Message in a bottle
31 Capítulo 30
Notas iniciais
– Ainda bem que você pôde vir – disse ele assim que ela chegou.
– O que aconteceu? – quis saber Quinn, olhando em volta em busca de sinais da presença de Rachel.
Leroy parecia mais velho do que ela se lembrava. Ele a levou até a mesa da cozinha e puxou uma cadeira para ela ao seu lado. Falando em tom suave, começou a narrar aquilo que sabia:
– Pelo que entendi depois de conversar com várias pessoas, Rachel saiu com o happenstance mais tarde do que de costume...
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Era algo que Rachel simplesmente tinha que fazer. Sabia que as nuvens escuras e pesadas no horizonte pressagiavam um temporal iminente, mas elas pareciam distantes o suficiente para lhe dar o tempo de que ela precisava. Além disso, iria se afastar apenas alguns quilômetros. Ainda se a tempestade eclodisse, ela estaria próxima o bastante para conseguir voltar ao porto. Depois calçar as luvas, conduziu o Happenstance através de ondas cada vez maiores, as velas já em posição.
Durante três anos ela percorria a mesma rota toda vez que saía para velejar, guiada pelo instinto e pelas lembranças de Catherine. Tinha sido ideia dela seguirem direto para o leste naquela noite, primeira em que o barco ficara pronto. Na imaginação dela, as duas iam à Europa, um lugar que Catherine sempre quisera conhecer. Às vezes ela voltava da loja com diversas revistas de viagem e ficava sentada ao seu lado olhando as fotos. Queria conhecer tudo aquilo: os famosos castelos do vale do Loire, o Partenon, as terras altas da Escócia, a Basílica, todos os lugares sobre os quais tinha lido. Suas férias ideais iam do usual ao exótico, e mudavam cada vez que ela pegava uma revista nova.
Mas, naturalmente, nunca chegaram a ir à Europa.
Era um dos maiores arrependimentos da morena. Sempre que recordava sua vida com Cath, constatava que precisava ter feito isso. Poderia ter lhe dado pelo menos essa alegria – e, olhando para trás, via que teria sido possível. Depois de economizar por alguns anos, elas tinham dinheiro para ir, e chegaram a brincar de fazer planos, mas por fim usaram a poupança para comprar a loja. Quando Catherine percebera que as responsabilidades em relação à loja jamais lhes permitiria ter tempo suficiente para viajar, seu sonho começou a morrer. Ela passou a levar menos revistas para casa e depois de um tempo quase nunca mencionava a Europa.
No entanto, na primeira noite que saíram no Happenstance, Rachel constatou que o sonho de Catherine ainda estava vivo. Ela se encontrava parada na proa, olhando para o horizonte e segurando a mão de Rachel.
– Será que um dia iremos? – perguntou baixinho.
Era essa a visão de Cath que Rachel sempre recordava: cabelos ao vento, expressão radiante e esperançosa como a de um anjo.
– Iremos, sim – prometeu a morena. – Assim que tivermos tempo.
Menos de um ano depois, grávida do filho delas, Catherine morrera no hospital, com Rachel ao seu lado.
Mais tarde, quando os sonhos começaram, Rachel não soube o que fazer. Por algum tempo tentou afastar à força seus sentimentos atormentados. Depois, certa manhã, num acesso de desespero, tentou aliviar seu sofrimento colocando esses sentimentos em palavras. Escreveu depressa, sem pausa, e a primeira carta ficou com quase cinco páginas. Ela a levou consigo quando foi velejar naquele mesmo dia, e o relê-la teve de repente uma ideia. Como a corrente do Golfo fluía para o norte, subindo o litoral dos Estados Unidos, e virava um pouco para o leste quando chegava às águas mais quentes do Atlântico, com um pouco sorte uma garrafa poderia ir boiando na corrente até a Europa e ir parar em alguma praia do continente que Catherine sempre quisera visitar. Tomada a decisão, ela vedou uma garrafa com a carta dentro e jogou-a ao mar, na esperança de manter de alguma forma a promessa que fizera. Isso se tornou um padrão que ela jamais interromperia.
Desde então escrevera mais dezessete cartas – dezessete contando com a que tinha agora. Parada junto ao timão, conduzindo o barco direto para o leste, ela tocou distraidamente na garrafa aninhada no bolso do casaco. Tinha escrito a carta de manhã, assim que levantara.
O céu estava começando a ficar cor de chumbo, mas Rachel seguiu em frente, na direção do horizonte. A seu lado, o rádio transmitia alertas da tempestade iminente. Depois de hesitar por um instante, ela o desligou e avaliou o céu. Decidiu que ainda tinha tempo. O vento era forte e regular, mas ainda não imprevisível.
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Depois de escrever aquela carta para Catherine, Rachel tinha redigido outra. Da segunda, já tinha cuidado. No entanto, justamente por causa dela, a morena sabia que tinha que mandar a de Catherine ainda naquele dia. Havia tempestades em todo o Atlântico, movendo-se devagar para o leste, encaminhando-se para o litoral ocidental. De acordo com os avisos transmitidos pela televisão, parecia que ela não poderia sair de barco outra vez pelo menos durante uma semana, e isso era tempo demais para esperar. Àquela altura, já teria partido.
O mar ficava cada vez mais agitado: as ondas se tornavam mais altas e o intervalo entre elas, menor. As velas começaram a ceder à força do vento. Rachel estudou sua posição. A água ali era funda, embora não o suficiente. A corrente do Golfo, um fenômeno de verão, desaparecera, e a única maneira de dar à garrafa alguma chance de atravessar o oceano era avançar mar adentro até alcançar uma distância suficiente para lançá-la. Caso contrário, o temporal poderia levá-la de volta à costa em poucos dias – e, de todas as cartas que ela escrevera para Catherine, queria que aquela em particular chegasse à Europa. Tinha resolvido que seria a última que enviaria.
As nuvens no horizonte não mostravam bons presságios.
Ela vestiu a capa de chuva e abotoou-a. Esperava que a protegesse pelo menos por algum tempo quando a tempestade desabasse.
O Happenstance começou a oscilar à medida que avançava para o oceano. Rachel segurava o timão com as duas mãos, mantendo o barco o mais firme possível. Quando a direção do vento mudou e ela ficou mais forte – sinalizando o início da chuva -, Rachel passou a velejar contra o vento, movendo-se na diagonal através das ondas, apesar do perigo. Era uma manobra difícil naquelas condições, e ela mal conseguia avançar, mas achou melhor ir contra o vento agora para não ter que fazer isso no caminho de volta se a tempestade a alcançasse.
O esforço era exaustivo: cada vez que ela mudava as velas, precisava de todas as forças para não perder o controle da embarcação. Apesar das luvas, suas mãos queimavam quando as cordas deslizavam por elas. Por duas vezes, quando o vento aumentou inesperadamente, ela quase perdeu o equilíbrio, tendo sido salva apenas porque a lufada morrera com a mesma rapidez com que surgira.
Durante quase uma hora, ela continuou a navegar contra o vento, observando sem parar a tempestade à sua frente. A tempestade parecia imóvel, mas a morena sabia que isso era uma ilusão: em poucas horas, chegaria à costa. Assim que atingisse águas menos profundas, ganharia aceleração e o oceano ficaria inavegável. No entanto, a chuva estava apenas reunindo forças, como um estopim queimando devagar, preparando a explosão.
Rachel já tinha sido pega por grandes tempestades e sabia que não devia subestimar a força da que precisaria enfrentar agora. Um movimento descuidado e o mar a destruiria, e ela estava decidida a não deixar isso acontecer. Era teimosa, mas não era tola: no momento em que sentisse o perigo real, viraria o barco para o outro lado e voltaria o mais rápido possível para o porto.
As nuvens continuavam a engrossar, assumindo novas formas a cada instante. A chuva já começava a cair com um pouco mais de força. Rachel olhou pra cima, sabendo que aquilo era apenas o início.
– Só mais uns minutos – murmurou.
Precisava apenas de mais algum tempo...
Um relâmpago brilhou no céu e Rachel contou os segundos até ouvir o som explodir e ecoar sobre o mar aberto. O centro da tempestade estava a cerca de 40 quilômetros de distância. Com a velocidade do vento, ela calculou que dispunha de uma hora antes de a tormenta chegar com força total. Planejava voltar muito antes disso.
A chuva continuava a cair.
Enquanto ela avançava com dificuldade, a escuridão aumentava. À medida que o sol caía, nuvens espessas ocultavam o resto da luz do dia, baixando rapidamente a temperatura do ar. Dez minutos depois, a chuva ficou mais forte e mais fria.
Droga! Seu tempo estava acabando e ela ainda não tinha chegado lá.
As ondas pareciam crescer e o oceano chacoalhava enquanto o Happenstance avançava. Rachel afastou as pernas para manter o equilíbrio. O timão estava firme, mas as ondas começavam a vir em diagonal, balançando o barco como uma casca de noz. Decidida, ela seguiu em frente.
Minutos depois outro relâmpago... uma pausa... a trovoada. Trinta quilômetros agora. Rachel consultou o relógio. Se a tempestade avançasse naquela velocidade, ela estaria se arriscando. Ainda conseguiria chegar ao porto, contanto que o vento continuasse soprando na mesma direção.
Mas se o vento mudasse...
Ela estudou as circunstâncias. Estava a duas horas e meia da terra – a favor do vento, precisaria de no máximo uma hora e meia para voltar, se tudo saísse como planejado o temporal chegaria à costa junto com ela.
– Droga! – praguejou, dessa vez em voz alta.
Tinha que jogar a garrafa naquele momento, embora não estivesse tão longe quanto queria. Mas não podia arriscar-se avançando mais.
Segurou com um das mãos o timão, que agora estremecia sem parar, e com a outra pegou a garrafa no bolso do casaco. Apertou a rolha para se certificar de que ela estava bem presa, depois ergueu a garrafa à sua frente e viu a carta enrolada dentro dela.
Experimentou a sensação de realização, como se a longa viagem enfim tivesse terminado.
– Obrigada – sussurrou, a voz quase abafada pelo barulho das ondas.
Lançou a garrafa o mais longe que conseguiu e acompanhou-a com o olhar, perdendo-a de vista quando ela atingiu a água. Estava feito.
Agora podia mudar a direção do barco.
Nesse momento, dois raios rasgaram o céu ao mesmo tempo. A tempestade estava agora a 25 quilômetros. Ela hesitou, preocupada.
Ela não pode estar vindo tão rápido, pensou de repente.
Mas a chuva parecia estar ganhando força e velocidade, expandindo-se como um balão, indo direto para ela.
Rachel usou as cordas para firmar o timão enquanto voltava para a popa. Perdendo minutos preciosos, lutou o máximo possível para manter o controle da retranca. As cordas queimaram suas mãos, rasgando as luvas. Ela enfim conseguiu virar as velas, e o barco inclinou-se à força do vento. Enquanto Rachel voltava ao timão, outra lufada fria a alcançou, vindo de outra direção.
O ar quente corre para o ar frio.
Rachel ligou o rádio bem a tempo de ouvir um aviso para as embarcações pequenas. Aumentou depressa o volume e escutou com atenção a descrição das condições meteorológicas, que mudavam rapidamente: “Repetindo... Aviso às embarcações pequenas... Ventos perigosos em formação... Espera-se chuva pesada.”
A tempestade ganhava força a cada instante.
Com a temperatura baixando depressa, os ventos aumentavam de forma perigosa. Nos últimos três minutos, tinham chegado a 25 nós de velocidade.
Ela girou o timão, com uma crescente sensação de urgência.
Nada aconteceu.
Rachel percebeu então que as ondas cada vez maiores estavam tirando o leme da água, impossibilitando que ela mantivesse o rumo. O barco parecia preso na direção errada, e oscilava de maneira precária. Subiu em outra onda e o casco bateu com força na água, a proa quase submergindo.
– Vamos, funcione – sussurrou Rachel, os primeiros sinais de pânico deixando-a com um frio na barriga.
Aquilo estava demorando demais. O céu enegrecia a cada minuto e os pingos de chuva começaram a cair na lateral, formando muralhas densas e impenetráveis.
Um minuto depois, o leme enfim funcionou e o barco começou a virar...
Devagar... Lentamente... O barco ainda inclinado demais para um lado... Com horror crescente Rachel observou o mar erguer-se à sua volta e formar uma onda gigantesca que ia na direção do Happenstance.
Não conseguiria escapar.
Segurou-se enquanto a água tombava por cima do casco exposto. O barco inclinou-se ainda mais e as pernas de Rachel cederam, mas ela continuou com as mãos agarradas ao timão. Conseguiu se levantar no instante exato que outra onda atingia a embarcação.
A água inundou o convés.
O barco agora quase não se mantinha ereto sob a força da ventania. Durante quase um minuto, o mar jorrou sobre o convés com o vigor de um rio violento. Então o vento cedeu por um momento e por um milagre o Happenstance começou a se endireitar, o mastro erguendo-se ligeiramente para o céu negro. O leme tornou a afundar e Rachel girou o timão com força, sabendo que precisava fazer o barco mudar de direção com rapidez.
Outro relâmpago. A tempestade estava agora a pouco mais de 10 quilômetros de distância.
O rádio soou, cheio de estática: “Repetindo... Aviso às embarcações pequenas... Previsão de ventos a 40 nós... Repetindo... ventos a 40 nós, crescendo para 50...”
Rachel sabia que corria perigo. Não conseguiria controlar o Happenstance em meio a uma ventania tão poderosa.
O barco continuou a fazer a volta, lutando contra as ondas gigantescas e o peso adicional – no convés havia agora quase 15 centímetros de água. A curva estava quase completa...
De repente, um vento muito forte começou a soprar de outra direção, interrompendo a manobra e sacudindo o Happenstance como se fosse um barquinho de brinquedo. Exatamente quando o barco estava mais vulnerável, uma onda enorme bateu contra o casco. O mastro baixou, apontando para o oceano.
Dessa vez, a ventania não cessou.
A chuva gelada caía de lado, cegando-a. O Happenstance, em vez de endireitar, começou a se inclinar ainda mais, as velas pesadas com a água.
Rachel perdeu mais uma vez o equilíbrio, e a inclinação do barco frustrava seus esforços para se levantar. Se outra onda o atingisse...
Ela nem chegou a vê-la.
Como o chicote de um carrasco, a onda explodiu contra a embarcação e o Happenstance tombou de lado, o mastro e as velas batendo na água. O barco estava perdido. Rachel agarrou-se ao timão, sabendo que seria varrida para o oceano se soltasse.
O Happenstance começou a afundar rapidamente, corcoveando como um animal enorme se afogando.
Ela tinha que chegar aos suprimentos de emergência, que incluíam um bote salva-vidas – era a sua única chance. Rastejou centímetro por centímetro em direção à porta da cabine, segurando-se onde conseguia, lutando contra a chuva cegamente, brigando pela própria vida.
Mais um relâmpago e um trovão quase simultâneos.
Rachel enfim conseguiu chegar à porta e agarrou a maçaneta, mas ela não se moveu. Desesperada, ela posicionou os pés de forma a tentar se equilibrar melhor e tornou a puxar. Quando a porta se abriu, a água começou a jorrar para dentro da cabine e ela percebeu que tinha cometido um erro terrível.
Em pouco tempo a cabine estava inundada. Logo Rachel viu que os suprimentos de emergência, em geral presos à parede, já se encontravam debaixo d´água. Finalmente tomou consciência de que não havia nada a fazer para impedir que o barco fosse engolido pelo oceano.
Em pânico, lutou para fechar a porta da cabine, mas a força da água e a falta de equilíbrio tornavam isso impossível e o Happenstance começou a afundar mais rápido. Em segundos, metade do casco estava submersa. De repente Rachel teve uma ideia.
Os coletes salva-vidas...
Estavam guardados sob o assento do banco, perto da popa. Ela olhou naquela direção e viu que ainda estavam fora da água.
Lutando furiosamente, estendeu a mão para a murada lateral, único apoio ainda não submerso. Quando conseguiu segurar, a água chegava ao seu peito. Ela praguejou, sabendo que devia ter colocado o colete muito antes.
Três quartos do barco estavam agora mergulhados no oceano, e ele continuava afundando.
Fazendo o possível para chegar aos coletes, Rachel posicionava uma mão na frente da outra e tentava avançar, lutando contra a violência das ondas e forçando os próprios braços exaustos. Quando conseguiu vencer metade do caminho, a água lhe chegava ao pescoço e ela enfim se deu conta da inutilidade do seu esforço.
Não iria conseguir.
No momento em que parou de tentar, a água já lhe chegava ao queixo. Olhando para o alto, o corpo exaurido, ela ainda se recusava a acreditar que tudo terminaria daquela maneira.
Soltou a murada e começou a nadar para longe do barco. O sapato e o casaco pesavam no mar. Tentou boiar, subindo e descendo ao sabor das ondas, enquanto contemplava o Happenstance desaparecer sob a superfície. Então, com o vento e o cansaço começando a adormecer seus sentidos, ela virou-se e recomeçou a nadar, numa viagem lenta e impossível, rumo à terra firme.
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Quinn estava sentada à mesa com Leroy. Tendo interrompido a narrativa muitas vezes, ele levara um longo tempo para contar-lhe o que sabia.
Mais tarde, ela relembraria que enquanto ouvia a história, experimentava uma sensação mais de curiosidade do que de medo. Sabia que Rachel tinha sobrevivido – ela era experiente no mar e uma excelente nadadora. Era cuidadosa demais, e muito cheia de vida para ser derrotada por algo como aquilo. Se alguém conseguiria escapar, esse alguém era ela.
A loira estendeu a mão para Leroy e disse, confusa:
– Não entendi... Por que ela saiu com o barco, se sabia que uma tempestade estava para chegar?
– Não sei – retrucou ele em voz baixa, sem encará-la.
Quinn franziu a testa, a perplexidade tornando tudo à sua volta surreal.
– Ela disse algo antes de ir?
Leroy balançou a cabeça. Estava lívido e tinha os olhos baixos, como se ocultasse alguma informação. Quinn olhou distraidamente em torno da cozinha. Estava tudo no lugar, como se tivesse sido arrumado minutos antes da chegada dela. Pela porta aberta do quarto, ela via a colcha de Rachel estendida sobre a cama. Estranhamente, dois grandes arranjos de flores tinham sido colocados sobre ela.
– Não estou entendendo... Ela está bem, não está?
– Quinn... – falou Leroy, com lágrimas nos olhos. – Ela foi encontrada ontem de manhã.
– Está no hospital?
– Não – retrucou baixinho.
– Então cadê ela? – insistiu a loira, recusando-se a reconhecer aquilo que de algum modo já sabia.
Leroy não respondeu.
De repente, ela não conseguiu mais respirar. Seu corpo todo começou a tremer, começando pelas mãos. Rachel! Pensou. O que aconteceu? Por que você não está aqui? Leroy abaixou a cabeça para que ela não visse as suas lágrimas, porém ela ouvia os seus soluços.
– Quinn... – começou ele, e logo depois se calou.
– Cadê ela? – gritou ela, levantando-se tomada por uma onda de adrenalina. Ouviu a cadeira cair no chão atrás de si como um som muito distante.
Leroy encarou-a em silêncio e então enxugou as lágrimas comas costas da mão.
– Encontraram o corpo dela ontem.
Quinn sentiu um peso no peito, como se tivesse sufocando.
– Ela morreu, Quinn.
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