Meiyã No Seishin

1 O Erro do Sozinho


Meiyã No Seishin

Capítulo I: O Erro do Sozinho

A última vez que me senti vivo foi aos 12 anos. Em um dia chuvoso de outono eu me perdi em uma floresta perto do templo dos meus avós. Eles me disseram para não seguir caminho por ela, mas após encontrar uns "amigos" da minha escola eu fiquei irritado o suficiente para desobedecer a ordem.

Os animais que a habitavam eram estranhos e normalmente apareciam como vultos no canto dos olhos de quem a adentrasse. Depois de eu me sentir mais confortável com o silêncio, eu percebi que estava perdido. Fiquei correndo em círculos procurando por uma saída até que me cansei e tropecei. Quando eu comecei a ficar desesperado e com medo do silêncio que antes eu prezava, desmaiei.

Meu nome é Mayer e morri aos 12 anos em um dia chuvoso de outono.

O Erro do

Sozinho

– A-ke-mi-san. — Seiji. 67 anos.

– Ha-i? — Akemi. 37 anos.

– Já faz quantas horas que o Mayer saiu do templo? — Seiji pergunta enquanto fuma o seu cachimbo sentado na varanda do templo. Esbeltas árvores avermelhadas cercavam o jardim que cheirava a vários odores diferentes.

– Mayer... Umas quatro? — Akemi observa o lado de fora do templo. Seu cabelo castanho e todo o templo eram iluminados pela luz do sol se pondo.

– Mas que trabalhoso... — O velho deixa a sua má vontade falar por ele. Logo suspira, mantendo os seus olhos fechados por alguns segundos.

Após levantar com dificuldade, tenta não se distrair com a vista do por do sol e se dirige a porta do templo que demarcava o começo da procura pelo garoto. Os outros monges já estavam retornando de sua peregrinação que acontecera em homenagem aos espíritos que viviam na floresta de Hilon que se localizava ao lado do templo.

Seu corpo já passara do ponto a muitas décadas, portanto, não conseguia manter o andar por um longo tempo. Sentou-se em um banco que havia na estrada de terra do vilarejo, onde se encontrava, ao norte, o templo. Já estava parcialmente escuro e a brisa da noite fria de outono congelava o seu nariz sem faro algum.

– Eu nunca vou esquecer a cara dele! " Me larguem!... ", " Me deixem em paz!... " — Dizia, escarnecendo, um garoto que parecia o líder dos cães sardentos que estavam em volta de si. O velho logo percebeu que eram as crianças do colégio de Mayer.

– Nē, kodomo-tachi. Por um acaso viram o Mayer? Depois de sair ele ainda não conseguiu voltar. — Diz Seiji ainda sentado em um dos bancos da estrada de terra que agora só podia ser utilizada com uma lanterna em mãos. Estava cansado e com frio. Seu quimono de monge negro, sozinho, não serviria para esquentá-lo.

– Sono shōnen?! Pelo que eu me lembre... Ele saiu correndo e com raiva para a floresta. — Diz rindo enquanto olhava para os companheiros posicionados estrategicamente. — Na-ki-mu-shi. — O jovem com as mãos nos bolsos de sua calça agride verbalmente Mayer e ri do mesmo com seus cães sardentos o acompanhando. — Hahaha...

– A quota de hoje foi hilária Kinburu! — O chihuahua da matilha ergue a voz. O velho então levanta com um ar de atitude firme ou só estava congelado por causa do frio que aumentara com o tempo.

– Obrigado pelas informações tão úteis. Tenham uma boa noite. Não irei esquecer-me de nossa conversa por um bom tempo. — O velho se curva lentamente em modo de respeito e sai andando noite a fio. De fato ele não iria esquecer aqueles garotos que falaram mal de seu protegido. Só de ouvi-los troçar já o causava calafrios.

Ficou duas horas andando com seus tamancos de madeira e meias grossas cobrindo os seus pés gélidos que agora não sentira faz meia hora. Sua calvície o acompanhava por toda sua vida, mas por hora o que desejava era um solidéu. Enquanto a sua preocupação aumentava ainda mais, pedia então, em preces avulsas aos espíritos que lá estavam presentes, que o garoto esteja bem.

– Onde será que eles estão?... — Diz Akemi murmurando ansiosamente pelo retorno dos dois. Já havia se distraído limpando tudo qualquer móvel do templo e mesmo assim não se acalmara.

– Akemi-san, abra as portas! — Dizia uma voz vinda de fora do templo fechado.

– Akira-senpai? — Akemi reconhece a voz e logo chega na porta do templo, a abrindo com a maior força que podia. Sem tempo para cordialidades com o dono do templo disse: – Seiji e Mayer-kun sumiram!... E parece que vem uma tempestade! — Akemi olha para o céu e observa as nuvens negras se formando com os seus olhos cansados e esverdeados.

– Akemi-san... Eu já voltei... — Diz Seiji caminhando entre os monges até chegar a porta do templo. — Não vai nos deixar entrar?... Este velho precisa se sentar... — Após Akemi sair da frente, o velho sobe tortamente os dois degraus que havia em frente de Akira. Enquanto os outros entravam e se aconchegavam, Seiji descansava em almofadas que havia no chão coberto por tatames.

– Onde está Mayer-kun? — Akemi pergunta esbaforida, mas não recebe resposta.

– Se alguém está tão cansado que não possa te dar um sorriso, deixa-lhe o teu. — Diz Akira se aproximando. O monge era mais provecto que Seiji, mas não dispunha dos mesmos problemas de saúde. — Vamos enviar auxílio e procurar o protegido de Seiji-san. — Akira diz deprimidamente. O sol não emitia mais nenhuma luz e a noite a frente seria tempestuosa. O monge sabia que o pior male já tinha atingido o pobre garoto.

Notas finais
Yo. Obrigado por me darem um tempo de suas vidas curtas. Um conselho: Cuidado com o outono. Watashi wa ikukara. Sayōnara. Tsugi no shō: 僧 侶 A Benevolência の de um Monje 恵 み