Meu Estranho Mafioso

48 Contos de Ultear. -Especial Igneel-


Notas iniciais
Espera aí. Já estou meio emocionada pelo mangá aqui, aí para fechar a semana ainda termino CDU. Não aguento isso ;u; I don't...

— Sei que não deveria me meter, mas acho que já está na hora de seguir em frente, mestre.

Arregalei os olhos ao ouvir estas palavras saírem da boca de Virgo.

— O quê? — Balbuciei.

Ela ajeitou meu traje que repousava em seus braços.

— Como criada pessoal de Honoka, acompanhei toda a trajetória de vocês dois. — Afirmou.

— Eu sei. — Concordei. — Não entendo aonde quer chegar com isso...

Inacreditavelmente um sorriso surgiu em seus lábios.

— Veja lá fora, Igneel-sama. — Apontou com a cabeça para a enorme janela ao nosso lado. — Está começando a nevar. Isso significa que outro ano acabou.

— Certo. — Assenti. — E?

— Outro ano está se iniciando. Não acha que deveria usar isso como impulso e tentar arranjar um novo amor?

— Oh, Virgo! — Bufei. — Era isso que queria dizer? Sabe muito bem que Honoka foi única para mim. E que jamais...

— Todos sabemos. — Interrompeu. — Honoka-sama era única. Entretanto, que garantias tem de que não achará outra mulher excepcional como ela?

— Está mesmo abordando esse assunto comigo aqui? Nessa mansão? Sério?

— Concordo que não é o melhor dos lugares — entregou-me o casaco grosso e ajudou-me a ajeitá-lo em meus ombros —, porém penso que esgueirou-se desse assunto por tempo demais.

— Agradeço por sua preocupação, mas...

— Quanto tempo acha que ela esperará?

— Há?! Quem?

— Ultear-sama. — Senti meu sangue congelar.

— Não sei ao que está se referindo...

— Não tente me enganar. O conheço desde sua adolescência, acha mesmo que não perceberia?

— Virgo, está realmente imaginando coisas...

— Ao menos pense nisto, Igneel-sama. Está realmente disposto a deixá-la ir?

Bufei.

— Estou saindo. — Ignorei-a, dirigindo-me até saída.

Lá fora o céu nublado me fez lembrar da bendita conversa que tive com Virgo. Murmurei um “tsc”, ajeitei-me em minha BMW azul escuro e dei partida.

O Natal esse ano ia ser uma beleza, ironicamente falando. A merda da velhice estava chegando e, infelizmente, havia me dado conta disto. Já não era um lindo e perfeito homem nos seus bem conservados trinta e anos. Logo logo completaria quarenta e o fato de Natsu se formar e Aries já ter um boy magia esfregava isso em minha cara. Todos os meus “nenéns abacaxis” já estavam crescidos e no fim acabariam me abandonando às moscas.

Senti um gosto metálico em minha boca ao lembrar disso.

E para acrescentar na listas das maravilhas: até Virgo estava me pressionando para arranjar alguém. Ótimo.

Honoka, por quê as coisas tem que ficar assim?

Parei em um sinal vermelho e deixei minha cabeça tombar no maldito volante.

— Inferno. — Balbuciei. — Será que eles não entendem o que ''única'' significa? Mesmo que antes dela eu tenha sido meio “abusado”; ela foi a mais marcante. Ela e Layla. — Respirei fundo. — Merda. Por que todos estão pegando no meu pé? E que raios é essa insistência sobre a Ultear?

Atrás de mim, alguém buzinava.

— Acho que é o meu fim. — Ignorei. — É. É exatamente isso. Yamaguchi Igneel, você é um quarentão que está em seus últimos dias.

Espera um pouco. O que acabei de dizer? Yamaguchi Igneel; foi isso mesmo?

O que está acontecendo comigo? Pensar em mim mesmo pelo meu nome de solteiro...

— Que merda! Será que não vê que a porcaria do sinal está fechado? — Gritei para o motorista do carro preto atrás de mim. Observei a janela abaixar-se e um rosto bem conhecido aparecer ali. — Ah!

— Igneel? O que está fazendo? O sinal já abriu faz muito tempo.

Olhei para a frente. Merda, ela tinha razão.

❀

— Agora me explique que situação foi aquela há pouco. — Pediu ela, depositando uma xícara de chá em minha frente e sentando-se com a sua na cadeira disponível. Estávamos no Fairy Latte.

— Só estou um pouco exasperado. — Confessei. — Não precisa se preocupar com isso.

— Como não? Só faltava você invocar um demônio para levar meu carro para as profundezas. — Avaliou-me profundamente com os olhos castanhos. Ela sempre teve olhos tão envolventes? — Aliás, você não é do tipo que fica irritado assim. Algum problema?

— Nenhum. — Respondi tomando um gole do chá e olhando as pessoas que começavam a fazer as compras de Natal através da janela.

— Igneel. — Disse em tom repreensivo.

— Argh! — Bufei. — Só estou sofrendo uma pressão infernal e desnecessária da qual você não precisa saber.

— Pressão? Sobre o quê? — Ignorou o final de minha frase.

— Não está meio frio para usar coque?

— Estou usando cachecol, então não. Não tente mudar de assunto.

Lancei-lhe um olhar suplicante.

— Por que está tão interessada na minha vida de repente?

Suas bochechas coraram levemente ela virou o rosto em direção à janela.

— O quê? Não posso saber? É algo que não tenha a ver com o trabalho?

— Posso saber a razão de estar corada?

— Na-não estou corada, idiota! — Replicou, finalmente olhando em minha direção.

— Está sim.

— Não estou. — Voltou o rosto em outra direção.

— Você está.

— Deve ser por causa do frio, então. — Desviou.

— Hum... — Murmurei. — Então não é por minha causa? Que triste.

— Você é realmente... — Irritou-se.

— Posso fazer uma pergunta?

— Hum?

— Se fosse pressionada a respeito de alguém que todos dizem que faria um par perfeito com você, o que faria?

— Igual você fazia comigo dizendo que terminaria com Ponsho?

— É. — Cocei minha bochecha envergonhado. — No fim, ele acabou virando meu genro. Quem diria, hein? Nunca imaginei que aquele cara fosse virar um papa anjo e namorar com minha Meredy. — Adicionei irritado.

— Ele não é tão mais velho assim...

— Está me zoando? São vinte anos de diferença, Ultear! — Exclamei nervoso. — Ele tem quase minha idade!

— E tem a minha, ué. Acha que é tão estranho assim ter essa diferença de anos? O que pensaria se, por exemplo, eu e você na-namorássemos? — Corou ainda mais.

— Isso seria outra história, Ur. — Disse, evitando pensar em sua suposição. — Seriam só cinco anos de diferença.

— Por que cinco pode e vinte não? Você mesmo diz que o Ponsho seria um namorado perfeito.

— Não imaginava que ele fosse terminar com a minha pequena Meredy! Ela não sabe de nada do mundo!

— Ela cresceu em uma família de mafiosos com uma irmã meio psicótica, um irmão meio bipolar, uma governanta masoquista e um pai pirado. Ah, sim. Também há o fato dela ter viajado meio mundo com você. — Levantou os braços exasperada. — Fora que ela via mais o Ponsho do que o Natsu. Ela sempre teve uma quedinha por ele.

— Argh! Não precisa esfregar na minha cara que a culpa pode ter sido minha! — Segurei minha cabeça atordoado.

— Igneel, o que importa é que ela arranjou alguém bom, não?

Encarei-a.

— É, você deve estar certa. Se ele a faz feliz, o que posso fazer se não apoiá-la?

— Viu? Por isso que todos os seus filhos lhe amam.

Sorri minimamente voltando a tomar meu chá. Por cima da borda da xícara comecei a observá-la.

Como sempre, Ultear era símbolo de elegância — exceto pelo fato de ficar se enfiando em moitas e arbustos, porque isso era muito sinistro —, usando aqueles brincos de pérolas brancas, o cabelo peso em um coque alto só deixando a franja solta, o cachecol rosa claro — hum... interessante, deveras interessante — enrolado de uma maneira complexa no pescoço alvo e fino e o sobretudo branco escondendo seu corpo (que não achei nada demais quando vi* — mentira, ela estava muito bem conservada para os trinta e dois). Fora a meia-calça negra e as botas brancas sem salto.

Acabei de fazer uma maldita descrição feminina. Eu nem entendo de roupas, ora bolas! Talvez Ponsho estivesse correto ao afirmar que eu era um pouco afeminado. Ou talvez seja pelo tanto de vezes que Ultear me pediu alguma peça de roupa pelo telefone quando estava na casa — revira os olhos — de algum de seus namorados.

Antigamente minha descrição seria assim: símbolo de elegância com pérolas brancas nas orelhas, com uma bolinha-que-não-sei-o-nome feita com o cabelo, um cachecol rosa claro, meia-calça preta e uma bota sem salto que evitaria que ela ficasse com os pés presos em algum monte de neve — seria uma situação engraçada, mas ela era esperta demais para isso, infelizmente.

Percebi que já havia tomado todo o conteúdo da xícara e ficara segurando-a em frente ao meu rosto como um tapado, então depositei-a na mesa novamente.

Pigarrei.

— Então... Como está se sentindo?

— Sobre o quê? — Indagou, deslizando o dedo pela borda de sua xícara também vazia.

— Você sabe... Sobre o Jean. Como está se sentindo?

Respirou fundo antes de responder.

— O único namorado que me levava a sério até mesmo com o fator trabalho interferindo nossa relação foi assassinado em uma missão dada pelo Dragneel. — Lembrou-me. — Porém está tudo bem. Não é como se fosse a primeira perda que ele me fez ter.

— Ultear...

— E você? — Interrompeu-me. — Como se sente?

— Sobre o quê?

Ela riu.

— Virgo me contou que até mesmo ela andou o pressionando a respeito de ter alguém. — Senti meu corpo enrijecer. — O quê? Seria legal ouvir da sua boca. Entretanto, pelo visto, não sou uma pessoa que você considere como confidente. Mesmo já tendo contado nossos segredos um para o outro... — Levantou-se, pedindo a conta.

Saímos do Fairy Latte e começamos a caminhar juntos pela calçada, observando as vitrines cheias de ofertas de Natal.

— Não é como se não quisesse contar para você. — Balbuciei do nada. — É só que... Eu não sei.

— O que poderia deixar Dragneel Yamaguchi Igneel confuso?

— Olhe para mim, Ul. — Paramos e ela avaliou-me novamente. — Não é perceptível?

— O quê? — Perguntou com a face confusa.

— Estou velho e decrépito. Quem em sã consciência gostaria de ter algo comigo?

— Ah... — Murmurou, olhando para vitrine ao seu lado. — Então tudo se resume à isso.

— Quê?

— Crise de meia-idade.

— O qu... Claro que não estou com crise de meia-idade!

— Igneel, convenhamos que você sempre foi meio orgulhoso, convencido e cheio de si. Sabe muito bem seus dons e erros. É claro que para começar com esses papinhos sinistros de “ninguém vai me querer” isso e aquilo, só pode ser crise de meia-idade sim. E decrépito é a última coisa que está.

— Você acha?

— Será que deixou de reparar nas coisa em volta de você? A mulher que nos ofereceu folhetos há algum tempo estava praticamente se jogando em cima de você. — Acrescentou com certa raiva.

— Mesmo? — Isso encheu meu ego de forma inefável. — Mas se for assim, ainda teria o fator “idade” para atrapalhar.

Voltou a encarar-me.

— Igneel, acabamos de conversar sobre isso. Idade não interfere no amor. Amor não é racional¹, então essas coisas como idade, tamanho e tal não fazem diferença nenhuma. Quando quiser arrumar alguém saberá porque aqui — descansou a mão sobre meu peito —, vai lhe dizer. Seu coração lhe dirá quando estiver pronto para amar alguém.

Foquei-a em meus olhos. Essa era mesmo a mini Ur? Quando ela crescera tanto? Quando deixou de ser aquela garotinha de dez anos que não ia com minha cara e virou essa mulher que agora é minha secretária pessoal e ainda não vai tanto com minha cara?

— Você cresceu, sabia?

— É claro que cresci, idiota. Tenho trinta e dois anos agora e já tive namorados o suficiente para saber que as qualidades que procuramos em alguém podem estar mais perto do que imaginamos.

Sorri.

— Então acha que, se eu seguir meu coração — comecei, olhando para o céu nublado de inverno —, tudo irá se ajeitar? De uma maneira confortável para todos?

Seus olhos castanhos fincaram nos meus.

— Tenho certeza.

Abri um enorme sorriso enquanto fechava os olhos.

— Então só isso é suficiente.

— O quê? — Indagou confusa.

Deslizei minha mão por sua cintura, puxando-a para perto de mim e segurei sua mão que levantou-se por impulso para dar-me um tapa; selando meus lábios aos dela em um beijo lascivo e excitante. Embora tenha sido pega de surpresa pelo meu movimento repentino, logo ela começou a me corresponder.

Que se danem as pessoas na rua! Se eu soubesse que Ultear tinha um beijo assim, teria tomado uma iniciativa há muito tempo!

Separei-me por motivo de: se continuasse daquela forma acabaria fazendo coisas impróprias com ela ali mesmo.

— Igneel... — Murmurou lentamente, se recuperando do choque. — I-isso foi...

Soltei um suspiro meio exasperado.

— Disse que tinha certeza. — Lembrei.

— E é claro que tinha, babaca. — Deu-me um cotovelada no estômago levemente, finalmente sorrindo para mim. — E agora tenho mais ainda. — Suas bochechas continuaram avermelhadas.

— Você é tão inconstante, Ul.

— Você disse de novo – reparou.

— Hum?

— Ul. Não Ur, muito menos mini Ur. Ul. De Ultear. Um apelido meu e apenas meu.

Enlacei meu braço em seus ombros.

— É claro que é apenas seu. Sempre foi.

— Acha que a Honoka irá me perdoar? — Indagou do nada.

— De maneira alguma. — Respondi convicto. — Na verdade, não estranharia se agora mesmo ela estivesse lhe rogando milhões de pragas e maldições.

— É verdade. — Riu.

Inspirei fundo, pensando em como tudo aquilo aconteceu rápido. Talvez eu mesmo já estivesse cansado daquilo. Foram oito anos. Já estava na hora de superar a morte de Honoka.

Olhei para a morena ao meu lado, que estava tão envergonhada que parecia um pouco menor de tão encolhida.

— A propósito, avaliou os relatórios que lhe enviei? — Indagou de repente.

— Er... Não. — Admiti.

— Igneel! — Berrou indignada.

É, certas coisas não iriam mudar mesmo.

Sorri ao vê-la jogar todos os meus defeitos em minha cara. Ultear era realmente uma mulher excepcional. Assim como Layla e Honoka foram antes dela. E eu mal podia ver a hora de lhe dizer:

Ich Liebe Dich².

• Contos de Ultear — Fim •

Notas finais
*Aquele capítulo lá em que a Ultear estava meio bêbada e o beijou. ¹ – Tirei a frase de Turma da Mônica Jovem edição 69, porque sim e porque meu shipp master de lá FINALMENTE aconteceu. (Dônica *o* // Sim, eu leio TMJ. Aprendi a ler com esse povo :v) u3u ² – Eu te amo em alemão. Agradecimentos à minha querida amiga Vivi-chan, que provavelmente nunca verá isso aqui, mas que me ensinou isso em 2012. Obrigada, Vi ♥ — Tudo que é bom termina¹, e infelizmente CDU chegou ao fim. Estou querendo chorar aqui então não irei fazer comentário nenhum a respeito do capítulo. Embora tenha acabado assim, eu tenho PLA-NE-JA-DA (nada fixo) uma shortfic mostrando um pouco da relação desses dois. E esse último CDU encerra, oficialmente, o segundo arco. Pois é. Vamos para o último agora. 'Tá acabando... (TT ^ TT) • Obrigada aos que favoritaram. Reviews para me incentivar a postar (e escrever -q) mais rápido o próximo~?