Notas iniciais
Estou gostando muito de adaptar essa fic... às vezes me vejo dentro dela. Como se sentem em relação à essa história até agora? Espero que gostem do capítulo, está bonitinho rs, bem maternal.

Tommy acordou cedo no dia seguinte e assim que saiu da cama abriu as cortinas, deixando o sol invadir o quarto. Quinn estreitou os olhos e rolou para o outro lado, tentando conseguir mais alguns minutos de descanso, mas Tommy era persistente.

– Mãe, você tem que fazer o teste antes de sairmos – falou, entusiasmado.

Quinn gemeu. Virou-se e olhou para o relógio: passava um pouco das seis da manhã. Ela tinha dormido menos de cinco horas.

– Ainda é meio cedo – disse, tornando a fechar os olhos. – Pode me dar mais uns minutinhos, meu amor?

– Não vai dar tempo – retrucou ele, sentando-se na cama dela e cutucando lhe o ombro. – Você ainda não leu nenhum capítulo.

– Você terminou tudo ontem à noite?

– Meu teste está ali, mas não vale colar, hein? Não quero me meter em nenhuma encrenca.

– Acho que não existe essa possibilidade – respondeu ela, tonta de sono. – A professora é nossa amiga, sabia?

– Mas não seria justo. Além disso, você tem que saber essas coisas, como a Srª Berry... quer dizer, a Rachel, disse, senão pode ter problemas.

– Está bem, está bem – cedeu Quinn.

Sentou-se devagar e esfregou os olhos.

– Tem algum envelope de café instantâneo por aqui? – perguntou.

– Não vi, mas se quiser posso ir até o final do corredor e lhe trazer uma Coca-Cola.

– Tenho algumas moedas na bolsa...

Tommy levantou-se de um salto e correu para a porta do quarto, ainda com os cabelos desgrenhados pelo sono. Ela ouviu os passos dele em disparada pelo corredor, então se levantou e se espreguiçou. Em seguida, foi até a mesinha. Pegou o livro e estava começando a ler quando Tommy voltou com duas latas de refrigerante.

– Pronto – disse ele, colocando uma lata na mesa ao lado dela. – Vou tomar banho e me arrumar. Onde você pôs minha sunga?

Ah, a inesgotável energia da infância, ela pensou.

– Está na primeira gaveta, ao lado das meias.

– Certo – retrucou ele, abrindo a gaveta. – Achei.

Foi para o banheiro e Quinn escutou quando o chuveiro foi ligado. Abriu o refrigerante e voltou ao livro.

Felizmente, Rachel estava certa ao afirmar que as informações não eram difíceis. A leitura era fácil, intercalada com ilustrações do equipamento, e quando Tommy terminou de se vestir, ela já tinha lido tudo. Pegou a folha do teste e colocou-a à sua frente. Tommy postou-se atrás dela enquanto ela lia a primeira pergunta. Lembrando-se do trecho em que vira a resposta, ela começou a folhear o livro até chegar à página correspondente.

– Mãe, essa é fácil. Não precisa nem consultar o livro.

– Às seis da manhã, preciso de toda ajuda disponível – resmunga ela, sem o menor sentimento de culpa.

Rachel tinha dito que ela poderia usar o material para consulta, não tinha?

Tommy continuou a olhar por cima do ombro da mãe enquanto ela respondia às primeiras perguntas, fazendo comentários como “Não, você está procurando no lugar errado”, ou “Tem certeza que leu todos os capítulos?”, até que ela o mandou ir assistir televisão.

– Mas não está passando nada – retrucou ele, desanimado.

– Então vá ler alguma coisa.

– Não trouxe nada para ler.

– Então fique sentado quieto.

– Já estou.

– Não está, não. Está em pé atrás de mim.

– Só estou tentando ajudar.

– Vá se sentar na cama, está bem? E não fale mais nada.

– Não estou falando nada.

– Acabou de falar agora.

– Só porque você está falando comigo.

– Não pode me deixar fazer o teste em paz?

– Está bem, não vou dizer mais nada. Vou ficar calado como uma múmia.

E ficou...durante dois minutos. Depois pôs-se a assobiar. Ela pousou a caneta e virou-se para encará-lo.

– Por que está assobiando?

– Estou entediado.

– Então ligue a televisão.

– Não está passando nada...

E isso continuou até que ela finalmente terminou. Levara quase uma hora para fazer algo que terminaria na metade do tempo se estivesse no escritório. Tomou um longo banho quente, colocou um maiô e terminou de se vestir. Tommy, agora faminto, queria voltar ao McDonald’s, mas Quinn disse que não e sugeriu que tomassem café da manhã no Waffle House, do outro lado da rua.

– Mas eu não gosto da comida de lá.

– Você nunca comeu lá.

– Eu sei.

– Então como sabe que não gosta?

– Eu sei, só isso.

– Você é onisciente?

– O que quer dizer isso?

– Quer dizer, rapazinho, que vamos comer onde eu quiser, para variar um pouco.

– Sério?

– Sério. – disse ela, desejando mais do que nunca uma xícara de café.

##

Rachel bateu na porta do quarto do hotel pontualmente às nove horas, e Tommy correu para abri-la.

– Estão prontos? – perguntou ela.

– Claro que estamos – respondeu Tommy, rápido. – Vou pegar o meu teste.

Ele foi aos pulos até a mesa, enquanto Quinn se levantava da cama e dava um beijo rápido de bom dia em Rachel.

– Como foi sua manhã? – quis saber Rachel.

– Já parece ser tarde. Tommy me fez levantar de madrugada para responder às perguntas.

Rachel sorriu quando o garoto voltou com o teste.

– Pronto Srª. Berry. Quer dizer, Rachel.

Rachel pegou o papel e começou a ler as respostas.

– Mamãe teve dificuldade com algumas perguntas, mas eu ajudei – prosseguiu Tommy, e Quinn fez uma careta. – Pronta para ir, mãe?

– Quando quiser – retrucou ela, pegando a bolsa e a chave do quarto.

– Então vamos! – exclamou Tommy, saindo em disparada pelo corredor na frente delas na direção do carro de Rachel.

##

Durante a manhã e o início da tarde, Rachel ensinou-lhes os rudimentos do mergulho. Quinn e Tommy aprenderam como funcionava o equipamento, como usá-lo e testá-lo, e enfim como respirar através do bocal, primeiro na lateral da piscina, depois debaixo d’água.

– A coisa mais importante é se lembrar de respirar normalmente – explicou Rachel. – Não prender a respiração, nem respirar rápido ou devagar demais. Deixem o ar entrar e sair com naturalidade.

Claro que, para Quinn, nada daquilo parecia natural, e ela acabou tendo mais dificuldades do que o filho. O menino, sempre aventureiro, concluiu, depois de alguns minutos sob a água, que já sabia tudo que havia para aprender.

– Isso é fácil – disse a Rachel. – Acho que a tarde já estarei pronto para o mar.

– Tenho certeza disso, mas mesmo assim temos que seguir a ordem correta das lições.

– Como minha mãe está indo?

– Bem.

– Tão bem quanto eu?

– Vocês dois estão ótimos.

Tommy tornou a colocar o bocal. Voltou a submergir no mesmo instante em que Quinn voltou à tona.

– É estranho respirar debaixo d’água – comentou ela.

– Você está indo bem. Apenas relaxe e respire normalmente.

– Foi o que você disse da última vez em que subi engasgando.

– As regras não mudaram nos últimos minutos, Quinn.

– Eu sei. Só estou imaginando se não há algo errado com o meu tanque.

– O tanque está perfeito. Verifiquei duas vezes hoje de manhã.

– Mas, não é você quem está usando, é?

– Quer que eu teste de novo?

– Não – resmungou ela, frustrada. – Vou dar um jeito.

E voltou a submergir.

Tommy tornou a subir e tirou o bocal mais uma vez.

– Mamãe está bem? Vi quando ela subiu.

– Está ótima. Está só se acostumando, como você.

– Que bom. Eu ia me sentir muito mal se conseguisse o diploma e ela não.

– Não se preocupe com isso. Continue treinando.

– Está bem.

E assim foi.

Depois de algumas horas na água, tanto Tommy quanto Quinn estavam cansados. Foram almoçar e Rachel contou seus casos de mergulho de novo, dessa vez para Tommy. De olhos arregalados, o menino não parava de fazer perguntas. Rachel respondeu cada uma delas com toda paciência, e Quinn ficou aliviada ao ver que ambos pareciam estar se dando muito bem.

Após pararem no hotel para pegar o livro e a lição para o dia seguinte, Rachel levou os dois até sua casa. Embora Tommy tivesse planejado começar imediatamente a estudar os capítulos seguintes, o fato de Rachel morar na praia mudou tudo. Parado na sala, olhando para o mar, ele perguntou:

– Posso ir até a água, mãe?

– Acho melhor não – respondeu ela, em tom carinhoso. – Acabamos de passar o dia inteiro na piscina.

– Ah, mãe, por favor... Você não precisa ir comigo, pode ficar me vigiando da varanda.

Ela hesitou e Tommy viu que tinha vencido.

– Por favor... – repetiu, dando-lhe seu melhor sorriso.

– Está bem, pode ir. Mas não vá para o fundo, está bem?

– Prometo – disse ele, animado.

Depois de pegar a toalha que Rachel lhe entregou, ele correu para a água. Rachel e Quinn sentaram-se na varanda e ficaram olhando o garoto brincar no mar.

– É um menino ótimo – comentou Rachel em voz baixa.

– É sim, — concordou Quinn. – E acho que gostou de você. No almoço, quando você foi ao banheiro, ele disse que você é legal.

Rachel sorriu.

– Que bom, eu também gostei dele. É um dos melhores alunos que já tive.

– Está dizendo isso só para me agradar.

– Não estou, não. É verdade. Conheço um monte de meninos nas minhas aulas, e ele é muito maduro e bem falante para a idade que tem. E é bonzinho também. Há muitos garotos mimados por aí, mas não sinto isso nele.

– Obrigada.

– É sério, Quinn. Depois de ouvir as suas preocupações, eu não sabia o que esperar. Mas ele é ótimo. Você o educou muito bem.

– É muito importante para mim, ouvir você dizer isso. Não conheço muitas pessoas que queiram falar sobre o meu filho, muito menos passar algum tempo com ele.

– Eles não sabem o que estão perdendo.

Quinn sorriu.

– Como é que você sempre sabe exatamente o que dizer para me agradar?

– Talvez seja porque você desperta o melhor em mim.

– Talvez seja isso mesmo.

CONTINUA...

Notas finais
O capítulo foi bem leve, só para não deixar vocês esperando por muito tempo. Desculpe pelos erros rs... Comentários? See you :-)