observou-me com olhos agradecidos.

— É claro! — fiz um sinal positivo e saí correndo atrás de Arania.

Tive dificuldade em encontrar Arania, tive até que perguntar para algumas pessoas se a haviam visto. No fim, encontrei-a conversando com Yukino, a qual tinha uma expressão surpresa no rosto.

— Aí está você! — exclamei, interrompendo o papo das duas. — Já disse para ela? — a jovem de cabelo castanho esverdeado acenou positivamente com a cabeça. — Desculpe. Conversei com Kagura e a convenci a continuar com o papel.

— Você o fez? — surpreendeu-se.

— É, bem... — dei de ombros. — Disse que ela só precisava se acalmar.

— Puxa... — balbuciou. — Já que é dessa forma, acho melhor voltar e dar os últimos retoques naquele traje. Kagura pode mudar de ideia nesse meio tempo — e lá se foi Arania, pondo-se a correr todo o caminho de volta.

— As coisas estão uma loucura — comentei com Yukino.

— É... — concordou, enrolado seu roteiro. — Espero que não surjam mais imprevistos a partir de agora. Está em cima da hora para qualquer coisa.

— É verdade. Espero que não ocorra mais nada mesmo. Não tenho muita coisa para fazer sem ser rever as falas com o pessoal que vai atuar, quer ajuda em algo? — ofereci.

— Oh, bem... Já que falou nisso, o pessoal responsável pelo cenário e as partes técnicas parece estar precisando de uma mãozinha. O que acha?

— Com prazer!

Yukino indicou-me a direção e corri até lá, apresentando-me para os responsáveis daquela área. Logo fui lotada de serviços que ainda estavam pendentes àquela altura. Tive que pintar cenários, pregar tábuas que serviria de suporte, ajudar Arania com alguns trajes... Estava ajudando a equipe de iluminação quando aconteceu.

— Tudo bem — afirmei do meio do palco. — Podem ligar — um círculo luminoso caiu sobre mim. — Tudo certo aqui! — fiz sinal positivo para a cabine de controle. — Acho que, com isso, terminei tudo o que me pediram — murmurei para mim mesma, observando com cuidado uma pequena prancheta aonde haviam anotado no que poderia ajudar.

— Cuidado! — foi só o que ouvi, antes de ver uma enorme caixa de som despencando do teto e vindo em minha direção. Tentei fugir pela lateral, porém o objeto era grande demais e acabou acertando-me.

Ou pelo menos, uma parte de mim. Meu pé estava preso entre a caixa e a parede onde os cenários deveria ser pendurados.

— Merda! — praguejei, tentando puxar a perna.

— Você está bem? — perguntaram algumas garotas responsáveis pela organização dos lugares, correndo em minha direção.

O que você acha?; evitei rosnar para ela. Minha perna podia estar esmagada na parede e ela perguntava se eu estava bem?

— Agradeceria se chamassem alguém — murmurei, tentando ser gentil e não expressar o quanto aquilo doía.

— Ah... Claro — respondeu, tocando-se que era óbvio que deveria fazer.

— Lucy! — chamou o garoto que gritara para ter cuidado algum tempo atrás, avisando-me do desastre iminente, correndo em direção ao grupo que formara-se ao meu redor. — Meu Deus! — exclamou ao ver o estrago. — Ferrei com sua perna! Desculpe! — ele parecia mais desesperado do que eu estava internamente. Agarrou os próprios cabelos. — Ai, céus! O que fiz? Ferrei com a perna da namorada do Natsu! Estou morto. Eles vão me decepar, no mínimo!

— Se acalma! — gritou alguém da multidão. — Ele vai apenas acabar com sua perna também!

— Desculpa se estou interrompendo algo — brandi —, mas minha perna está presa aqui e está doendo muito. Será que podem tentar me ajudar tirando essa maldita caixa de som de cima de mim?

Silêncio.

… Certo, aquela fora a primeira vez que fora rude com alguém desde que chegara a Magnolia — com exceção de Natsu —, então conseguia entender porque ficaram tão surpresos. No entanto, não precisavam encarar-me daquela maneira.

— Ah... Claro — murmuraram alguns, juntando-se nas bordas da caixa e fazendo força para empurrá-la em direção contrária à minha. Aquela coisa era pesada demais para eles levantarem, então entendia o porque de parecerem tão esgotados quando terminaram. Deveria ao menos dizer um obrigada para eles, entretanto meus olhos estavam fixos no rastro de sangue que ficara no chão, como se fosse a gosma de uma lesma.

Tive medo de olhar para meu pé por conta disso. Sentia minha cabeça girar só de imaginar o estado em que poderia estar. A ambulância chegou e os enfermeiros da escola entraram puxando uma maca até mim. Senti-me obrigada a ver meu pé, e quando o fiz, desmaiei na hora.

✩✩✩



— Quero dois pratinhos desse — anunciou Natsu, apontando para o takoyaki de uma barraquinha de comida —, e um desse — apontou para o yakisoba próximo.

— Mais alguma coisa? — questionou a menina responsável pelo caixa, em um misto entre nervosismo e profissionalismo.

— Não, obrigado — respondeu o rosado, abrindo um sorriso que poderia cegar qualquer um.

— O-obrigada e volte qualquer hora! — agradeceu a moça, deixando as bochechas enrubescerem.

Revirei os olhos.

— Precisa ficar assim? — perguntei, atraindo a atenção de Natsu, o qual estava muitíssimo concentrado em degustar o takoyaki.

— Hum?

— Com essa aura toda alegre! Já entendi que está feliz por poder comer vários tipos de comidas e tal, mas por favor... — disse com desdem.

Ele engoliu a pequena massa redonda e recheada antes de replicar:

— Você também estava animada ontem. Vamos lá, Lucy! Não é o final do mundo!

— É sim! — rosnei. Para ele era fácil andar no meio daquela multidão que se acotovelava loucamente, porém queria vê-lo estar em meu lugar, com aquele gesso enorme no pé e as muletas como principal apoio.

— Oh, como está uma graça com esse temperamento — tirou sarro, arrancando um bufo meu. — Olha, tudo o que temos que fazer é aproveitar! Não tenho nada para fazer no festival a não ser comer, e você foi obrigada a largar seu papel na peça por causa do pé. Que tal?

Era verdade. Lisanna e Yukino entraram e um consenso de que não poderia cumprir meu papel com eficacia na peça estando tão debilitada. Mesmo o meu papel sendo uma sopra de falas para quem as esquecessem no meio de um ato. Poderia fazer isso mesmo com a perna machucada. Só precisaria de uma cadeira para poder descansar depois de algum tempo, porque se apoiar em uma muleta por tantas horas seguidas...

— Certo — concordei, fechando os olhos e forçando-me a ver aquilo de maneira positiva. Maneira positiva porque, mesmo não tendo bilhetes nos últimos dias, a pessoa que andara me atormentando havia citado o dia do festival e a escola. Talvez, como deixei um fio de esperança se infiltrar em minha mente; o Assustador tenha apenas desistido de mim e ido atormentar outra pobre alma. Logo cortei esse pensamento porque, por mais que desejasse que fosse verdade, sentia que as coisas ainda aconteciam por minhas costas. O acidente de ontem poderia ser algo relacionado a essa tal pessoa, no entanto como Wakaba (o garoto desesperado) havia se autodeclarado o culpado aos berros ontem, achei difícil levar em consideração essa suspeita. — Então, por onde começamos?

— Que tal — entrelaçou uma de suas mãos com a minha — começarmos pensando nisso como um encontro?

Virei meu rosto rapidamente para ele, escaneando sua expressão e vendo que planejara desde o começo passar um tempo comigo. Se o acidente não tivesse acontecido, tenho certeza que ele tentaria amedrontar a pobre e frágil Yukino para conseguir algum tempo a sós.

— Planejou isso desde o começo, não foi? — perguntei.

Deu de ombros.

— O que posso fazer se — desenhou um “L” na palma de sua mão — está fincado no meu — colocou a mão sobre o peito, bem em cima de onde ficava o coração.

Senti minhas bochechas arderem.

— Seu... espertinho! Isso é jogo sujo! — ralhei, envergonhada demais para dizer outra coisa.

— Ora, é você que não resiste aos meus charmes — gabou-se. — Não que tenha algo a reclamar, uma vez que também não resisto aos seus.

Encaramo-nos e sorrimos, cúmplices.

— Estou morrendo de vontade de comer algodão-doce — soltei.

— Ótimo! Como ótimo namorado que sou, comprarei um para você e a alimentarei.

Ri.

✩✩✩



Meu coração parecia que iria quebrar minhas costelas de tão desenfreado que estava. Minha respiração ofegante entregava meu desespero. Havia perdido uma das muletas e correr apenas com uma não fora nada divertido.

Natsu e eu íamos assistir a peça de Yukino quando avistei. O último papelzinho. Não havia nada demais nele, apenas a frase “a sereia não quer nadar?” — o que me deu certeza de que era mesmo a piscina, como Rogue me dissera —, mas fora o suficiente para me assustar. Avisei para Natsu que o Assustador estava ali, entre nós, e ele reuniu Gray e Mira o mais rápido possível, uma vez que eram os únicos que não precisavam se preocupar com o andar de algum evento ali.

Fora tortuoso ver o quanto o pequeno grupo demorava para considerar as opções. Nem ao menos me deram atenção quando tentei lhes dizer o que sabia. Irritada, saí correndo do teatro, sendo seguida por Gray — o qual me livrei pouco depois com uma bela muletada no joelho.

E agora, ali estava eu, em frente ao ginásio aquático, que estava rodeado de faixas amarelas com escritas de área restrita por todos os lados, e com um enorme nó na garganta.

Engoli em seco, tentando me livrar daquele mal estar momentâneo enquanto abria a porta de vidro. Estava destrancada.

— Olá? — chamei, tendo como resposta apenas o eco.

Tudo bem; pensei. Só preciso encontrar o lugar certo.

O primeiro lugar que fui foi ao banheiro. Sei que era óbvio que deveria ser a piscina em si, porém estava tentando adiar aquilo a cada segundo que podia, pois sabia que fora uma péssima ideia ir atrás do Assustador sozinha e por falta de paciência.

Estava vazio. Os dois — sim, tive coragem de entrar no banheiro masculino. Não é como se fosse ter um tarado ou um jovem desavisado se trocando ali (ou talvez fosse, mas não aconteceu).

Certo, você pode fazer isso, Lucy, afirmei convicta, tentando juntar coragem.

Andei o mais cautelosamente que a muleta permitia até a piscina.

Não havia nada ali. Apenas a água clara e azulada da piscina descoberta e o silêncio.

Suspirei aliviada. Rogue errara afinal. Não tinha nada a ver com a piscina.

Parei minha viagem de volta assim que ouvi um barulho do lado aposto da piscina. Virei-me, pronta para ver quem era.

Arregalei os olhos.

— Você?

— Lucy?! O que faz aqui? — indagou naquela voz doce de sempre.

— Eu é que pergunto, Yukino! — hesitei um pouco antes de dizer seu nome.

— Oh! — murmurou. — Apenas tomando um ar, sabe? Depois de toda aquela tensão da peça... Estou fugindo, na realidade. Querem que eu dê um discurso no final... Realmente assustador.

Eu sabia. Yukino sempre fora tímida para falar em público.

— Não deveria ficar aqui — aconselhei. — Não é — sussurrei: — seguro.

— Você também não, então — sua expressão demonstrava medo. Yukino sabia pelo o que andava passando, não era de se estranhar.

— Venha, vamos dar o fora daqui — chamei, virando as costas para ela.

— Lucy! — Yukino gritou desesperada, e tudo o que senti foi o apoio da muleta sumindo e eu caindo para trás...

… Direto na direção da piscina.

Senti o choque do meu corpo com a água, e afundei rapidamente por causa do gesso. Forcei-me a tentar voltar à superfície, porém falhei completamente. Já sentia o ar faltar em meus pulmões e minha mente nublando. Acabei fazendo a pior coisa naquele momento: desesperei.

A última coisa que vi foi Yukino, uma imagem distorcida pela água, assistindo tudo com olhos arregalados. E, antes de apagar, entendi praticamente tudo.

Notas finais
O que será que a Lucy percebeu? Esse capítulo era para ser — e ainda é, mas foi dividido — um ponto de virada da estória. Agora a parte em que vocês vão querer me linchar: [AVISO] Estou entrando em hiatus. Não é por falta de criatividade, nem por preguiça de digitar, mas sim pelo meu computador estar a ponto de morrer. E não estou zoando. Não sabem como tive que me desdobrar para conseguir colocar imagem nesse capítulo. E que ótima hora para entrar em hiatus, hein? UAHSUASHA Desculpem, não é de propósito. Então, até o próximo, sabe-se lá quando. ♥