Meu Estranho Mafioso
42 Contos de Ultear.
Notas iniciais

— Certo. — Afirmou Igneel, voltando até a sala de bebidas da mansão Dragneel. — Meredy já está no quadragésimo sono em sua cama. Espero poder dormir bem assim também.
Lançou seu olhar em direção à Ultear, que girava seu celular entre as mãos, sentada próxima da bancada de bebidas. Em sua frente, um copo vazio repousava, com uma garrafa de vinho vazia e uma de vodca intacta ao lado.
— Que bom... — Murmurou ela, referindo-se ao que havia dito.
Aproximou-se e puxou a cadeira de mogno com almofada vinho clara aveludada que ficava frente à dela.
— Nada do Jean ainda?
— Nem uma mensagem de volta. — Respondeu a morena com a voz embargada, tanto pela bebida quanto pelo choro que tentava segurar. — Nenhum “ei, estou legal, não precisa se preocupar tanto!”, muito menos um “ei, estarei aí em breve e poderemos matar toda a saudade sentida”.
— Ele lhe mandava mensagens assim? — Estranhou.
— Não. Entretanto, quem dera se me mandasse ao menos uma desde que foi! Estou realmente preocupada...
— Quer um abraço? — Ofereceu.
Os olhos castanhos sondaram os rosáceos.
— Não estou com paciência para suas brincadeiras, Igneel.
— Não era brincadeira. — Soltou um muxoxo. — Só acho que seria uma maneira de reconfortá-la.
Ultear soltou uma risada de deboche.
— Acho que prefiro essa garrafa de vodca aqui.
— Nem se atreva a tocar nisso! — Cortou, alarmado ao vê-la tentar pegar a garrafa.
— Que chato! — Bufou.
— Dá última vez que bebeu vodca acabei com uma marca na testa, acha mesmo que vou deixar isso acontecer de novo? — Tomou a garrafa em questão para sua posse. — Vou dormir e levar isso comigo, assim evito algum acidente desnecessário.
— Corta prazeres! — Reclamou Ultear levantando-se e indo até a bancada pegar uma garrafa de outra bebida — porque Igneel tomara o cuidado de manter apenas uma garrafa de vodca ali.
❀
Igneel tomou cuidado ao esconder a garrafa embaixo da cama. Queria evitar problemas e ainda se sentia irritado ao lembrar-se da marca roxa que teve que esconder com sua abençoada franja por semanas. Ultear rira muito da sua cara ao saber do ocorrido, porém ele havia ficado tão furioso que só de pensar em uma garrafa de vodca sentia o sangue borbulhar.
Suspirou, metendo-se entre os lençóis da cama. Estava exausto e tudo o que desejava era uma noite tranquila.
Encarou o espelho no teto — com um pouco de dificuldade admitia, pois a única luz que iluminava o quarto era a do abajur —, olhando fixamente para o travesseiro vazio ao seu lado. Voltou a suspirar, desta vez pesarosamente.
— Acho que estou ficando velho demais para cuidar de três criança, Honoka. — Murmurou para a solidão do quarto. Virou-se, de modo a observar o céu noturno através da fresta das cortinas pesadas da janela. As estrelas começavam a aparecer, dando-lhe um sentimento de nostalgia. — Layla...
Bufou, virando-se para o outro lado. Não entendia. Estava tão cansado, então... por quê?
Por que estava se sentindo tão... solitário?
Solitário? Seria essa mesmo a palavra certa? Talvez estivesse apenas de saco cheio. De tudo o que andava acontecendo.
Pensar sobre Natsu e Lucy e o que estava para acontecer em suas vidas era legal, porém ultimamente tudo andava tão... imprevisível... Não sabia mais o que poderia acontecer.
Sorriu ao lembrar que Aries também estava passando por esse problema. Embora ela já tivesse atingido seu objetivo, sabia que sua mente calculadora ainda voltava a pensar neles.
— Aries, hein? Ela costumava ser tão — suspirou —, assustadora. Acho que tudo isso se deve à perda do... Ora, por que estou pensando nisso?! Deveria apenas dormir!
Fechou os olhos e tentou esvaziar a mente. No começo foi difícil, entretanto acabou por cair em um sono profundo.
❀
Acordou no meio da noite devido ao barulho da porta do quarto sendo aberta.
— Meredy? — Chamou pela figura na porta, que não conseguia distinguir devido ao fato de estar com tanto sono que não conseguia abrir os olhos direito. Acendeu o abajur e tomou um susto de surpresa por quem era. — Ultear?! O que faz acordada ainda?
Ela nada disse. Apenas quebrou a curta distância entre ela e a cama e jogou-se em cima de Igneel, o qual acordou completamente devido ao fato.
— Hum... — Murmurou ela, tentado levantar-se apenas com os braços.
— O que aconteceu com você? — Olhou bem o belo rosto. — Está bêbada? Como? — Lembrou-se da garrafa extra de vodca no freezer do bar. — Ah! Essa bebida do demônio! Devo dizer a Virgo para parar de comprá-la!
— Shhh! — Ultear o calou com o indicador. — Você — sua voz estava embargada — sempre tão idiota e sempre tão cuidadoso...
— Não diga nada, Ultear. Você está...
— Shhh! — Tornou a repetir. — Finge que é um bobo quando na verdade é um verdadeiro sádico!
— Quem lhe disse isso? — Segurou-a pelo ombro para impedir que voltasse a cair.
— Quem foi mesmo? Am... Ah! Amber! Sua formosa e vadia ex-namorada.
— Então não posso contradizer em cem por cento. — Concordou, mais para si do que para a morena.
— Estou cansada de tudo isso! — Berrou.
— Ul...! Faça silêncio! — Sussurrou. — Quer acordar alguém?
— Que se exploda tudo isso! Namorados que lhe traem... Namorados que não dão o mínimo sinal de vida... Foda-se!
— O quanto bebeu? — Ultear não era de usar esse linguajar.
— Não importa. Nada disso mais importa. Talvez eu só devesse morrer...
— Não brinque comigo... — Fez descaso de suas palavras. — Vou chamar Virgo para lhe ajudar e...
— Não! — Livrou-se de seus braços, rolando até o espaço livre da cama e postando-se ali. — Vou ficar aqui!
— Certo. Então fique aqui e eu dormirei em outro quarto. — Jogou as pernas para fora da cama, pronto para levantar-se. No entanto ela o puxou de volta.
— De maneira alguma! Fique aqui comigo!
— Ultear... — Suplicou.
— Por favor... — Implorou, os olhos castanhos fixos no rosado, pedindo diretamente para que ele ficasse ali ao lado dela.
Soltou o ar devagar.
— Tudo bem.
A morena apenas sorriu, ajeitando-se mais na cama de modo a lhe dar o espaço que havia tirado ao jogar-se ali. O rosado se cobriu e apoiou o rosto no braço esquerdo, de maneira a vigiá-la.
Quando ela dormisse, ele pensaria com mais calma sobre o que fazer a respeito de Jean. Também estava preocupado com a falta de notícias do jovem.
— Como consegue? — Perguntou Ultear do nada.
— O quê? — Encarou seu rosto, o qual não possuía nenhum sinal de cansaço ou sono.
— Ficar tanto tempo sem uma companheira. — Arregalou os olhos diante daquela pergunta. — Faz tanto tempo... Não sente falta de alguém? De algum corpo junto ao seu à noite?
— Às vezes penso nisso, em algumas noites. — Admitiu. — Mas então acordo no outro dia e vejo Meredy, Virgo, Aries... você. São toda força que preciso. — Arrumou uma mecha que caia no rosto dela atrás de sua orelha.
— Ainda assim, não podemos preencher o espaço que Honoka deixou.
— Ninguém pode. — Disse. — Honoka foi única, assim como Layla havia sido antes dela.
— Antes de Honoka foi Amber. — Observou.
— Não precisa lembrar de algumas más escolhas que fiz. — Reclamou, fazendo-a sorrir.
— Queria não ser tão carente. Queria ser igual você.
— Querer não é poder. — Falou. — Nasci para ser maravilhoso, cara Ultear. Não é algo que vem assim, do nada. — Gabou-se.
— Convencido.
Voltaram a se encarar. Igneel não pôde deixar de reparar que, embora estivesse bêbada, Ultear estava agindo normalmente. Sua respiração saia calma e ritmada, como alguém que dormisse, embora esse não fosse o fato.
Ultear não deixou de perceber o olhar levemente preocupado de Igneel. Deixou seu olhar, que não passou despercebido por ele, avaliar o rosado. Os lábios aparentemente macios, os fios rosa claro caindo sobre seu rosto, os ombros largos e a estrutura esguia de seu peito... infelizmente, por causa da coberta não pode avaliar o resto.
Mas ele pôde.
Seus olhos claros sondaram os fios escuros do cabelo dela que espalhavam-se pelo lençol branco da cama e pelos seus ombros desnudos. Será que não estava sentindo frio? A camisola fina que deixava à mostra o abismo entre seus seios e deixava em evidência a cintura fina... As pernas brancas e tão aparentemente macias... Ultear sempre fora tão bela? Subiu o olhar para seus olhos e teve certeza: sim, ela sempre fora assim... perfeita.
E pensar que alguns imbecis trocaram ela por outra qualquer ou que ousavam a preocupar...
Irritantemente sentiu um certo desconforto na calça — mais detalhadamente entre as pernas — e, bufando, virou-se para o outro lado.
— Igneel... — Chamou Ultear.
— Hum? — Murmurou ele, virando-se para atendê-la.
Foi pego totalmente de surpresa ao sentir a mão dela repousar sobre seu rosto.
— Ulte... — Começou, porém foi impedido pelos lábios dela, que atingiram-lhe com tanta doçura e sentimento que tudo o que pode fazer foi segurar-lhe pela cintura e a puxar para mais perto.
O beijo, tão doce inicialmente, começou a demonstrar sinais de luxúria, a qual tomou completamente aquele espaço entre os dois, fazendo seus corpos serem atraídos um ao outro igual a imãs. Igneel soltou um gemido meio retesado. Aquilo era errado.
… Era? Por que mesmo?
Separaram-se, as respirações ofegantes, e voltaram a se encarar. A morena, com o pé, tirou a coberta de cima dele, observando as longas pernas que estavam escondidas. Subiu em cima do corpo de Igneel, apoiando uma mão de cada lado da cabeça do rosado.
— Ultear. — Chamou, soltando um leve suspiro ao senti-la beijar seu pescoço. — Está brincando com fogo. É melhor parar, ou vai sair queimada.
— Ah, é? — Fez descaso. — Me prove, covarde. — Sussurrou ao ouvido dele.
Igneel lançou o olhar para o teto, vendo a figura esbelta de Ultear sobre seu corpo.
Aquela era mesmo a mini Ur? Desde quando ela se tornara tão sexy?
Virou-se, deixando-a sob si e mordendo o lóbulo de sua orelha.
— Agora — sussurrou em seu ouvido — você vai... dormir. — Bateu sua testa na dela, que desmaiou imediatamente. O rosado sentou na borda da cama, massageando o local utilizado para pará-la. Suspirou. — E pensar que, por um segundo, me senti tentando a responder suas desavenças... — Olhou o corpo adormecido ao seu lado, cobrindo-o logo em seguida. Beijou-a na testa. — Boa noite, mini... Não, está errado. Não é mais mini Ur. Ultear. — Degustou a maneira como o nome completo soava em sua boca. — Não tem tanta graça... Vai ser difícil acostumar. — Pensou em voz alta. — Mas depois disso, tenho que mudar um pouco meu jeito de vê-la.
Levantou-se, desligando a abajur e caminhando até a porta. Ao sair do quarto, tocou seus lábios, ainda quentes pelo contato com os da morena.
— Devo estar no auge da seca. — Riu de si próprio por ter gostado daquele momento. No entanto, quase aproveitara-se dela em uma momento de fraqueza. Pegou um celular extra que mantinha perto do quarto e discou um número somente por ele conhecido. — Sou eu... Preciso que faça uma pesquisa por mim.
— Pesquisar por você. — Soou a outra voz, claramente divertida com o pedido. — O que poderia ser?
— Cale a boca e apenas procure, okay? Escute bem...
Passou as informações necessárias e desligou, olhando novamente para a porta de seu quarto. O desconforto entre as pernas ainda não passara, porém ele estava disposto a impedi-lo de voltar a acontecer. E iria conseguir.
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