Message in a bottle

13 Capítulo 12


Notas iniciais
Boa noite gente.

Pegaram as latas de refrigerante e se encaminharam para a porta da cabine. Rachel parou para pegar uma capa de chuva do cabide e fez um gesto indicando que Quinn fosse sem ela.

– Me dê um minuto para soltar a âncora – falou. – Assim poderemos comer sem que eu precise verificar o barco a cada cinco minutos.

Quinn se sentou e abriu a cesta que levara. No horizonte, o sol baixava em meio a nuvens que pareciam algodão. Tirou alguns sanduíches enrolados em papel celofane, assim como algumas embalagens de isopor com salada de repolho e salada de batata.

Observou enquanto Rachel deixava a capa de chuva ao seu lado e baixava as velas, fazendo o barco diminuir a velocidade quase de imediato. Estava de costas para Quinn, e ela mais uma vez reparou no físico dela. De sua posição, os músculos das pernas dela, ampliados em contraste com o bumbum e a cintura fina, pareciam maiores do que ela julgara a princípio. Não conseguia acreditar que estava mesmo velejando com aquela mulher, quando dois antes se encontrava em Boston. A situação toda era irreal.

Enquanto Rachel trabalha, Quinn olhou para cima. A brisa tinha aumentado, agora que a temperatura baixara, e o céu escurecia aos poucos.

Quando o barco parou por completo, Rachel baixou a âncora. Esperou mais ou menos um minuto, para certificar-se de que a âncora estava firme, e assim que ficou satisfeita foi sentar-se ao lado de Quinn.

– Queria que houvesse algo que eu pudesse fazer para ajudar – disse Quinn com um sorriso.

Jogou os cabelos para trás do mesmo modo que Catherine costumava fazer e por um instante Rachel ficou em silêncio.

– Está tudo bem? – perguntou Quinn

Ela assentiu de súbito constrangida outra vez.

– Estamos bem situadas aqui. Mas eu estava pensando que se o vento continuar aumentando vamos ter que voltar em ziguezague.

Quinn colocou um pouco de salada de batata e de repolho ao lado do sanduíche no prato de Rachel e lhe entregou, consciente de ela tinha sentado mais perto do que antes.

– Então a volta vai demorar mais?

Rachel pegou um dos garfos de plástico e provou a salada. Levou um momento para responder:

– Um pouco, mas isso não será problema, a não ser que o vento pare por completo. Se isso acontecer, ficamos paradas.

– Imagino que você já tenha passado por isso antes.

Ela confirmou.

– Uma ou duas vezes. É raro, mas acontece.

Quinn parecia confusa

– Por que é tão raro? O vento não sopra o tempo todo, não é?

– No mar, geralmente sopra.

– Por quê?

Rachel achou graça e pousou o sanduíche no prato.

– Bem, os ventos são impulsionados pelas diferenças de temperatura, quando o ar quente corre para o ar mais frio. Para o vento parar de soprar em mar aberto, é preciso que a temperatura do ar seja igual à temperatura da água num trecho de muitos quilômetros. Nessa região o ar costuma ser quente durante o dia, mas, assim que o sol começa a descer, a temperatura cai bem rápido. É por isso que a melhor hora para sair é ao crepúsculo, quando a temperatura muda constantemente, o que é ótimo para velejar.

– O que acontece quando o vento para?

– As velas murcham e o barco acaba parando. Não há jeito de fazê-lo se mover.

– E você disse que isso já lhe aconteceu antes?

Ela assentiu.

– O que você fez?

– Na verdade, nada. Relaxei e aproveitei a tranquilidade. Não estava em perigo, e sabia que depois de algum tempo a temperatura do ar cairia. Depois de mais ou menos uma hora, começou a ventar e voltei para o porto.

– Parece que acabou sendo um dia agradável.

– Foi mesmo. – Ela desviou os olhos da intensidade do olhar de Quinn. Depois de um instante acrescentou, quase para si mesma: — Um dos melhores.

Flashback on...

Catherine acomodou-se no banco.

Venha sentar-se perto de mim.

Rachel fechou a porta da cabine e foi até ela.

É o melhor dia que passamos juntas em muito tempo – disse Cat, baixinho. – Parece que andamos ocupadas demais nos últimos tempos e... não sei... – Ela não completou a frase. – Eu só queria fazer alguma coisa especial para nós

Enquanto ela falava, Rachel teve a impressão de que sua mulher tinha a mesma expressão de ternura que ela vira na noite de núpcias.

Acomodou-se ao lado dela e serviu o vinho.

Me desculpe por ter andado tão ocupada na loja ultimamente – murmurou Rachel. – Eu te amo, você sabe.

Eu sei.

Ela sorriu e cobriu a mão dela com a sua.

Vai melhorar logo, prometo – continuou Rachel.

Catherine assentiu, estendendo a mão para o vinho.

Não vamos falar disso agora. Só quero aproveitar o momento. Sem qualquer interrupção.

Flashback off

– Rachel?

Assustada, ela olhou para Quinn.

– Ah, desculpe...

– Está tudo bem?

Quinn a olhava com uma mistura de espanto e preocupação.

– Tudo ótimo... Estava só me lembrando de uma coisa que tenho que fazer – improvisou Rachel. – De qualquer maneira, chega de falar de mim – acrescentou, endireitando-se e apoiando as mãos sobre um dos joelhos. – Se você não se importar, Quinn, conte algo sobre você.

Confusa e um pouco insegura sobre o que exatamente ela queria saber, começou do princípio, mencionando todos os fatos básicos de uma forma um pouco mais detalhada: sua infância e juventude. O trabalho, os hobbies. Porém o assunto de que mais falou foi Tommy, comentando que filho maravilhoso ele era e como lamentava não poder passar mais tempo com ele.

Rachel escutava sem dizer muita coisa. Quando ela terminou, Rachel indagou:

– E você disse que já foi casada?

Ela assentiu.

– Durante oito anos. Mas acho que Noah, meu ex-marido, foi perdendo o gosto pelo nosso relacionamento...Acabou tendo um caso, e eu não consegui perdoar.

– Eu também não conseguiria – comentou Rachel em voz baixa. – Mas isso não torna a situação mais fácil.

– É, não tornou. – Ela fez uma pausa e tomou um gole do refrigerante. – Mas nos damos bem, apesar de tudo. Ele é um bom pai para o Tommy, e é só isso que quero dele agora.

Uma onda mais alta passou sob o casco e Rachel olhou para o outro lado a fim de assegurar que a âncora aguentaria. Quando tornou a olhar para Quinn, ela disse:

– Certo, é a sua vez. Fale de você.

Rachel também começou do início, da sua infância como filha única em Wilmington. Contou que a mãe tinha morrido quando ela tinha 12 anos e que, como o pai passava a maior parte do tempo no mar, ela praticamente crescera no mar. Falou dos tempos de faculdade, omitindo algumas histórias mais escabrosas que poderiam dar uma impressão errada, descreveu o período inicial com a loja e sua rotina nos últimos tempos. Estranhamente não mencionou Catherine – uma omissão sobre a qual Quinn só podia especular.

Enquanto conversavam, o céu ficou escuro e a neblina começou a descer em volta delas. Com o barco balançando de leve ao sabor das ondas, uma espécie de intimidade recaiu sobre elas. O ar fresco, a brisa no rosto e o suave movimento do veleiro, tudo isso conspirava para acalmar o nervosismo inicial das duas.

Mais tarde Quinn tentou lembrar-se da última vez que tivera um encontro como aquele. Não sentira qualquer pressão, era diferente...A maioria dos homens com quem Quinn saía em Boston não tinha a mesma atitude: se eles se esforçavam para ter uma noite agradável, tinham direito a algumas coisa em troca. Era uma postura adolescente – mas mesmo assim comum – e ela estava gostando da diferença.

Quando ficaram em silêncio, Rachel inclinou-se para trás e passou as mãos pelos cabelos. Fechou os olhos, pelo jeito saboreando um momento quieta consigo mesma. Enquanto isso, Quinn, tentando não fazer barulho, tornou a guardar os pratos e guardanapos usados dentro da cesta, para que o vento não os lançassem ao mar.

Ao despertar do transe, Rachel levantou-se do banco.

– Acho que é hora de voltarmos – falou, quase como se lamentasse o fato de o passeio estar chegando ao fim.

Poucos minutos depois, o barco encontrava-se em movimento outra vez e ela percebeu que o vento estava muito mais forte do que antes. Rachel postou-se ao timão, mantendo o Happenstance no rumo. Quinn ficou de pé ao lado dela com a mão na amurada, repassando na cabeça a conversa entre elas uma vez após outra. Por um longo tempo nenhuma das duas falou, e Rachel perguntou-se por que se sentia tão perturbada.

Flashback on...

Na última vez que velejaram, Catherine e Rachel conversaram tranquilamente durante horas, saboreando o vinho e o jantar. O mar estava calmo, e o movimento suave das ondas era reconfortante em sua familiaridade.

Mais tarde, depois de fazerem amor, Catherine ficou deitada ao lado de Rachel, deslizando os dedos pelo peito dela, em silêncio.

No que está pensando? – eruntou Rachel, por fim.

Que não achava ser possível amar alguém tanto quanto amo você – sussurrou ela.

Rachel o dedo pelo rosto dela. Catherine não desviou os olhos dos dela.

Eu também pensava que fosse impossível – respondeu ela com delicadeza. – Não sei o que faria sem você.

Me promete uma coisa?

Qualquer coisa.

Se algo me acontecer, promete que vai encontrar outra pessoa?

Acho que não poderia amar ninguém além de você.

Apenas prometa, está bem?

Ela levou um tempo para responder:

Tudo bem. Se é para deixa-la feliz, eu prometo.

Sorriu com ternura, e Catherine aconchegou-se a ela.

Eu estou feliz, Rachel.

Flashback off...

Quando essa lembrança enfim se dissipou, Rachel pigarreou e tocou no braço de Quinn para chamar-lhe atenção. Apontou para o céu.

– Olhe isto tudo – falou enfim, fazendo o possível para manter a conversa em terreno neutro. – Antes de existirem sextantes e bússolas, usavam-se as estrelas para navegar pelos mares. Naquele lado você vê Polaris. Ela sempre aponta para o norte.

Quinn ergueu os olhos para o céu.

– Como consegue saber que estrela é?

– Usamos estrelas-guias. Está vendo a Ursa Maioria?

– Claro.

– Se você traçar uma linha reta das duas estrelas que formam o cabo da colher, ela vai apontar para a Estrela do Norte.

Quinn observou enquanto ela apontava para as estrelas sobre as quais falava, refletindo sobre ela e as coisas que lhe interessavam: velejar, mergulhar, pescar, navegar pelas estrelas...qualquer coisa relacionada ao mar. Ou qualquer coisa, ao que parecia, que lhe permitisse ficar sozinha por horas.

Rachel pegou a capa de chuva azul-marinho que tinha deixado perto do timão mais cedo e vestiu-a.

– Provavelmente os fenícios foram os maiores exploradores marítimos da história. Em 600 a.C. eles afirmaram ter velejado em volta de toda a África, mas ninguém acreditou, porque eles juraram que a Estrela do Norte tinha desaparecido na metade da viagem. E tinha mesmo.

– Por quê?

– Porque eles entraram no hemisfério sul. É por isso que os historiadores sabem que eles de fato fizeram isso. Antes deles, ninguém tinha visto algo do tipo acontecer, ou, se tinha, o evento nunca foi registrado. Passaram-se quase dois mil anos até que ficasse provado que eles estavam corretos.

Ela assentiu, imaginando essa longa viagem. Perguntou-se por que nunca aprendera essas coisas na escola e ficou curiosa a respeito daquela mulher. De súbito, Quinn entendeu por que Catherine tinha se apaixonado por ela. Não era porque ela fosse extraordinariamente atraente, ou ambiciosa, ou até mesmo simpática. Rachel era tudo isso, porém o mais importante era que parecia levar a vida do jeito que queria. Havia algo de misterioso e diferente no modo como ela agia – algo muito dela. E a fazia uma pessoa diferente de qualquer outra que ela já tivesse conhecido.

Como Quinn não tinha respondido, Rachel olhou-a de relance e mais uma vez constatou como ela era linda. Na escuridão, Quinn tinha a pele clara, etérea, e ela imaginou como seria traçar o contorno da face dela com o dedo. Então balançou a cabeça, tentando afastar o pensamento.

Mas não conseguiu. A brisa balançava os cabelos dela, e essa visão lhe causou um frio na barriga. Quanto tempo fazia que não se sentia assim? Tempo demais, sem dúvida. Mas não havia nada que ela pudesse, ou quisesse fazer a respeito. Tinha consciência disso também, enquanto a contemplava. Não era a hora certa, e nem o lugar certo...nem a pessoa certa. No fundo ela se perguntou se algo voltaria a ser certo um dia.

– Espero não estar deixando você entediada – comentou Rachel por fim, com uma calma forçada. – Sempre me interessei por esse tipo de coisa.

Quinn a encarou e sorriu.

– Não, não é isso. De jeito nenhum. Gostei da história. Só estava imaginando o que esses homens devem ter passado. Não é fácil encarar algo completamente desconhecido.

– Não é, não – concordou ela, sentindo que de alguma forma Quinn tinha lido seus pensamentos.

As luzes das construções ao longo da costa pareciam tremeluzir na neblina que se adensava. Ao se aproximar da boca do canal o Happentance se balançou de leve nas ondas maiores e Quinn olhou por cima do ombro para as coisas que tinha levado. Seu casaco tinha ido parar num canto próximo à cabine. Ela fez uma anotação mental para não esquecê-lo quando chegasse à marina.

Mesmo Rachel tendo dito que em geral velejava sozinha, ela teve curiosidade em saber se ela já tinha levado no barco outra pessoa além de Catherine e dela própria. E se nunca tivesse, o que isso significava? Quinn sabia que ela a observava a todo instante durante a noite, embora nunca de maneira óbvia. Ainda que curiosa a respeito de Quinn, Rachel mantivera seus pensamentos bem escondidos, sem insistir que ela falasse de coisas que não queria, e não perguntara se ela estava envolvida com outra pessoa. Não tinha feito nada que pudesse ser interpretado como algo mais que um interesse casual.

Rachel ligou um interruptor e várias luzinhas acenderam-se pelo barco – não o suficiente para enxergarem bem uma a outra, mas o bastante para que outros barcos percebessem sua aproximação. Ela apontou para a escuridão da costa e falou:

– A boca do canal é bem ali, entre as luzes.

Nesse momento, virou o timão naquela direção. As velas balançaram e o barco inclinou-se por um instante, depois voltou à posição original.

– Então, gostou de velejar?

– Gostei. Foi maravilhoso.

– Que bom. Não foi uma viagem para o hemisfério sul, mas é o melhor que posso oferecer.

Estavam lado a lado, ambas aparentemente perdidas nos próprios pensamentos. Outro veleiro apareceu na escuridão a uns 400 metros de distância, também no caminho de volta para a marina. Rachel deu-lhe espaço suficiente para passar e depois olhou para um lado e outro, a fim de se certificar de que nenhuma outra embarcação surgiria. Quinn percebeu que a neblina tornara o horizonte invisível.

Virou-se para Rachel e viu que os cabelos dela estavam jogados para trás pelo vento. O casaco que ela vestia ia até o meio das coxas e se encontrava aberto. Era velho e gasto, aparentando anos de uso. Fazia com que Rachel parecesse maior do que era de fato, e esta seria a i8magem dela que Quinn guardaria para sempre. Essa e a primeira vez que a vira.

Enquanto se aproximavam da costa, ela duvidou que fossem se ver de novo. Em alguns minutos estariam de volta às docas e se despediriam. Quinn não achava que Rachel a convidaria para velejar outra vez, e ela não ia pedir – por algum motivo, isso não parecia certo.

Adentraram no canal e viraram na direção da marina. Mais uma vez Rachel manteve no centro do canal e Quinn avistou uma série de placas triangulares que demarcavam seus limites. Ela manteve as velas altas até se aproximar do mesmo lugar onde as erguera mais cedo, então as baixou com a mesma atenção com que conduzira o barco durante todo o passeio. Ligou o motor e, poucos minutos depois, elas passaram pelos barcos ancorados para pernoitarem ali. Quando chegaram ao lugar do Happenstance, ela ficou de pé no convés enquanto Rachel saltava para o cais e prendia o veleiro com as cordas.

Quinn caminhou até a popa para pegar a cesta e o casaco, então estacou. Depois de pensar por um instante, pegou a cesta, mas não o casaco. Em vez disso, empurrou-o com a mão livre para que ele ficasse semioculto sob uma almofada do banco. Quando Rachel lhe perguntou se estava tudo bem, ela pigarreou e disse:

– Estou só pegando as minhas coisas.

Foi para a lateral do barco e ela lhe ofereceu a mão. Quinn aceitou e então saltou do Happenstance para o cais.

Encararam-se por um momento apenas, como se pensando no que viria em seguida, até que Rachel por fim fez um gesto na direção do veleiro.

– Tenho que preparar o barco para o pernoite, e isso vai demorar um pouco.

Ela assentiu.

– Achei que você fosse dizer isso.

– Posso acompanhá-la até o seu carro primeiro?

– Claro.

Rachel começou a caminhar pelo cais com Quinn ao seu lado. Quando chegaram ao automóvel que ela alugara, Rachel observou enquanto ela procurava as chaves dentro da cesta. Depois de encontrá-las, Quinn destrancou a porta do carro e abriu-a.

– Como eu disse, foi um passeio maravilhoso – afirmou.

– Também achei – retrucou Rachel.

– Você devia levar mais pessoas para velejar. Tenho certeza de que elas iriam adorar.

Sorrindo, ela respondeu:

– Vou pensar no caso.

Por um momento, os olhos delas se encontraram, e nesse instante Rachel viu Catherine na escuridão.

– É melhor eu voltar – falou depressa, um pouco constrangida. – Tenho que acordar cedo amanhã.

Quinn assentiu e, sem saber o que mais fazer, Rachel estendeu-lhe a mão.

Apertar a mão dela parecia um pouco estranho depois das horas que tinham passado juntas, mas ela teria ficado surpresa se ao invés disso ela tivesse feito outra coisa.

– Obrigada por tudo, Rachel. Também gostei muito de conhecê-la.

Ela sentou-se atrás do volante e ligou o motor. Rachel fechou a porta para ela e ficou parada enquanto Quinn engrenava a marcha. Quinn sorriu para ela uma última vez, depois olhou de relance para o retrovisor e deu marcha ré devagar. Rachel acenou quando ela começou a se afastar e ficou observando até que o carro saísse da marina. Depois que ela se foi, Rachel voltou pelas docas, perguntando-se por que estava tão perturbada.

Vinte minutos mais tarde, exatamente quando Rachel terminava de arrumar o Happenstance, Quinn abriu a porta do quarto de hotel e entrou. Jogou suas coisas em cima da cama e foi direto para o banheiro. Lavou o rosto com água fria e escovou os dentes antes de trocar de roupa. Então, depois de se deitar na cama com apenas a luz da cabeceira acesa, ela fechou os olhos e começou a pensar em Rachel.

Se quem tivesse velejando fosse Noah, ele teria feito as coisas de maneira muito diferente: teria planejado o passeio de acordo com a imagem encantadora que teria que passar – “Por acaso tenho uma garrafa de vinho. Gostaria de uma taça?” – e sem dúvida teria falado um pouco mais de si mesmo. Mas seria lago sutil – ele sabia muito bem o limite entre autoconfiança e arrogância, e tomaria todo o cuidado para não cruzar essa linha logo no início. Até que a pessoa o conhecesse melhor, não percebia que aquilo era um plano cuidadosamente orquestrado para causar a melhor das impressões. Com Rachel, entretanto, Quinn soubera desde o início que ela não estava representando – havia sinceridade nela – e ficou intrigada pelo seu jeito. Mas será que ela tinha agido do jeito certo? Ainda não sabia. Seus atos tinham parecidos meio manipuladores, e ela não gostava de se ver nesse papel.

Mas já estava feito, Quinn tinha tomado sua decisão e agora não havia mais volta. Apagou a luz. Quando se acostumou à escuridão, olhou para o espaço entre as cortinas entreabertas. A lua crescente enfim se erguera no céu e o luar entrou pela fresta e se derramou sobre a cama. Fixou os olhos nele, totalmente incapaz de desviar, até que seu corpo relaxou e ela dormiu.

Notas finais
E então... O que acharam do encontro?