Meu Estranho Mafioso
20 Dezenove.
— ISSO! — Berrou Igneel quando finalmente conseguiu pescar um peixe em uma das barraquinhas do festival. — Olha, Meredy! Seu incrível e lindíssimo pai conseguiu um peixinho azul para você!
A pequena rosada lançou um olhar de desgosto em sua direção logo virando-se para Natsu, que pescava um peixinho dourado.
— Isso! Onii-sama, você é incrível! — Exclamou a pequena.
— É claro que sou! — Confirmou o rosado. — O que mais esperava de mim?
— Tsc. Convencido. — Balbuciou Igneel, claramente com dor de cotovelo.
— Disse o incrível e lindíssimo Igneel. — Alfinetou Ultear.
Sorri. A família Dragneel era realmente agradável... Como será que ela seria agora, caso Aries estivesse ali?
— E então? — Indagou Mira posicionando-se ao meu lado.
— O quê?
— O que aconteceu entre você e Natsu? — Lhe lancei um olhar confuso e ela bufou. — Sabe Lucy... Posso até ser bem... Hum... tolinha na maior parte do tempo, mas claramente vi você e o Natsu quase se engolirem agora há pouco.
Arregalei os olhos observando a face séria da albina.
— M-Mira-san?! Você viu aquilo? — Senti minhas bochechas arderem fortemente.
Sorriu docemente em minha direção.
— E então? Finalmente resolveram as coisas entre vocês?
— O que quer dizer com isso?
— Ara! — Exclamou surpresa. — A quem estavam querendo enganar com aquilo de “namorada”? Erza e eu estamos com vocês desde o início! Sabíamos que vocês dois não iriam se envolver em um relacionamento amoroso de um dia para outro. Mas torcíamos. — Observou.
Encarei-a.
— Estava tão óbvio assim?
Meneou a cabeça em um aceno.
— Embora ache que boa parte disto se dê a ela. — Balbuciou, olhando Igneel e Natsu discutindo para onde iriam em seguida.
— Ela? — Indaguei.
Sorriu gentilmente.
— Desculpe... Acabei deixando minha memória viajar...
Lancei lhe um olhar indagativo, porém não tive chance de lhe perguntar nada uma vez que o professor Laxus apareceu em nossa frente do nada e a convidou para dar uma volta.
Deveria ver isso como um crime?
Se bem que ele parece ter nossa idade...
... E seria muito cômico a suposta “namorada” do maior mafioso do país ir até a polícia.
— Se ficar com a testa franzida assim terá rugas antes do que imagina. — Observou Natsu, tirando-me de meus devaneios.
— Eh? Rugas? Onde? — Perguntei passando a palma das mãos pela testa rapidamente.
— É só um ditado. — Murmurou, postando-se no lugar onde anteriormente estava Mira. — Você tem realmente uma mente fraca.
— O quê? — Virei-me com raiva para ele, mas perdi o senso de todas as palavras assim que meus olhos se encontraram com os seus e a lembrança do que acontecera há pouco. Olhei na direção oposta à sua, sentindo minhas bochechas arderem fortemente. Droga, com toda certeza estava corando!
Ouvi um som abafado e tive certeza absoluta de que ele tentara esconder um riso com as mãos.
Esse idiota...!
— Qual é seu pro... — comecei totalmente irritada; no entanto, ele interrompeu-me com sua mão afagando minha cabeça — … ble... ma... — deixei minha voz morrer.
Lançou o olhar em volta para ver se estávamos sozinhos e quando isso se confirmou lançou-me um olhar... Carinhoso (?).
— Natsu... — Sussurrei vendo-o se aproximar.
— Vamos continuar de onde paramos? — Indagou com um sorriso maroto brincando nos lábios.
— I-i-isso... — Gaguejei. Droga! Por que estava gaguejando?
— Shh! — Impediu-me de continuar, postando seu indicador em frente aos próprios lábios. — Fique quietinha, Heartfilia.
Senti um arrepio agradável correr por minha espinha dorsal e — se isso fosse possível — , minhas bochechas ficarem ainda mais quentes.
Uma vibração correu por seu braço e ele se separou rapidamente, tomando um susto com o tremor repentino. Puxou o celular de um bolso do yukata (que ficava bem escondido, por acaso...), e olhou o número rapidamente, arregalando os olhos enquanto o fazia. Virou-se de costas para mim e andou um pouco para frente para que não pudesse ouvir sua conversa.
Suspirei, perguntando-me aonde todos haviam ido. Sumiram em um piscar de olhos.
— A pensão? — Ouvi Natsu exclamar, vendo-o voltar a diminuir o tom e lançar-me um olhar de preocupação.
Essa pensão... Não seria a minha, certo? Não seria o local para onde me mudei ao sair de minha cidade natal... Não é? O local que foi invadido e Natsu prometeu achar o malfeitor daquela ação...
É mesmo! Ele pode finalmente ter descoberto quem fez aquilo...! Sim, com toda certeza foi isso! Afinal... Ele não me esconderia nada... Certo? Não se tivesse meu apartamento envolvido nessa situação.
— Tente dar um jeito nisso! — Reclamou o rosado. — Vou levar todos para casa e em seguida corro até aí. E é sério! Faça algo a respeito disso! — Esperou a pessoa dizer algo. — Isso não importa, Gajeel! Estou indo para aí logo em seguida! — Desligou o celular ferozmente.
— Luce! — Chamou.
— S-sim?
Agarrou minha mão.
— Me ajude a achar os outros.
— Aconteceu algo? — É claro que aconteceu. A pergunta é se ele vai me contar... E se é a respeito do meu apartamento.
— Nada muito importante. — Bufou, no entanto pude ver seu olhar se dirigir para outro canto, como se estivesse incomodado com algo.
Procuramos por algum tempo, mas não encontramos ninguém. A cada segundo Natsu parecia mais e mais irritado.
— Que droga! Onde foi que se meteram? — Reclamou pela milésima vez.
— Natsu. — Chamei, porém fui ignorada. Com raiva finquei meu pé no chão e o puxei, quase o fazendo cair. — Natsu!
— O que foi?
— O que aconteceu?
— Já disse que não é nada muito importante...
— O que aconteceu, Natsu? — Utilizei um pouco do meu tom incisivo.
Suspirou pesadamente.
— Aconteceu uma coisa com a pensão.
— Que pensão? A que eu moro?
— A que morava.
Observei-o confusa.
— O que houve com a pensão? — Ele parecia estar pensando se deveria ou não me contar. — Natsu!
— Eu lhe conto depois. Primeiro tenho que ir até lá e descobrir direito o que aconteceu. Pedirei a Sargittarius para lhe levar para a mansão e...
— Não! — Puxei sua manga novamente.
— Luce?
— É o lugar que eu morava, certo? É onde eu moraria caso não tivesse sido invadido. Então eu saberia o que está acontecendo.
Fixou seus olhos nos meus, suplicante.
— Luce, por favor... Eu lhe conto depois, quando a situação estiver mais calma e...
— Não. — Repeti. — Eu vou junto!
Engoliu em seco e pude ver seu olhar transformar-se de suplica em desgosto. Ele claramente não queria que eu fosse.
— Não vai desistir nem se eu pedir mais uma vez? — Indagou esperançoso.
— Não. — Neguei com a cabeça. — Irei junto mesmo que não queira.
— Está certo. Venha comigo.
Corri animada até que escutei um barulho familiar e percebi que o meu celular estava tocando. Estranho... Quando o coloquei ali? Lembro-me claramente de tê-lo deixado na mansão...
Olhei o número que aparecia na tela, surpresa.
— Aries?! — Atendi.
— Oi Lucy! Só liguei para saber como está o festival... — Sua voz parecia um pouco cansada.
— Ele foi bem legal. Infelizmente terei que ir a um lugar com Natsu, não tenho muito tempo para conversar...
— Ah! Entendo... Se você se divertiu, posso ir dormir tranquila.
— Sim. Agora tenho que desligar, okay?
— Ah! — Exclamou com urgência. — Lucy! Quase me esqueci!
— Oi?
— Pode não servir para agora, mas acho que vai precisar desse conselho... Ou não. O Nii-sama... Bem... Como dizer... Pode ser bem infantil às vezes.
— Como assim?
— Você sabe... Ele, na verdade, é bem alegrinho, porém tem medo de demonstrar.
— E-entendo... — Isso parecia um pouco diferente do Natsu ao qual estou acostumada... Se bem que, em meu conceito, ele é um palhaço mesmo. — Entretanto por que está me dizendo isso?
— Não sei... Deu vontade. É só que... Não leve muito a sério o que ele diz rudemente. Ou quando está normal. Ou quando...
— Aries! — Ri. — Tenho mesmo que ir. Obrigada pelo conselho.
— Ah... É verdade. Tchau.
Desliguei o celular e corri até onde Natsu se encontrava — no estacionamento.
Parei assim quando o vi esperando-me impaciente ao lado da porta do porsche.
— O que isso faz aqui? — Indaguei.
— Pedi para um dos empregados da mansão trazer no caso de eu querer ir embora mais cedo. — Explicou. — Entre logo, temos que ir.
— C-certo.
Entrei sem jeito dentro do automóvel.
— Escute. Não sabemos ao certo quem fez isso, porém espero que você não fique... Hum... Você sabe... Naquela emice quando o ver.
— O que aconteceu?
— Descobrirá quando chegarmos lá.
Não demorou muito para chegarmos até minha antiga rua, onde haviam muitas pessoas. Por causa de Natsu, o poderoso chefão da máfia, passamos rapidamente pelo amontoado e fiquei chocada com o que vi na pensão.
O fogo lambia-a com suas chamas — ou pelo menos o que sobrara da pensão. Os destroços mostravam que nada sobrevivera àquilo, nem mesmo o portão detalhado.
— Gajeel! — Natsu chamou o moreno, encontrando-o próximo a nós. — O que conseguiu descobrir?
— Não muita coisa. — Admitiu.
Ignorei a conversa dos dois, observando o meu lar em Magnolia sumir em frente aos meus olhos.
Por que sempre a pensão?
— Luce. — Natsu chamou-me, vendo que não o respondia há algum tempo. — Tudo bem?
Abri a boca para responder-lhe, mas fui gentilmente interrompida por uma voz que se destacou na multidão.
— Lu-chan?
Não! Não poderia ser.
Você só está imaginando coisas, Lucy Heartfilia.
Não seria possível que você estivesse tão sem sorte assim.
Novamente, aquela voz tocou meus ouvidos.
— Lu-chan? É você mesmo!
Não! De todos os momentos, por que agora?
Virei-me lentamente, passando rapidamente pelo rosto confuso de Natsu, assim como o de Gajeel, e vi a figura dela se projetar em minha frente.
A bota branca com as meias sete oitavas negras. O vestido roxo. O colar prateado. E os cabelos incontestavelmente azuis presos por uma faixa roxa bem clara. E claro, os inconfundíveis olhos chocolate que passei a minha vida inteira encarando.
Em um fio de voz, a chamei surpresa:
— Levy-chan!
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