Meu Estranho Mafioso
5 Cinco.
SENTI COMO SE o sangue houvesse parado de correr por minhas veias por alguns segundos.
Natsu é um mafioso? E além disso, não um mafioso qualquer... Mas logo o líder da máfia de Fiore?
Aquele Natsu que estive em pé de guerra desde o primeiro dia em que nos conhecemos? O mesmo que derramou uma garrafa inteira de Krug Clos d'Ambonnay em meu cabelo?
… Se bem que isso explica o fato dele sair esbanjando todo aquele dinheiro daquela forma... Digo, ser o líder da máfia do país... a essa altura os produtores de champanhe enviariam o Krug Closde graça para a família Dragneel!
— Consegue se levantar? — indagou-me Erza, tirando-me de meus devaneios.
— Ah... sim — disse apoiando-me em meus calcanhares.
Senti uma dor repentina e antes de perceber estava no chão novamente.
— Lucy! — chamou a ruiva. — Você está bem? Não consegue se levantar? — apertou um de meus calcanhares. Gritei baixinho por causa da dor aguda que senti. — Acho que você torceu o pé... Está ficando inchado.
Natsu apareceu nessa hora.
— Como foi? — perguntou Erza.
Ele balançou a cabeça negativamente e olhou em minha direção.
— O que aconteceu com você?
Abri a boca para responder, porém Erza foi mais rápida.
— Ela torceu o tornozelo.
Olhou para mim, a ironia estampada no rosto.
— Sério? Não sabe nem cair direito?
Olhei-o irritada. Mafioso ou seja lá o que fosse, não ia deixar ele me tratar assim! De jeito nenhum!
— Opa! — exclamou segurando o riso. — Me olhar assim pode ser perigoso.
Estava pronta para começar a gritar com ele, entretanto Erza interveio novamente.
— Ele fugiu?
A expressão de Natsu mudou rapidamente.
— Sim.
— Entendo... Também percebeu, não é?
Ele suspirou. Percebi que havia sido totalmente esquecida ali no chão.
— É. Isso vai ser um saco, porém não tenho outra opção, não é mesmo?
Erza acenou e ele, então, virou-se para mim. Puxou meus braços e escorou-me em sua costa.
— O que está fazendo? — perguntei. Senti minhas bochechas queimarem.
— Não algo que eu goste — deixou claro. — Mas pelo visto, serei obrigado a te suportar por tempo indeterminado em minha casa.
O quê?
— O quê? — indaguei meu pensamento.
— Isso mesmo que você ouviu. Ou por acaso agora, além de caipira, é surda também?
Apliquei-lhe um tapa forte na nuca.
— Ai!
— Já disse para não usar essa palavra!
— Garota, você está começando a me deixar estressado... — sibilou com raiva. Ignorei. Ele podia se um mafioso poderoso, mas continuava sendo o mesmo imbecil.
— Já chega vocês dois! — bronqueou-nos Erza. — Natsu, leve-a logo até a limusine.
— Como assim? — questionei confusa. — Minha casa fica logo ali!
— O quão lerda você é? — perguntou Natsu, irritado. — Não percebeu que eles estavam mirando em você?
Congelei. Realmente... A bala teria me acertado, caso não fosse a Erza...
— Po... Por que fariam isso? — gaguejei, deixando um pouco do choque transparecer em minha voz.
— Estava andando com Natsu — explicou Erza. — Só isso já é motivo suficiente para entrar na lista de alvos.
Olhei para a cabeleira de Natsu. Quer dizer que...!
Soquei fortemente sua nuca.
— Ei! — berrou, totalmente nervoso.
— Resumindo... Isso é culpa sua! — acusei.
— Oh! Desculpe-me se minha irmã me obrigou a te deixar em casa.
Estava prestes a me derrubar de suas costas para lhe encarar quando Erza esmurrou-o.
— Parem com isso agora! — ordenou. Ela emanava uma aura maligna que colocaria medo até em um demônio.
— S-sim — murmuramos Natsu e eu juntos.
— Leve-a logo, Natsu!
— O-okay.
— E-espere! E o meu apartamento? Como fica?
— Sem problemas — disse a ruiva. — Daremos um jeito de levar suas coisas até a mansão.
— Ma-mas... Meu pai está pagando meu aluguel, e isso seria só gasto de dinheiro...
— Tudo bem — riu. — Confie em nós, Lucy.
Observei-a, seguindo meu olhar para o rosado que não disse mais nada. Apoiei minhas mãos em sua cabeça, recostando meu queixo ali.
— Okay — concordei. Minhas bochechas continuavam quentes.
Natsu caminhava calmamente, o rio fazendo barulho ao nosso lado. Demorava tanto assim para chegar até a limusine?
— Ei... — puxei assunto. — Está tudo bem mesmo eu ir para a mansão? Digo, não quero ocupar espaço desnecessariamente e...
Senti-o rir.
— Lucy... A mansão tem mais de cento e cinquenta quartos. Acredite, tem espaço suficiente.
— Oh... — murmurei.
— Como pensei, você é estranha — disse.
— Como eu já disse incontáveis vezes, o que isso significa?
— Nada — a voz dele dizia que estava segurando o riso. — Nada mesmo.
Olhei para seus fios rosáceos, nervosa. Depois suspirei. Não adiantaria nada continuar brava com ele, afinal, a partir desse dia compartilharíamos o mesmo teto.
— Vamos tentar nos dar bem, Natsu.
Isso pareceu o surpreender.
— Como assim?
— Afinal, teremos que ver o rosto um do outro todo dia a partir de hoje.
Senti seus ombros tremerem um pouco. Será que ele estava com frio?
— Quem sabe... — respondeu a voz vaga.
Iria perguntar a ele o porquê do tom vago, entretanto acabei soltando um bocejo. Fora um longo dia e, sem perceber, acabei caindo no sono sobre os ombros quentes de Natsu Dragneel.
✩✩✩
Acordei lentamente com a luz do sol batendo em meus olhos. Encontrava-me em um quarto totalmente branco, em uma cama grande e bem espaçosa, com dossel e um lençol de seda roxo. Empurrei o tecido fino para o meio de minhas pernas e levante-me, olhando para a porta branca que devia levar ao corredor.
Andei lentamente até lá, abrindo-a. E então dei de cara com Natsu.
— Bom dia — murmurei sonolenta.
Ele me avaliou dos pés a cabeça e disse:
— Não tem vergonha de andar por aí assim?
Olhei para a roupa que trajava. Estava usando uma camisola branca fina de alças, e uma das alças havia escorregado pelo meu braço. Como eu fui parar naquela roupa, não fazia a mínima ideia.
— KYAAAAA! — comecei a gritar, mas Natsu tampou minha boca com sua mão, sussurrando nervoso:
— Cale a boca! Quer acordar a mansão inteira a essa hora da manhã? — mordi sua mão. — Ai! Será que não tem como ser menos bruta?
— Não com você, idiota! Não sabe ser gentil?
—Hee... Não era você que ontem mesmo disse: “obrigada por me ajudar a sair da limusine e me emprestar seu blazer; foi muito gentil de sua parte”? — fez uma péssima imitação de minha voz.
— Agora grava tudo o que digo? Além disso, isso é ser educada!
Ele encarou-me.
— Tsk. Você não é nada fofa.
— Como se eu quisesse ser fofa para alguém como você!
Encaramo-nos, a raiva estampada no rosto um do outro.
— Tsk. Não acredito que terei que conviver com você a partir de agora! — exclamou indignado.
— Não precisa se preocupar quanto a isso! — exclamei, irritada.
Isso o pegou de surpresa.
— O que quer dizer com isso?
— Quero dizer que voltarei para meu apartamento. Hoje mesmo se possível.
— Você não pode! — disse sério. — Será que se esqueceu de que você agora é alvo de um assassino? É perigoso!
Não aguentei mais, minha raiva estava começando a borbulhar... Então ela veio à tona em uma explosão.
— Sério? — ele se assustou com o grito que dei. — Acontece, Sr. Dragneel, que eu não tenho nenhuma relação com você e nem quero ter!
— Ótimo! Eu também não quero ter nenhum tipo de relação com você, mas ainda é perigoso!
— Ah! É? E por acaso ficar aqui seria seguro?
— O que quer dizer?
— É uma mansão de mafiosos!
Arqueou uma sobrancelha.
— Pensei que você havia dito que confiava em nós.
— Eu estava em choque! Fala sério, tentaram atirar em mim!
— E o motivo de não confiar em nós é...?
— Fala sério! Você é mesmo um idiota!
— O quê? — ficou irritado.
— Estou... O quê? Três dias nessa cidade? E nesses três dias, conheci uma pessoa irritante, que mais tarde descobri ser líder da máfia, e ainda por cima agora sou alvo de um assassino, e esse garoto que não me dou bem, carrega uma arma com ele.
— Você disse alvo de um assassino?
— Sim!
— Acho que está enganada.
— Como?
— Você não é alvo de um assassino, mas sim de muitos.
Natsu era tão tapado que focava na frase errada.
— Minha nossa, isso é ainda melhor! — disse irônica e apontei meu indicador para seu rosto. — Escute aqui, Sr. Dragneel, não sei que tipos de brincadeiras planeja fazer, mas vou deixar uma coisa bem clara: fique longe de mim!
Voltei para dentro do quarto e bati a porta em sua cara.
Ele é um grande idiota!
Escorreguei até o chão e senti lágrimas começarem a brotar em meus olhos.
Isso é tudo tão ridículo! Deveria ter escutado meu pai...
Não! Talvez não devesse nem ter saído do meu lar, onde tinha Levy e os outros...
Errado, errado! Está tudo errado!
O meu pior erro aqui... foi ter conhecido Natsu Dragneel.
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