Meia Alma

30 Capítulo 29 - Depois da Guerra, a Calmaria


Notas iniciais
Capítulo final, ele é bem curtinho... Vou deixar agradecimentos para o epílogo, para adiar um pouquinho minha depressão...

Alma e alguns outros híbridos que eu simplesmente não fazia a mínima ideia de quem eram curavam o número absurdo de feridos espalhados pelo chão. Parecia surreal, mas mesmo com sete números um atacando e dois Abissais, não houvera mortos. Os que morreram do nosso grupo haviam morrido durante o ataque daquelas estacas monstruosas, como Altri, Sebastian e Hadraian. Simplesmente os que eram capazes de tirar os debilitados do caminho os tiraram e levaram para longe do local de mais perigo.

Parecia quase surreal.

Eu não sabia onde estavam os outros Aparições. Simplesmente não conseguia ver nenhum por ali, e admito que estava curioso para saber o que acontecera com os outros, sem ser os que Despertaram, mas não os via em nenhum lugar algum.

Um som sob uma rocha chamou minha atenção, fazendo-me dirigir até lá. Simplesmente a chutei e vi uma porta de ferro no chão, que no momento em que a tirei, ela se abriu, e Zack, o cozinheiro, botou a cabeça para fora.

– Finalmente! Pensei que iriam deixar a gente morrer aqui!

Pisquei. Assim como meu pai, ele simplesmente estava o mesmo. Mas essa estranheza era dele mesmo, quem veio antes de mim na Ordem dizia já que ele não mudava, sempre com o cabelo castanho médio comprido preso num rabo de cavalo alto. Então nem me dei ao trabalho de ficar surpreso – com isso ao menos.

– Zack?

– Nããão, Hakpisa. Claro que sou eu! – ele apontou para baixo. – Tem um monte de gente aqui, esposas e filhos e alguns outros funcionários, sabe?

–... Diga a eles que o perigo já passou.

Ele revirou os olhos, revirando algo sobre o “pobre cozinheiro ter que fazer tudo”, mas sumiu naquele porão, e só então percebi que estava no que sobrara do refeitório. Suspirei, olhando envolta, e vi uma comoção na mente de Yudai, porque o resto do grupo ficara sabendo que ele... Fora ressuscitado, e Alma estava fazendo o bom e velho escândalo.

Fui ao lado oposto do campo. Os anciões haviam morrido na explosão do veículo, mas nenhum sinal de Adramalec, que ao menos em título, era o líder da Ordem. Nem ao menos sabemos onde ele morava no terreno.

– Hideo!

Virei e só escutei algo batendo em mim e a caindo no chão com o som de um patinho de borracha morrendo no chão. Seu pelo azul estava todo sujo de lama e terra, assim como as asas douradas.

– Moko?

Ela praticamente saltou sobre mim.

– Eu fui pegar um esquilo na floresta e me perdi! – começou a choramingar alto. – E passei esse tempo todo perdida e vim parar aqui! Vocês sentiram minha falta?

Na verdade nem me lembrei dela.

– Não! Você é mal! Você não sentiu minha falta! – ela percebeu minha expressão, e tentou sair voando para fazer drama, mas bateu no peito de Yudai que estava chegando, fazendo novamente aquele som de patinho de borracha. Ele a pegou antes que caísse – eu deixaria cair de propósito. – e ela o encarou confusa por um momento, antes de levantar e por as patas dianteiras em seu peito. – Olha, outro Hideo! Me adota?

– Não, não adote ela. – falei.

– O Hideo é mau comigo, ele já amarrou meu focinho e eu sumi e ele nem foi me procurar. – ela choramingou para ele com grandes olhos chorosos.

– Não é como se eu tivesse tempo.

Yudai olhava de mim a Moko durante a discussão, então a suspendeu a sua frente, girando-a um pouco para analisá-la.

– Ela... É uma Despertada?

– Um projeto de Despertado. Tentou virar um e virou essa coisa. – bufei.

– Eu não como humanos, moço. – disse num tom até adorável. Provavelmente estava tentando roubar o coração de Yudai. – Só ratos e esquilos.

Ele me olhou como se pedisse ajuda.

– Problema seu.

– Qual seu nome?

– Momoko, mas pode me chamar de Moko mesmo!

Revirei os olhos e olhei então olhei para o lobinho que me seguia como uma sombra. Quando percebeu que eu o olhava, ele começou a balançar o rabo – apesar de ser um lobo. -. Eu devo ter alguma fixação por lobos. Primeiro Moko, depois ele, e agora minha forma Despertada também era um lobo.

– Falando em nomes, acho que você precisa de um, não é?

Ele continuou abanando o rabo, e começou a rolar na grama, coçando suas costas nela enquanto se contorcia. Pensei um pouco, e então perguntei:

– O que acha de Liekki? – ele latiu – mesmo sendo um lobo. – abanando a cauda. Significava “Pequena chama”.

– Sério que você vai chamar um lobo de fogo disso? – Yudai ironizou.

– Nunca tive muita imaginação mesmo, e ele gostou. Vai ser Liekki mesmo. – me defendi, e ele rolou os olhos e riu.

Moko olhou para Liekki com olhos cerrados, como se o analisasse, mas a ignorei, e continuei andando, escutando-o me seguir, enquanto Yudai dava meia volta em direção ao campo. Para ajudar, para observar ou para observar. Não sei.

Mesmo com ele de volta, eu ainda sentia os cheiros das Auras. Sentia minha Aura maleável devido ao Corte Imaginário. Talvez os utilizara tanto que se tornaram meus. Não faço a mínima ideia. Simplesmente fui andando em direção às ruínas, subindo sobre elas sem muito esforço, vendo as pessoas refugiadas que Zack avisara. Todos pareciam encolhidos e assustados, enquanto alguns os ajudavam a sair.

Adramalec que os mandou se esconder. Yudai informou.

E onde ele está?

É isso que queremos saber.

Subi para um segundo andar, que tão destruído estava que parecia mais uma torre com uma ponte em ruínas a ligando a outra. Por sobre a construção vi Alec e Nina conversando sobre o lago, e para minha surpresa, ele tirou os brincos de Eleanor, e os jogou dentro do lago, observando os círculos que se formavam sobre a água.

Por que ele fizera isso? Eu sabia que era a única coisa que ele levava de sua irmã, e de longe era a coisa mais preciosa que possuía, para si mesmo. Mas não fiz nada, pois se ele quis fazer isso, foi uma escolha dele.

Logo depois, para minha surpresa, Denis apareceu, e Alec foi embora, e Nina fez menção de fazer o mesmo, mas ele a segurou pelo braço, fazendo-a ficar. Decidi ir embora também. Se Denis decidiu pedir desculpa por todos esses anos, que ele fizesse em particular. Fui em direção o que parecia outra torre e sentei sob a sombra com Liekki ao meu lado, aproveitando um pouco a paz do momento.

– Hideo? – Raquel chamou, subindo por uns destroços, fazendo com que ele imediatamente erguesse a cabeça das patas.

– Oi.

Ela parou por um instante, me encarando.

– O que houve?

– Depois de tanto tempo... É estranho vê-lo de cabelo branco.

Acabei sorrindo. Meu peito também não doía mais, respirar também não.

– Eu imagino. – levantei, indo a sua direção.

– Mas não é só isso que é estranho...

– Muita coisa está estranha agora, – falei, pegando seu rosto com ambas minhas mãos. – mas acho que podemos ignorar isso durante um tempo, pela primeira vez.

Raquel segurou meus ombros, se aproximando até que nossos lábios se tocassem. Não durou muito, pois um certo serzinho começou a ter surtos próximos ao meu pé, fazendo com que eu bufasse e Raquel risse, enquanto ele esfregava os olhos e o focinho, como se sentisse vergonha. Se for se envergonhar, vá para outro lugar.

Mas, talvez, finalmente pudéssemos ter um pouco de paz.

Notas finais
Vou tentar terminar o prólogo, para traze-lo logo. Senão, vou postar amanhã, pq vou ter q ir num jantar hj... E não volto cedo g.g