Message in a bottle

21 Capítulo 20


Notas iniciais
Oii de novo rs. Estou super feliz pelos comentários e resolvi postar mais um... Curtam! Nos vemos...

Ao longo das duas semanas seguintes, Rachel e Quinn se falaram pelo telefone todas as noites, às vezes durante horas. Rachel também enviou algumas cartas – na verdade, bilhetes – dizendo-lhe que sentia saudades, e na semana seguinte mandou-lhe mais um buquê de gardênias, dessa vez com uma caixa de bombons.

Quinn não queria retribuir com flores ou bombons, então lhe mandou um suéter na cor azul-claro que achou que combinaria com ela, assim como alguns cartões.

Tommy chegou alguns dias depois, e isso fez com que a semana seguinte transcorresse muito mais depressa para Quinn do que para Rachel. Na sua primeira noite em casa, Tommy jantou com a mãe e contou-lhe episódios das férias antes de cair na cama e dormir durante quase quinze horas seguidas. Quando ele acordou, já havia uma longa lista de coisas a fazer. Tommy precisava de roupas novas para a escola – quase todas as do ano anterior não lhe cabiam mais – e tinha que se inscrever no time de futebol para a temporada de outono, o que acabou tomando o sábado quase inteiro. Além disso, ele tinha chegado com a mala cheia de roupas sujas, queria mandar revelar as fotos que tirara e ainda por cima tinha uma consulta marcada na terça-feira com o ortodontista, para ver se precisaria usar aparelho.

Em outras palavras, a vida voltou ao normal no lar dos Fabrays.

Na segunda noite de Tommy em casa, Quinn lhe falou sobre as próprias férias em Cape Cod, depois sobre a viagem a Wilmington. Mencionou Rachel, tentando expressar o que sentia sem assustar o filho. A princípio, quando disse que os dois iriam visitar Rachel no fim de semana, Tommy não pareceu muito entusiasmado. Mas depois que ela lhe contou a profissão dela, Tommy começou a mostrar sinais de interesse.

Tommy não julgou sua mãe por estar envolvida com uma mulher. Ele conhecia bem como isso funcionava, porque sempre conviveu com sua madrinha Santana e sua esposa Brittany, então essa parte para Quinn não tinha sido muito difícil, ela conhece muito bem o próprio filho.

– Quer dizer que ela pode me ensinar a mergulhar? – perguntou, enquanto ela passava o aspirador na casa.

– Ela disse que sim, se você quiser.

– Legal! – exclamou, e em seguida voltou para o que quer que estivesse fazendo.

Algumas noites depois, ela levou-o a uma loja para comprar revistas sobre mergulho. Quando saíram de lá, Tommy sabia o nome de cada peça de equipamento que alguém poderia ter, claramente sonhando com a aventura que o esperava.

Enquanto isso, Rachel “mergulhou” no trabalho. Ficava na loja até tarde e não parava de pensar em Quinn, agindo semelhante à época em que Catherine morrera. Quando disse ao pai que sentia muita saudade de Quinn, Leroy limitou-se a assentir e sorrir. Alguma coisa em seu olhar perscrutador fez Rachel perguntar-se o que estaria passando pela cabeça do pai.

Quinn e Rachel tinham combinado de antemão que seria melhor se ela e Tommy não ficassem na casa dela, mas, como ainda era verão, quase todas as pousadas na cidade estavam ocupadas. Felizmente, Rachel conhecia o proprietário de um pequeno hotel na praia, a menos de dois quilômetros de sua casa, e conseguira reservar um quarto para eles.

Quando enfim chegou o dia da visita de Quinn e Tommy, Rachel comprou mantimentos, lavou o furgão por fora e por dentro e tomou um banho antes de ir ao aeroporto.

Usando um short jeans, camiseta branca, sapatilha e o suéter que Quinn havia lhe dado, ela esperou nervosa.

Nas últimas semanas, seus sentimentos por Quinn tinham crescido. Ela agora tinha certeza de que o que acontecera entre as duas não se baseava em uma simples atração física – seu anseio denunciava algo muito mais profundo, mais duradouro. Enquanto esticava o pescoço tentando avistá-la entre os passageiros, foi tomada por uma onda de ansiedade. Havia muito tempo que não se sentia daquela forma – e onde aquilo tudo iria dar?

Quando Quinn apareceu, com Tommy a seu lado, todo o nervosismo de Rachel passou. Ela era linda, mais do que ela se lembrava. Quanto a Tommy, era um garoto bonito, tinha pouco mais de 1,50 metro, os olhos da mãe e era meio desajeitado – os braços e as pernas pareciam ter crescido um pouco mais depressa do que o restante do corpo. Ele usava uma bermuda comprida, um tênis e uma camiseta de um show Hootie and the Blowfish. Era óbvio que seu estilo era inspirado na MTV, e Rachel sorriu consigo mesma. Boston, Wilmington... Na realidade não fazia diferença, certo? As crianças eram todas iguais em qualquer lugar.

Assim que a viu, Quinn acenou e Rachel se aproximou para ajudar com a bagagem de mão. Sem saber se devia beijá-la na frente de Tommy, ela hesitou até que Quinn se inclinou alegremente e deu-lhe um beijo no rosto.

– Rachel, este é o meu filho, Tommy – disse com orgulho.

– Olá, Tommy.

– Olá, Sra. Berry – respondeu o menino, cerimoniosamente, como se Rachel fosse sua professora.

– Não precisa me chamar de senhora – retrucou ela, estendo a mão.

Tommy apertou a mão dela, um pouco inseguro. Até então, nenhum adulto além de Anne lhe permitira o tratamento “você”.

– Como foi o voo? – perguntou Rachel.

– Bom – retrucou Quinn.

– Comeram alguma coisa?

– Ainda não.

– Bem, que tal comermos alguma coisa antes de irem ao hotel?

– Acho ótimo.

– Quer alguma coisa especial? – perguntou Rachel a Tommy.

– Gosto do McDonald’s.

– Ah, não querido... – começou a dizer Quinn, mas Rachel a interrompeu com um gesto de cabeça.

– Por mim, McDonald’s está ótimo.

– Tem certeza? – quis saber Quinn.

Tommy pareceu adorar essa resposta, e os três foram andando em direção às esteiras de bagagem.

Depois, quando passavam pelos portões, Rachel perguntou:

– Você sabe nadar bem, Tommy?

– Sei, sim.

– O que acha de fazer umas aulas de mergulho?

– Acho maneiro. Andei lendo bastante sobre o assunto – disse o menino, tentando parecer mais velho do que era.

– Ótimo! Estava torcendo para você dizer isso. Se tivermos sorte, poderemos até conseguir o seu certificado antes de você voltar.

– Que certificado é esse?

– É uma licença para você mergulhar sempre que quiser. Uma espécie de carteira de habilitação.

– Dá para fazer isso em poucos dias?

– Você tem que fazer uma prova escrita e passar algumas horas na água com um instrutor. Mas como você vai ser o meu único aluno neste fim de semana, a não ser que a sua mãe queira vir também, teremos tempo mais que suficiente.

– Legal – comemorou Tommy. Então, dirigindo-se a Quinn: — você também vai aprender mãe?

– Não sei. Talvez.

– Acho que você devia. Seria divertido – disse Tommy.

– Ele tem razão – reforçou Rachel, com um sorriso, sabendo que ela se sentiria pressionada pelos dois e provavelmente cederia.

– Está bem – concordou Quinn, revirando os olhos. – Eu vou. Mas se vir algum tubarão, estou fora.

– Quer dizer que podemos ver tubarões? – quis saber Tommy.

– Sim, é provável que vejamos alguns. Mas são pequenos e não incomodam os seres humanos.

– De que tamanho? – perguntou Quinn, lembrando-se da história que Rachel contara sobre o tubarão-martelo.

– Bem pequenos, não precisa se preocupar.

– Tem certeza?

– Legal – falou Tommy, e Quinn olhou de relance para Rachel, perguntando-se se ela estava dizendo a verdade.

##

Depois de pararem para comer alguma coisa, Rachel levou Quinn e Tommy ao hotel. Deixou as bagagens na portaria, foi até o furgão mais uma vez e voltou com um livro e alguns papéis debaixo do braço.

– Tommy, são para você.

– O que é isso?

– São os testes e o livro que você precisa ler para conseguir seu certificado. Não se preocupe: parece haver mais texto do que realmente há. Se quiser começar amanhã, é só ler os dois primeiros capítulos e preencher o primeiro teste.

– É difícil?

– Não, é bem fácil, mas tem que ser feito. E você pode consultar o livro para procurar as respostas quando não tiver certeza.

– Quer dizer que eu posso procurar as respostas enquanto faço o teste?

Rachel confirmou.

– Quando dou o material para os meus alunos, eles levam para fazer em casa, e tenho certeza de que todos usam o livro. O importante é tentar aprender aquilo que precisa saber. Mergulhar é muito divertido, mas pode ser perigoso se você não souber o que está fazendo.

Rachel entregou o livro ao garoto e prosseguiu:

– São umas vinte páginas de leitura, mais o teste. Se conseguir terminar até amanhã, poderemos ir à piscina para a primeira parte do treinamento. Você vai aprender a colocar o equipamento, e então vamos treinar um pouco.

– Não vamos para o mar?

– Amanhã não. Primeiro você precisa se acostumar com o equipamento. Depois de algumas horas de treinamento, estará pronto. Provavelmente estará apto a passar para o mar na segunda ou terça. E com algumas horas no oceano, poderá voltar para casa com um diploma temporário. Depois, é só colocar um formulário no correio para receber o diploma definitivo, que chega em poucos dias.

Tommy começou a folhear o livro.

– Mamãe também vai ter que fazer isso?

– Se quiser um diploma, vai.

Quinn aproximou-se e deu uma olhada no livro por cima do ombro de Tommy. As informações não pareciam muito complicadas.

– Filho, podemos fazer isso juntos amanhã de manhã, se você estiver cansado demais para começar agora.

– Não estou cansado – apressou-se Tommy em dizer.

– Então se importa se Rachel e eu conversarmos um pouco a sós lá fora?

– Não, pode ir – retrucou ele, distraidamente, já voltando a atenção para o livro.

Rachel e Quinn saíram e se sentaram frente a frete. Ao olhar para o filho, ela viu que ele já tinha mergulhado na leitura.

– Você não está pulando etapas para ele conseguir o diploma, não é?

Rachel negou com um gesto de cabeça.

– Não, de modo algum. Para conseguir esse diploma é preciso passar nos testes e ficar certo número de horas na água com um instrutor, só isso. Em geral, dividimos o curso em três ou quatro fins de semana, mas porque a maioria das pessoas não tem tempo para fazer tudo durante a semana. Ele vai ter o mesmo número de horas, só que concentradas.

– Muito obrigada pelo que está fazendo por ele.

– Ei, não esqueça que esse é o meu trabalho. – Depois de se certificar de que Tommy ainda estava lendo, Rachel aproximou sua cadeira da de Quinn. – Senti saudades suas esses dias – disse baixinho, pegando na mão dela.

– Eu também senti a sua falta.

– Você está linda – acrescentou Rachel. – Era de longe a mulher mais bonita do avião.

Quinn enrubesceu.

– Você também tá linda, principalmente com esse suéter.

– Achei que você fosse gostar.

– Está decepcionada por não podermos ficar na sua casa?

– Na verdade, não. Entendo as suas razões. Tommy nunca me viu mais gorda, e prefiro ele vá se acostumando comigo em seu próprio tempo. Como você disse, ele já passou por muita coisa.

– Isso significa que não vamos poder ficar muito tempo sozinhas neste fim de semana. Você sabe, certo?

– Quero você do jeito que tiver que ser.

Quinn tornou a olhar para dentro e, ao ver o filho imerso no livro, se inclinou e beijou Rachel. Apesar de saber que não passaria a noite com ela, experimentou uma surpreendente sensação de felicidade. Sentada perto dela, sentia o coração acelerado.

– Queria que não morássemos longe uma da outra. Você é meio viciante. – disse Quinn.

– Vou tomar isso como um elogio. – Respondeu com um sorriso suave.

##

Três horas mais tarde, quando Tommy já estava dormindo havia muito tempo, Quinn levou Rachel até a porta sem fazer qualquer ruído. Depois de saírem para o corredor e fecharem a porta, elas trocaram um longo e intenso beijo, ambas achando difícil terem que se separar. Nos braços de Rachel, Quinn sentia-se uma adolescente outra vez, namorando escondida na varanda da casa dos pais, e isso de alguma forma aumentava sua excitação.

– Queria que você pudesse passar a noite aqui – sussurrou ela.

– Eu também.

– Será que você está achando esta despedida tão difícil quanto eu?

– Eu diria que é muito mais difícil para mim, que vou ter que voltar para uma casa vazia.

– Não diga isso. Fico me sentindo culpada.

– Talvez uma pequena dose de culpa seja algo bom. Mostra que você gosta de mim.

– Se não gostasse, não estaria aqui.

Tornaram a se beijar apaixonadamente. Ao se afastar de Quinn, Rachel balbuciou:

– É melhor eu ir.

Mas a frase não soou como se ela pretendesse mesmo fazer isso.

– Eu sei – disse Quinn.

– Mas não quero ir – acrescentou Rachel, com um sorriso maroto.

– Sei como você se sente, mas tem que ir. Tem que nos dar aula de mergulho amanhã.

– Prefiro lhe ensinar outras coisinhas que eu sei.

– Acho que você fez isso na outra vez que vim – retrucou Quinn, timidamente.

– Sim, mas a prática leva à perfeição.

– Então vamos ter que encontrar um meio de praticar enquanto eu estiver aqui.

– Acha que isso pode acontecer?

– Acho que, quando se trata de nós duas, tudo é possível – respondeu ela com franqueza.

– Espero que tenha razão.

– Eu tenho razão – afirmou ela, beijando Rachel outra vez. – Sempre tenho.

Quinn se desvencilhou suavemente de Rachel e recuou em direção à porta.

– É disso que gosto em você, Quinn: sua autoconfiança.

– Vá para casa, Rachel – ordenou ela em tom sério. – E me faça um favor.

– O que você quiser.

– Sonhe comigo, está bem?

Notas finais
O que acharam da interação do Tommy com a Rachel? Gostaram? Querem mais? rsrs Até breve !!