Metamorfose
1 Capítulo I - Larvas
Os raios de luz começavam a iluminar a floresta silenciosa, aos poucos acordando os seres que lá viviam, desde os pequenos roedores, até grandes bestas selvagens. Mas havia uma criatura em especial, uma Aranha que residia em uma gruta sombria, onde ninguém ousara entrar, os mais "corajosos", se não tolos, que entraram, tiveram um fim desagradável. Alguns saíram ilesos, talvez por bondade da Aranha, talvez porque estivesse morta ou talvez, ela nunca existira. O que se sabe, é que quando não estava repousando em sua gruta, estava caçando suas presas, mas não era qualquer coisa, ela escolhia com precisão. Coitado aquele que caísse em sua teia, alguns ela devorava, outros ela tentava.
Mas certo dia, algo mudou sua vida completamente. Em uma de suas caçadas, ela encontrou um Carneiro rico, não rico de dinheiro, mas de avareza, ganância e luxúria. Aquele Carneiro logo chamou atenção dela, que logo se aproximou com interesse, pois adoraria ter as joias que ele possuía, e como estava entediada nos últimos meses, quis logo iniciar sua estratégia. O Carneiro se mostrou interessado em conhecer o aracnídeo, mesmo sendo quem era, ainda gostava de fazer amigos. Por problemas anteriores, a Aranha havia mudado de região, então era uma desconhecida para ele, sua aproximação foi sutil e cautelosa, não queria causar más impressões, pois todos sabem a fama das aranhas. Depois de se apresentarem, continuaram conversando, naquele momento, o Carneiro estava fazendo uma de suas artes, desenhando criaturas fantásticas ou monstruosas e a Aranha começou a prestar mais atenção em sua aparência, olhos verdes e cintilantes, mas com um bigode ridículo, que chegava a dar nojo, enquanto seu corpo era pequeno, mas parecia ser forte. A Aranha estava disposta a conquistá-lo, mesmo com a extrema repulsa que sentia, então cada dia mais, ela se aproximava e descobria mais sobre ele, pouco a pouco despertando algo que de paixão, se tornaria amor. Depois de alguns meses, ele já estava caindo aos seus pés, mas ainda não estava no ponto, ela ia tecendo sua teia, mais e mais, até que um dia... ela conseguiu. Num ato tão simples, ela sugou suas energias vitais, e depois o dispensou, ainda vivo, pois talvez ele fosse útil mais tarde. De todo amor que ela dizia sentir, disse que eles não combinavam e que aquilo não daria certo, mas que ainda poderiam ser "amigos", se é que a aranha poderia considerar alguém amigo, para ela, eram todos ferramentas. Um tempo passou, e a aranha continuava a destruir vidas por aí, seduzindo aqueles que eram fracos de espírito, e testando os seus próprios limites. Até que um dia ela se viu sozinha, sem mais ninguém para brincar, sem nada para se alimentar, nada, nem mesmo sentimentos ela sabia se ainda tinha, então, depois de muito caminhar, por várias regiões, um dia ela chegou numa montanha, repleta de flores. Havia lá uma colossal criatura meditando sobre uma rocha. Ao se aproximar, viu que era um Grande Búfalo, ela então se sentou ao seu lado e admirou a paisagem de cima do morro, passou alguns minutos em silêncio até que o Búfalo dissesse algo. "Está com problemas, não é?", perguntou sem nem abrir os olhos, e ela respondeu afirmando, sem nunca terem se encontrado antes, ele disse cada problema dela, que ficava impressionada a cada palavra que ele dizia, e depois de tudo, ela confirmou todos os fatos que ele disse. Depois de perder tudo, de tanto sofrer, ela implorou por ajuda, e com toda bondade dele, aceitou.
Notas finais
Obrigado por ler.
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