Message in a bottle

20 Capítulo 19


Notas iniciais
Oi gente! Sei que demorei e isso é injustificável, mas gostaria que soubessem que não vou abandonar essa fic. Conto com vocês pra isso :-) Bom, curtam aí o capítulo leve e "romântico", nos vemos...

Na manhã seguinte bem cedo, Quinn dormia profundamente quando o som do telefone a despertou. Após tatear às cegas em busca do aparelho, ela reconheceu no mesmo instante a voz de Rachel:

– Chegou bem em casa?

– Cheguei – respondeu ela, tonta de sono. – Que horas são?

– Seis e pouco. Acordei você?

– Fui dormir bem tarde ontem, esperando você ligar. Estava quase achando que você tinha esquecido sua promessa.

– Não esqueci, não. Só achei que você precisava de um tempo para se instalar.

– Mas tinha certeza de que eu estaria de pé antes do amanhecer, certo?

Rachel riu.

– Como foi o voo? Como você está?

– Foi bom. Estou cansada, mas bem.

– Quer dizer que o ritmo da cidade grande já deixou você exausta?

Quinn riu e a voz de Rachel ficou séria:

– Ei, eu quero que saiba de uma coisa.

– O que?

– Estou com saudade.

– Está mesmo?

– Ontem fui trabalhar, mesmo com a loja fechada, na esperança de adiantar a papelada, mas não consegui fazer muita coisa porque fiquei pensando em você.

– É bom ouvir isso.

– É verdade. Não sei como vou conseguir trabalhar nas próximas semanas.

– Ah, você vai encontrar um jeito.

– Pode ser que eu não consiga dormir, também.

Quinn riu, sabendo que ela estava brincando.

– Ei, não exagere. Não gosto de garotas superdependentes hein? – Quero que minha mulher seja mulher.

– Vou tentar me controlar, então.

Quinn ficou em silêncio por um momento, depois perguntou:

– Onde você está agora?

– Sentada na varanda, vendo o sol nascer. Por quê?

Ela pensou na imagem que estava perdendo.

– Está bonito?

– É sempre bonito, mas hoje não estou gostando tanto quanto costumo gostar.

– Por que não?

– Por que você não está aqui comigo.

Quinn se recostou na cama, acomodando-se confortavelmente.

– Também estou com saudade.

– Espero que esteja mesmo. Eu detestaria ser a única a me sentir assim.

Ela sorriu, segurando o fone com uma das mãos e enrolando uma mecha de cabelo com a outra, até que finalmente, vinte minutos depois, elas se despediram com relutância e desligaram o telefone.

##

Quinn chegou ao jornal mais tarde do que de costume e logo começou a sentir os efeitos dos acontecimentos recentes. Não tinha dormido muito, e, quando se olhou no espelho depois de falar com Rachel ao telefone, teve a impressão de ter envelhecido no mínimo dez anos. Como sempre fazia, dirigiu-se em primeiro lugar à copa, para tomar uma xícara de café, e nessa manhã colocou uma porção extra de açúcar, para ter mais energia.

– Olá, Quinn! – exclamou Santana num tom alegre, aproximando-se dela por trás. – Achei que você não viria mais. Estou doida para saber tudo o que aconteceu.

– Bom dia – murmurou Quinn, mexendo no café. – Desculpe o atraso.

– Ainda bem que você chegou. Ontem à noite quase fui à sua casa, mas não sabia que horas você chegaria.

– Me desculpe por não ter ligado para você, mas a semana que passou me deixou exausta.

Santana apoiou-se no balcão.

– Bem, isso não é nenhuma surpresa. Já somei dois mais dois.

– Como assim?

Santana tinha um brilho no olhar.

– Pelo visto você ainda não foi até a sua sala.

– Não, acabei de chegar. Por quê?

– Bem, acho que você deve ter causado uma boa impressão – continuou Santana, erguendo as sobrancelhas.

– Do que você está falando, Santana?

– Venha comigo – retrucou ela com um sorriso conspirativo.

Levou a amiga para a redação e Quinn engoliu em seco ao ver sua mesa. Ao lado da pilha de correspondência acumulada havia um lindo buquê de gardênias dentro de um jarro grande e transparente.

– Chegaram de manhã cedo. Acho que o entregador ficou um pouco chocado por você não estar aqui para recebê-las, mas aí eu disse que era você. Nesse momento ele ficou realmente chocado.

Mal escutando o que Santana falava, Quinn pegou o cartão apoiado no jarro e abriu-o no mesmo instante. Santana postou-se atrás dela e ficou espichando os olhos por cima do ombro da amiga. O texto dizia:

Para a mulher mais bela que eu conheço:

agora que estou só novamente, nada é como era antes.

O céu é mais cinzento, o oceano é mais hostil.

Você que deixar tudo bem outra vez?

A única maneira é me ver de novo

Estou com saudades,

Berry

Quinn sorriu ao ler o bilhete e guardou-o de novo dentro do envelope. Depois se inclinou para aspirar o perfume das flores.

– Você deve ter tido uma semana maravilhosa – comentou Santana.

– Tive, sim.

– Mal posso esperar para saber de tudo, inclusive os detalhes picantes.

Quinn olhou em volta e, ao ver que todas as pessoas da redação a observavam discretamente, falou:

– Acho que prefiro contar tudo mais tarde, quando estivermos sozinhas. Não quero todo mundo comentando.

– Todo mundo já está comentando, Quinn. Há muito tempo que ninguém aqui recebe flores. Mas, tudo bem, depois falamos sobre isso.

– Você contou a alguém quem as mandou?

– Claro que não. Para ser franca, gosto de deixar esse pessoal curioso. – Ela olhou em volta e depois deu uma piscadela. – Escute, Quinn, tenho que voltar ao trabalho. Que tal almoçarmos juntas? Aí poderemos conversar.

– Onde?

– O que acha do Mikuni’s? Aposto que não comeu sushi lá em Wilmington.

– Vai ser ótimo. E, Santana... obrigada pela sua discrição.

– Sem problemas.

Santana deu um abraço em Quinn e voltou para sua sala. Quinn inclinou-se sobre a escrivaninha e aspirou novamente as flores. Em seguida, colocou o jarro no canto da mesa e começou a checar a correspondência, tentando não ficar olhando para as flores até que a redação voltou ao caos de sempre. Certificando-se de que ninguém estava prestando atenção, ela pegou o telefone e ligou para Rachel na loja.

Jake atendeu.

– Um momento, acho que ela está no escritório. Quem quer falar com ela, por favor?

Ela tentou soar o mais impessoal possível, sem ter certeza se Jake sabia sobre elas:

– Diga-lhe que é uma pessoa que quer marcar aulas de mergulho para daqui a quinze dias.

Ela esperou, e durante um instante a linha ficou muda. Então Quinn ouviu um estalido e em seguida a voz de Rachel, que lhe soou um pouco estafada:

– Em que posso ajudar?

Ela respondeu apenas:

– Você não precisava ter feito isso, mas fiquei feliz mesmo assim.

Rachel logo reconheceu a voz e seu tom ficou mais leve.

– Ah, é você. Que bom que elas chegaram. São bonitas?

– Como sabia que eu adoro gardênias?

– Não sabia, mas tive uma intuição e resolvi arriscar.

Quinn sorriu.

– Você manda flores para muitas mulheres?

– Milhões de mulheres. Tenho muitas fãs. Instrutoras de mergulho são quase como astros de cinema, você sabe.

– Ah, é?

– Ué, você não sabia? E eu pensando que você fazia parte de algum fã-clube meu...

Quinn riu.

– Muito obrigada.

– De nada. Alguém perguntou quem as mandou?

Quinn sorriu novamente.

– Claro que sim.

– Espero que você tenha dito coisas boas ao meu respeito.

– Disse, sim. Falei que você tem 66 anos, é gorda e tão fanhosa que é impossível entender o que diz, mas fiquei com pena e aceitei seu convite para almoçar. E agora, infelizmente você está me perseguindo.

– Ei, assim você me magoa – retrucou Rachel, fazendo uma pausa em seguida. – Então... espero que as gardênias lhe lembrem que eu estou pensando em você.

– Talvez elas lembrem, sim – respondeu Quinn.

– Bem, estou pensando em você e não quero que se esqueça disso.

Ela olhou de relance para as flores.

– Eu também – falou baixinho.

Depois que desligaram, Quinn ficou quieta por um momento, depois tornou a pegar o cartão. Leu-o novamente e, em vez de colocá-lo de volta no buquê, guardou-o em segurança na bolsa – conhecendo os colegas, ela tinha certeza de que alguém iria lê-lo às escondidas.

##

– Então, como ela é?

Santana estava sentada em frente à amiga no restaurante. Quinn entregou a ela as fotos tiradas nas férias.

– Nem sei por onde começar.

Com os olhos fixos em uma foto de Rachel e Quinn na praia, Santana falou sem olhar para ela:

– Comece pelo começo. Quero saber de todos os detalhes.

Como Quinn já tinha relatado o encontro com Rachel nas docas, retomou a história na noite em que velejaram. Contou que tinha deixado de propósito o casaco no barco, para ter uma desculpa para vê-la de novo – “sensacional”, comentou Santana -, e depois falou sobre o almoço no dia seguinte e finalmente o jantar. Recapitulando os últimos quatro dias que as duas passaram juntas, ela omitiu muito pouco, enquanto Santana escutava extasiada.

– Parece que foi tudo maravilhoso – disse ela, sorrindo como uma melhor amiga orgulhosa.

– Foi, sim – afirmou Quinn. – Foi uma das melhores semanas da minha vida. Acontece que...

– O quê?

Ela levou um momento para responder.

– Bom, já no final Rachel falou algo que me deixou pensando aonde tudo isso vai dar.

– O que ela falou?

– Não foi só o que ela falou, mas como Parecia que não tinha certeza de querer que nos víssemos de novo.

– Pensei que você tinha dito que ia voltar em Wilmington daqui a uns dias.

– E vou.

– Então qual é o problema?

Ela hesitou, organizando os pensamentos.

– Bom, ela ainda está ligada à Catherine, e... não sei se vai conseguir superar isso.

Santana riu.

– O que é tão engraçado?! – quis saber Quinn, surpresa.

– Você, Quinn. O que esperava? Antes de ir para lá você sabia que ela ainda estava envolvida com Catherine. Lembre-se, foi o “amor” eterno dela que você achou tão atraente. Pensou que ela ia superar tudo aquilo em alguns dias só porque vocês duas se deram tão bem?

Quinn ficou envergonhada e Santana tornou a rir.

– Pensou, não foi? Foi exatamente o que você pensou.

– Santana, você não estava lá... Não sabe até que ponto as coisas pareciam bem entre nós até ontem à noite.

O tom de voz de Santana ficou mais suave:

– Quinn, sei que parte de você acredita que poderá mudar alguém, mas a realidade é que isso não existe. Você pode mudar a si mesma e Rachel pode mudar a si mesma, mas você não pode fazer isso por ela.

– Sei disso...

– Não sabe, não – interrompeu Santana. – Ou, se sabe, não quer aceitar. Como dizem, você está cega.

Quinn pensou por um instante no que a amiga dissera.

– Vamos analisar o que aconteceu com Rachel com objetividade, está bem? – prosseguiu Santana.

Quinn assentiu.

– Embora você soubesse alguma coisa sobre Rachel, ela não sabia nada sobre você. No entanto, foi ela quem a convidou para velejar. Então algo deve ter surgido entre vocês duas logo no início. Depois, você foi procurá-la para pegar o casaco de volta e ela a convidou para almoçar. Falou de Catherine e então a chamou para jantar. Aí, vocês passaram quatro dias maravilhosos juntas, se conhecendo e começando a se importar uma com a outra. Se antes de viajar você tivesse me dito que isso ia acontecer, eu não teria acreditado que fosse possível. Mas aconteceu, e ponto. Agora vocês estão planejando continuar. Para mim, parece que a história toda foi um sucesso total.

– Então você está querendo me dizer que não tenho que me preocupar se ela vai superar Catherine ou não?

Santana negou com um gesto de cabeça.

– Não exatamente. Mas escute, acho que você tem que dar um passo de cada vez. A questão é que até agora vocês só passaram poucos dias juntas. Não houve tempo suficiente para tomarem uma decisão. Se eu fosse você, esperaria para ver como as duas estarão se sentindo daqui a uns dias, e quando se encontrarem de novo sem dúvida saberão muito mais do que sabem agora.

– Você acha mesmo? – perguntou Quinn, com um olhar preocupado.

– Eu não tinha razão quando a convenci a ir até lá?

##

Enquanto as duas almoçavam, Rachel estava soterrada numa gigantesca pilha de papéis no escritório. De repente, a porta se abriu e Leroy Berry entrou, certificando-se de que a filha estava sozinha antes de fechar a porta atrás de si. Acomodou-se em uma cadeira em frente a mesa de Rachel, tirou uma carteira de cigarro do bolso e pôs-se a pegar um isqueiro.

– Entre, sente-se. Como vê, não tenho nada para fazer – disse Rachel, indicando a pilha de papéis.

Leroy sorriu e continuou o que estava fazendo.

– Liguei para cá algumas vezes e falaram que você não apareceu a semana inteira. O que andou fazendo?

Rachel recostou-se na cadeira, olhando para o pai.

– Tenho certeza de que você sabe a resposta, e provavelmente é por isso que está aqui.

– Esteve com Quinn todo esse tempo?

– Estive.

Ainda com o cigarro e isqueiro na mão, Leroy perguntou, em um tom casual:

– E o que vocês fizeram de bom?

– Velejamos, passeamos na praia, conversamos...Sabe como é, nos conhecendo.

Leroy colocou o cigarro na boca, acendeu-o e inspirou profundamente. Ao expirar, lançou a Rachel um olhar ardiloso.

– Fez o Carril, como ensinei?

Rachel fez uma expressão de orgulho.

– Claro que fiz.

– Ela ficou impressionada?

– Muito.

Leroy assentiu e deu outra tragada no cigarro. Rachel sentia o ar do escritório ficar cada vez pior.

– Bom, então ela tem pelo menos uma boa qualidade, não tem?

– Mais de uma, papai.

– Você gostou dela, não é?

– Muito.

– Mesmo sem conhecê-la muito bem?

– Parece que eu sei tudo sobre ela.

Leroy assentiu e por um instante não disse nada. Então, finalmente perguntou:

– Vão se ver de novo?

– Na verdade, ela vem daqui a uns quinze dias, com o filho.

Leroy observou a filha com atenção. Depois levantou-se, encaminhou-se para a porta e, antes de abri-la, virou-se de uma última vez.

– Rachel, posso lhe dar um conselho?

Espantada com a pergunta abrupta do pai, ela respondeu:

– Claro.

– Se gosta dela, se ela a faz feliz, e se você sente que a conhece... então não deixe que ela vá embora.

– Por que está dizendo isto?

Leroy fitou a filha direto nos olhos e deu outra tragada no cigarro.

– Porque se conheço a filha que tenho, vai ser você quem terminará o romance, e estou aqui para fazer o possível para impedi-la.

– De que você está falando?

– Você sabe exatamente de que eu estou falando – retrucou Leroy em voz baixa. Depois dando as costas à filha, ele abriu a porta e saiu do escritório.

##

Mais tarde nessa mesma noite, ainda pensando no comentário do pai, Rachel não conseguiu dormir. Levantou-se da cama e foi à cozinha, sabendo o que precisava fazer. Pegou na gaveta o papel de cartas que sempre usava quando sua mente estava em conflito e sentou-se com a esperança de colocar seus pensamentos em palavras.

Minha querida Catherine,

Não sei o que está havendo comigo, e não sei se um dia saberei. Tantas coisas aconteceram ultimamente que não consigo entender o que venho vivendo.

Depois de escrever essas duas primeiras frases, Rachel ficou ali sentada durante uma hora e, por mais que tentasse, não conseguiu pensar em mais nada para escrever. No entanto, no dia seguinte, quando acordou, ao contrário da maioria dos seus dias, a primeira coisa em que pensou não foi Catherine.

Foi Quinn.

Notas finais
Santana é tão sábia rs. Mereço algum comentário??? Até breve :-D