Meu Estranho Mafioso
64 Cinquenta e dois.
Notas iniciais
OUTRO SUSPIRO ESCAPOU de meus lábios, demostrando novamente o quanto fora inútil. Virei-me na cama, mais uma vez desejando por um fim naquilo tudo.
Por que as coisas têm que ser tão cruéis? Tão... destrutíveis?
Qual a razão por trás de mortes de pessoas maravilhosas como Gray? Pelo que elas morrem?
Um riso descrente e de escárnio saiu da minha boca.
Por pessoas como eu? Tão pouco?
As lágrimas voltaram a se formar nos meus olhos. Ótimo. Por minha causa quantas pessoas morreram?
Evergreen não tinha nada a ver com a máfia Dragneel, e por causa de ter me dado a chance de trabalhar no Fairy Latte estava morta.
Yukino enlouqueceu porque nunca sequer percebi seus sentimentos por Rogue e fiquei no caminho...
E então o quê?; o pensamento assaltou-me. Abriria mão de Rogue, a quem amou profundamente somente por causa dela? Yukino era realmente mais importante do que Rogue?
Apertei o lençol da cama, observando os nós de meus dedos ficarem brancos.
Não. Ela não era. Porém poderia ter atrasado minha confissão para então...
Ela se declarar e roubá-lo de você? Não seja patética. Era uma chance em duas. E ela o conhecia há mais tempo que você. Chances foram o que não faltaram.
Expirei com força. Isso era verdade...
Tampouco é sua culpa o que aconteceu com Evergreen. Ela apenas estava lá na hora errada.
Não teria hora errada se não trabalhasse no Fairy Latte...
Ótimo! Lembre-se que se você não tivesse se envolvido com Natsu, várias coisas não teriam acontecido.
Meu coração doeu com aquela afirmação. Era verdade... O lance com Sting, as tentativas de assassinato... Se eu somente não tivesse vindo para cá...
Gray não se entenderia com Juvia, Meredy continuaria sonhando em se casar com Natsu e seria sequestrada por Erigor, Igneel continuaria sem tomar uma atitude para se aproximar de Aries e ela não teria se encontrado com Rogue e se apaixonado. Qual é! Pare de ver as coisas apenas pelo lado ruim! Como Sting disse, tudo tem dois lados! Bem e mal. Yin e Yang.
Mas...
E Natsu? Como ele estaria? Como se sentiria?
Não vim para Magnolia para me apaixonar. Era isso que estava tentando afirmar para mim mesma.
É. Não veio, entretanto aconteceu. O problema todo é você. O problema não é ser namorada de um mafioso, e sim a maneira como está lidando com isso. Você é Lucy Heartfilia! Prometeu a si mesma e a Rogue que não deixaria nada lhe desanimar dessa forma! Por Gray e todos aqueles que acabou de perder... Não deixe-se abater aqui!
Levantei-me. Meu subconsciente tinha razão. Não era hora para ficar me deprimindo. Até mesmo com meu pé machucado, presa naquela piscina enquanto Yukino assistia eu quase afogar, lutei para nadar. Poderia me deprimir em outro momento. Pensar no que poderia ter sido em outra hora. As coisas aconteceram de outra forma, na qual uma coisa não poderia negar — estava completamente apaixonada por Natsu.
Não era a hora de ser a donzela em perigo, muito menos a... caipira que não sabia de nada.
Sou Lucy Heartfilia e namoro um mafioso.
— Olá — disse Sting, entrando no quarto com uma bandeja em uma mão e o kit de primeiros socorros na outra. — Fico feliz em vê-la assim — sorriu para mim, depositando a bandeja em minha frente e observando os curativos pelo meu corpo. — Quer comer primeiro ou...
Calou-se ao ver a maneira que o encarava.
— Sting — foi apenas o que falei.
— O que foi? — indagou desconfiado, dando alguns passos para trás. — Não gosto desse tom.
— Disse que poderia confiar em você... — comecei.
— Não. Foi exatamente o contrário — corrigiu. Cerrou os olhos azuis, avaliando minha face. — O que está planejando, Heartfilia? Essa sua expressão não é muito agradável...
— Azar o seu — soltei. — Decidi que é a única pessoa aqui com que posso contar.
Ele suspirou audivelmente.
— Olha, sei que o lance com o Gray pode ter mexido com você, mas confiar em um cara que fez algo horrível e traumatizante com você é...
— Não mencione o nome dele — pedi, sentindo a vontade de chorar voltar. Passei a noite toda chorando, tanto que meus olhos ainda doíam. — Ontem, enquanto cuidava de meus machucados, afirmou que não sairia daqui morta — mas nada diz seriamente ferida, me toquei, sentindo um arrepio percorrer-me. — O que isso significa?
O rosto de Sting era indecifrável. Pensava que não iria me responder quando ele finalmente abriu a boca:
— Significa que Minerva não poderá te machucar tanto quanto deseja. Você só foi usada como uma distração, Lucy.
— Distração — sentei-me na cama, a fim de prestar melhor atenção no que dizia. — Para quê?
— Tem um limite para o que posso saber também — sua expressão suavizou e ele se aproximou da cama, sentando-se na ponta desta como se tivesse com medo de ficar perto demais. — A única certeza que tenho é que vai voltar para Natsu, no fim das contas. O Gra... Ninguém precisava vir te resgatar tão desesperadamente.
— Sting... — murmurei agradecida. Ele não tinha mencionado o nome como pedi...
— Bem, paciência não é uma das melhores virtudes do Natsu, então com certeza aquele tapado virá atrás de você — deu de ombros. — Ainda mais por ser logo você. A amada namorada...
Algo na maneira como Sting disse isso deixou-me embaraçada.
— Não devia de maneira nenhuma confiar em você — comentei casualmente. — Nada prova que tudo o que disse até agora seja verdade...
— Correto — concordou, voltando a me avaliar com os olhos. — Mas?
Querendo ou não, Sting conheceu-me bem o bastante quando éramos... amigos. Ele sabia que estava planejando algo.
— Confio — afirmei. — E é exatamente por isso que quero lhe pedir algo.
O loiro soltou um muxoxo desanimado.
— Nem pensar, senhorita — negou com veemência. — Estou aqui pelo meu irmão, esqueceu?
— Eu sei! — levantei da cama e manquei até ficar de frente para o Eucliffe. — É por isso que estou propondo.
— Propondo o quê? — indagou confuso por conta da minha falta de detalhes.
Estendi minha mão em sua direção.
— Troca de favores.
Seus olhos voltaram a fincar-se em meu rosto. Não sabia ao certo o que estava procurando — talvez uma prova de que estava brincando, ou que era louca —, porém algo que viu o convenceu o bastante para dizer:
— Dê-me mais detalhes.
Simplesmente sorri.
[DS → Loki]
Natsu enlouqueceu, foi meu primeiro pensamento ao entrar no escritório dele na mansão Dragneel. É claro, já havia visto ele pifar outras vezes — muitas, aliás. É o preço por ser quem ele é —, porém sua reação estava assustando até Mira — convenhamos, isso não é muito fácil, levando em consideração que ela é responsável pelas investigações e torturas de suspeitos.
O Dragneel continuava parado ali, diante do quadro da família, em silêncio.
Era exatamente isso que assustava.
Natsu era do tipo que se apressava em fazer as coisas. Fazia um estardalhaço tão grande que tínhamos que amarrá-lo para ver se acalmava um pouco. Ele só ficava assim, quieto, quando estava com uma arma na mão, o que não era o caso ali.
— O prazo acabou há duas horas... — comentou Aries ao meu lado. Nem havia percebido sua chegada ali.
— Não gosto disso — soltou Mira, aproximando-se de nós dois. — Nunca dá para saber o que está passando na cabeça dele em momentos assim.
— O que me pergunto — comentei — é o que pode acontecer se ele tocar em uma arma agora...
— Não uma coisa boa — declarou Aries.
Igneel entrou no cômodo, ignorando nossa presença e caminhando até o filho. Parou ao seu lado e, depois de encarar Natsu por um tempo, pôs-se a encarar o quadro também. A tensão na sala era tão densa que cheguei até a me perguntar como estávamos respirando normalmente. Por fim, o Yamaguchi voltou a virar-se para o filho e repousou a mão sobre o ombro deste.
— Tem que buscá-la, Natsu.
A voz do rosado saiu rouca:
— Não.
Igneel suspirou audivelmente.
— Sei que tem plena confiança em Gray, mas... Filho, ele não voltou no tempo que deu.
Natsu virou-se para o pai, encarando-o com tanta força que até mesmo senti Aries tremular ao meu lado.
— Isso não é nada bom... — assumiu ela, agarrando meu braço como quem busca conforto.
— Aries — Mira virou-se para ela, arregalando os olhos em surpresa por ver nossa posição. Pigarreou antes de continuar sua frase: — Onde estão Levy e Rogue?
— O quê? — perguntou. Tocou-se então do que tinha feito e soltou meu braço. — Ah! Pedi para que ficassem na sala de estar. Virgo está lhe fazendo companhia.
— Aquele cara... — Como era o nome do bonitão mesmo? — Rogue. Qual a reação dele com tudo isso? — indaguei.
— Não uma boa, acredite — desviou o olhar até os parentes, que pareciam ter finalmente se resolvido.
— Depois que a buscar — afirmava Natsu —, vai ser a sua vez de fazer algo.
Igneel encarou o filho.
— Sabe que não vai acontecer.
— Odeio que toquem nesse assunto — admitiu Aries. — É assustador.
Olhei amavelmente em sua direção.
— Eles vão evitar isso, Aries. Não se preocupe — acalmei-a.
— Certo. — Natsu chamou nossa atenção. — Mira?
— Pensei sobre o assunto e... Eu vou — confirmou com a voz decidida.
Natsu tentou abrir um sorriso para ela, mas pela primeira vez na vida falhou.
— Loki?
— Como se já não soubesse a resposta... — revirei os olhos.
— Tomem cuidado — alertou Yamaguchi.
— Certo.
— Também vou — uma outra voz se fez presente no recinto. Meu coração pulou duas batidas.
Lisanna.
— Nem hoje nem nunca — proibiu Mirajane.
— Ah, vou sim — respondeu convicta. — Tenho contas a acertar com aquela vaca.
— Lisanna — intervi. — Ouça sua irmã...
Ela virou seus olhos azuis para mim, fazendo-me dar uns passos para trás tamanha era a intensidade e certeza que eles possuíam.
— Tudo bem — afirmou Natsu, e foi nesse momento em que percebi o quanto a situação era séria.
O rosado tomou a frente e a última coisa que vi antes de sair dali foi Igneel encarando o quadro com seus falecidos filho e esposa.
[Loki → Off]
— Seu almoço. — Sting avisou assim que entrou no quarto, depositando a bandeja na ponta da cama e encarando-me logo em seguida.
— Obrigada — sorri para ele e terminei de ajeitar meus curativos. Saltei da cama e aproximei-me dele.
— Isso é loucura — voltou a afirmar.
— Você concordou com isso — lembrei.
— Não deixa de ser loucura por isso — olhou para a porta temerosamente. — Se descobrirem que estou fazendo isso...
— Sting — segurei seu rosto em minhas mãos, forçando-o a olhar em meus olhos. Vendo seus olhos azuis a imagem dele encarando-me nua, tanto tempo atrás, tomou minha mente fazendo-me engolir em seco e soltá-lo o mais rápido possível, tentando me afastar. — Está tudo bem — murmurei com a voz tremida.
Sua expressão era triste. Ele sabia a razão por ter me afastado.
Aquele quarto estava tão frio antes?
— Só precisa das noções básicas, certo? — balbuciou, tentando deixar o clima mais ameno.
— Ah... Hum — confirmei com a cabeça. Pigarrei, recobrando-me. O que Sting fez comigo no passado era, assim como todo o resto, algo para se deixar para depois. Deveria concentrar-me no agora.
— Certo... Os principais pontos que deve se concentrar são; preste atenção — levantou o indicador, para alertar-me —, o plexo solar, nariz, pé e garganta. Eles lhe darão uma boa vantagem. Seja para fugir ou... — apenas balançou a mão.
— Por que o pé? Não vejo como isso pode impedir qualquer...
— Quando bate o mindinho do pé em um móvel, finge que não aconteceu nada ou sofre com aquilo? — indagou.
— Ponto para você — dei de ombros.
— Ok. Então, vou fingir que lhe atacarei, e terá que desvencilhar-se de mim. Entendeu?
— Espera! — pedi, tocando-me de uma coisa. — Ao invés de... Sei lá, a garganta, não seria melhor a virilha?
Sting desviou o olhar para uma das paredes.
— Na verdade sim, mas vamos tentar não treinar com essa parte, tudo bem? Por favor... — murmurou.
Arregalei uma sobrancelha, observado sua expressão e percebendo que ele evitara mencionar aquela área de propósito.
— Certo.
Respirei fundo antes de dar a ele um sinal para começar. Sting correu em minha direção, e concentrei-me em observar qual era a parte mais acessível para o primeiro momento. Infelizmente, tomei tempo demais e ele acabou agarrando meu braço e pondo-me de costas para ele.
— Não vai funcionar se for lerda assim. Precisa pensar rápido durante uma luta.
— Entendi — disse, acertando um golpe em seu pé com toda a força que possuía.
— Lugar errado — repreendeu Sting, apertando-me contra ele ainda mais. Essa proximidade era muito incômoda.
— Então... — uma ideia surgiu-me. Ele ia odiar, mas quem se importava? Cerrei uma de minhas mãos e acertei a virilha dele.
Funcionou. Sting soltou-me instantaneamente e abaixou-se, tentando recuperar-se do golpe.
— Pedi para não treinar com essa área! — reclamou.
— Uma vez, alguém que me treinou — senti meu coração se apertar ao lembrar de Gray — me disse que em uma luta entre mafiosos, não dá para se confiar na palavra do inimigo.
— Se alguém lhe treinou antes, então por que me pediu isso? — perguntou irritado, tentando se levantar.
— Acho que funciona melhor com alguém que eu possa querer machucar.
Sting elevou seus olhos azuis em minha direção.
— Olha, Lucy... — começou em tom confidente. — Tem algo que gostaria de dizer...
— O quê? — perguntei, sentando-me na cama e fixando meus olhos nos dele.
O Eucliffe abriu a boca para me dar uma resposta, entretanto nesse momento Rufus entrou ruidosamente no quarto.
— Sting, a Ojou está requisitando sua presença. Parece que temos companhia — observou-nos. Sting estava ligeiramente agachado e virado para mim, que estava totalmente concentrada em olhar para o loiro anteriormente. — O que estão fazendo? — questionou desconfiado.
— Ela estava se recusando a comer, então perguntei se era por causa do corte na língua. — Sting foi rápido em inventar uma desculpa.
Rufus olhou em minha direção. Permaneci calada e ele pareceu entender isso como uma confirmação.
— Entendo... De qualquer forma, ficarei tomando conta dela agora. Vá, Ojou não está no melhor dos humores no momento.
O loiro de olhos azuis acenou e, com uma última mirada em minha direção, retirou-se do quarto.
— Seu andar não está estranho? — indagou o Lohr estranhando a forma de Sting andar.
— Cale a boca! — rosnou Sting, antes de fechar a porta com força.
O silêncio pairou no quarto. Vendo Rufus caminhar pelo quarto, observando o lugar como se fosse algo desconhecido para ele, senti a raiva fluir por minhas veias.
Foi esse cara que matou Gray, pensei. É assombroso o quanto tenho que me conter para não pular em cima do pescoço dele e machucá-lo o máximo que posso.
— Continuar me encarando assim não vai abrir um buraco em mim — soltou casualmente.
Arregalei os olhos, surpresa. Ele podia ler pensamentos?
— Acho que deveria lhe contar... — comentou, devolvendo um enfeite para a cômoda de onde havia tirado. — Seu namorado está vindo para cá — a raiva que sentia, mesclada com surpresa, foi trocada por euforia. — O que é uma péssima decisão, devo dizer — virou-se para me encarar. — A Ojou não pode ir atrás dele, porém imagino que ela não será capaz de se controlar uma vez que o ver.
— O que quer dizer com isso? — perguntei.
Ele arqueou uma sobrancelha e lembrei-me da desculpa de Sting. Tarde demais.
— Quer que conte para você? — ele se aproximou e senti um calafrio percorrer-me. Aqueles olhos... Já havia me encontrado com eles antes. Tentei afastar-me dele indo mais para o centro da cama. — O que foi, Heartfilia? Não quer saber a verdade? — subiu na cama e segurou meu tornozelo. — Então terá que pagar um preço para isso...
Tentei desvencilhar-me dele, entretanto ele era mais forte do que eu.
Natsu, por favor.... Apresse-se.
[DS → Mirajane Strauss]
Certo, sabia que Natsu no fundo estaria naquele desespero de resolver as coisas rápido, no entanto realmente era assustador a forma que estava agindo. Mal chegamos próximo da “pequena mansão” de Minerva e, assim que um dos homens dela nos localizou, ele deixou o tal anunciar nossa chegada aos outros capangas e então o matou com um tiro certeiro na garganta.
Será pelo motivo de ser Minerva?
— Mira-nee, como faremos depois de entrarmos? — Lisanna perguntou.
Esquadrinhei-a com os olhos. Não era para ela estar aqui, tampouco eu. Mas Elfman foi envolvido nisso, assim como Evergreen. Podia entender porque Lisanna queria estar aqui quando fosse a hora de ficar cara a cara com Minerva. Ainda mais porque a morena havia sido a principal culpada por coisas que aconteceram em um passado agora muito distante. Coisas que complicaram e muito a vida de minha irmã.
É. Agora que Minerva saiu do buraco aonde estava enfiada, era hora de pagar por seus crimes.
Natsu e Loki arrombaram a porta da frente e de cara atiraram em dois capangas que correram na direção deles.
— Nos viraremos — respondi, carregando minha arma. — Assim como sempre fizemos.
Adentramos os espaçoso hall e fomos pegos pela surpresa de haverem poucos — e fracos — homens de Minerva ali.
— Isso é assustador... — Lisanna balbuciou. — É como se Minerva não estivesse nos levando em consideração.
Loki e eu trocamos olhares. Estava sim. Minerva era como uma cobra, esperando o momento certo para poder dar o bote... Talvez quisesse que chegássemos até Lucy. Ou pelo menos Natsu. A morena passara anos sem se importar em esconder o profundo ódio que nutria em relação a ele.
— José está aqui — o rosado afirmou.
— Acha que ele pode estar com Lucy? — supôs minha irmã.
— Não. — Loki meneou a cabeça negativamente para dar mais ênfase em sua resposta. — Natsu deixou anunciarem nossa chegada e isso implica que José logo ficaria sabendo de vocês duas...
— Nos usando como isca, hein? — murmurei para o Dragneel, que prontificou-se em ignorar-me. Ele parecia estar concentrado em tentar descobrir qual daqueles corredores levariam até Lucy.
Respirei fundo e, assim como ele, comecei a avaliar aquelas entradas.
— Ela está no quarto de brinquedos. — Lisanna afirmou.
— O quê? — indagou Loki.
— Tem certeza, Lisanna? — Natsu perguntou, como se entendesse o que ela pensava. Era melhores amigos, então é claro que iam entender um ao outro...
Minha irmã afirmou com a cabeça.
— É exatamente o tipo de lugar que Minerva prenderia alguém...
— Lisanna... — ver ela dizer isso lembrou-me de coisas do passado. Como ela chorando por ter sido trancada em um quarto completamente escuro e ter entrado em desespero.
— Vamos lá. — Natsu ordenou.
Seguimos pelo corredor indicado por Lisanna e tudo parecia estar em perfeita ordem. Nossos passos ecoavam pelo corredor vazio.
— Muito silencioso — comentou Loki.
Como se fosse para contradizê-lo, José apareceu na ponta do corredor.
— Ora, ora. Se não são as irmãs Strauss... E Loki. Não é uma turma muito fácil de se ver.
— Saia da frente! — rosnou Natsu, já sem paciência.
— Senhor Dragneel, onde estão os seu modos? — fez pouco caso o moreno.
Apontei minha arma para ele.
— Deixe-os passar, José. Por favor — enfatizei.
Os olhos castanhos encontraram-se com os meus.
— Vejam só como as coisas dão certo quando a educação fala mais alto — deu um passo para o lado, e Natsu, Loki e Lisanna passaram por ele. José, ignorando a arma apontada em sua direção, começou a caminhar para mais perto de mim. — Sabe que você e sua irmã não deveriam estar aqui, não sabe? Quebra o acordo.
— O acordo foi quebrado quando Elfman e Evergreen foram envolvidos nisso — respondi friamente.
José deu de ombros.
— Não é como se controlássemos quem vai ser atingido em uma explosão. Agora, essa frieza em sua voz... Você realmente lembra sua mãe, Mirajane.
— Não ouse citar meu nome ou o dela.
— Qual o problema de seu padrasto dizer seu nome?
— Não me lembre que somos ligados de alguma forma — praticamente cuspi aquelas palavras.
— Vamos lá, Mira... — ousou tocar meu queixo. — Deixe-me ver o quanto cresceu.
Respirei fundo e, sem aviso, acertei-lhe um soco na garganta. Ele cambaleou para trás tossindo e aproveitei-me dessa chance para ajeitar minha posição de segurar a arma. Um errinho e José acabaria comigo.
— Tsc, tsc — limpou a boca e olhou-me irritado. — Ainda agindo assim? Acho que vou ter que lhe dar uma lição igual aos velhos tempos...
Senti um calafrio percorrer minha coluna.
Tudo bem, confortei-me mentalmente. Sabia que uma hora esse momento chegaria. Teria que enfrentar meus medos do passado, e faria isso de frente.
[DS → Natsu Dragneel]
Estava envolvido por uma chama de fúria e vontade de matar alguém, porém a chama foi eliminada completamente assim que adentramos o quarto em que Lucy estava.
— Natsu! — exclamou Lucy, aparentemente feliz por me ver. Correu até nós e o alívio tomou conta de mim.
— Lucy, fico feliz por ver que está bem! Ou quase isso. — Lisanna atraiu minha atenção e finalmente observei os curativos espalhados pelo corpo da loira.
Uma dor incinerante atingiu meu peito.
Era minha culpa...
— Olha, sei que é um momento legal e tudo mais — começou Loki —, mas será que poderia me explicar o que aconteceu aqui?
Todos olhamos para aonde ele apontava. Rufus estava jogado no chão choramingando de dor.
— Ah, isso! — Lucy corou levemente, o que me fez levantar uma sobrancelha, desconfiado. — É só que...
— LUCY! — a porta atrás de nós escancarou-se com tanta força que bateu na parede e ainda voltou. Sting ultrapassou-a, o rosto com uma expressçao desesperada. Percebi seu corpo retesar-se ao ver Lisanna, Loki e eu parados ao lado dela. Sorriu. — Que alívio, eles chegaram a tempo...
— O quê? — indaguei.
— Não pense que as coisas ficarão assim, Heartfilia... — Rufus disse com a voz tremida, tentando se levantar. Em um movimento rápido demais para podermos nos proteger, ele sacou sua arma e atirou.
Virei-me para Lucy, pronto para tirá-la da mira, porém Sting foi mais rápido e derrubou-a, recebendo o tiro direto na coxa.
— Droga! — praguejou Loki, pegando sua arma e apontando para Rufus. — Vão! Ficarei aqui e darei um jeito nele.
— Eu também. — Lisanna posicionou-se ao lado do ruivo.
— Tem certeza? — perguntou Lucy.
A albina sorriu tristemente.
— Tenho alguns assuntos para tratar aqui — respondeu.
Preferi ficar calado diante disso. Era melhor guardar meus pensamentos apenas para mim por um tempo.
Puxei o braço de Lucy e ela acabou arrastando Sting junto. Caminhamos sozinhos por um corredor alternativo.
— Natsu... — começou a loira após algum tempo. — Eu... Gray... Ele...
— Não preciso saber disso agora — cortei-a friamente.
— Vire à esquerda e chegaremos ao hall de entrada — instruiu Sting. Tenho algumas coisas para resolver com ele, aliás.
Chegamos na entrada. Estava tão silenciosa quanto quando chegamos.
— Não gosto disso. É suspeito demais não ter ninguém.
Permaneci quieto. Jurava poder ouvir algo... Sim, estavam aumentando gradativamente, mas com certeza aqueles eram sons de passos.
Lá estava ela, com o cabelo muito maior do que lembrava e maquiagem pesada no rosto. Um riso de escárnio quase fugiu da minha boca. Era como se ela tivesse se produzido apenas para me receber.
— Dragneel — chamou Minerva, posicionando-se na frente das portas duplas que nos daria liberdade. — Finalmente chegou esse momento, não? Temos coisas para resolver.
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