Meiyã No Seishin

2 A Benevolência de um Monge


Meiyã No Seishin

Capítulo II: A Benevolência de um Monge

Frequentadores do templo e os moradores do vilarejo ajudavam na busca por mais uma criança perdida em outono. Enquanto eles adentravam cada vez mais na floresta, a tempestade teve início. As crianças que participavam da busca com os seus pais voltaram para casa e outros, simplesmente, desistiram por causa do temporal. Os restantes procuraram entre cachoeiras; Dentro de criptas; Subiam em calvários, mas nenhum sinal de Mayer.

Após umas três horas de procura, obviamente, todos se cansaram. Neste momento, Seiji conseguia ouvir algumas risotas vindas logo abaixo do monte em que estavam. Sem cogitar, abandonou o grupo e desceu o monte.

A Benevolência

de um Monge

– Seiji-kun, doko ni iru no? — Diz um dos homens encharcados e que, aparentemente, não ouvira as vozes femininas e imaturas. Como já tinha começado a ser de costume naquela noite, Seiji não dá uma resposta e segue andando cuidadosamente. — Min'na! — O grupo inteiro escuta o chamado e observam o homem encharcado que estremecia os seus braços. Quase que prontamente, iniciam a descida junto com Seiji que, por hora, estava na dianteira.

– Tomem cuidado ao descerem. Está absolutamente tudo úmido. — Seiji estaria, evidentemente, sem forças para continuar, mas após checar se o grupo o estava seguindo, continuou o trajeto ainda ouvindo as risotas de crianças.

A tempestade estava se tornando pior. Os que estavam na retaguarda não conseguiram mais reaver o grupo dianteiro que, pelo que se pensa, foram por outro caminho.

Mesmo só restando cinco pessoas do grupo a frente, sendo que um deles era o monge Akira, continuaram a procura monte abaixo. As risotas ficavam cada vez mais altas e agudas. Já Seiji andava cada vez mais rápido, com passos desesperados que, de repente, cessam. As vozes tinham parado.

Os relâmpagos ao longe iluminavam a floresta pelas frestas que as folhas deixavam acima deles, sem contar com as lanternas trazidas pelo grupo. Os três homens, que lá estavam, foram checar em meio as pedras. Akira e Seiji foram pelo rio.

Após a tempestade lançar toda a sua fúria no grupo da retaguarda, ela se sepulta. No seu lugar mostra-se uma névoa espessa e um novo cheiro. O bálsamo daquele lugar alagado que acabou se tornando irreconhecível, é chamado petrichor.

– Watashi wa mi rarenai... — Diz uma jovem que pertencia ao grupo da retaguarda que havia permanecido no monte graças ao alvoroço criado pela tempestade.

– Não podemos parar de averiguar está floresta. Seiji-kun e Akira-kun direcionaram-se para a parte de baixo deste monte. Podemos tentar outro caminho. — Um monge que usava o mesmo quimono negro do templo diz enquanto visava dar alguns passos em meio a essa névoa espessa.

– Ex nihilo nihil fit. — Um homem surge e pousa sua mão sobre o ombro da jovem e tenta conduzi-la para mais perto do grupo. Seu nome era Akinori, um estudante de botânica que, por ventura, aprendeu latim.

– Tashikani...- O monge suspira. Ele teria entendido o que o botânico havia dito, mas para escapar desse ponto de orvalho teriam que ir para um lugar seco. Porém, após esse dilúvio, não haveria área seca naquela floresta. — " Nada vem do nada. " — Diz ele traduzindo a fala do botânico enquanto caminha. — Se não mudar a direção, terminará exatamente onde partiu. — Pensou.

Aparentemente a frase do botânico não significou nada para a maioria das pessoas que estavam presentes em meio a névoa, pois afinal, não sabiam latim. O que contou foi a perseverança do monge que, mesmo esgotado, tentou caminhar no turvo daquele teratismo enevoado.

– Seiji-san. — A fala aprazível de Akira afunda o silêncio que a tempestade deixara no souto. Seiji não olhara nem por alguns segundos para o rosto de Akira que entabula uma profunda preocupação. — Procure acender uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão. — Akira o encara sorrindo e uma lágrima dinama pelo rosto de Seiji que perdia cada vez mais a esperança.

Já se passaram, exatamente, quatro horas desde o começo do rastreio. O grupo que havia estado no monte finalmente regressa. A busca se intensifica ao longo do rio com a companhia dos devotos vaga-lumes que restaram após a chuva. Não havia suspiros; Não havia coaxares e nem ao menos a cantoria de insetos. Havia, meramente, gritos de chamados pelo garoto.

– Mayer-kun! Mayer-kun! — Todos clamavam o nome dele, no entanto, não obtinham resposta.

– Achei alguém! — Uma mulher grita. Com olhos arregalados, aponta para o corpo deitado na relva. Ela vê o corpo no flanco do leito mais a frente.

Era um garoto. Um garoto de cabelos escuros acentuados e olhos verdes. Seu nome era Kawakami Mayer, 12 anos, que pereceu em um dia chuvoso de outono.

Depois desse dia, não restavam suspiros; Não restavam coaxares e nem ao menos a cantoria de insetos. Restavam, meramente, gritos de chamados pelo garoto.

Notas finais
Yo. Agradecimentos especiais as 10 pessoas anônimas que leram. Um conselho: Cuidado com as tempestades. Watashi wa ikukara. Sayōnara. Tsugi no shō: 珍 し Uma Alma い Incomum 魂
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.