Meu Estranho Mafioso
18 Dezessete.
Notas iniciais
— QUE DEMORA! — Reclamou Natsu pela milésima vez aquela semana. — Como pode demorar tanto para se trocar?
— Ah! Cale a boca! — Bufei, abrindo a porta de seu porsche e jogando-me no banco do carona.
Faz duas semanas que estou trabalhando no Fairy Latte.
— Sinceramente Luce, não consigo imaginar porquê demora tanto.
— Me deixe em paz! — Exclamei exasperada. — Esse trabalho é importante para mim, sabia? O local tem um clima agradável e excelente para se trabalhar, fora o fato de o salário ser bom o bastante para pagar o aluguel do meu apartamento. E não me chame de Luce! É Lucy! Lucy!
— Não é como se Tara estivesse lhe cobrando, certo? Afinal, você nem está morando lá no momento!
— Acho que você deveria parar de implicar com meu emprego, Natsu! Nem somos namorados de verdade! Não vejo o porque de você ficar cheio de reclamações. Até parece ciúmes!
— O quê? É claro que não tenho ciúmes de você!
— Então pare de reclamar! Sinceramente...
— Mas Luce, você não está me escutando. Estou dizendo isso para seu bem!
— Não brinque assim comigo, Dragneel. Não é porque aceitei ser sua namorada que deixarei mandar em mim.
Suspirou fortemente.
— Viu? Depois reclama quando a chamo de cabeça dura.
— Eu não sou cabeça dura!
— Não disse?
— Somente não entendo essa sua neura em dizer que Sting é um perigo! — Ignorei-o.
Um clima ligeiramente desagradável pairou sobre o automóvel.
— Sting? — Murmurou o rosado.
— O quê? — Indaguei, lançando meu olhar em sua direção.
— Já está o chamando assim, tão intimamente?
— Estou. Qual o problema?
— Nenhum. — Respondeu, focando sua atenção na pista. — Não avisarei novamente, então.
Lancei lhe um olhar confuso, porém contentei-me com o silêncio, e assim voltamos para casa.
✩✩✩
— Lucy! — Chamou-me Evergreen no dia seguinte.
— Sim? — Indaguei ao mesmo tempo em que terminava de montar um parfait para um dos clientes.
— Entendo que ainda é cedo demais... Porém quero lhe entregar isto. — Estendeu-me um envelope branco.
— O que é isso? — Perguntei abrindo o objeto.
— Pagamento. — Especificou.
— S-sério? — Animei-me. — M-mas... Não é muito cedo? Faz apenas duas semanas que comecei...
— E já está no topo de empregados populares da cafeteria. Isso é incrível, sabia? — elogiou.
— Obrigada! — Agradeci orgulhosa. Embora ache que o principal motivo de ser tão popular seja por causa do namoro com o senhor Dragneel... Arregalei meus olhos a ver a quantia ali contida. — Evergreen-san...
— Pois não?
— Isso não está errado...? Quero dizer... É muito...
Ela contou a milhares notas ali contidas.
— Está certo! Falta alguma quantia. — Fiquei com a boca entreaberta. — Tudo bem descontarmos mês que vem?
— C-claro... — Balbuciei sem jeito.
— Bem... De volta ao trabalho!
— Okay... Hum... Antes poderia fazer uma ligação?
Ela suspirou, pensando no meu caso.
— Tudo bem. Sting! Leve esse parfait até a mesa oito!
Corri até a sala dos empregados e peguei meu celular, que mantinha em um bolso escondido do kimono. Disquei o número dele rapidamente e prontamente fui atendida.
— Alô?
— Natsu? Sou eu, Lucy.
— O que quer? Estou meio ocupado agora... Não pode deixar para quando for lhe buscar? — Indagou pelo outro lado da linha, exasperado.
— Não, é exatamente sobre isso... Não precisa vir me buscar hoje. — Fez-se silêncio do outro lado da linha. — Natsu? — Chamei.
— Posso saber o motivo?
— Não. — Murmurei brincalhona.
Ouvi-o suspirar fortemente do outro lado da linha.
— Não vai mesmo me contar?
— Não.
— Então irei pensar que está aprontando algo, tudo bem?
— Que grosseria! Só preciso ir a um lugar e não quero que me acompanhe. Será que isso é estranho?
—...
— De qualquer forma, não precisa vir me buscar!
— Tudo bem. — Sua voz demonstrava cansaço. — Pode pelo menos me dizer como pretende voltar para a mansão?
— Aries-chan se ofereceu para me buscar. — Menti. No entanto, ela havia dito que sempre que precisasse poderia pedir a ela para me buscar.
—... Entendo... Tem um dedo dela nessa história... Então tudo bem. Não terá minha agradável companhia hoje à tarde.
— Agradável? — Ri. — Onde?
— Haha, boa tentativa, Heartfilia, mas não irá me estressar.
— Tsc! Que chato. — Murmurei.
— Então okay, tenho que desligar... E Lucy...
— Sim?
— Não... Nada. Esqueça.
— Se vai dizer algo, diga logo! — Estressei-me.
— Que pavio curto... Já está estressada sem eu nem ao menos ter dito nada.
— Você sabe o quanto a palavra esquece me irrita?
— Não faço a mínima ideia.
— Muito, Natsu. Muito.
— Será minha nova palavra favorita.— Brincou.
— Deixe de brincadeiras! Diga logo o que ia falar!
— Não quero, perdi a vontade.
— Natsu!
Um barulho do outro lado indicou-me que alguém havia entrado seja lá onde ele estivesse.
— Tenho que desligar, Luce. Tenho uma reunião de negócios importantíssima agora.
— Já disse para não me chamar de Luce! — Bronqueei.
— Certo, certo... Só... Tome cuidado, okay?
Não pude deixar de notar um tom preocupado em sua voz.
— E com o que deveria tomar cuidado? — Indaguei.
—... Sei lá, talvez chova hoje.
— O que isso deveria significar? — Perguntei séria.
—...
— Está falando do Sting novamente?
— Realmente tenho que ir. Vejo-te à noite, certo?
Suspirei novamente.
— Tudo bem... E vou tomar cuidado, não se preocupe.
— É quando você diz isso que me preocupo mais ainda.
— Será que não vai parar de me avacalhar? Pensei que tivesse uma reunião.
Ele riu.
— Tenho mesmo. Então estou indo... Como os namorados falam um com outro? Já estou com saudade, meu amor?
— Corta essa! — Ri. Despedimo-nos normalmente e desligamos.
— Essa parece ter sido uma conversa bem fofa entre namorados. — Balbuciou Sting, entrando na saleta.
— C-claro... — Murmurei.
— Ele não virá lhe buscar hoje? — Perguntou, estranhamente interessado.
— Não... Tenho planos para essa tarde.
— O que vai aprontar para ele?
— Como descobriu?
— Só poderia ser isso. Digo, ele é o maior mafioso do país e você está morando na mansão dele, desse modo só pode estar aprontando algo que ele não possa saber...
— Faz sentido...
— Então, o que é?
— Não é da sua conta. — Mostrei a língua.
— Que criança. Vamos lá, não vai mesmo me contar?
— Hum... — Pensei em seu caso. — Tudo bem. Irei aproveitar que hoje recebi meu pagamento adiantado e irei comprar o presente de aniversário dele.
—Você está bem atrasada, hein?
— Eu sei.
— Vocês dois, voltem ao trabalho! — Bronqueou-nos um dos assistentes da cozinha.
— Que saco... — Murmurou o loiro.
Somente ri. Sting era tão preguiçoso...
✩✩✩
Com o passar do dia o tempo mudou drasticamente. Amaldiçoei Natsu por suas sábias palavras que agora tinha percebido serem verdadeiras:
Estava mesmo chovendo.
Chuva era apelido para aquele temporal. Ventava tão forte que dava para ver as árvores resistindo, lutando com todas suas forças para não serem arrancadas do chão.
O ambiente no Fairy Latte mostrou-se agradável não importa como o tempo fosse lá fora. No rádio, tocava uma música bem calma — jazz, provavelmente —, as luzes foram acesas proporcionando um clima de bar chiqueeuropeu ao local. Para completar ainda mais esse cenário confortante, Evergreen mandou servir uma xícara de café para todos os clientes e por conta da casa.
Por causa do tempo Sting e eu não tivemos muito o que fazer no resto da tarde e fiquei feliz ao constatar, perto das quatro e quarenta, que o turbilhão já havia passado lá fora. Quando finalmente o relógio anunciou que eram cinco horas, o horário que saia devido ao fato de estar de férias e começar meu turno mais cedo, me despedi do resto do povo.
Do lado de fora estava congelante, tanto que me lembrei na hora do monte Hakobe. Havia chovido tanto que as ruas estavam com bastante poças d'água — o que era incrível, uma vez que elas tinham o asfalto bem liso. Tomei bastante cuidado desviando delas para não molhar minha roupa, já que estava usando o uniforme da escola (teria que voltar ao meu apartamento para pegar mais mudas de roupa).
Infelizmente meu esforço foi em vão uma vez que um barbeiro passou por cima de uma poça, jogando água por todos os lados. É claro que fui um dos alvos.
— Que droga! — Reclamei, olhando minha roupa molhada. — O que faço agora? Não me deixarão entrar na loja vestida assim... E até chegar à mansão e voltar...
— Lucy? — Chamou-me Sting do outro lado da rua. Atravessou-a correndo, postando-se ao meu lado. — O que aconteceu? Está com uma aparência péssima!
— Um maluco no volante, nada demais. — Respondi amarga.
— Aqui, vista meu casaco. Parece estar com frio. — Ofereceu. Seu celular tocou e ele o puxou para fora, olhando para uma mensagem brevemente.
— Não quero. Mesmo assim, obrigada. — Agradeci. — Acho que não tenho outra escolha a não ser tentar comprar o presente amanhã... — Suspirei desanimada.
— Hey — chamou-me com a voz estranhamente rouca —, não prefere ir até meu apartamento?
Franzi o cenho.
— Aconteceu algo?
— Não... Não. — Repetiu. — Moro aqui perto e você poderá se secar, o que acha?
— Hum... — Murmurei. Realmente, parecia a melhor opção. — Acho que irei aceitar sua sugestão. — Sorri.
Ele devolveu o gesto e levou-me até um prédio que notei ser um conjunto habitacional.
— Então é aqui que mora... Hum... — Murmurei, observando bem o local. Ele mantinha-se calado durante todo o caminho e pude notar sua atitude mudando aos poucos.
— É aqui. — Balbuciou abrindo a porta.
— Obrigada. — Agradeci novamente, pulando para dentro do pequeno imóvel. Ele acendeu as luzes iluminando o local. Ouvi-o suspirar.
O silêncio se instalou entre nós e virei-me ao ouvir o barulho de ferro se chocando.
— Sting? — Chamei-o, vendo girar a chave da fechadura atrás de mim. — O que está fazendo?
— Sabe Lucy... — Começou, ignorando totalmente minha pergunta. — Natsu-san é um cara de sorte.
— Natsu? — Observei-o se aproximar. — Por quê?
— Porque tem você. — Esclareceu olhando em meus olhos. Seu olhar me dava arrepios. Era como se... Estivesse pronto para me devorar viva. Parecia um animal.
— Então deveria dizer que ele tem azar, não é? — Perguntei pensando seriamente em dar alguns passos para trás. Ele estava perto demais. Estava invadindo meu espaço pessoal. — Digo... Ele tem que me aguentar...
— Acho que isso vale a pena. — Quase sem perceber, bati minhas costas na parede. Quando comecei a andar para trás?
Seus olhos desceram pelo meu corpo, analisando-me.
— I-Isso o quê? — Meu nervosismo começava a transparecer na voz.
Lançou-me um olhar malicioso e então percebi o que pretendia. Engoli em seco.
Claro. Estávamos somente nós dois ali, naquele pequeno quarto vago que era seu apartamento. Havia apenas uma cama, grande o bastante para duas pessoas e a pia logo à frente. Uma pequena porta que levava para o banheiro. Droga! Minha roupa molhada também não ajudava em nada, e estava sem a blusa de lã da escola, somente a social, ou seja, uma camisa praticamente transparente.
Péssimo dia para dizer a Natsu que não precisava me buscar.
— P-p-posso me secar agora? — Pedi, sabendo que seria inútil.
Droga! Você foi muito inocente, Lucy!; Repreendia-me.
Prendeu-me na parede com seu braço, olhando em meus olhos e balbuciou:
— Por quê?
— E-estou com as roupas molhadas e posso pegar uma gripe assim...
— Então as tire.
Encarei-lhe.
— Com você aqui? Está louco?
Lançou um sorriso debochado e concluiu:
— Então a tirarei por você.
Não tive tempo nem de exclamar. Prendeu meus dois braços sobre minha cabeça e desceu com sua mão livre até minha coxa, que estava lisa por causa da água, apertando-a fortemente. Antes que eu percebesse, arrancou minha saia, jogando-a de um jeito qualquer no canto ao nosso lado. Parou com a mão brincando sobre minha clavícula e, com seu indicador curvado desceu até os botões abertos da blusa, puxando-o para baixo rapidamente e abrindo totalmente a camisa. Parou para observar-me.
— Não disse que ele é um cara de sorte? Olhe só como você é linda, Lucy.
— Sting... — Gemi. Ele estava apertando meus pulsos fortes demais. — P-por favor... Pare...
— Parar? Mas estamos indo para a melhor parte agora, Luce.
Olhei-o com nojo. Chamara-me de Luce. Luce! Somente uma pessoa me chamava assim...
... E queria que ela estivesse aqui agora.
— Por favor...— Supliquei. Meus olhos começavam a arder e logo seriam marcados pela presença das lágrimas.
O sorriso esvaiu-se de seu rosto.
Olhou-me seriamente por alguns instantes e logo o sorriso malicioso voltou aos seus lábios.
— Sinto muito, Luce; porém não irei parar.
Comecei a debater-me, na esperança fútil de livrar-me de seu aperto de aço. De onde tirara tanta força?
Puxou-me pelas costas e selou seus lábios aos meus, forçando sua língua a atravessá-los. Senti vontade de mordê-la, porém neste momento senti seu peso sobre meu corpo e percebi que me levava em direção à cama. Arfei com o pensamento do que faria a seguir e ele aproveitou-se dessa chance para colocar um pouco mais de peso sobre meu tronco, fazendo meus joelhos cederem e meu corpo ir de encontro à cama.
Segurou meus pulsos juntos e, mesmo contra minha vontade, as bochechas arderam. Nunca imaginaria que aquilo aconteceria comigo. Muito menos que Sting fosse esse tipo de pessoa.
Fique longe de Sting...; Porque Sting está lá...; Mas Luce, você não está me escutando. Estou dizendo isso para seu bem!; Ressoava em minha cabeça.
Sou tão idiota... Por que não o ouvi? Natsu havia se mostrado alguém digno de confiança, então por que não o escutei?
Pegou algo embaixo da cama — uma corda. Amarrou meus pulsos juntos a cabeceira do móvel e girou-me, deixando-me com a cara nos lençóis. Senti suas mãos geladas irem de encontro à barriga agora nua e um choque perpassou-me.
— Por favor, Sting-kun... — Continuava a implorar, a voz entrecortada. — Pare, por favor!
Congelei completamente ao sentir sua língua em minhas costas, e logo seus dentes brincaram com o fecho do sutiã. Uma de suas mãos estava lá embaixo, brincando com o elástico da minha calcinha.
Ao abrir minha peça íntima superior deslizou-as até meu cotovelo, deixando-me seminua. Suas mãos então pararam de mover-se pelo meu corpo e focaram em um só lugar. Meus seios.
Apalpou-os delicadamente, apertando-os logo em seguida. Um gemido escapou pelos meus lábios. Virou-me, deixando-me encarando o teto. Minha paciência já havia acabado, agora gritava para parar, entretanto ele ignorava-me. Deixou malditos beijos do meu ventre até os peitos e lambeu o mamilo de cada um. Em seguida começou a chupar um deles com força e sentindo outro gemido aproximando-se, mordi meus lábios com força, impedindo-o e cessando os gritos.
Aceitou meu silêncio como um desafio e senti seus malditos dedos brincarem sobre minha calcinha. Estava tentando instigar-me, mas não conseguiria.
Vendo que não adiantaria, ousado, começou a tirar suas roupas e deixou seu membro totalmente exposto. Não aguentava mais e as lágrimas começaram a rolar livremente por meu rosto.
Debati-me, gritando, exigindo que me soltasse. Ele apenas observava a cena, mas em um ponto sua paciência acabou.
— Pare de espernear! — Gritou, agarrando meus cabelos. — Você tem mesmo um corpo maravilhoso, Luce, entretanto se agir assim muitos homens perderão o interesse em você.
— Eu não ligo! Ordeno que me solte, Sting! — Disse seu nome com nojo.
— Como espera satisfazer o Natsu-san assim? — Indagou, sorrindo de um modo nauseante.
Cuspi em seu rosto.
— Sua...! — Urrou. Agarrou minhas coxas e na hora soube que, se sobrevivesse aquilo, ficaria com hematomas. Arrumou-se na entrada de minha intimidade. Neste momento, meu corpo todo parou de se mover e as palavras de meu pai voltaram à minha mente.
Escute Lucy: tome muito cuidado ao chegar a Magnolia. Esses lugares guardam muitas surpresas, assim como situações vergonhosas e perigosas.
O estranho é que, para mim, Natsu era o perigo quando cheguei aqui...
As aparências realmente enganam...
A onda de choque que senti quando ele começou a penetrar-me lentamente foi tão grande que comecei a gritar.
Maldito Sting! Maldito!
Avisaram para me manter longe dele e não ouvi... Que droga! Sou tão estúpida!
— Seu maldito! — Gritava. — Morra! Sting estúpido! Eu o amaldiçoo! MALDITO! MALDITO!
Quando Natsu soubesse... Mesmo que fosse só uma fachada, ainda era namorada dele!
Sting mexia-se lentamente aproveitando cada momento daquele abuso. Gemia meu nome, pedindo para se entregar a ele, ao mesmo tempo em que rebatia-me sobre a cama. Começou a mexer-se mais rápido e no meio do susto, deixei outro gemido escapar. Então senti. Em meio às fortes estocadas, algo invadiu-me.
Ele havia gozado. Dentro de mim.
Jamais iria esquecer daquele momento. A vergonha e humilhação que estava passando... Eram tenebrosas.
Nunca mais ousaria mostrar meu rosto...
É vergonhoso, porém chorava igual uma criancinha ali. Meus pulsos doíam, minha alma doía.
Amaldiçoava-o com todas as minhas forças. Todas elas!
Chutava-o, debatia-me, esperneava... No entanto nada o afetava.
Ainda não satisfeito, ele voltou aos meus seios, lambendo todo meu corpo no processo. Mordeu um deles e gritei novamente, desejando sua morte mais que tudo. Lambeu meu pescoço, deixando um chupão ali como se estivesse me marcando.
— Vocês parecem estar se divertindo. — Murmurou uma voz muito familiar.
Ambos olhamos para a porta surpresos. Sting assustado e eu com lágrimas nos olhos.
Ele estava aqui... Natsu...
Seu olhar era sério. Estava encostado no batente da porta, girando em um dos dedos um molho de chaves. Sting levantou-se, para logo em seguida perceber em que estado encontrava-se e cobrir-se com uma almofada que havia sido jogada no chão em sua excitação anterior.
— Natsu... Salamander! — Exclamou, olhando rapidamente na minha direção.
O rosado apenas sorriu debochadamente, andando até minha direção e cortando a corda com um canivete. Ignorei toda a vergonha que estava sentindo ali, nua em sua frente. Quando por fim desvencilhei-me da corda, encolhi-me o máximo que pude, abraçando meu próprio corpo. Minhas roupas estavam destruídas... Que droga!
Senti algo cair sobre minha cabeça. Era o sobretudo de Natsu, cujo dono havia tirado e jogado em mim.
— Vista-se logo. — Ordenou e não demorei a obedecê-lo. — Sinto muito acabar com seu momento de prazer, Sting. — Murmurou, agarrando uma de minhas mãos e puxando-me em direção à porta. — Entretanto, devo levá-la para casa.
E com um último sorriso de escárnio saiu, levando-me junto.
— Natsu... — Balbuciei assim que senti meu furor baixar. — I-isso...
— Não diga nada. Avisei para ficar longe dele.
— Eu sei, mas...
— Mas o quê? — Perguntou irritado, surpreendendo-me. — Ele lhe pegou de surpresa?
— Sim!
— Hoo... — Balbuciou. — Interessante. Não estava interessada em fazer nada disso? Até não quis que lhe levasse para casa hoje.
— Isso é porque...! — Exclamei assim que havia colocado o cinto de segurança de seu porshe.
— Quer saber, Lucy? — Suspirou, e senti suas palavras duras atingirem-me. Ele havia me chamado de Lucy. Estava magoado, tinha certeza. — Não me importa. Não sou seu namorado de verdade, então por que me preocupar com isso, não é mesmo? — tirou o carro do ponto morto e, antes de voltar suas mãos ao volante, ofereceu-me um lenço. — Só estou desapontado com você. Pensei que era mais inteligente do que isso.
Engoli o nó que se formou em minha garganta. Ele estava certo. Fora burra em não acreditar nele, que se mostrou mais confiável do que pensei. E o resultado disso fora a humilhação que acabara de passar.
Sentia-me um lixo. Não tinha mais o direito de me casar com alguém e com essa situação em que fui posta, perdi o direito de ter orgulho de meu sobrenome. Eu não era nada.
Ele tinha razão de estar magoado. A honra dele também fora manchada com isso.
Sentia como se estivesse afogando, em um poço de uma profundidade inefável.
Sem trocar mais nenhuma palavra observei a janela tristemente, enquanto voltávamos para a mansão Dragneel.
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