Meia Alma

29 Capítulo 28 - A Queda da Ordem


Notas iniciais
Bem... O que dizer? Esse é o penúltimo capitulo de Meia Alma. Juro que esperava que MA fosse maior do que OdS, mas não foi. Tinha muita coisa que eu queria fazer, mas ia ficar grande demais, estranho demais. Muita coisa vai ficar em aberto. Por quê? Por que a série não são dois livros. São SETE. Estamos a caminho do terceiro. Meeeu Deus, estamos na metade. Quero chorar. Não quero que Meia Alma acabe, porque a série vai mais pra frente, e vai ficar mais próxima do fim. Bem, vamos ao capítulo.

HIDEO, VOCÊ QUER ME MATAR?! – berrei, lutando desesperadamente pra me livrar daquele aperto.

Rapidamente suas mãos afrouxaram e eu mesmo me dei ao trabalho de me soltar, tossindo e engasgando, o ar entrando quase como um milagre em meus pulmões doloridos.

Passei um tempo arquejando, e então percebi algo muito estranho. Onde eu estava? Lembrava-me vagamente de estar no Norte, mas não havia neve em lugar algum muito pelo contrário. Terra. Eu estava numa cratera de terra, com o céu bem azul acima de mim. Mas que diabos...

Estranhei imediatamente a quietude de Hideo e me virei para ele – talvez para perguntar ou gritar quanto ao fato de por que ele estar me esganando... – mas me limitei a arregalar os olhos. Ele estava todo machucado, mas ele não estava usando a armadura da Guerra, e sim uma espécie de macacão sem mangas preto e luvas de um metal estranho, além do seu cabelo estar curto. Bem curto. E ele parecia mais pálido – se isso era possível. – com olheiras profundas em seus olhos.

– Mas que...

– Yudai?! Está tudo bem com você?

– Claro que não! Até meio segundo atrás, você estava tentando me matar! – exclamei e ele se limitou a piscar. – Mas... Onde estamos? Por que você está assim?

–... Você não se lembra de nada?

Voltei minha mente às minhas memórias mais recentes. O pandemônio da Guerra, uma Despertada – Adamantia era o nome dela, estou certo? – atacando os dígitos únicos, e...

Não, o que me veio à cabeça era bem ruim. Senti dor só de lembrar.

– E-estávamos na Guerra do Norte, e... Você começou a Despertar, e eu te fiz voltar... – e tinha mais uma coisa que eu não iria contar para ele nem sob tortura.

Hideo balançou a cabeça lentamente, e me deu um abraço.

– Yudai, isso foi há sete anos.

Você enlouqueceu?!

– N-não, se até meio minuto atrás eu estava tentando te matar, há um minuto você estava tentando me matar.

– Isso é idiotice! Você sabe que eu não tentaria te matar!

Ele me lançou um olhar cético, e imagens totalmente insanas e que não faziam o mínimo sentido para mim, mas certamente era uma luta que eu não sei nem de onde saiu, em que eu parecia um psicopata tentando matá-lo.

– Sim, você tentou. – ele fez uma careta de dor e se levantou. – Mas digamos que você não estava em seu juízo perfeito. Com certeza não estava.

– Espera, mas então... Sete anos? – eu estava completamente perdido, mas mesmo assim levantei. – Passaram-se sete anos? O que eu fiz esses sete anos? O que aconteceu em sete anos Hideo?

Ele hesitou, logo de cara percebi que não era um assunto muito legal de se entrar. Ele respirou fundo.

– Você... Você morreu. Depois de me fazer voltar. E por causa da ligação de almas, eu perdi metade da minha, então eu fiquei ruivo... Parece que voltou a ser branco agora, e seu corpo cristalizou.

– Ahn? Morri? Hideo, eu estou...

– Sim, eu sei que você está aqui agora, também quero entender o porquê! Eu vi você morrer. Eu senti você morrer. E eu fiquei com a porcaria de metade de uma alma por sete anos, até você reaparecer como um completo sádico que se diverte explodindo as pessoas e sai quase matando os outros como se não fosse nada!

–... Explodindo os outros?

Ele me lançou um olhar fulminante que me fez ficar calado. Depois de um longo suspiro, continuou.

– Enfim, depois de sete anos, voltamos pro continente, salvamos Sacraelum de um ataque de monstro e recebemos seu apoio com equipamentos, nos mudamos, resgatamos um grupo de aprendizes, fizemos vários grupos de renegados juntarem-se a nós e agora parece que invadimos a Ordem.

– Invadir? Espera, é informação demais...

– É, eu sei, vamos sair desse buraco. – disse rapidamente. Percebi que ele mancava. Aparentemente, a perna esquerda de Hideo estava fora do lugar, mas por seu resmungo, ele só percebeu agora.

Subimos a pequena encosta que estava formada pela cratera e ouvi Hideo suspirando, antes de sua Aura de chocolate começar a curar seus ferimentos, e tive que parar para admirar a cena. Num mal sentido.

Havia colunas de fumaça subindo ao céu, e o prédio da Ordem havia ruído. O alojamento dos híbridos, junto com a ponte, estavam semi destruídos, e eu via a enorme sombra de um Despertado gigantesco, e mais outro. Parecia que ambos lutavam, mas sentia mais algumas Auras lutando perto deles, completamente alheias. Reconheci a de Anita, Lionel – o que ele fazia aqui?! – e algumas estranhamente familiares...

– As coisas não estavam assim quando... Caímos aqui. – Hideo murmurou. – Pra começar, só tinha um Despertado. E tínhamos depredado o prédio, mas não tanto...

– Hideo! – percebi Alec se aproximando correndo, mas seu passo se reduziu ao me ver, e então olhou para Hideo, para o cabelo dele, mais especificamente. Porém, pareceu parar de hesitar ao perceber que eu estava... Bem, normal? Alec não usava mais o cabelo para trás, e sim como era normalmente, bem repicado, caindo sobre a testa, e eu ainda via os brincos de Eleanor de longe. -... Yudai?

– Oi.

–... Está certo, vou fingir que isso é a coisa mais normal do mundo, mas dá para voltar ao prédio? Acho que encontramos alguém que pode explicar um pouquinho as coisas para nós...

A expressão de Hideo pareceu se preocupar, mas com outra coisa que não consegui sequer ver direito, e ele saiu correndo a nossa frente.

–... O que deu nele? – perguntei.

– Vou saber? É você que lê a mente dele. – Desde quando ele sabe disso?! – Ah, deve ser por causa de Raquel...

– Raquel?! Por que Raquel?!

Alec fez uma expressão totalmente sem graça.

– Vamos para o prédio?! – exclamou num tom exasperado que denunciava claramente que ele tentava mudar o assunto. Aquilo me incomodou, afinal, era claro que estava escondendo algo de mim. Do mesmo modo, acabei o seguindo e resmungando, e Alec parecia estar muito nervoso.

Tivemos de saltar pela ponte, e havia uma parede quebrada próxima a ela.

– Essa aqui o Hideo te usou para abrir. – comentou num tom casualmente forçado, mas entramos de qualquer jeito. Senti a Aura de baunilha de Raquel a alguns recintos de distância, junto com a de Hideo e Diego, e mais uma Aura com cheiro de café torrado que me parecia estranhamente familiar, mas ignorei.

Quando chegamos, percebi que estávamos perto da cozinha, e tinha um imenso lobo cujo pelo parecia chamas, um cara mais alto que eu ou Hideo, com uma bandana na cara, Diego, e Raquel bastante próxima a Hideo. Os dois falavam algo em voz baixa que nem em sua mente consegui ver o que era.

Aquilo estava me dando nos nervos. O que tinha acontecido? Não me diga que...

Só então percebi que tinha um humano baixinho de cabelos negros ao lado de Diego, e ele tremia da cabeça aos pés. Ele também parecia familiar e usava o usual uniforme da Ordem, um sobretudo negro com um brasão vermelho.

– E então?

– Diga o que sabe sobre os Aparições. – Diego disse, e o cara olhou-o quase que horrorizado. – Não vamos fazer nada com você, só nos diga, rápido.

– E-eu fui obrigado a trabalhar aqui há uns quinze anos, e a Ordem estava atrás de... De umas coisas que nunca entendi. Corpos de cristal... Acho. Mas... Mas eles achavam, mas eu não sei como, faziam virar humanos, mas pareciam mortos. – ele mordeu os próprios lábios, nervoso, e encolheu-se ao escutar um estrondo do lado de fora. – Foi só há uns oito anos que eles conseguiram os fazer acordarem, mas eles me mandavam, junto com os outros, a usar dispositivos para apagar a memória deles, e eles viraram os Aparições. É isso que eu sei.

–... Corpos cristalizados?

– Eu contei tudo o que eu sei!

– Calma, calma, a gente sabe... – Diego então olhou para mim com uma expressão estranha, e então pareceu empalidecer. – Espera, cristalizados?! Mas o Yudai...

Eles estavam com uma linha de raciocínio rápida demais para mim.

– Sem chance, está dizendo que todos os Aparições são números um que morreram e se cristalizaram?!

– Eu quero ir embora! – o cara choramingou como uma criancinha e dois rugidos ensurdecedores se fizeram ouvir. Senti as Auras se aproximando perigosamente e quando percebi, o teto começou a ruir, me fazendo saltar para desviar dos destroços.

Quando parou, olhei para cima, no céu, e vi um veículo extremamente comprido e elegante voando, claramente saindo da Ordem.

– O veículo dos anciões! – o homem exclamou.

– Droga, eles vão fugir!

Com um rosnado, um Despertado ergueu seu comprido e fino braço, repleto de pendentes como folhas de samambaia arroxeadas, descendo num ímpeto contra o outro, mas para minha surpresa, acertou o veículo no meio do caminho. Ele explodiu em pleno ar com chamas amarelas e desceu num bolo de fumaça negra, em direção ao chão, junto aos destroços.

–... É, não vão mais. – Diego falou depois que ficamos um bom tempo em silêncio ao ver a cena.

– Adramalec não está lá. O veículo dele é outro. – O homem disse em voz baixa.

– Teremos de ver isso depois. – Hideo disse e o lobo soltou um rosnado. – Nosso maior problema nesse momento, são esses Despertados. Se os Aparições realmente eram números um mortos, eles são Abissais. E isso é problema.

– Claro que é. A questão é, alguém aqui já teve a coragem de ir e enfrentar um Abissal?

– Acho que ninguém é retardado o suficiente. – Hideo rebateu.

Eu nunca tinha feito isso e ainda estava confuso com a situação toda. O mais próximo que cheguei foi de lutar – Despertado – com um número três enquanto um Abissal assistia. Tudo bem, na época eu era um número nove...

Espera aí.

Hideo. – chamei, e ele demorou um pouco para se virar em minha direção.

Hm?

Talvez... Eu esteja lhe devendo um Despertar.

XXX

Se não tivéssemos feito isso uma vez, juraria que é loucura.

Fique quieto que tenho certeza que isso é difícil pra caramba.

Pode contar que sim.

– Tudo bem, vamos rever. – Diego falou nervoso. – É para nós tentarmos chamar a atenção dos monstros, para tentar atraí-los para longe dos guerreiros que ainda estão vulneráveis, e... Enquanto isso, Hideo Desperta, Yudai controla, e tenta matar pelo menos um. Esse é o pior plano que já ouvi na minha vida.

– Só dei a ideia do Despertar, o resto foi vocês. – Me defendi.

– É o que temos no momento, e mesmo sem ter a certeza de que pode dar 100% certo, é melhor que nada.

– Alec pode ir para o lago e criar algo para atraí-los para lá. – Raquel sugeriu.

Ele assentiu, e então suspirou antes de disparar na direção em que ficava o lago. Olhei para Diego, Raquel e o outro, que se chamava Shadow.

– Tomem cuidado.

– Só estamos machucados por sua causa. – brincou, mas realmente me senti mal, porém antes de qualquer coisa, eles correram para fora.

– E-e eu? — o homem perguntou.

– Saia daqui. – Falei e ele saiu correndo, então virei para Hideo, que estava quieto.

Ele estava mudado. Muito mudado. Não apenas na aparência. Talvez, se fosse como eu me lembrava dele, ele estaria fazendo alguma piadinha quanto à dificuldade que teríamos pela frente, mas estava apenas quieto, fixado em algum ponto por onde os três haviam corrido, então, com um suspiro, voltou-se para mim.

– O que foi?

– Você está diferente.

– Eu sei.

Não sei por que, mas de repente, quis que ele fizesse uma piada. Mesmo que ela me irritasse muito.

– Como faremos, então?

– Se bem me lembro, temos que tentar sincronizar nossas Auras num nível relativamente igual. A questão é que a sua Aura é bem maior que a minha, então eu vou ficar bem mais próximo do Despertar. – bufou. – Aí tente “agarrar” uma parte e libere o resto.

– Nossa, que fácil. – ironizei.

– A ideia foi sua, como você mesmo disse. – rebateu, e então olhou para o lobo parado perto dele, sentado como um cachorrinho obediente de uns dois metros de altura. – E você, o que está fazendo aqui? É para ir com eles também.

Ele soltou um ganido baixinho, mas foi embora correndo.

– Vamos começar?

– Está pronto?

– Não, mas vamos lá. – murmurei nervoso.

Comecei a elevar minha Aura, junto com Hideo. Ele tinha razão, ele teve que elevar a sua em mais ou menos vinte e cinco por cento para poder chegar aos meus dez por cento, e continuou aumentando, então tive que aumentar progressivamente junto com ele.

Estava nervoso, estava com medo de deixar algo passar. Mas tínhamos que passar por esse risco.

Quando senti que Hideo chegara a seu limite, decidi realmente juntar minha Aura com a sua. E foi de novo aquela sensação que me deu arrepios. Foi como se eu tivesse me jogado numa corredeira e estava sendo levado por ela. Mas não foi como da última vez, eu não peguei um rochedo e o pus na costa. Segui o conselho de Hideo, e foi na verdade como se apenas pegasse uma pedra não tão pesada, e me firmei no lugar, enterrando meus pés no fundo do cascalho do rio.

Foi bem difícil, pois afinal vinha onda atrás de onda tentando me arrastar, mas tentei me concentrar para não me deixar levar, fechando os meus olhos e apenas me concentrando na pedra, que era aquela parte da mente de Hideo que eu deveria manter. Mas ela era escorregadia, e na verdade, sentia como se estivesse tentando segurar água, mas de certa forma conseguia.

Era assustador porque tirando aquilo que eu segurava, eu sentia a completa irracionalidade se espalhando completamente, ainda mais pelos sons estranhos que Hideo soltava, grunhidos que se tornavam cada vez mais animalescos.

Só... Mais um pouco. – disse com esforço.

Agarrei-me a rocha, pois segurar só com minhas mãos estava bem difícil, e então me pareceu que a Aura de Hideo chegou a um ponto a qual ela não poderia mais avançar, e escutava os resfôlegos animalescos batendo perto de mim, perto a um imenso calor.

Forcei-me a abrir os olhos, porque, admito, fiquei curioso.

Era um lobo.

Hideo era ainda maior que aquele lobo de fogo. Sobre seu corpo, parecia que parte do esqueleto do canídeo se pusera para fora como uma espécie de armadura. A pelagem era de um tom forte e profundo de laranja, e um líquido iridescente como lava estava pingando do pelo, fumegante. Os ossos que estavam do lado de fora eram o crânio, as costelas, a coluna vertebral que continha várias ligações de músculos negros com aquelas garras de osso que me lembrava da última vez, e os ossos das pernas e das patas, mas nada mais claro que eles não tinham a função de sustentá-lo.

Das aberturas do crânio escapavam os mesmos pelos laranja, principalmente nas aberturas das órbitas, e os olhos de Hideo eram de um tom flamejante de dourado, puxados para um tom vivo de laranja, e o focinho também ficava bem mais visível.

–... E então, como se sente?

A boca dele se abriu, e percebi que dentro da cabeça dele, parecia ter outra, só que mais humana, embora só tenha visto direito o queixo cor de osso.

– Está doendo como o inferno. – até seu tom de voz tinha mudado, parecia mais grossa e rouca, mais como um rosnado mesmo.

Escutei os Despertados gritando, e eles começaram a se movimentar de onde estavam. Eles eram pesados, mas até que eram rápidos.

– Bem isso mesmo. Está quase lá.

Ele fechou a... Boca externa e soltou um rosnado, antes de me dar as costas e disparar a tal velocidade que a onda de impacto me jogou sentado no chão. E ele sumiu.

Delicadeza é bom, sabia?!

Foi mal.

Levantei com um pouco de dificuldade, tomando cuidado com a mente de Hideo. Parecia que minha própria mente pesava junto, e entendi porque era tão difícil. Com esforço, comecei a correr, abdiquei grande parte de minha velocidade para manter a Hideo bem.

Por isso, cheguei em uns três minutos a ponte e saltei dela, me aproximando do local.

Percebi que Hideo estava parado sobre o teto do alojamento de aprendizes, e então olhei para os Despertados. Um movia-se precariamente sobre pernas que pareciam finas demais para si, como se feitas de um ferro fino, e parecia um imenso boneco de arame, o outro corria atrás dele, fazendo o chão tremer. Tinha algumas dezenas de metros de altura, e a parte inferior de seu corpo era como de um cavalo com uma armadura, e a superior era quase um humano – gigante – cujas mãos eram lanças. Não tinha boca aparente, e seus olhos eram cor de vinho, com orelhas compridas como a de um elfo.

O “boneco” virou-se, erguendo seus braços de samambaia e tentou acertar o outro, que, incrivelmente devido ao seu tamanho, desviou em alta velocidade, investindo contra ele.

Hideo saltou do alojamento, se lançando como um míssil em direção ao menor, então procurei me concentrar ainda mais.

Ele abriu aquelas lâminas e fechou sobre o ombro do boneco, que fez com que seu braço – ou braços – esquerdo caísse, arrancando um imenso pedaço e junto com ele um grito. O boneco ergueu os braços direitos remanescentes e girou como um pião, e percebi que aqueles braços eram extremamente perigosos devido as lâminas presas neles.

Minha cabeça começou a latejar com o esforço.

O centauro saltou sobre ele – e o chão tremeu sob mim. – mas o boneco correu, justamente vindo na minha direção. Quando percebi isso, levantei, mas Hideo correu atrás dele, arrancando suas pernas e ele caiu no chão bem na minha frente. O outro apareceu, cravou uma de suas lanças nele e o ergueu, fazendo que chovesse sangue sobre mim, em direção a sua boca. Um imenso rasgo cheio de dentes se abriu e ele jogou o outro Despertado lá dentro, e som que pareceu-me ser ele mastigando ferro e sangue foi nauseante.

Ele me olhou e comecei a recuar, mas Hideo saltou sobre ele.

Ao perceber o ataque, ele girou sua lança num semicírculo lateral na esperança de atingi-lo, e Hideo fez algo que até ele mesmo se surpreendeu. Suas lâminas centrais, que eram maiores, se abriram como asas morcegais, fazendo-o desviar em pleno ar e continuar voando.

Uau, taí uma coisa que nunca imaginei: um lobo voador.

Ele não me respondeu, mas uma de suas garras correu até o chão, içando-o num giro e ele lançou-se novamente contra o Despertado, mas atacou-o no flanco inferior. Hideo atravessou-o e numa cena bizarra, o centauro começou a coicear o ar, e ergueu perigosamente sua lança esquerda.

Minha cabeça doía tanto que eu queria vomitar.

Corri dali o mais rápido quanto o possível quando ele a lançou no chão numa tentativa falha de acertar Hideo, mas ele era rápido demais para o outro. Essa era a vantagem dele em relação ao tamanho do outro.

Hideo passou voando em direção a lança e suas lâminas remanescentes fecharam sobre ela, destruindo-a em pedaços. O Despertado ergueu aquele braço e o balançou, claramente devido a dor lancinante que sentia. Hideo voltou ao chão e usou-o para se impulsionar em direção ao ombro esquerdo do centauro.

Ele fechou suas lâminas todas ao redor do corpo para aumentar sua velocidade, e abriu-as como as pernas de uma aranha quando seu focinho começou a tocar a superfície encouraçada, destruindo todo o lado direito do tronco superior.

Ele ficou parado um segundo, tempo suficiente para Hideo parar no chão e atirar-se novamente em direção a ele, mas agora eu via que seu alvo era a cabeça.

Faltava pouco...

Ele simplesmente sumiu, e percebi que ele simplesmente voltou a forma humana e fugiu. Hideo pensou em segui-lo, mas ao perceber o quanto minha cabeça doía, parou e decidiu ficar, pousando na minha frente.

Minha cabeça doía tanto que eu já estava com meus olhos semicerrados. Comecei a diminuir minha Aura, e Hideo me acompanhou, até que lentamente ele voltou a sua forma híbrida, desabando a minha frente.

– Meu corpo dói. – gemeu.

– Eu sei. – murmurei e me joguei contra a pedra próxima a mim, minha cabeça pesando uma tonelada, e então olhei para as ruínas da Ordem.

Estava tudo destruído e com fumaça saindo das construções. A única coisa de pé era o alojamento dos aprendizes, e vi várias crianças e adolescentes espiando o estrago por meio de um rombo na parede.

Sentia as Auras do campo de batalha. Ninguém mais lutava. A única luta remanescente fora a de Hideo contra os Abissais? Não sabia, apenas via que alguns andavam em meio aos caídos. Alguns pareciam ajudar.

Acabei sorrindo.

A Antiga Ordem caíra.

Notas finais
Quem aí sentia falta do Yu? Ele voltou, e voltou com um capítulo ótimo u..u O Hideo Despertado, geeeeeeente, vocês não sabem como eu queria botar esse Despertado incrível em algum lugar. Fic passada quase me matei, porque queria por ele logo, maaaas... Amanhã vou postar o último capítulo (NÃÃÃÃÃÃÃOOO), e talvez o epílogo. Se conseguir, posto o prólogo de Labirinto da Escuridão.