Meu Estranho Mafioso
17 Dezesseis.
Notas iniciais
— NÃO ACHO UMA boa ideia. — Afirmou Natsu convictamente.
— Posso saber o por que não? — Indaguei.
— O Sting está lá.
— Fala sério, Natsu! Dê-me um bom motivo para não ir à entrevista, sem ser “o Sting está lá”!
— Por que não quero que você trabalhe lá. — Afirmou ele.
— E desde quando você decide o que faço da minha vida?
— Desde quando começamos com esse namoro!
Encaramo-nos com raiva.
— Eles estão discutindo novamente? — Indagou Igneel chegando junto com Ultear no corredor onde discutia com Natsu.
— Sim. — Afirmou Aries-chan triste, observando nossa cena. — Acho que não tem ninguém que se sinta bem quando eles ficam assim...
— Não acho que seja assim. — Observou Ultear apontando para Meredy, que estava sentada no chão com uma enorme bacia de pipoca no colo, assistindo à discussão com um enorme sorriso nos lábios lotados com sal.
— Meredy! — Chamou Igneel e esta olhou temerosa em sua direção. — Como você tem um balde de pipoca lindo como esse e não me chama? Dê-me um pouco!
Sentou-se ao lado dela.
Ultear o golpeou por trás com a prancheta que segurava.
— Isso doí, Ur!
— Não me chame de Ur! E é grosseria isso que fez! Não tem noção de clima?
— Por acaso agora sou meteorologista?
Ela levantou a prancheta novamente e ele levantou-se rapidamente.
— Foi mal! Foi mal! — Balbuciou. — Que mulher mais mal-humorada.
— Você tem muito a fazer! — Relembrou.
— Sim, sim, Madame Obrigação. — Murmurou entediado, dando um beijo na testa de Meredy e Aries. — Vamos logo. Cara... Você ainda vai me matar algum dia, de tanto trabalho que me dá.
— Só o lembro de suas obrigações. As onze você tem reunião com o pessoal da...
— Mulher, pare pelo menos para respirar!
E nesse clima agradável, todos da mansão começaram a discutir.
— Hey! Meredy! Está sujando todo o chão! Vá se limpar! — Reclamava Aries-chan.
— Me deixe em paz! Cuide da sua vida! Vá ler um livro... Sei lá!
— Isso é jeito de falar com sua irmã mais velha? Sua pequena...
— AAAAAAAAAAAAAAH! Aries está me assustando, pare de correr atrás de mim!
— Aries, deixe a Mer em paz. — Suplicava Natsu impaciente.
— Então eu irei à entrevista, muito obrigada. — Murmurei, convencida de termos chegado a um ponto final daquela tola discussão.
— É claro que não! — Defendeu ele, tentando separar Aries e Meredy.
— Fala sério, Natsu! Você não manda em minha vida!
— Porém sou eu quem está cuidando da sua segurança, então, como disse, você não vai.
— Vou sim!
— Não vai!
— Vou sim!
— Já disse que não vai!
— E já disse que vou!
Voltamos a nos encarar com raiva.
— Eles parecem duas crianças... — Reparou Meredy.
— Parecem mesmo. — Concordou Aries-chan, e ambas caíram na gargalhada.
— Quem parece uma criança? — Murmuramos nós dois juntos. — A única criança aqui é esse/essa idiota!
— Ambos parecem! — Fizeram coro.
— Não parecemos! — Replicamos.
— Quer parar de me imitar? — Indagou nervoso, virando-se em minha direção.
— É você que está me imitando! — Afirmei.
— Até parece! — Bufou.
— Quer saber? Eu decido o que quero da minha vida. Então, se quero fazer a entrevista, irei fazer a entrevista. Ninguém vai me impedir disso, nem o maior mafioso do país!
Lançou-me um olhar revoltado.
— Sua cabeça dura!
— Sou mesmo! Só assim para lhe aguentar!
— O quê?
Virei as costas para ele dirigindo-me até meu mais novo quarto, ignorando os gritos que ouvia.
Esse Natsu... Que grande imbecil! Por que não quer me dar um bom motivo para não ir à entrevista?
Por que o Sting está lá? Que desculpa mais besta! Além disso, não vejo como o fofo Sting-kun é perigoso para minha segurança. Mesmo que...
— O que faz aqui? — Rosnou Lisanna. Sobressaltei-me com sua atitude, mas Sting pareceu não ficar nem um pouco surpreso.
— Trabalho aqui. — Respondeu simplesmente. Seu rosto obteve uma expressão sádica. — Como andam as coisas entre você e o Natsu? Ainda estão como antes ou... — Ele riu e Lisanna encolheu um pouco, como se estivesse tremendo de medo diante de uma memória a muito esquecida.
Sting-kun realmente surpreendeu-me daquela vez... E na outra também...
— Mesmo que ela não tivesse — intrometeu-se Erza, ríspida —, com toda certezavocê não seria alguém com quem ela formaria par.
— Erza! — Bronqueei. Por que ela estava sendo tão rude?
— Não me culpe, Lucy. — Deu de ombros. — Stingnão é bem vindo a mansão Dragneel. — Murmurou olhando para nós de canto. Devo admitir que seu olhar me dava calafrios. — Ele sabe muito bem o porquê.
O loiro sorriu debochadamente.
— Ora, como são rancorosos. Perdoar não é um dos lemas da família Dragneel?
— Perdoar realmente é um dos lemas, porém ele não se aplica avocê. Manchou a honra que toda a família tinha com o que fez. E a honra de Natsu... Ainda por cima!
— Oe, oe. Honra? — Riu Sting. — Natsu deveria ter cuidado melhor dela, senão nada disso teria acontecido.
Será que o Sting-kun... O doce e fofo Sting-kun... É perigoso realmente?
E qual o passado de Natsu, Lisanna e Sting?
Por que me sinto tão... estranhaquando penso em perguntar a Natsu sobre isso?
Suspirei derrotada.
O melhor que poderia fazer era dormir. Teria uma árdua batalha no dia seguinte. Seria...
Minha entrevista de emprego no Fairy Latte.
✩✩✩
— Seja bem vinda... Ah! Lucy! — Exclamou Sting assim que me viu no dia seguinte.
— O-oi Sting-kun...
— Siga-me, vou mostrar sua mesa e anotar seu...
— Na verdade — interrompi —, vim aqui hoje para uma entrevista de emprego.
— Quer dizer que pensou em minha oferta?
— Sim! Resolvi aceitá-la. — Sorri em sua direção.
— Fico feliz em ouvir isso. Andamos muito ocupados ultimamente, então a gerente, Evergreen, decidiu contratar novos funcionários. — Explicou enquanto guiava-me até uma sala com ambiente confortável. Haviam flores e pequenas estátuas em diversos cantos dali, e no canto esquerdo, encostado na parede, havia um sofá estofado vinho que só de olhar pude perceber que era macio. — Sente-se por favor, irei chamá-la.
— Okay. — Respondi, apreciando a maciez do sofá vinho. Era realmente confortável! E esquentava bem rápido, diga-se de passagem. Se eles demorassem mais um pouco acabaria dormindo ali, em meio às flores e estátuas.
— Lucy-san? — Chamou Sting, abrindo uma porta ao norte da saleta e retirando-me de meu quase sono. — Pode entrar e boa sorte.
Com um sorriso, despedi-me dele. Aquele nó de ansiedade que já estava começando a me irritar, estreitou-se um pouco mais.
Acalme-se Lucy. Acalme-se; repeti para mim mesma.
Inspirei algumas vezes, enquanto tentava reunir fôlego para entrar na sala.
Com um olhar determinado adentrei-a, dando de cara com uma sala igual a que tinha saído, no entanto maior. As paredes eram de um tom azul bebê e a mobília de mogno, dando um contraste legal ao local. Na mesa que estava localizada no meio do escritório encontrava-se uma mulher alta, de longos e ondulados cabelos castanhos, com olhos de um tom um pouco mais escuro. Trajava um vestido tomara que caia verde limão e usava óculos de aro fino.
— Você é Lucy Heartfilia? — Indagou assim que sentei-me na cadeira a sua frente.
— S-sim. — Afirmei meio hesitante.
Olhou minha ficha.
— Não parece ter muita experiência nessa área...
— Realmente não tenho. Esse será meu primeiro emprego. — Fui sincera.
— Entendo... Então Lucy, poderia me dizer por que escolheu logo essa cafeteria como opção para seu primeiro emprego? Aliás, por que procura um emprego?
— B-bem... Mudei-me há algum tempo para Magnolia e gostaria de usar o dinheiro do pagamento para pagar o aluguel do apartamento onde moro.
— Você quer dizer onde morava, certo? Ele foi revirado, não?
— Sim, mas... Como sabe disso? — Estreitei os olhos.
Ela sorriu desdenhosa para mim.
— Lucy Heartfilia, namorada de Natsu Dragneel, o maior mafioso do país. Tudo o que acontece em sua vida não permanece mais em segredo, senhorita. — Observou. — Poderia responder a minha primeira pergunta? Após isso pensarei a seu respeito.
— C-claro... Eu gosto dessa cafeteria. Já havia vindo aqui antes com outras amigas e o ambiente me pareceu muito agradável e aconchegante. Parece um excelente lugar, por isso foi minha escolha...
— Certo. — Riscou algo em minha ficha e senti na mesma hora que não havia passado na entrevista. — Como ainda é estudante, seu turno começará as quatro em ponto. Atrasos não são permitidos.
— Eh? — Observei-a girar a poltrona, escondendo-se atrás da costa da cadeira. — Isso quer dizer que eu...
— Sim, você passou. Comece amanhã.
Sorri para ela.
— Obrigada pela oportunidade! Planejo não decepcioná-la!
— Certo. Agora se retire.
— Sim!
✩✩✩
Cheguei cedo no dia seguinte, estava ansiosa para saber mais afundo como as coisas funcionavam no Fairy Latte.
Sting-kun estava encarregado por me dar às devidas instruções.
—... E aqui é o depósito. — Explicou mostrando uma sala de tamanho mediano com diversas prateleiras claras e limpas nas quais haviam caixas com frutas de aparência deliciosa, pacotes de doces, fermento, farinha, entre outras coisas. — Acho que com isso, lhe mostrei tudo.
— Entendi. Obrigada por mostrar-me tudo, Sting-kun! — Sorri.
Encarou-me.
— O-o-o que foi?
Fez bico.
— Sting-kun?
— Sting.
— O quê?
— Pode me chamar de Sting. Somos amigos há um bom tempo, certo?
— B-bem... Sim, mas...
— E já lhe chamo de Lucy também.
— É verdade. — Confirmei. — E-então... Obrigada, Sting.
— De nada. Agora vá se arrumar. Já lhe mostrei onde é o vestiário, certo?
— Sim. Obrigada novamente.
Despedimo-nos e ele logo voltou a seu trabalho. Andei até a saleta cheia de armários que mais cedo revelou-se ser o vestiário e adentrei a sala. Evergreen estava lá.
— Ah! Bom dia! — Curvei-me.
— Bom dia. — Sorriu, arrumando seu crachá de gerente. — Animada?
— Sim! Muito!
— Já coloquei seu nome no respectivo armário. Vá até lá, se vista e me encha de orgulho por ter lhe contratado!
— Certo!
Abri o armário com meu nome, surpreendendo-me com o uniforme. Ele era lindo.
As mangas eram longas, o tecido parecia ser de seda — o que confirmei ao vesti-lo — negra, com flores brancas e vermelhas espalhadas pelo seu comprimento. Em seu conjunto estava um belo laço de cabelo vermelho e preto, meias três quartos brancas com rendas e um tamanco de madeira também negro, com uma fita macia vermelha.
Um lindo quimono.
Fiquei tão encantada ao vê-lo que não sei quanto tempo demorei para lembrar onde estava. O vesti, vendo como caia bem em mim e logo fui procurar Evergreen.
— Evergreen-san! — Chamei.
— Oh... Isso fica bem em você!
— Obrigada. Sobre minhas tarefas...
— Ah, claro! Você só terá que atender aos pedidos. Sting lhe ensinou como funciona, certo?
— Sim, mas...
— Acalme-se. Verá como é fácil.
Lancei lhe um olhar hesitante e logo prossegui até onde Sting-kun... Sting, estava.
— Você está linda. — Elogiou-me.
— Obrigada.
— Ansiosa?
— Um pouco... Ou melhor, muito.
Ele riu.
— Não é nada difícil, você verá.
Não demorou muito para Sting ficar ocupado e logo era minha vez de servir os pedidos.
A mesa dez havia acabado de ser ocupada e já estavam pronto para seu pedido. Respirei fundo uma vez e segui em frente, ignorando todos os murmúrios dos clientes à minha volta, que olhavam para mim encantados. De certo modo, o conceito que meu sex appell era alto subiu à minha cabeça e gentilmente desfilei por entre as mesas.
— O que está fazendo?
Quando olhei para a mesa dez, lá estavam eles: Natsu e Gajeel.
Natsu lançava-me um olhar misto de vergonha e bronca. E Gajeel segurava o riso.
— Então quer dizer que a loirinha tem certos fetiches. — Afirmou o moreno.
— Não tenho fetiche nenhum! — Respondi ríspida.
— Você não está animada demais com essa roupa? — Indagou o rosado.
— Você acha? Acho que ela fica muito bem em mim, não concorda?
Virou o rosto.
— T-tanto faz.
— Como assim? — Bufei, fazendo bico. — Ou concorda que fica bem ou não. Não existe meio termo.
— Como já havia perguntado: o que está fazendo?
— Por acaso está mudando de assunto?
— Por acaso poderia me responder?
Lancei lhe um olhar nervoso.
— Como assim?
— Claramente lhe disse para não vir trabalhar aqui.
— E claramente lhe disse que eu decido o que quero de minha vida.
— Lucy, você... — Começou irritado.
— Acalme-se bobalhão. — Interrompeu Gajeel. — Sua namoradinha tem o direito de fazer as próprias escolhas.
— Obrigada.
— Embora essa seja uma péssima escolha.
— Oe!
Natsu suspirou.
— Você tem razão. — Concordou.
— Natsu? — Estranhei.
Levantou-se, sendo seguido pelo moreno.
— Está certo, Lucy. Trabalhe aqui. No entanto, que fique claro: virei lhe buscar todos os dias.
E com um olhar de raiva na direção que presumi estar Sting, se retirou.
Sem fazer um pedido.
Afinal, o que ele queria?
Suspirei pesadamente.
Cara... Que coisa mais idiota. Por que toda essa desconfiança do Sting?
Ele é um fofo, e jamais será perigoso...
Não é?
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