Meu Estranho Mafioso
54 Extra - Problema.
Notas iniciais

— VOLTEM SEMPRE! — Exclamou Lisanna com um enorme sorriso no rosto, curvando-se para os clientes que acabavam de pagar sua conta.
Respirou fundo assim que voltou à posição normal, deixando seu olhar vagar pelo espaço amplo e aconchegante que se resumia o Fairy Latte.
Ah, finalmente um canto que amo e posso ficar! Pensou com um singelo sorriso tomando-lhe a face. Realmente amava aquele lugar.
— Lisanna, cliente novo na mesa cinco. — Avisou-a Gajeel assim que passou ao seu lado carregando uma pilha considerável de pratos sujos em uma bandeja negra.
— Oh, obrigada. — Agradeceu, pegando o bloquinho de pedidos do bolso de seu quimono curto e caminhando alegremente até a tal mesa. — Posso anotar seu pedido? — Indagou, sem nem ao menos vislumbrar o cliente, pois mantinha os olhos fechados e um sorriso enorme e profissional no rosto.
— Depende muito... No cardápio há alguma Lisanna Strauss? — Murmurou ele, fazendo-a abrir os olhos surpresa e encará-lo. — Oh! Consegui fazê-la perder a postura mais fácil do que pensei.
Ótimo, pensou a albina revirando os olhos, meu dia acaba de perder toda a mágica.
— O que faz aqui, Loki? — Perguntou de maneira amarga, o sorriso sumindo totalmente de sua face.
— Tsc, tsc. Isso é maneira de se tratar um cliente? Posso reclamar com a Evergreen, sabia?
— Vá em frente. — Disse, dando-lhe as costas.
— Espera! Espera... — Voltou a repetir assim que a havia impedido de continuar o trajeto, puxando-a pelo pulso com força o bastante para pará-la, mas não ao ponto de chegar a machucar. — Os anos passam e sua rispidez comigo não muda.
— Não acho que faça algo para minha atitude em sua relação mudar. — Respondeu. — Agora, se não tiver intenção de fazer um pedido, poderia desocupar a mesa para algum cliente poder...
— Certo, certo! Farei a porcaria do pedido! Pode ao menos sentar comigo um pouco e me fazer companhia? — Pediu, lançando um olhar intenso em sua direção.
— Não faz parte da função do meu trabalho se sentar com um cliente e fazer-lhe companhia. — Sua frieza só parecia aumentar.
Vai ser bem difícil ter uma conversa agradável com ela se continuar assim...; meditou o ruivo.
— Porém é uma função de ser minha... amiga. — Não pode evitar hesitar antes de soltar aquela palavra. Respirou fundo. — Sua pausa para descanso está próxima e não seria nenhum sacrifício me fazer companhia.
Ah, seria sim! Lisanna forçava-se a não deixar alguns pensamentos escaparem por sua boca. Expirou fortemente.
— Não vai me deixar em paz se não o fizer, acertei? — Indagou.
Um enorme sorriso se formou nos lábios do ruivo.
— Com certeza! — Pegou o menu. — Há algo que me sugere?
Veneno.
— Poderia pedir um parfait. Os parfaits daqui são simplesmente deliciosos. — Aproximou-se um pouco dele para ver mais opções deliciosas a se sugerir. — O mont blanc também é magnifico. Aposto que gostaria muito dele. Peça o mont blanc.
Peça, peça, peça, peça! Torcia em seu interior.
Ele suspirou.
— Poderia ao menos fingir não querer me matar, sabia? Sabe que sou alérgico a chantilly.
— Ah, é? — Fez-se de desentendida.
Loki cerrou os olhos.
— Aposto que deve estar desejando que engula veneno.
— Eu... Não... — Balbuciou. Droga! Esquecera que Loki a conhecia tão bem ou melhor que o próprio Natsu.
— Sei... — Murmurou desconfiado. — Mesmo assim, irei preferir algo que não me mate. — Leu entre as diversas opções. — Um cheesecake de chocolate com cobertura de morango. — Decidiu por fim.
— Certo. — Com um pouco de dificuldade, forçou um sorriso enquanto anotava o pedido. — Volto em um instante com seu pedido.
Apressou-se o máximo que podia a sair dali e evitar que ele puxasse assunto. Loki sempre sabia como mexer com ela, e não queria ficar emocionalmente instável.
Maldito crápula! Acusou quando esperava o pedido ser atendido pela cozinha. Era incrível como apenas sua presença podia deixá-la nervosa por si só. Seu jeito angelical caia por terra assim que seus olhos se encontravam com o mel-esverdeado dos dele.
— Pedido! — Exclamou um ajudante da cozinha depositando um prato decorado com um belo pedaço de bolo em uma bancada e tocando uma pequena campainha, retirando-a de seus devaneios.
Pegou o prato, agradecendo o ajudante com um aceno de cabeça e voltando até a mesa cinco.
— Seu pedido. — Deslizou o prato na frente dele.
— Bem em tempo! — Exclamou, apontando para o banco acolchoado à sua frente. — Sente-se.
Os olhos azuis correram até o relógio de parede de aparência antiga, mas muito bem conservado.
Merda, praguejou ao perceber que seu turno já acabara. Agora não havia como recusar.
Contra a própria vontade se forçou a sentar ali.
— Então. — Puxou assunto, enquanto assistia-o se deliciar com o bolo.
— Então. — Ele repetiu, fazendo-a suspirar exasperada.
— Posso saber porque pediu minha companhia se apenas iria comer em silêncio?
— Ah! Então no fim se importa com o que eu falo! — Balbuciou maravilhado.
Fuzilou-o com os olhos.
— Estou falando sério, Loki. Não irei desperdiçar meu descanso com você se poderia estar fazendo outra coisa...
— É muito querer rever a garota que amo quando finalmente tenho tempo? — Sussurrou, provocando arrepios por todo o corpo da albina.
— De novo com essas cantadas ridículas? Tenho coisa melhor para...
— Sabe que não é mentira. — Afirmou com os olhos cravados nos dela. Quando havia tirado os óculos? Lisanna quase se viu tentada a se deixar ser atraída por aqueles olhos enigmáticos. Quase.
— Poupe-me. Se vai continuar com aquele papo de que fui seu primeiro amor e que até hoje sou, irei...
Bufou. Por que Lisanna era tão cabeça-dura? Com ele, pelo menos.
— Queria saber a razão de pensar que isso é uma mentira. Lisanna, falo sério quando digo que...
— Porque é uma mentira! — Afirmou convicta, finalmente conseguindo desviar os olhos para outro canto qualquer sem serem seus olhos. — Tem que ser.
— E por que tem que ser?
— Por vários motivos! — A albina sentiu um nó se formar em sua garganta. Maravilhoso! Agora estava prestes a chorar! — Não acha que já tenho motivos o suficiente para ser odiada pelos Dragneel? Por Aries?
— Então está com medo de Aries? Não se preocupe. Ela irá odiá-la de qualquer forma. — Soltou. Agora ele também se estressava.
— Eu sei! — Gritou, atraindo a atenção de várias pessoas ao redor. Pigarreou. — Eu sei. — Repetiu, dessa vez mais baixo. — Mesmo assim não quero lhe dar mais motivos para isso. Além disso... — Mordeu o lábio inferior. Não deveria...
— Além disso... — Incentivou-a, sentindo a flechada a caminho.
Respirou fundo, tomando coragem, e soltou:
— Você é gay, Loki. Por que ainda corre atrás de mim?
Fechou os olhos, sentindo-se totalmente atingido e ferido pela flecha. Respirou fundo novamente.
— Sou bissexual, Lisanna. Bissexual! — Esclareceu. — E isso não me impede de amá-la tanto ou mais quanto um homem pode amar uma mulher. — Pegou suas mãos. — Sabe que meus sentimentos por você são imutáveis. Desde quando nos conhecemos. — Acrescentou.
— Loki... — Murmurou ela. Seus olhos azuis estavam ainda mais cristalinos por causa das lágrimas que começavam a se acumular neles. — Não me dê mais motivos para ser odiada. — Gemeu, fechando os olhos em uma tentativa de impedir as lágrimas. — Quando minha família decidiu que seria melhor me afastar de tudo o que rodeia esse mundo da máfia, eu estava de acordo. Ficar longe de tudo. Inclusive de você. — Puxou as mãos, fungando um pouco. — E você não pode ter algo que o prenda em lugar algum. Sabe disso. Por que me força a ter que lhe dizer?
Ele soltou um suspiro triste.
— Está certo. Até que essa confusão toda acabe não posso ficar em lugar algum por muito tempo. Entretanto me apaixonei por você antes disso tudo começar. E continua vendo Natsu.
Engoliu em seco.
— Mesmo que tenha me conhecido antes, agora é um deles. Desculpe, Loki. Sabe que isso... nós não daremos certo. E sabe também que Natsu e eu já não conversamos e nos encontramos tanto quanto antes.
Desviou os olhos dele.
— Certo. Porém isso não me faz querer desistir. Lisanna, olhe para mim. — Pediu.
Relutante, ela o obedeceu. E acabou quase batendo seu nariz de encontro ao dele. Piscou os olhos arregalados surpresa.
Muito perto! Muito perto! Muito. Perto! Apitava seu cérebro.
— Não está muito perto? — Tentou dizer friamente, falhando miseravelmente.
Ele espalmou uma de suas mãos quentes na bochecha dela, acariciando-a amavelmente.
— Não irei desistir, Lisanna. — Sussurrou, seus dedos descendo até os lábios rosados da Strauss e os circundando levemente. Aproximou seu rosto, fazendo o coração dela bater ainda mais fortemente. No último segundo, desviou o percurso, beijando-lhe a bochecha. — É uma pena não poderem ser seus lábios. — Comentou se afastando rapidamente. — Desejo-os há tanto tempo... Mas até que esteja confortável com minha presença — tirou o dinheiro necessário do bolso e depositou-o sobre a mesa —, não ultrapassarei muito os limites. Ninguém lhe ama mais do que eu. Disso tenha certeza. Só espero que as coisas possam se resolver antes que seja tarde demais... — Comentou com um olhar triste. — Meu tempo acabou. Até a próxima, Lisanna.
E foi embora, sem deixar ao menos um resquício de sua presença fora o dinheiro e a expressão estupefata da Strauss.
Seu coração ainda batia rápido demais quando recobrou cem por cento da consciência, levando a mão até a bochecha onde ainda sentia a sensação dos lábios dele. Macios e quentes.
Levantou-se em silêncio, recolhendo o dinheiro e enfiando-o com raiva na caixa registradora. Olhou para a porta por onde havia saído.
O que foi isso? Pensou irritada.
Ah, Loki realmente era um problema. Uma incógnita que insistia em aparecer em sua vida.
Será que um dia seria capaz de resolvê-la?
Dando de ombros e se repreendendo pelos pensamentos bobos, foi aproveitar o que restava de seu descanso.
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