Memórias Vagas De Lucy Graef
2 Capítulo 2
No dia seguinte, Lucy e sua mãe se levantaram logo cedo, Lucy pegou a lista de compras e foi ao Supermercado com o que ainda lhe restava do seu salário. Percorrendo os estreitos corredores daquele estabelecimento, deparou-se com uma pessoa com um carrinho de compras, bem em sua frente, olhando a prateleira inúmeras vezes, como se procurasse algo, sem paciência , Lucy cutucou a tal pessoa que se virou rapidamente, surpreendendo-a.
- Ah, não acredito, você de novo? – Disse Lucy, em voz alta, um quase grito de espanto. Sim, era a mulher da gasolina, aquele rosto, aqueles olhos, difíceis ou até mesmo impossíveis de serem esquecidos.
- Nossa, que prazer encontrá-la por aqui! – Disse a mulher, com um rápido sorriso, encontrando seus olhos com os de Lucy por alguns segundos antes de se virar e novamente fixá-los na prateleira.
- Você gosta de atrapalhar o fluxo, não é?
-Não, só estou procurando uma coisa, eu sei que está aqui, só não estou vendo!
-Está esperando que caia do céu de novo? – Riu Lucy.
- Já que você está tão disposta e bem humorada hoje, porque não me ajuda?
- O que você está procurando?
- É um tempero, eu esqueci o nome, tem nome de dança...
- Salsa?
-ISSO! – exclamou a mulher, aliviada da dúvida, mostrando claramente que não entendia nada sobre o assunto.
- E está procurando Salsa na prateleira de ketchup e maionese? – Perguntou Lucy, rindo da situação e apontando para o corredor onde ela poderia encontrar o tal tempero, disse – Ali, procure ali que você irá encontrar.
- Obrigada- A mulher saiu andando em direção aonde Lucy havia apontado
- Espere! – Gritou Lucy- Fique sabendo que perdi meu emprego por culpa sua!
Assustada, a mulher pergunta:
- Culpa minha?
- Sim, cheguei atrasada no trabalho e fui demitida!
- Perdão, mas eu não tive culpa, não pedi para aquilo tudo acontecer, será que tem como você me desculpar?
-Não sei não, estou achando que já te ajudei demais e... – Disse Lucy, quando foi interrompida pela mulher-.
- Deixa de ser tão cabeça dura, vamos jantar amanhã e desfazer esse mal entendido, o que acha?
- Tudo bem, mas vou logo avisando, você paga, porque como perdi meu emprego, que aliás foi culpa sua... – Disse Lucy, sendo interrompida mais uma vez.
-Tudo bem, não precisa ser inconveniente, amanhã 9 horas no Albamar.
- Combinado.
A mulher virou-se , foi caminhando para longe , quando Lucy gritou-a mais uma vez:
- Espera!
- O que foi dessa vez? Seu cachorro morreu e a culpa também é minha?
- Seu nome, você não me disse...
- Júlia Machado.
- O meu é Lucy, tem algum apelido?
- Sim, Júlia, seu nome é Lucy mesmo ou é apelido?
- Mas Júlia já é seu nome... Esquece... – Disse Lucy, sem entender se a tal Júlia estava brincando ou não – Meu nome é Lucy mesmo.
- Legal, eu tinha uma hamster com esse nome, enfim, tenho que ir. –
Júlia parecia estar com pressa, então sem mais delongas, Lucy deixou-a ir. – Hamster? Ela me chamou de rato, é isso? – Pensou, ainda confusa sobre esse senso de humor tão esquisito.
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