Message in a bottle
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Apesar do trânsito, Quinn chegou logo ao hotel e fechou a conta. Havia três recados de Santana, cada um mais desesperado que o outro. “O que está acontecendo aí? E o encontro?”, era o primeiro; “Por que não me liga de volta? Estou esperando para saber de tudo”, dizia o segundo; o terceiro dizia: “Você está me matando de curiosidade! Por favor me ligue para contar os detalhes!” Havia também uma mensagem de Tommy – ela ligara para ele algumas vezes da casa de Rachel – que parecia ser de alguns dias antes.
Ela devolveu o carro alugado e chegou ao aeroporto com menos de meia hora de antecedência. Felizmente a fila para o check-in estava pequena e ela chegou ao portão no instante exato em que os passageiros embarcavam. Depois de entregar o cartão de embarque à aeromoça, ela entrou no avião e acomodou-se em seu lugar. O voo para Charlotte não estava lotado, e a poltrona ao lado da dela estava vazia.
Quinn fechou os olhos e começou a relembrar os incríveis acontecimentos da última semana. Não apenas encontrara Rachel, como acabara conhecendo-a melhor do que jamais imaginara possível. Ela tinha despertado sentimentos profundos, que ela pensava estarem enterrados havia tempo.
Mas será que a amava?
Ela pensou na pergunta com cautela, temendo o que a resposta significaria.
Recordou a conversa da noite anterior – o medo que Rachel tinha de se desvencilhar do passado, seus sentimentos a respeito de não estar com ela tanto quanto gostaria. Tudo isso ela entendia perfeitamente. Mas...
Acho que estou apaixonada por você.
Quinn franziu a testa. Por que ela acrescentara a palavra “acho”? Ou estava apaixonada por ela ou não estava... E se não estivesse? Será que dissera aquilo só para tranquilizá-la? Ou fora por outro motivo?
Acho que estou apaixonada por você.
Em sua mente, ela ouviu-a repetir inúmeras vezes essa frase, com a voz cheia de... de quê? Ambivalência? Pensando sobre isso agora, ela quase desejou que ela não tivesse falado nada. Ao menos assim ela não ficaria tentando entender exatamente o que ela queria dizer.
Mas e quanto a ela? Estava apaixonada por Rachel?
Fechou os olhos, cansada, de repente relutando em enfrentar suas emoções em conflito. Uma coisa, porém, era certa: ela nunca iria dizer a Rachel que a amava até ter certeza de que ela poderia deixar Catherine para trás.
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Nessa noite, nos sonhos de Rachel, uma violenta tempestade caía. A chuva batia com força na lateral da casa e ela corria de forma frenética de um cômodo a outro. Era a casa em que ela morava agora, e embora soubesse exatamente aonde estava indo, os grossos pingos que entravam pelas janelas abertas tornavam difícil a visão. Consciente de que precisava fechá-las, correu para o quarto e ficou embolada nas cortinas enquanto o vento as soprava para dentro. Com muito esforço, conseguiu se desvencilhar e alcançou a janela no instante exato em que as luzes se apagaram.
O quarto ficou escuro. Acima da tempestade, ela ouviu o som de uma sirene distante, alertando que um furacão estava a caminho. Os relâmpagos iluminavam o céu enquanto ela lutava em vão para fechar a janela. A chuva continuava a entrar, molhando as mãos dela e tornando impossível segurar com a firmeza necessária.
O telhado começou a estalar com a fúria da tempestade.
Rachel continuou a lutar com a janela, que estava emperrada. Por fim, desistiu e tentou fechar a janela ao lado. Como a primeira, essa também estava presa.
Ouviu as telhas voando do telhado, e em seguida o som de vidro se partindo.
Virou-se e correu para a sala. As janelas tinham se quebrado e os estilhaços haviam sido lançados para dentro. A chuva entrava de lado no aposento, e o vento era terrível. A porta da frente sacudia-se no batente.
Nesse momento, ouviu Quinn chamá-la do lado de fora:
– Rachel, você tem que sair agora!
Ao mesmo tempo, as janelas do quarto se estilhaçaram. O vento, atravessando a casa, começou a sacudir o teto. A construção não resistiria muito tempo mais.
Rachel tinha que pegar o retrato dela e outros objetos que guardava na mesa de canto.
– Rachel, o tempo está acabando! – gritou Quinn.
Apesar da chuva e da escuridão, ela conseguia vê-la do lado de fora gesticulando para que ela a seguisse.
O retrato. O anel. Os cartões de Dia dos Namorados.
– Venha! – berrava Quinn sem parar, agitando os braços de maneira frenética.
Com um ronco surdo, o telhado separou-se da estrutura da casa e o vento começou a despedaçá-lo. Instintivamente, Rachel cobriu a cabeça com os braços no instante exato em que uma parte do teto desabou sobre ela.
Em instantes tudo estaria perdido.
Sem se importar com o perigo, ela foi em direção ao quarto. Não poderia sair sem aqueles objetos.
– Ainda dá tempo de você sair!
Alguma coisa no grito de Quinn fez com que ela estacasse. Olhou de relance para ela, depois para o quarto, paralisada.
Mais um pedaço de teto desabou. Com um estalido alto, o telhado continuou a ceder.
Ela deu um passo em direção ao quarto e viu Quinn parar de gesticular. Pareceu-lhe que ela de repente desistira.
O vento soprava através do aposento com um uivo fantasmagórico que parecia ultrapassar o corpo de Rachel. Os móveis tombavam, bloqueando o seu caminho.
– Rachel! Por favor! – gritou Quinn.
Mais uma vez o som da voz dela a fez parar, e com isso ela percebeu que se tentasse salvar os objetos de seu passado, talvez não conseguisse sair.
Mas valia a pena?
A resposta era óbvia.
Rachel desistiu da tentativa e correu para a abertura onde antes ficava a janela. Com o punho fechado, soltou os cacos pontiagudos e saiu para a varanda no mesmo instante em que o telhado era completamente arrancado. As paredes então começaram a se inclinar para dentro e desabaram com um estrondo.
Ela procurou Quinn para se certificar de que ela estava bem, mas estranhamente, não conseguiu mais avistá-la.
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