Mercy
1 Capítulo 1 - O inicio do fim
Crystal P.O.V
Terceiro ano, finalmente. Eu não agüentava mais aquela escola, todos me olhando torto desde o primeiro ano. Os anos se passam, mas as pessoas nunca esquecem das coisas ruins ao meu respeito, mesmo que eu tenha me tornado praticamente invisível, todos ainda sabem quem eu sou.
—E ai, Crystal, bundinha maneira – Bruce disse enquanto puxava meu quadril para si.
—Você está cada dia mais inconveniente – murmurei
—E você está cada dia mais vadia – deu um sorrisinho de lado.
—Deixa ela, Bruce – Rachel era a única menina que conseguia fazer com que ele se controlasse, já que cresceram juntos e são basicamente irmãos. Ela era minha melhor amiga, na verdade, minha única amiga, quando ela faltava eu almoçava sozinha e passava o resto do meu dia ouvindo piadinhas ridículas.
Todos da minha família adoravam a Rachel, nós éramos amigas desde o nono ano e mesmo depois de tudo ela nunca me abandonou ou me julgou. Eu sempre tive problemas com abandono desde que meu pai foi embora quando eu só tinha 4 anos, minha mãe se casou de novo com um vendedor de imóveis e por conta disso começamos a nos mudar a cada dois anos, eu nunca tive uma amiga por muito tempo. Quando nos mudamos para Half Moon Bay, uma cidadezinha aconchegante na Califórnia, minha mãe decidiu que ficaria aqui até a morte, e então me matriculou no melhor colégio da cidade o Half Moon High School, e foi lá que eu a conheci e junto desse presente, vieram os problemas e as pessoas que desejaria jamais ter conhecido.
—Olha quem tá na minha sala esse ano – Noah Berry. Gravem esse nome. Eu odeio esse garoto.
—Parece pesadelo – disfarcei meu incomodo, sorri pra ele e agarrei no braço de Rachel.
O professor de biologia chegou na sala, se apresentou, nos apresentamos a ele, rolou toda aquela chatice de primeiro dia de aula, as mesmas gracinhas de sempre, eu já estava acostumada. Pra ser sincera, eu já tinha sido tão destruída por cada um deles que não havia mais como me machucar, mesmo que quisessem muito.
O sinal tocou para o primeiro intervalo, esperei Rachel guardar as coisas dela pra sairmos pra fumar maconha na quadra de basquete como costumávamos fazer.
—Anda logo, porra – falei
—Ta apressada? – debochou
—Quero dar um tapa nessa belezinha aqui – mostrei o beck pra ela
—Você não toma jeito né, Crys... – soltou uma risadinha
—Eles não me chamam de vadia? Vou fazer jus ao meu apelido – é serio, eu já não ligava mais pra nada, era o ultimo ano no colégio, deixe que eles falem o que quiser, mas vou logo avisando que vou tocar o terror e quero que se foda.
—Eu te amo garota
Chegamos na quadra de basquete, felizmente estava vazia, fomos para o cantinho e fumamos muito, onda máxima, corremos por todo o lugar, jogamos as bolas no chão, eu estava tão feliz que nem me reconheci, fazia muito tempo que eu não sorria e me divertia. Essa foi definitivamente a melhor segunda-feira da história, algo me dizia que esse seria O MEU ANO!!!!!
—A gente quer jogar, teria como as princesas saírem da quadra? – Noah Berry. Eu o odiava e sabia que era recíproco. Era branquinho, cabelos negros levemente bagunçados, barba por fazer e eu juro por Deus que não entendia por que todas as garotas o idolatravam, ele era um idiota que só fazia merda com todo mundo e mesmo assim as pessoas ainda o tratavam como se fosse o rei daquele lugar.
—A quadra não é sua – Rachel murmurou
—Bom, se querem ficar na quadra vão ser esmagadas pelo Peter – Peter era um dos garotos que andava com ele, era gordo, feio e mal humorado, metade do colégio tinha “medo” dele porque no primeiro ano ele arrebentou três meninos sozinho em frente ao restaurante dos meus pais.
—Ninguém aqui tem medo de você e desses moleques – gritei. Meu Deus o que tinha dado em mim? Ele ia transformar minha vida num inferno.
—Eu não entendi – ele chegou mais perto
—Eu só estava brincando – dei um riso amarelo.
—Já te fudi uma vez, Crystal, pra fuder de novo não falta muito. – eu gelei, senti meu estomago dar um nó e minha garganta secar, pensei que fosse desmaiar. Saí da quadra devagar e pude ouvir Rachel vindo atrás de mim. Parei em frente a sala de música e contive o choro.
—Ele é um babaca né? – era uma voz masculina vindo do fundo da sala
—E ai Marcus – sequei as lagrimas que caíram involuntariamente
—Não sei como tem gente que gosta desse otário – Marcus Jeffrey é um garoto solitário que estuda comigo desde que me conheço por gente, ele é magrinho, cabelo crespo, olhos grandes e rosto muito expressivo. Ele sempre me ajuda nos trabalhos escolares e me passa cola nos teste de matemática.
—Ele está em todas – disse enquanto folheava o jornal da escola e via seu rosto na capa de cada matéria.
—Lions ganharam de novo
—Eles sempre ganham – falei desanimada.
Me levantei, dei uma olhada nos instrumentos em cima da mesa de madeira pesada, passei o dedo retirando a poeira de cada um, senti a sala cada vez mais abafada, minha cabeça girava e minha garganta secava.
*FLAHSBACK ON*
“—Vão ouvir a gente aqui – dei uma risadinha e voltei a beija-lo. Suas mãos quentes acariciavam meu corpo e o puxavam cada vez mais para perto de si, meu quadril estava apoiado na mesa. Parei, olhei ao redor, fixei meu olhar na porta de aço.
—Ei, está tudo bem?..”
*FLASHBACK OF*
—Tá tudo bem – Marcus me sacudia
—Sim, mas eu to atrasada pro trabalho, tenho que ir – saí correndo
—Mas ainda não terminou as aulas – o deixei falando sozinho e fui direto para o banheiro vomitar, não sei por que insistia em entrar naquela sala mesmo sabendo das lembranças horríveis que ela me trazia.
Fui a diretoria e pedi pra sair mais cedo pois não estava me sentindo bem, fui direto pra casa, dormi até que minha mãe chegasse e me acordasse para o jantar. A segunda-feira tinha começado bem e do nada se transformou num inferno. Bom, foi isso que aconteceu com a minha vida. Meu nome é Crystal Stone e agora que você basicamente tem uma ligação comigo, prepare-se pra ver tudo se destruindo, por que as coisas só vão piorar...
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