Meu Adorável Hóspede
10 Capítulo 10
Notas iniciais
As quarenta e oito horas haviam passado e o estado clínico de Tommy não havia tido alterações. Os sedativos passaram a ser ministrados em menores quantidades, apenas o suficiente para que ele não sentisse dor.
Foram quarenta e oito horas de tensão para Felicity e por vezes foi preciso que Oliver, Diggle e até mesmo Thea, que após o choque inicial exaltou-se por não ter sido informada de imediato ao acontecido e quis bater em Oliver, obrigassem-na a ir para casa e descansar, seu estado era de preocupação e estavam com medo que ela acabasse doente por não dormir ou alimentar-se corretamente.
Olhando-o pela parede de vidro que separa o quarto para que os enfermos não corressem risco de contrair alguma bactéria ou vírus por meio de algum visitante, Felicity contempla o namorado, que se não fossem as máquinas ligadas a seu corpo por meio de diversos fios e o curativo no lado esquerdo do peito ela diria que ele está apenas em profundo sono, o tórax subindo e descendo ritmicamente, sem esforço. Fechando os olhos ela faz uma prece silenciosa, com um único pedido, que Tommy volte para ela. Volta a abri-los e sente o ar preso em seus pulmões ao vê-lo de olhos abertos, em fim, Deus a ouviu.
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Sua garganta está seca e seu corpo pesado, ele tenta se mover, mas além de sentir os músculos rijos ele sente a dor aguda em seu peito que o faz retrair todo o corpo. Ouve o som de passos se sobressair sobre o bip que parece distante, porém irritante. Movendo os olhos freneticamente de um lado ao outro ele tenta situar-se, não consegue ver nada além do teto branco. O irritante bip para e alguém se põe a sua frente.
— Água. — ele pede, a sede rasgando a sua garganta.
— Senhor Merlyn. — o som da voz é distante — Senhor Merlyn?
— Água. — pede mais uma vez, o dono da voz parece não ouvi-lo e com rapidez abre ainda mais seus olhos e ele é ofuscado por uma luz branca que faz suas pupilas dilatarem.
O homem satisfeito acena e afasta-se, ele ouve vozes abafadas e sons de passos afastando-se, deixando-o irritado, a garganta agora muito mais seca e ele pigarreia a fim de afastar a sensação de secura. Poucos minutos depois novos passos são ouvidos e alguém goteja o líquido morno em seus lábios aliviando a secura na boca, mas não totalmente e muito menos a garganta.
— Água. — pede novamente, irritado por não lhe ouvirem e ele ter que ficar repetindo seu desejo.
— O senhor precisa ser submetido há novos exames e avaliações médicas antes que possamos permitir que ingira qualquer coisa. — a voz feminina é gentil e agora ele parece ouvir melhor, pois o som não parece mais tão distante.
— Eu estou bem, só preciso de água e... — memórias surgem em sua mente, a dor aguda em seu peito, o líquido vermelho e quente molhando sua camisa, o rosto assustado de Felicity — Felicity. — pede alarmado — Como está Felicity?
— Senhorita Felicity está bem e aposto que aliviada porque o senhor acordou. — ela responde de forma casual e inspeciona o soro.
— Onde ela está? — tenta manter a calma quando novamente lembra-se de ter visto o pânico no rosto da namorada antes de perder a consciência.
— Está lá fora, ansiosa para vê-lo — ela responde e se move para o outro lado do quarto quando duas outras pessoas entram no cômodo — agora vamos removê-lo para que possamos fazer novos exames avalia-lo, depois quem sabe possa mudar para um apartamento onde possa receber visitas. — resignado ele assente.
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O alívio tomou conta de todo seu ser após o doutor Dixon avaliar os resultados como estáveis e favoráveis. A recuperação será lenta, dada à gravidade do ferimento, porém com os cuidados necessários não haverá qualquer sequela. Após a bateria de exames o cansaço o abateu e acabou caindo em sonolência. Neste momento Felicity e Malcolm estão a velar o seu sono, Felicity ainda achando que não é uma boa ideia o Merlyn mais velho estar no quarto na hora que ele acordar, com a situação entre os dois ainda tensa ele pode não reagir bem.
— Felicity. — levantado os olhos do tablet ela encontra o par de olhos azuis intensos a encarando, levantando-se rápido ela aproxima-se da cama.
— Tommy. — os olhos brilhando com as lágrimas por cair, ela sorrir e com as duas mãos pega a dele — Você acordou amor. — sussurra e ele sorrir com suas palavras, sentindo o bem estar ao ouvi-la o chamar de amor — Como está se sentindo? Precisa de alguma coisa? Posso chamar uma enfermeira ou o médico. — fala rápido e ele sabe que está nervosa.
— Eu estou bem, que bom que está aqui. — ela acena e logo tem a atenção voltada para a outra extremidade da cama, ele segue seu olhar e encontra o pai, em pé, observando-os, a expressão ilegível no rosto.
— Olá Thomas. — surpreende-se ao notar o tom emocionado na voz do pai e de imediato retorna o olha a Felicity que continua a seu lado, levemente tensa, ele aperta sua mão em sinal de que está tudo bem.
— Pai. — cumprimenta sem emoção na voz, ele não consegue distinguir a rajada de sentimentos, está feliz com a presença de Malcolm, porém uma parte de si ainda sente mágoa por todas as desavenças, pela forma que o pai o tratou, não só quando o tirou do conforto, mas a indiferença para com ele à vida toda, ele ama Malcolm, como todo filho deve amar o pai e não tem dúvidas que Malcolm também o ama, mas o rancor ainda está lá, as palavras ditas e não ditas ainda pairam no ar tornando o ambiente obscuro.
— Eu vou deixá-los à vontade. — Felicity deposita um breve beijo em seus lábios e encara Malcolm por um momento antes de sair.
Em um longo tempo ambos se encaram nervosos. Malcolm por fim quebra o silêncio — Você precisa de repouso, não deve sofrer estresse e talvez não tenha sido uma boa ideia minha presença aqui.
— O quê? — novamente é pego de surpresa, Malcolm sendo condescende, uma novidade para ele.
— Você não deve me querer aqui.
— Eu estaria ainda mais magoado se não estivesse. — admite e consegue ver admiração nos olhos do pai — Você ainda é meu pai e eu ainda te amo.
— Essa menina acrescentou muito em sua vida hem. — replica, e ele pensa que talvez seu pai nunca mude, que ele nunca voltará a ter o pai amoroso de antes da morte de sua mãe.
— Posso afirma que Felicity tem uma grande parcela de participação em meu atual modo de enxergar a vida, mas você também me mostrou, de forma dura devo acrescentar, que eu precisava de um choque de realidade. — empurrando as palavras para cima de Malcolm ele testa as emoções do mesmo.
— Isso significa uma trégua? — o Merlyn mais velho levanta a sobrancelha, desconfiado.
— Podemos tentar. — dá de ombros.
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— Ela aqui de novo. — Felicity bufa ao ver Laurel em pé conversando com Oliver.
— Desculpa Felicity, ela não parava de me ligar para saber sobre Tommy, eu acabei contando que ele acordou. — Thea revela resignada. As duas mulheres haviam se dirigido até o café próximo ao hospital.
— Está tudo bem, mas eu não gosto dela aqui. — a loira diz desconfiada.
— Oliver também não, é por isso que ela estava me enchendo, aparentemente Oliver parou de responder suas ligações. — as duas permanecem paradas a certa distância do casal, Oliver está com uma feição séria enquanto diz algo a morena — Mas infelizmente não podemos negá-la informações, apesar de todos os pesares, Oliver, Tommy e Laurel cresceram juntos, e sempre foram amigos, acredito que ela verdadeiramente esteja preocupada. — Felicity faz uma careta e segue até a dupla.
— Ah Felicity. — Oliver profere desconcertado com a chegada da loira.
— Senhorita Lance. — ela cumprimenta a morena de forma fria, Laurel a encara e ela força um sorriso avaliando a morena que não demonstra qualquer emoção.
— Senhorita Smoak. Eu apenas queria ter certeza que Tommy está bem.
— Acredito que o senhor Queen já tenha lhe passado todas as informações que deseja saber, mas você não precisava vir até aqui para manter-se informada. — as duas se afrontam, olhares firmes, e Oliver se põe em posição a fim de evitar uma briga desnecessária.
— Tommy é meu amigo, é o mínimo que eu deveria fazer. — responde. A entonação na voz se agravando e Felicity ri desdenhosa.
— Eu conheço todos os amigos do meu namorado e não me lembro de ver seu nome na lista. — despeja irônica — Você já fez o bastante por ele, mas você precisa saber a hora de se retirar. — Laurel abre a boca para rebater, mas é cortada por Oliver.
— Não vamos entrar em uma discussão aqui, tudo o que Tommy menos precisa nesse momento é de desgaste emocional. — olha de uma a outra — Laurel — aponta a saída – por favor, se Tommy quiser entrar em contato, ele irá. — irritada a morena olha com desdém os três a sua frente e se vai.
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— Ei cara. — Oliver cumprimenta o moreno ao adentrar no quarto, Thea e Felicity cada uma em um lado da cama e ele respira aliviado ao notar a coloração no rosto do amigo que até o dia anterior estava pálido — Como está se sentindo?
— Cansado de todos me fazerem a mesma pergunta. — ele responde brincalhão.
— Bem, parece que além da cor, o humor também voltou.
— Eu queria que a teimosia não tivesse voltado. — Felicity reclama — Eu já disse que ele deve permanecer quieto e falar o menos possível, mas ele não obedece.
— E eu já disse que estou me sentindo bem. — ele rebate rolando os olhos.
— Todo o cuidado é pouco Thomas. — Oliver diz sério.
— Eu sei, e tenho certeza que Felicity não vai me deixar esquecer isso.
— Não mesmo, estou mantendo os dois olhos no senhor.
— Isso significa que eu vou ter uma enfermeira vinte e quatro horas exclusivamente para mim. — ele lança um sorriso malicioso para ela e é ela quem não consegue evitar o rolar de olhos dessa vez, porém responde alegre.
— Vinte e quatro horas Merlyn. — e os dois se encaram esquecendo-se dos amigos no quarto.
— Ih maninho, estamos sobrando aqui. — Thea quebra o clima e Felicity desviar olhar para a morena, envergonhada.
— Relaxa Thea, lembre-se, sem emoções fortes, ou seja, nada de amassos ou sex... – Tommy inicia e de imediato Felicity o interrompe.
— Nem pense em terminar a frase Merlyn. — Felicity exclama assustada e envergonhada não conseguindo dirigir o olhar a Oliver que tenta parecer imparcial, no entanto, o corpo tenso denuncia seu incomodo.
— É melhor irmos speedy, o horário de visitas está acabando.
— Claro, claro. — Thea entra em acordo, ela mesma desconfortável — Felicity. — despede-se abraçando a nova amiga — Se cuida garotão. — beija o rosto de Tommy.
— Nos vemos amanhã. — Oliver diz a Tommy com a mão em seu ombro — E como Thea disse, se cuida. — despede-se de Felicity e sai seguindo Thea que já o espera do lado de fora.
— Você não tem jeito. — Felicity repreende e ele rir maldoso.
— Mas foi engraçada a cara do Oliver. — alarga a boca em um sorriso e Felicity arregala os olhos.
— Eu não acredito! Thomas Merlyn, você fez de propósito. — ela tenta manter-se séria, mas rir acaba rindo com ele.
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