Meu Estranho Mafioso

45 Contos de Ultear.


Bufei. Virei uma página da revista que estava tentando ler. Bufei novamente. Mudei de posição no sofá. Respirei fundo.

Nos últimos dias, estive incrivelmente inquieta.

Vocês então me perguntarão: é por causa de Jean, Ultear? Não. Não é por causa dele.

Joguei a revista para o lado. Talvez um pouco de TV me ajudasse a...

— Ur, você sabe onde está minha camisa social listrada? — Indagou Igneel, entrando na sala apenas de calça. Uma toalha estava jogada em volta de seu pescoço e seu dorso estava completamente exposto. Puxei a revista para a frente de meu rosto em uma velocidade impressionante.

— Qual delas? — Perguntei, tentando esconder minha vergonha. Finja que está concentrada na revista, Ultear... Na revista...

— A cinza e branca. — Especificou.

— Não faço a mínima ideia. Para que precisa dela?

M. E. R. D. A.

Olhei para ele. Caramba! Que grande burrada!

E o pior: ele percebeu!

Aja naturalmente. Naturalmente. Sim, é isso que tenho que fazer.

Engoli em seco e abaixei a revista.

Maldição! Desde quando Igneel tem aqueles músculos ali? E para alguém que está a ponto de completar quase quarenta, ele está bem conservado... Isso é um abs? Não, não é um tão bem definido, mas mesmo assim não deixar de ser extremamente excitan...

— Ur, você está bem? — O rosto dele está a centímetros do meu. Posso sentir o cheiro de sabonete vindo do rosto dele. Ele lavou o cabelo também, pois está com algumas gotas pingando em minha coxa. Senti meu rosto arder.

— Claro. — Murmuro falhadamente. Inferno! Pigarreio. — Quero dizer, claro que estou. Por quê?

— Seu rosto está completamente vermelho. — Afirmou. — Talvez esteja com febre? — Repousou a mão em minha testa e senti meu coração bater mais rápido. — Hum? — Estranhou. — Está sim um pouco mais quente do que deveria, mas como acabei de sair do banho...

Encostou sua testa na minha e meus olhos desceram rapidamente para seus lábios rosados.

Sim... Lembro-me exatamente do que aconteceu na última vez que estive a essa distância dele. Pois é, não estava tão bêbada assim.

Infelizmente — ou felizmente—, Igneel não sabia disso.

Pude sentir sua respiração roçar em minha pele. Será que ele podia escutar meus batimentos cardíacos acelerados?

— Hum... — Murmurou de olhos fechados. Seu cílios eram tão longos... — Acho que não dá para saber, já que minha cabeça também está quente. — Abriu seus olhos. Nunca havia reparado que em volta de sua íris rosa havia um resquício de azul e amarelo. — Desculpe, Ur, não foi de muita ajuda. De qualquer forma, tome um remédio. Não queremos que nossa mini Ur fique doente.

— Estou bem. — Afirmei. — E não me chame de Ur! É Ultear! — De repente me senti extremamente irritada. — Igneel, sejamos sinceros aqui, um com o outro.

— O quê? — Indagou confuso.

— Você... Sempre gostou da minha mãe, não é?

— Quê? — Praticamente berrou. — Enlouqueceu, Ultear?

— Você vive me chamando assim! — Soltei, exasperada. — Mini Ur, Ur... Lembro tanto assim minha mãe?

— Há?! Posso perguntar o que a levou a pensar nisso?

— Não, não pode! — Levantei-me. — Só sei que estou cansada desses apelidos! É tão difícil me chamar por meu nome? Estou cansada disso, sabia? Desde pequena, sempre me compararam à minha mãe. Estou de saco cheio!

— O que a deixou tão irritada de repente?

— TUDO! — Berrei. Andei a passos duros em direção ao meu casaco que estava pendurado ao lado da porta. — Estou saindo. — Afirmei, pegando minha bolsa que também estava pendurada nos ganchos.

— Onde vai vestida desse jeito?

— É meu marido por acaso?

— Você sabe que não é isso...

— Então não precisa saber. — Cortei, e saí batendo a porta.

Igneel idiota... Igneel mentecapto... Igneel besta...

Ultear anta! Por que está descontando nele? Burra, burra, burra! Parei no meio da escadaria que dava no hall de entrada da mansão. Respirei fundo e dei meia volta, refazendo todo o caminho.

— Igneel! — Gritei, invadindo a saleta que dava em nossos respectivos quartos.

… O encontrei vestindo-se às pressas. A calça sem cinto escorregando um pouco da cintura, deixando à mostra a cueca box preta, a camisa social mal colocada que deixava-me ver seu umbigo, os cabelos desgrenhados...

— Ulte...

— Que droga! — Berrei, o assustando. — Será que não dá para colocar a porcaria da camisa direito!

— Ah, certo! — Fechei os olhos enquanto ele escondia aquele abs. — Pronto. Será que pode me explicar o porque daquele chilique?

— Eu... não sei. — Admiti. — Acho que estou no topo da carência. — Porque é tão vergonhoso admitir isso para ele? — E... sei lá, estou cansada de tantas coisas...

— Oh, Ultear! — Aproximou-se de mim e envolveu-me em um caloroso abraço.

— O que está fazendo?! — Exclamei, sentindo meu rosto esquentar. Droga! Ele ia ouvir meu coração batendo aceleradamente.

— Tenho certeza de que é disso que precisa. — Afirmou, mexendo meus fios do topo da minha cabeça com seu hálito refrescante. — Quer desabafar?

Afastei-me e encarei seu rosto. Sua expressão estava tão... calorosa e convidativa. Não consegui negar.

Fomos até seu quarto e deitamos na cama, um virado para o outro, descalços e confortáveis. Por alguns minutos, só ficamos em silêncio, as respirações sendo o único som naquele espaço grande — que para mim parecia tão pequeno naquele momento, como se me empurrasse na direção de Igneel—, nossos olhos cravados uns nos outros.

E então, desabafei. Contei todas as minhas preocupações e neuras, e ele entendeu e aceitou todas elas. E Igneel também me contou algumas coisas que me inspiraram a reerguer-me. Na verdade, aquele espelho no teto de todos os seus quartos, era um lembrete que ele próprio seria patético se colocasse-se para baixo por causa da morte de Honoka. Ao mesmo tempo, também era o que o impedia de arrumar uma nova mulher. Ele acredita convictamente que jamais irá encontrar outra mulher como ela — o que, sendo sincera, me desanimou um pouco. Vai entender!

Quando terminamos a “sessão desabafo”, caminhei até meu quarto e refleti sobre as coisas que deixei de contar, como por exemplo o fato de não estar tão bêbada quando o beijei.

Um sorriso apossou-se de meus lábios.

Passei tanto tempo achando-o um imbecil e reclamando, porém no fim... Igneel não era um chefe tão ruim assim.

E — o mais chocante —, acho que estou começando a ter uma queda por ele.

Notas finais
Desculpem a demora, estava desanimada pela falta de comentários. E alguns assuntos pessoais também. Anyway, espero que tenham gostado! Obrigada aos que favoritaram! ♥ Comentem aí. e.e E até o penúltimo do 2º arco. P.S.: Também postei a fic no Spirit! ( http://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-fairy-tail-meu-estranho-mafioso-1751896)