Meu Adorável Hóspede
9 Capítulo 9
Notas iniciais
— Felicity Smoak. — Malcolm chama e se aproxima enquanto Felicity se põe de pé.
— Senhor Merlyn. — sussurra.
Ver a pequena loira chorosa, o nariz vermelho e as vestes ensanguentadas deu a Malcolm à noção de que a situação é mais grave do que imaginava — Qual a situação? — indaga sentando junto a Felicity.
— E... Eu não sei, desde que chegamos tudo o que fiz foi esperar. — funga — Eles não me dão nada, nenhuma informação. — levanta-se exasperada esfregando as mãos uma na outra.
— Felicity. — John aparece apressando o passo até ela — Ah querida, eu sinto muito. — a segura em seus braços.
— Era o Tommy John, sempre foi ele e... E eu não fiz nada para evitar, eu poderia ter feito John — se agarra a lapela do casaco dele — eu poderia ter feito. — repete irritada consigo mesma aconchegando-se em seu peito.
— Ei, ei fica calma, não há nada que você poderia ter feito e você sabe disso, não se culpe ok? — a faz olhar para ele — Vai ficar tudo bem, ele vai ficar bem. — a abraça novamente, seus olhos recaindo sobre Malcolm que olha a cena intrigado, não fazendo ideia da extensão do relacionamento de Felicity e Tommy e muito menos do que ela falava — Vem, vamos tomar um café. — olha para Felicity e novamente para Malcolm — Senhor Merlyn aceita um café?
— Agradeço, mas se puder me trazer um chá. — pede. As defesas baixas. Seu único filho correndo risco deixando-o de mãos atadas e pela primeira vez sem saber o que fazer.
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A lufada de ar que entrou pela janela junto a Oliver faz com que Isobel abra os olhos em alerta. Piscando freneticamente depara-se com o Vigilante, com calma ela sai da cama, a presença do estranho não lhe conferindo medo, apesar de surpresa por ele ter aparecido antes do planejado, ela já o esperava.
— Isobel Rochev. — Oliver chama. O arco em posição e uma flecha apontada para a morena, a calma na voz que não chega a seus olhos, em seu caminho até ali sua mente trabalhando sem cessar, ele sabia que essa hora chegaria, que Isobel e ele iriam por as cartas na mesa, ele não é idiota, descobriu sobre o caso dela com seu pai, descobriu seus planos de vingança, mas não conseguia entender por que Tommy.
— Olá Oliver. — é claro que ela sabia, Isobel é esperta demais para não saber quem são seus inimigos.
— Se é para ser às claras — tira o capuz e desliga o modulador de voz — vou deixar uma coisa bem clara aqui, não mexa com meus amigos, você pode vir atrás de mim, mas nunca deles.
— Foi tão divertido. — zomba.
— Matar inocentes não é engraçado, é covarde.
— Covarde? — desfaz o sorriso, o vermelho tomando conta de seus olhos — E que graça teria sem brincar com sua imaginação, a melhor parte de tudo foi ver você tentar enxergar aquilo que estava bem a sua frente. — enquanto fala ela aproxima-se mais do criado entre a cama e a janela — A melhor parte é ver você sangrar pelo seu amigo morto, não Oliver, você não vai morrer agora, antes verá, um por um, seus amigos e família saírem da sua vida como Robert saiu da minha.
— Não permitirei que faça mal a mais ninguém. — rosna exacerbado.
— Não tem como me impedir Oliver, a menos que você me mate e você não tem coragem para fazer isso, Felicity Smoak te dominou — as palavras levando Oliver a apertar fortemente o arco — é — ri sarcástica — eu sei por que você mudou sua tática.
— Não tenha tanta certeza, Felicity certamente espera por boas noticias.
— A é, como eu pude esquecer, ela te trocou pelo Merlyn. — irônica sorrir com triunfo ao notar Oliver tencionar o maxilar incomodado com a afirmação — Está feliz Oliver? Eu o tirei do caminho, olha como eu sou boa.
— Por que Thomas Merlyn. — adota a postura de vigilante.
— Por que eu queria ver-te assim, como agora, sofrendo. — olha-o nos olhos, a acidez na voz denotando todo o ódio — Por que eu quis me divertir um pouco. — o sadismo levando Oliver a perder o controle e disparar a flecha.
Vendo-a cair já sem vida ele solta o ar. Não estava feliz, não estava aliviado, mas por Tommy ele fez, sem pensar, sem sentir remorso.
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— O que ela faz aqui? — Felicity estanca ao ver a morena sentada ao lado de Malcolm — Como ela soube?
— Como uma Lance a notícia deve ter chegado rápido a seus ouvidos. — John supõe e empurra Felicity — Senhor Merlyn. — entrega o copo de papel com chá que o outro havia pedido.
— Obrigado Senhor Diggle.
Levantando a cabeça Laurel se depara com Diggle e Felicity ao seu lado e como Malcolm fica intrigada com a presença dos dois principalmente de Felicity, a quem ela sabia ser a secretária de Oliver, e Oliver, se perguntava onde ele estava naquele momento.
— Senhorita Smoak que surpresa, está à espera de notícias de alguém? — sonda em desconfiança.
— Sim, meu namorado. — encara Laurel sem se deixar intimidar e senta-se, todos fazem o mesmo — Alguma novidade? — pergunta a Malcolm que está ao seu lado já voltando a ficar nervosa.
— Consegui falar com uma enfermeira há uns dez minutos, disse que a cirurgia levaria mais uns quarenta. — assentindo Felicity recosta-se no encosto da cadeira fechando os olhos por alguns segundos abrindo-os com a chegada de Oliver.
— Desculpem a demora, vim assim que vi a mensagem. — estava ofegante, após o encontro com Rochev se apressou em descobrir os nomes de seus comparsas, ainda faltava um, depois que o entregou as autoridades se dirigiu a cave e logo em seguida direto para o hospital — Qual o estado dele? — fitou um a um parando em Laurel arqueando a sobrancelha, se perguntou o que ela estaria fazendo ali.
— Nenhuma notícia, já se passaram quatro horas e nada. — é Malcolm quem se pronuncia.
— A demora é bom sinal — John profere — ou já teríamos notícias. — conclui enquanto Oliver senta-se ao lado de Felicity.
— Já está feito. — Oliver sussurra para Felicity que o encara tensa.
— Eu preciso de um pouco de ar. — Felicity levanta e alterna o olhar entre John e Oliver que assentem levemente e ficam de pé.
— John e eu a acompanharemos. — e saem.
— Quem ela está acompanhando mesmo? — Laurel pergunta a Malcolm quando os outros já não podem ouvir, Malcolm apenas a encara e retorna a posição inicial fitando a parede branca a sua frente, ignorando a morena.
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— Daniel Reed e Keith Miller. — Oliver já havia passado toda a informação aos parceiros inclusive a participação de Rochev.
— Filhos da puta. — Felicity pela primeira vez se pronuncia — Que apodreçam em Iron Heights.
— E quanto a Isobel? — John pergunta.
— Eu já cuidei disso, será apenas mais uma da lista do Vigilante, e dei um jeito de não liga-la a meu nome, ninguém saberá o real motivo, agora tudo o que temos que nos preocupar é com Tommy.
— Algo me intriga. — Felicity declara ganhando a atenção dos amigos — Todas as vítimas morreram com apenas um único tiro, direto no coração, o atirador é profissional, porque Tommy ainda está vivo? — aquela era uma pergunta que constantemente vinha em sua mente, ela estava um pouco mais aliviada por ele ter sobrevivido até ali, porém seu lado profissional a deixava inquieta com aquela pergunta sem resposta.
— Só ainda não é a hora dele. — John responde. Oliver apenas assente, fosse um erro do atirador ou não o que importava é que Tommy ainda estava ali, com eles — Vamos entrar não falta muito para o término da cirurgia. — Jonh articula e segue em direção à entrada do hospital, Oliver põe-se em movimento, porém é impedido de continuar, por Felicity, que o puxa pelo braço.
— Obrigada. — ela diz fitando-o, seus olhos ainda brilhantes pelas lágrimas — As coisas aconteceram rápido demais, Tommy e eu juntos, Isobel, está tudo uma bagunça, mas você continua aqui, sendo o herói que você é. — aproxima-se de Oliver e põe a mão no peito dele — Não importa as coisas que aconteçam entre nós, os desentendimentos, discussões tolas, você sempre será meu amigo, sempre o meu herói. — dá um sorriso genuíno que é retribuído por Oliver e juntos adentram o prédio de paredes brancas e ambiente estéril.
Oliver ainda não tinha tido tempo para parar e racionalizar todos os acontecimentos, e como Felicity disse, está tudo uma bagunça, ele queria que tudo fosse mais simples, que ele nunca tivesse se apaixonado por Felicity, ou que nunca tivesse ido atrás de Laurel, no fim ele até poderia dizer que o causador da própria dor é ele mesmo. Ele poderia ter sido um amigo melhor, Tommy precisou dele, porém ele estava tão envolvido como o Vigilante que se esqueceu de todos a sua volta.
Como o Vigilante ele ainda não concluiu sua missão e assim como o Oliver Quenn, há um longo caminho a percorrer, feridas a serem cicatrizadas, amizades a serem reconstruídas e o próprio coração a ser reparado.
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— Senhor Merlyn. — o homem alto e calvo, de lábios finos e nariz longo se faz presente chamando a atenção do grupo — Carl Dixon, responsável pelo seu filho. — estende a mão para Malcolm em cumprimento.
— Como ele está doutor? — o homem pergunta apreensivo.
— Instável, infelizmente... — para dando espaço a Felicity que não se contém e agarra-se a Oliver chorando — As próximas quarenta e oitos horas são cruciais, estaremos nesse tempo monitorando sua reação e só depois poderei garantir qualquer coisa. — continua observando a reação dos presentes a sua frente — No momento posso dizer que seu filho teve muita sorte, por pouco não foi atingido no coração. — completa a frase sendo seguido por várias arfadas de ar, Diggle faz uma careta, Felicity e Laurel soltam pequenos gemidos, Oliver permanece impassível, mas não menos preocupado e Malcolm prende a respiração.
— Meu pai disse que pegaram o atirador, ele disse que é profissional não teria como errar. — Laurel relata confusa.
— E não errou, não tecnicamente — apressa-se a explicar — Thomas tem o que chamamos de Situs Inversus Solitus, mais conhecida como dextrocardia, é uma anomalia em que o coração está virado para o lado direito do corpo, graças a isso ele não está morto, além do fato de não ter atingido o pulmão, o que poderia ser fatal também, no entanto o projétil perfurou uma área muito próxima ao coração e ele perdeu muito sangue.
— Eu posso vê-lo? — Malcolm indaga um pouco confuso com tudo o que o médico acabara de dizer e ele sente a necessidade de ver o filho para ter certeza que ainda está vivo.
— Permitirei que o veja, mas seja breve, no momento ele está na unidade de terapia intensiva e sob efeito anestésico. — Malcolm assente e faz menção de acompanhar Carl, mas para ao lembrar-se de Felicity — Doutor — chama a atenção do outro — A senhorita Smoak é namorada dele e acredito que queira vê-lo também. — o médico o encara ponderando o pedido e olha para Felicity e seu nariz rubro, suspirando ele concorda com um aceno — Pode ir primeiro — Malcolm diz consternado, a pequena loira o deixou sensibilizado.
— O senhor tem certeza? — pergunta, mas em seu intimo implorando para que ele diga sim.
— Tenho certeza, além do mais — olha-a de cima a baixo — você precisa limpar toda essa sujeira e não creio que vá fazer isso até que o veja — ela acena violentamente com a cabeça e ele quase sorrir — vá, estamos em um hospital menina, já deveria ter se limpado. — diz de forma autoritária e Felicity franze o cenho para o homem.
Que sujeito. Ela pensa. Um homem de muitas faces. Tão diferente do filho, sorridente, meigo, apaixonado, quente. Por um momento ele lhe pareceu verdadeiramente preocupado com o filho, por um momento foi o pai que Tommy merece. Ela até pensou que pai e filho poderiam se entender quando passassem por esta tormenta. Agora, ela dúvida muito que isso possa acontecer tão cedo e decide jogar para um canto qualquer de sua mente esses pensamentos, neste momento ela só quer pensar em Tommy. Ele não pode deixá-la. Ela não pode perdê-lo também.
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