Meu Estranho Mafioso

66 Cinquenta e quatro.


Notas iniciais
Olá~~! Como havia dito, o capítulo realmente ficou grande~ Espero que gostem, está cheio de revelações!! ♦ Obrigada a lindíssima Wahine pela vigésima sexta recomendação. Você conseguiu me emocionar. ♥ Nos vemos nas notas finais!

POIS BEM, isso faz muito sentido agora. O cabelo e os olhos são idênticos aos de Honoka — ou deveria dizer que os dela eram idênticos aos dele? —, embora não pudesse dizer o mesmo do resto da cabeça. Acnologia tinha rugas e algumas marcas de expressão pela face, porém dava para perceber que a mãe de Natsu puxara mais a avó desse. Mas não vi a senhora que era casada com o Avô Dragneel, então que garantia tinha?

Claro, esse senhor poderia estar mentindo para mim sobre sua identidade. Porém ele possuía características que confirmavam suas palavras, e podia ver um pouco de Natsu e Zeref nele.

— Hum... — murmurei, percebendo que ele observava-me, avaliando minha reação. — O que o senhor poderia querer comigo?

Ele desviou o olhar de volta para sua xícara, pegando e girando-a na mão.

— Antes de mais nada, estava realmente curioso — balbuciou, novamente levando o objeto até a boca e bebericando o líquido.

— Curioso? — questionei, perdida.

Ele sorriu como se tivesse uma piada pessoal.

— Para saber como era a filha de Layla Heartfilia — arregalei os olhos, surpresa. Ele conhecia minha mãe também? Bom, pelo que Igneel contou-me, não era de estranhar... Mas o sorriso em seu rosto deixava-me incomodada. — Devo dizer que puxou bem os atributos de sua mãe. Pergunto-me se é tão interessante quanto ela...

Como vou saber?

Acnologia tem essa péssima mania de omitir detalhes. Deve ser algo passado de geração em geração na família Dragneel.

— Bom — continuou —, sendo namorada de Natsu devo imaginar que sim, não? Ele não sairia por aí brincando com qualquer uma.

Isso me irritou, trazendo à tona coisas do passado. Gostaria de dizer para Acnologia que Natsu não era esse tipo de pessoa, no entanto há muito o rosado admitiu que considerava-me um brinquedo pessoal.

— Acho que tem muita consideração ao pensar tão bem de seu neto mafioso — enfatizei, arrancando-lhe uma longa risada.

— Pobre Natsu. Arrastado para os problemas familiares... — comentou quando conseguiu se acalmar.

— O que quer dizer?

— Hum? — focou-se em mim. — Natsu não lhe contou? Ele está pegando a herança de outro.

— Herança? — indaguei.

— Entenda, senhorita Heartfilia... Para começo de conversa, isso é tudo culpa do Yamaguchi. Se não fosse ele, que tipo de futuro todos vocês teriam agora?

— Culpa de Igneel...? — Será que o moreno não poderia explicar de forma menos fragmentada?

— Não se sente frustrada? — pousou o queixo nas costas da mão. — Eles todos escondem coisas de você, estou certo? Talvez para não sentirem o peso da culpa?

— Não são só eles que fazem isso.

— Como?

— Sr. Dragneel, não está fazendo o mesmo exatamente agora?

Recostou-se na cadeira, avaliando-me de forma profunda.

— Não vejo motivos para manter segredos. Se há algo que deseja saber, pergunte!

Ajeitei-me na cadeira, encarando-o com toda a força que tinha.

— Poderia começar explicando os códigos que acabou de soltar em cima de mim — estava tremendo por dentro. Não sabia de onde aquela ousadia vinha, mas esperava que durasse o necessário para sair dali com vida. — O que quis dizer com Natsu estar pegando a herança de outro?

— É uma garota direta, de fato — sorriu. — Anos atrás, percebi que a idade estava chegando para mim. Deveria passar o comando da máfia Dragneel para alguém de confiança. O problema, Lucy, é que a pessoa mais indicada foi roubada de mim.

— Roubada?!

— Ah... — soltou um suspiro, olhando para um quadro atrás de mim que não havia percebido até o momento.

Nele havia uma garotinha só, sentada de forma envergonhada em uma poltrona de madeira e estofado aveludado vinho. Trajava uma saia tartan curta e marrom, meias-calças negras, sapatos marrons e uma camisa branca com um suéter sem mangas azul por cima. O cabelo poderia estar curto e a franja reta, entretanto reconheceria aquele olhar em qualquer lugar. Os olhos eram marcantes.

— Honoka?! — voltei a me virar para Acnologia, e percebi que estava irritado com algo. — O-o quê?

— Por favor, srta. Heartfilia — fechou os olhos para se acalmar e senti meu sangue congelar. Ainda mais por ele continuar sorrindo —, chame-a com os devidos acompanhamentos.

— Eh? Ah! — entendi ao que se referia. — Desculpe!

— Assim está melhor — sua expressão tornou-se mais gentil.

— Honoka-san... — seu olhar recaiu sobre mim. — Honoka-sama... Foi roubada?

— Tristemente afirmo isto. Ela felizmente pôde deixar netos para mim e Sarah. Assim que soube das notícias, decidi fazer do primogênito meu herdeiro, no entanto as coisas tornaram-se complicadas a partir de um ponto. Entenda, pelo bem da família, fui obrigado a intervir na situação.

— Com complicadas... Está falando sobre a morte de Zeref, não?

— Correto. Natsu lhe contou? — aproximou-se um pouco. — Zeref foi morto por culpa dele.

Choquei-me com aquela revelação. Natsu era o culpado pela morte de Zeref? Era a respeito disso que Minerva se referia?

— Zeref seria o herdeiro da máfia Dragneel, no entanto por causa de algo que Natsu fez, ele acabou morrendo. É isso?

— Ora, interpretou muito bem a situação com os poucos detalhes que lhe dei. Faz um bom tempo desde que quis conhecê-la, sabia?

— Por causa de minha mãe?

— Oh, sim... — Por que parecia que havia algo por trás daquele murmúrio? — Seu pai, porém, dificultou e muito minha aproximada. Pegando aquela criança...

Retesei-me. Rogue. Ele só podia estar falando de Rogue! Certeza! Lembro-me exatamente do moreno ter me dito que meu pai o havia adotado para poder proteger-me de algo. Meus olhos para Acnologia mudaram drasticamente. Ele não era mais o senhor gentil que estava disposto a me revelar as coisas. Havia algo por trás daquele sorriso. Algo que não conseguia distinguir.

O que poderia querer comigo? Quando questionei-o a respeito disso, não se dera ao trabalho de responder.

Senti como se começasse a sufocar com minha própria respiração. De repente, a reação de Natsu e toda aquela proteção que deu-me começou a fazer sentido.

— Algo errado? — chegou mais perto, observando bem meu rosto.

— Er... Não! — com certeza não conseguiria enganá-lo. — E... Minerva! Quero dizer... O que Minerva tem a ver com tudo isso?

Acnologia pareceu desapontado ao voltar a se arrumar na cadeira.

— A senhorita Orlando é alguém muito importante para nós. Ou pelos menos, era. Ela é herdeira da máfia espanhola, portanto pensamos em juntar nossas forças com um noivado. Por alguns anos, até a tragédia, ela foi noiva de Zeref. Depois disso tentamos continuar com o planejamento fazendo-a noiva de Natsu, mas aquele cara... — ele respirou fundo para recobrar-se. — Perdemos um acordo precioso... E Minerva quando mais nova... Ela era uma demoniazinha adorável.

— Pensamos? Quem pensou?

— Eu e o senhor Orlando, óbvio — de repente, pareceu me achar burra.

— Só você? E Igneel? Honoka... sama?

— Ah, esses eram tempos de ouros. Eu mandava, eles obedeciam.

Agora sinto pena do que quer que Igneel deve ter passado para montar sua família...

— Então basicamente forçou sua vontade neles — comentei.

— Oh, que língua afiada! Isso pode lhe trazer problemas, sabia?

— Tenho consciência. — Afinal já tentaram decepá-la. — Pergunto-me a razão das pessoas não aceitarem que a verdade seja dita...

Isso pareceu irritá-lo um pouco, uma vez que o sorriso sumiu de seus lábios.

— De qualquer maneira, Minerva é uma idiota — voltou no assunto. — Não obedeceu as ordens dadas a ela... Veja o fim trágico que terá agora.

— Oi?

— Nada, nada... Aceitaria um xícara de chá? Foi rude de minha parte não oferecer antes...

— Hum... — Deveria aceitar?

Ignorando a minha falta de resposta, Acnologia levantou a mão, chamando alguém atrás de mim com o dedo.

— Pois não? — o Cruela apareceu ao meu lado, inclinando-se em uma reverência como se fosse um mordomo.

— Traga um pouco de chá para a senhorita Heartfilia, sim? E para mim também.

Seus olhos correram até mim antes dele dizer:

— Entendido.

Foi como se um raio atravessasse minha coluna.

Cruela retirou-se com a promessa de voltar o mais rápido possível.

— Ele... — puxei assunto com o moreno, que parecia ter se entretido com a faixa de música clássica que passava agora. Pigarrei. — Esse moço de agora... Estavam chamando-o de “jovem mestre”, mas o senhor trata-o como um servente...

— Jovem mestre, hein? — balbuciou. Voltou a sorrir. — De fato, poderíamos considerá-lo algo assim. É um bom garoto. Pensaria até em consedê-lo a liderança da máfia.

— Eh?

— Entenda, Lucy, há muita coisa que não sabe. Querendo ou não, ainda é uma estranha para mim. Prefiro que fique completamente fora dos assuntos de minha família.

Senti-me atingida com aquelas palavras. Ele tinha algo contra mim, ou pela ideia de Natsu me namorar. Engoli um sorriso debochado que queria atingir meus lábios. É claro que teria. Não traria nada de bom para a máfia Dragneel, traria? Minerva traria um acordo precioso com a máfia espanhola, mas eu...

De qualquer forma, pouco me importava a opinião de Acnologia. Não era como se fosse namorá-lo, e sim o neto dele.

— Compreendo. Pelo menos poderia dizer algo que eu deva saber então. — Seus olhos azuis fincaram-se nos meus. — Como conheceu minha mãe?

Soltou um suspiro, de repente parecendo muito cansado com aquilo.

— Layla Jurener era uma jovem bastante ousada, admito. Ela fez amizade com minha preciosa filha e chegou a ser convidada para cá. Foi assim que a conheci.

— Hum... — murmurei. O jeito que Acnologia encarava-me era estranho. — Ela nunca o mencionou.

— É compreensível — sorriu. — Creio que também não mencionou Igneel.

— Está correto. — Como ele sabia disso?

Neste momento, o Cruela voltou trazendo duas xícaras em uma bandeja prateada. Serviu o chefe primeiro, em seguida virando-se para mim e depositando uma xícara em minha frente.

— Obrigada — balbuciei, levando o objeto até a boca.

— De nada — respondeu, dando uma olhada por cima do ombro e notando que Acnologia havia fechado os olhos para beber seu chá. Voltou-se para mim e mexeu a boca silenciosamente, formando uma frase e retirando-se do cômodo em seguida.

Não beba.

Parei o líquido que já havia sugado e o devolvi para o recipiente.

— Quente! — exclamei, chamando a atenção de Acnologia. — Acho melhor deixar esfriar um pouco.

— Oh... — não conseguia distinguir o que ele poderia estar pensando por sua face. — Talvez seja mesmo.

Respirei fundo, tomando coragem. Estava cansada. Exausta, na verdade. Só queria cair em uma cama e descansar. Meus machucados doíam, minha boca também por causa da pequena quantidade de chá que colocara na boca, e minha mente não estava em melhores condições também. Coisas como a morte de Gray pareciam ser bloqueadas para evitar meu colapso. Estava preocupadíssima com Natsu e os outros também.

— Sr. Dragneel, ainda não respondeu minha pergunta crucial.

— Que seria?

— O que deseja de mim?

Desviou o olhar, pensando um pouco.

— Acreditaria se dissesse que queria que mandasse um recado para Aries?

— Por que o senhor mesmo não diz?

Ele riu.

— Isso é impossível.

— Eh? Por quê?

— Porque — uma mão tocou meu ombro gentilmente e reconheci aquela voz — não quero que meu anjinho rosa volte a sofrer más influências dele.

— Igneel! — o rosado sorriu para mim.

— Olá, Lucy. Vim buscá-la.

Acnologia levantou-se, encarando o mais jovem seriamente. Igneel retribuiu o olhar. A atmosfera entre eles era tão tensa e densa que cheguei a sentir tremeliques só de ficar no meio. Tinha uma fagulha de inimizade naquele choque de olhares.

— Um estraga-prazeres como sempre, Igneel — comentou Acnologia.

— Ora, creio que esse termo seja mais adequado para você, Acnologia — o sorriso voltou ao rosto de Igneel.

— Hunf. Vejo que ainda não tem um pingo de respeito com os mais velhos.

— Por falar em velhice, já não era para você ter batido as botas? — o sorriso de Igneel aumentou tanto que ele até chegou a fechar os olhos.

— I-Igneel! — puxei a mangá de seu casaco verde escuro alarmada. O senhor, no entanto, pareceu não ligar.

— Para sua infelicidade, creio que ainda viverei por muito tempo.

— Que pena.

— Já que está aqui, por que não senta e toma uma xícara de chá comigo? — sentou-se. —Adoraria saber como andam meus netos, sabe? Aqueles que você insistentemente não me permite ver.

— Não precisa fazer pose na frente da Lucy, velho. Desembucha logo o que veio fazer aqui.

— Que falta de educação com seu próprio sogro — o moreno secou a boca com um lenço. — Preciso conversar com Natsu.

— Não. — Igneel fora tão rápido em negar que nem tive tempo para processar a informação.

Acnologia sorriu.

— Sabe que é ele ou então Aries.

— E você sabe que não os deixarei ir com você assim. Por que insiste tanto, Acnologia? Sua própria filha não quis levar isso em frente, e ela tinha muito orgulho de seu sobrenome.

— Honoka caiu na desgraça de conhecê-lo. Por isso não seguiu o caminho que era perfeito para ela.

— Honoka decidiu fazer o que queria com a própria vida — defendeu o Yamaguchi. — Isso não era de sua conta.

— Não é da conta de um pai o que sua criança decide fazer da vida? É irônico você dizer isso.

— Seu filho da...

Igneel foi interrompido por palmas que soaram atrás de nós. Virei-me e dei de cara com uma mulher esbelta. Seu cabelo era castanho e curto, os olhos azuis mais profundos que os de Acnologia e os lábios tinham um tom vermelho forte. Ela era linda.

— Certo. Já chega, meninos — disse, aproximando-se. Seus saltos altos que combinavam com sua saia negra de cintura alta e com a camisa branca de gola alta e mangas grandes que iam até se cotovelo faziam barulho a cada passo que dava. — Toda vez que se encontram trocam essas farpas. Não conseguem ser civilizados nem quando há uma senhorita entre vocês? Sinceramente...

— Ah! Deveria saber que estava metida no aparecimento desse... — O moreno gesticulou para Igneel. — Você não tinha outra coisa para fazer, como ler uma revista de moda ou um livro?

A morena rosnou para ele.

— Isso é forma de tratar sua esposa, Acnologia? Olha que taco veneno na sua comida e não lhe socorro depois.

— Não ia ser novidade — soltou, amargo, ajeitando-se em sua cadeira e calando-se.

— Você é Lucy Heartfilia, não? — a mulher sorriu para mim. — Sou Sarah Daryaevna Petrova. É um prazer.

— Hum... — apertei sua mão. Suas unhas eram tão bem feitas que davam inveja. — O prazer é todo meu...? — não pude evitar o tom de dúvida, o que a fez rir.

— Não se preocupe, Lucy. Chamei Igneel aqui para buscá-la...

— Como a boa cobra que é — cortou Acnologia, recebendo um olhar irritado da mulher.

— Para buscá-la — retomou. — Soube que está namorando Natsu.

— É verdade — confirmei.

— Hunf — o moreno bufou.

— Entendo... Ela é tão bonita quanto a mãe, Igneel — disse para o rosado.

— Sei disso. — Igneel sorriu e senti-me envergonhada.

Sarah segurou minhas mãos entre as dela.

— Cuide bem dele, tudo bem? Natsu, no fundo, ainda é uma criança chorona — surpreendi-me com esse pedido, portanto apenas consegui assentir com a cabeça. — Ótimo — sorriu. — Pode levá-la, Igneel. A não ser, é claro, que queira passar a noite aqui... — deslizou uma das longas unhas vermelha pelo peito do rosado. — Ia ser tão agradável...

… A sogra do Yamaguchi estava dando em cima dele?

— Tentador, Sarah, realmente tentador. Entretanto tenho que levar essa mocinha para casa.

— Ah... Que pena... — lamentou-se.

— Desculpe — dito isso, agarrou meu braço e puxou-me para fora daquela sala.

— Devo trazer as outras roupas dela? — indagou o Cruela, que nos esperava fora da porta de entrada.

— Não precisa — respondeu Igneel, retesando-se em seguida. — Aliás, ainda trabalha para aquele cara?

— O salário é muito bom — o Cruela sorriu. Ele tinha que parar com isso! Poderia ter um infarto por causa desses sorrisinhos dele.

— Até parece! Você tem coisas mais importantes para se importar. Como descobrir seu verdadeiro nome, por exemplo.

Cruela não sabia o verdadeiro nome?

Ele suspirou.

— Um dia, senhor Igneel. Um dia... No entanto, isso não é importante agora. Servirei o sr. Dragneel até quando for possível.

— Tanta lealdade sendo ainda uma criança... Bom, desejo sorte para você.

— Obrigado. Aqui — entregou algo para o rosado — suas chaves. Adeus, senhorita Heartfilia. Fico feliz por não ter tomado um gole daquele chá.

— O qu...

— Vamos, Lucy. — Igneel puxou-me em direção à uma BMW azul escuro, sem me dar chance de dizer mais nada.

Entramos, ele ligou o carro e partimos.



[DS → Loki]

Ela tinha o costume de cantarolar enquanto fazia as tarefas do dia a dia, como se não fosse haver um amanhã para isso. Não lembro-me ao certo quando percebi que a relação entre meus pais não andava em bons termos, mas lembro que depois de descobrir nenhum dia foi igual. O cantarolar de minha mãe esmaeceu em minha visão. Não era porque estava contente que aquela melodia ressoava, e sim para parecer, em minha frente, que tudo estava bem.

Quem poderia culpá-la? Só estava sendo uma boa mãe.

— Mais uma volta e... Voilá! Temos um lindo nó de gravata — ajeitou meu uniforme escolar e olhou bem para meu rosto. Sorriu, puxando uma das minhas bochechas — em um lindo menino.

Ri. Apenas o fato de ficar com mamãe era suficiente.

— Mamãe — chamei, na inocência de meus sete anos, atraindo sua atenção que fora momentaneamente desviada para minha lancheira. — Depois da escola posso ir na casa do Zeref?

— Os Dragneels? — indagou retoricamente, colocando a lancheira no suporte e entregando-me minha mochila. — Não acha que está passando muito tempo lá?

— É porque eles são legais! O Natsu vive se enfiando em confusão com o Gray, sobrando para o Zeref separá-los — sorri ao lembrar de uma dessas situações. — Além disso, Aries tende a implicar com a Lisanna. Como vou parecer legal para ela se não estiver lá para salvá-la?

Minha mãe sorriu.

— Ora, tenho um perfeito cavalheiro aqui — beijou minha bochecha.

— Um dia ainda vou dizer para a Lisanna como ela deixa meu peito estranho — garanti confiantemente. — E então vamos nos casar e ser felizes como você e o papai!

Por um segundo, o sorriso dela sumiu.

— Não, como nós não.

— Mamãe?

— Escute, Loki... — abaixou-se ao meu lado e pegou meu rosto entre as mãos. — Tudo o que a mamãe quer é que você seja feliz. Não almeje um casamento como o da mamãe e do papai.

— Por quê? Vocês não são felizes juntos?

Podia jurar ter visto seus olhos darem resquícios de lágrimas. Não tive tempo para confirmar, pois ela abraçou-me fortemente.

— Somos, somos sim! Ainda mais por tê-lo aqui. Você é a coisa mais preciosa para mim, Loki.

— Mamãe, você está estranha hoje.

Ela fungou.

— Não é nada, meu anjo. Aliás, quem fica pensando em casamento nessa idade não são as meninas?

— É estranho eu pensar nisso? — questionei.

— Não, meu bem. É uma alma livre para pensar e fazer o que quiser. Quando você for escolher seu terno para o casamento... Vai deixar a mamãe te ajudar?

— Não — respondi, fazendo-a arregalar os olhos.

— Não?

— Você vai ajudar a Lisanna, mamãe. Quem vai me ajudar a escolher o terno vai ser o papai!

— Sobre o que estou sendo mencionado? — sem que percebêssemos, Lullaby entrou na cozinha, indo direto na geladeira e tirando uma garrafa de bebida.

— Estava dizendo para mamãe que é você que vai me ajudar a escolher o terno para meu casamento, papai.

— Que infernos está colocando na cabeça desse menino? — perguntou meio irritado para mamãe. — Saiba, Loki, que as coisas nunca vão ser como você quer. A garota que você gosta? — ele soltou um riso debochado. — Ela vai se casar com um outro qualquer que vai ser muito melhor que você na visão dela. E então, a única opção que vai lhe restar vai ser se casar com alguém tão deprimente que mal vai conseguir se olhar no espelho depois...

— Chega, Lullaby! — mamãe cortou, estressada. — Loki, está quase na hora do ônibus passar. Temos que nos apressar!

Ela pegou minha mão e me puxou dali o mais rápido que possível.



— Quando cheguei em casa nesse dia, peguei mamãe no flagra tentando esconder uma mancha roxa no pescoço com maquiagem — confessei. Lullaby observava-me como se estivesse contando a história mais entediante do mundo. — Ela dizia que não era nada, mas havia percebido que as marcas tinham o formato de dedos. E agora o quê? Ouço que visitou o túmulo dela? Não deixará ela ter descanso mesmo depois de morta?

— Blá, blá, blá — balbuciou. — Você reclama tanto! Esse seu caráter irritante veio todo dela. Alguém tão nojento não pode ter puxado algo de mim.

— Não precisa se preocupar. Considero-me filho cem por cento de minha mãe e somente dela. Às vezes chego a imaginar que fui fruto de inseminação, e que meu verdadeiro pai está por aí.

— Por isso se livrou de meu sobrenome?

— Queria e muito usar o sobrenome de solteira dela, porém como poderia, quando meus próprios avós a forçaram a se casar com você? Não perdôo eles tanto quanto não perdôo você.

— Oh, lembro dessas palavras! Você as disse naquele dia, não? Antes de escapulir por entre meus dedos. Foi um garoto muito esperto, correndo até os braços abertos de Igneel.

— Realmente fui. Depois de ver minha mãe ser tão friamente assassinada por aquele que deveria chamar de “pai”, tive que correr para a única pessoa que não ousaria mostrar nada de errado.

— Honoka era tão linda e desejável. Acnologia devia ter dado um jeito em Igneel e então ela, com certeza, seria minha hoje em dia. Claro, se Totomaru não tivesse se metido e incendiado aquela mansão com ela ali dentro. Aquele estúpido deveria ter se certificado que o Yamaguchi estava ali...

Ignorei suas palavras. Estava ficando preocupado com Lisanna. Talvez não devesse tê-la despachado até sua irmã. Ainda mais sabendo que, provavelmente, iria atrás de Natsu e Minerva.

— Não é algo legal se desejar algo que pertence a outra pessoa — cortei sua fala. — Você não devia ter desejado Honoka, e agora não pode desejar Aries. Não importa o quanto tente, Lullaby — ele olhou enervado para mim. — Acnologia nunca vai ceder para você algo importante. Seja alguém da família ou qualquer poder na máfia dele.

— Ora, seu...

Lullaby partiu para cima de mim e preparei-me para receber seu ataque, no entanto um som agudo atingiu meus ouvidos e o velho que vinha em minha direção estatelou-se no chão, urrando de dor.

— Vocês realmente não prestam. — Mira disse, entrando na sala e jogando uma arma no chão. Lançou um olhar desprezível para Lullaby. — Acho que deve ser pela raiz ruim que originou vocês.

— Mira... Conseguiu se livrar de José?

— De quem acha que sou filha?

— Ah, certo — me permiti sorrir.

Olhou ao redor.

— Loki, cadê minha irmã?

— Ela não se encontrou com você?!

— Você não fez a burrada que penso que fez, né? — sua voz preocupava me atingia.

— Fiz. Perdão.

— Vou atrás de Natsu — virou-se.

— Espere, vou com... — não pude terminar minha frase, pois Lullaby puxou minha perna e dei de cara no chão. Só então entendi que Mira o havia acertado na perna.

Ele subiu em cima de mim e apertou suas mãos em torno de meu pescoço. Fiz o mesmo, tentando me defender. Lullaby tinha mais experiência que eu nessas áreas, e dava para perceber isso pelo fato de estar obviamente perdendo ali.

Forçou seu joelho em meu estômago e arfei — um erro, pois era ar a menos para mim.

— Tenho ao menos que terminar o que comecei anos atrás — murmurou com dificuldade, pois ainda tentava esganá-lo também.

Minha visão embaçou. O joelho dele continuava pressionado em meu plexo solar e meu oxigênio esvaia como água em uma torneira aberta. Senti meus dedos deslizarem de seu pescoço e tudo começava lentamente a se tornar escuro.

De repente o peso saiu de cima de mim e ouvi alguns barulhos. Identifiquei um deles como sendo a voz de Mira. A outra distingui pouco tempo depois — era Lullaby, que esperneava e xingava a albina de diversos nomes nada bonitos.

Outro barulho, dessa vez mais alto e seguido de passos em minha direção. Tentava recobrar minha respiração, mas algo macio fez o favor de me ajudar.

Quando finalmente consegui abrir os olhos, percebi que fora Mirajane, que fez o favor de me doar um pouco de oxigênio.

— Você está bem? — indagou.

— Fora o fato da minha cabeça estar girando, sim. O que você fez com... — apontei para o corpo inerte de Lullaby.

— Há métodos mais rápidos de sufocar uma pessoa — simplicou, dando de ombros. Ajudou-me a levantar e caminhamos até a porta.

— Não conte sobre isso ao Laxus, por favor — pedi, temendo a reação do belo namorado dela.

— Só se você não contar para Lisanna. Ela arrancaria meu cabelo se soubesse que meus lábios chegaram perto dos seus.

Encarei-a confuso.

— Por que Lisanna agiria assim?

Seus olhos azuis focaram-se em meu rosto rapidamente.

— Sabe, Loki... Às vezes, na visão da garota que ama, você pode ser o cara certo.

Arregalei os olhos. Se Mira estava dizendo isso, significava que teria uma chance com aquela que sempre foi profundamente especial para mim?

— Não se o rival tiver olhos azuis e ser, aos olhos dela, mais atraente.

Mira riu.

— Se você não fizer como Natsu e se arriscar, como vai conseguir conquistar sua Lucy?

Resolvi guardar meus pensamentos para mim mesmo. Foi exatamente neste momento em que chegamos ao saguão principal e demos de cara com um Natsu, que pressionava algo no pescoço, e Lisanna e um cachorro, que repousavam ao lado de Sting.

— Lisanna! — Mirajane praticamente me jogou no chão ao correr até sua irmã. — Está tudo bem? Ninguém lhe machucou?

— Ninguém conseguiu triscar em mim, Mira-nee. Acalme-se — disse a mais nova. — Só não está tudo bem, pois Minerva conseguiu escapar depois de acertar Natsu no pescoço.

— Vendo-se sem saída, sua única opção foi fugir? Que patético.

— Cara, você está um caco — soltei para Natsu, quando sentei ao lado dele.

— Não é como se você estivesse melhor — reclamou, pressionando o lenço vermelho no pescoço.

— Pft! — bufei. — Por favor, sou asfixiado quase todo dia — notei seu olhar sério. — O que foi?

— Não está aqui — balbuciou.

— O quê?

— Gray. O — hesitou — corpo. Não está aqui.

— Minerva sabia que ia procurar... — murmurou com dificuldade Sting. — Ela disse que o despacharia para algum lugar, entretanto não quis me dizer onde.

Natsu fechou os olhos, deixando-se afundar em seus pensamentos.

— Tão importante quanto — Lisanna chamou nossa atenção —, onde está Lucy?

Nós olhamos para Sting.

— Mandei-a para a estrada. Nessa altura, já deve estar em casa.

Suspirei de alívio.

— O que estamos fazendo aqui ainda? — estendi a mão para ajudar Natsu a se levantar. — Vamos para casa.

[Loki → Off]



Era estranho estar dentro de um carro com Igneel. Quero dizer... em silêncio. Igneel não parecia o tipo que sossegava fácil. Lembro-me dele ficar aprontando comigo na outra única vez que estivemos em um automóvel — em direção ao baile de fundação da Fairy Tail.

Entramos em uma rua que rapidamente reconheci como a da pensão aonde morei nas minhas primeiras semanas em Magnolia. O local estava lotado de materiais para construção e cercado por um muro que tinha uma mensagem em um enorme quadro branco pedindo desculpas por qualquer barulho que fosse causado. Igneel parou o carro ali perto.

— Igneel? — estranhei. — Não estávamos indo para a man...

Em um movimento rápido, ele soltou meu cinto e o dele e puxou-me para um abraço.

— Desculpe, Lucy! — omplorou.

— Espe... O quê? — estava com um misto de vergonha e surpresa, mal conseguia processar tudo o que estava acontecendo.

— É minha culpa... Você não tinha nada a ver, e mesmo assim...

— Igneel! Não entendo sobre o que está falando! — exclamei.

Ele afastou-se, tocando-se que o que falava era verdade, e recostando-se em seu banco. Elevou o olhar para o céu noturno, como se buscasse força.

— Olha, tem algumas coisas que andei escondendo de você... — começou.

— Como a morte de Zeref? — questionei.

— Hum... Também, mas isso é uma incógnita para nós, uma vez que Natsu foi o único a ver tudo acontecer.

— E por quê isso seria uma incógnita, então? — perguntei.

— Você já viu como Natsu fica quando pega em uma arma, certo? — acenei. — A primeira vez que isso aconteceu, foi no assassinato do irmão dele. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Os psicólogos disseram que é como se ele tivesse uma “trava”. Natsu se esquece de tudo que fez dentro de determinado espaço de tempo. Ele não se lembra do que aconteceu até se ver em casa, com as roupas cobertas de sangue.

Ignorando a parte creepy, o que Igneel dizia fazia todo o sentido agora. Natsu não se lembrara de que quase me matara quando Erigor estava em cena.

— É como amnésia?

— Por aí — concordou. — E, usando toda forma de investigação que conseguimos, Honoka e eu conseguimos descobrir apenas que o pai dela estava por trás do mandado de morte de Zeref.

— Eh? — Acnologia mandara matar o próprio neto? Isso era...

— Por favor, Lucy, mantenha isso em segredo de Aries. Ela não sabe disso, por isso ainda idolatra o avô... — o rosado pareceu envelhecer aos meus olhos. Ele parecia exausto. Não física, mas sim mentalmente.

— Isso me lembra que há um tempo perguntei para ela como era Acnologia. Ela me disse que ele era alguém legal, porém orgulhoso...

— Não está totalmente errado — soltou um suspiro. — Acnologia é muito orgulhoso de tudo o que o rodeia. A não ser, claro, minha parte nessa história. Não tivemos muita harmonia desde que nos conhecemos, e com o passar do tempo tudo só piorou. Aquele homem é capaz de fazer qualquer coisa para ter o que quer. E não perdoa nada, absolutamente nada — olhou profundamente para mim. — Zeref era o principal alvo dele. O menino de ouro. E quando meu garoto negou comandar a máfia depois dele, Acnologia ficou furioso. Ele queria apenas ameaçar Natsu para que Zeref cedesse, no entanto creio que o tiro saiu pela culatra.

— E depois disso, ele se concentrou em Natsu?

— Não — negou com a cabeça para dar mais ênfase no que dizia. — Ele quis Aries. Natsu nunca foi com a cara do avô e vice-versa. Mas, desde a morte do irmão, Aries mudou. Antes ela apenas aprontava com os irmãos, porém depois... Ela chegou ao ponto de afogar uma colega da escola no banheiro — passou as mãos no rosto, como se fosse limpá-lo. Choquei-me com aquilo tudo. — Honoka então sugeriu que a mandasse para um colégio interno. Acnologia ficou uma fera.

— Por que tanta insistência da parte dele com vocês?

— Honoka era filha única. Acnologia tem essa ideia estúpida de manter tudo em família, mas não percebe que está estragando a própria com suas decisões egoístas. Brigou com Sarah por conta de Zeref. Brigou com Honoka por causa de Aries. Minha esposa estava cansada. Ela só queria seguir a vida como bem desejava...

— Ela não estava errada — palpitei.

— Exato — conseguiu sorrir para mim. — Então, para tirar o peso dos ombros dela, tomei a liderança da parte da máfia que ela comandava para mim. Foi a gota d'água para Acnologia, penso. Ele ficou tão irado que mandou incendiar a mansão aonde morávamos. Infelizmente nesse dia, somente minha esposa estava em casa. Foi um dos momentos mais tristes da minha vida. Natsu tentou me ajudar pegando a liderança de Fiore, entretanto isso só pareceu chamar a atenção de Acnologia para ele.

— Por isso ele queria me conhecer — conclui.

— Sinto em lhe dizer que não é exatamente por isso.

— O quê?

Arregalei os olhos ao perceber que Igneel estava a ponto de chorar.

— Um tapa. Apenas isso bastou.

— Um tapa?

— Sua mãe, quando estudava por aqui, cometeu o erro de tentar esfregar um pouco de bom senso em Acnologia. Quando mais nova, Layla era tão temperamental — um sorriso triste tomou-lhe a face. — Ela acabou se irritando com ele e dando-lhe uma bofetada. Acnologia sentiu que seu orgulho fora mortalmente ferido por causa disso e... Deu à sua mãe o mesmo destino que o de meu Zeref. Seu pai mudou-se para longe para evitar isso, mas mesmo assim... Acnologia até mandou te sequestrarem só para ter um pouco de atenção desviada...

— Espera...! Acnologia mandou assassinar minha mãe?! Como pôde? E como conseguiu matá-la? Mamãe morreu de...

— Sabe como Mystogun morreu? — calei-me, apenas negando com a cabeça. — Chegou a conhecer Lullaby, certo? Aquele cara é sorrateiro. Ele entra no meio da noite no quarto das vítima e insere, enquanto cantarola, um veneno letal na corrente sanguínea. Poucas horas depois a vítima morre, e ninguém consegue descobrir o porquê.

Estava sem palavras. Não sabia direito o que sentir com toda aquela montanha de informações sendo jogada em mim. Minha mãe, a mãe de Natsu e o irmão dele... Todos mortos a mando da mesma pessoa. Acnologia Dragneel. Tratou-me gentilmente quando estive com ele, porém estava com alguma tramóia por baixo da máscara de falsidade. Quem sabia o que queria fazer comigo?

“Fico feliz por não ter tomado um gole daquele chá”; o Cruela disse. O que havia lá? Poderia eu, neste momento, estar morta? E seria essa a primeira tentativa? “De quantas coisas você sabe? Sinceramente, Lucy. Se conseguimos evitar problemas que possam lhe envolver, não deveria ficar feliz? Já está apavorada demais com uma mão para ter estômago pelo que poderia acontecer”, Natsu me falou, tempos atrás.

— Desculpe, Lucy... Se eu tivesse sabido lidar melhor com tudo isso, nenhum de vocês...

Apertei sua mão sobre o volante.

— Tenho certeza de que fez o melhor que pôde, Igneel — consolei, sentindo um enorme nó se formar em minha garganta e lágrimas rolarem pelo meu rosto. — Só... Vamos para casa, certo?

Encarou-me por alguns segundos, apertando minha mão em seguida.

— Tem razão.

Apertamos os cintos novamente e ele tirou o carro do ponto morto.

✩ ✩ ✩



Como se fosse para recobrar nossos ânimos, Igneel tratou de me contar situações passadas vividas com Honoka e minha mãe. Tinha que concordar que Honoka parecia levemente pirada, mas estranhamente fofa. Ela era, segundo as palavras de Igneel, meio bipolar e louca por rosquinhas. Honoka tentava agir fofa a maior parte do tempo, porém era assustadora quando ficava nervosa, e era muito possessiva com Igneel — meio que a entendo, sendo que Igneel não é o tipo de cara que facilmente se jogue fora, embora para minha mãe tenha parecido assim.

Estávamos rindo de uma dessas situações quando finalmente alcançamos a mansão e Igneel estacionou o carro. Saí, esticando-me. Não foi a melhor semana para mim. Notei alguém na porta da mansão, enquanto Igneel guardava sua BMW.

Era uma linda mulher. Suas roupas era luxuosas, o cabelo era branco e liso até a metade de seu comprimento, caindo em longos cachos até abaixo da cintura.

— O que está esperando? — o rosado me alcançou.

— Veja — apontei para a moça. Não poderia sair confiando em qualquer um. Além disso, ela parecia hesitante em bater na porta.

Igneel apertou os olhos.

— Oh! — exclamou em reconhecimento. — Não pode ser! Iryn! — gritou, correndo até a mulher de braços abertos. Ela virou-se, os olhos azuis claros olhando para ele assustados. Por um segundo, pensei que fosse bater no rosado, mas ela rendeu-se e saltou nos braços dele. Os dois rodopiaram pela entrada da mansão.

— Igneel! — ela riu. Tanto sua voz quanto a risada eram melodiosas. Iryn... Se não me engano, esse é o nome da mãe de Mira...

— O que faz aqui? Pensei que só a veria novamente quando estivesse na França!

— Bem, Acnologia veio, então logo soube que havia algo de errado. Fiquei com medo dele aprontar algo para cima de vocês de novo. Além disso — sua voz ganhou um tom azedo e nervoso — soube que a estúpida da Minerva veio caçar confusão por aqui. Aquela garota era realmente irritante, com aquele tom de voz, pensando ser superior a todos.

— Era? — Igneel estranhou.

— A safada conseguiu escapar das pequenas garras de seu filho. O erro dela, ou deveria dizer má sorte? Tanto faz... A primeira pessoa que encontrou fui eu. Ninguém pode me culpar por ter dado um fim nela, certo? — deu de ombros, como se matar alguém não fosse nada demais. — Soube que ela mandou explodir o Fairy Latte e isso ocasionou na morte de Evergreen. Fiquei fula ao descobrir. Onde, neste vasto mundo, vamos encontrar outra pessoa disposta a amar meu Elfman da mesma maneira? Encontrar o amor é uma dádiva, mas perdê-lo é como arrancar uma parte de sua alma.

— Não sei se quero saber o que fez com ela... — murmurou o rosado.

— Ah, não queira mesmo... — Iryn deixou um sorriso realmente macabro aparecer em seu belo rosto. — Mudando de assunto, quem é esta jovem? — olhou para mim. — Parece muito com Layla...

— Porque é a filha — ele explicou. — Iryn, essa é Lucy Heartfilia.

— Filha de Layla? Oh, meu Deus! — correu até mim e envolveu-me em um abraço até sufocante. — É um enorme prazer conhecê-la, Lucy. Sou Iryn Strauss, mãe de três filhos, modelo profissional e muitas outras coisas que dariam muito trabalho para explicar — abanou as mãos.

Ela tinha a gentileza de Mira, o calor de Lisanna e o alto-astral de Elfman.

— Essa noite está fria e todos passamos por muitas coisas hoje — balbuciou Igneel. — Vamos continuar lá dentro.

E entrou, sendo seguido por Iryn. Parei na soleira das portas duplas, deixando um pensamento acometer-me.

— O que está esperando? — Iryn voltou apenas para me puxar pela mão. Senti o calor daquele lugar me envolver.

Um sorriso tomou meus lábios. Depois de tudo o que andei passando, como era bom ser capaz de dizer:

— Estou em casa.

Notas finais
É tanta revelação nesse capítulo que nem sei o que comentar IJDIAOSJDOIASDJISOADJ Vou somente citar algo a respeito do Loki: o sobrenome dele não foi citado em momento algum da estória e, lá no começo, na viagem para as Montanhas Sakura, Erza se referiu a ele com "o sem sobrenome". Só estou citando isso caso haja alguma dúvida a respeito. Iryn sua linda. ♥ [CURIOSIDADE - x3] PERSONAGENS - Igneel é um personagem cuja personalidade foi inspirada em um personagem original meu, Henry. Amo-o muito e se achar algum resquício do meu Igneel em personagens de histórias alheias, cabeças irão rolar. | Honoka tem a mesma aparência de Lucy, a personagem que é par romântico de Henry, porém quem possuí a personalidade de Lucy é Ultear. Por isso shippo Honeel e Ulneel ao mesmo tempo IOSJADOSIDJA AI NAGABA - Sobre mim, só queria confessar aqui que fico muito feliz pelas reações de vocês às piadas de MEM, uma vez que não creio que seja boa em fazer momentos de comédia... Hmmm... ENREDO - Fiore é uma pequena ilha localizada perto do Japão, porém é independente. Por isso que temos alguns personagens que usam "san/kun/chan/nee/nii" e outros que não. • Obrigada aos que favoritaram! Até o próximo! Xoxo~