Medicina Arriscada

17 Minha querida Lilinete


Minha querida Lilinete

Flashback On

Desde antes do mundo ser chamado de Terra, sempre existiu a solidão. O universo em toda sua imensidão, com todos e tudo o que compõe, é solitário e frio e assim era Coyote Stark.

Tudo começou quando completou seus 14 anos. Nunca tivera amigos, mesmo sendo inteligente, bonito e amigável. Era uma criança infeliz.

Quando todos corriam pelo pátio da escola, ele apenas observava, largado no banco, esperando que a campa soasse. Ninguém o convidava para o time na educação física, mesmo tendo excelentes qualidades esportivas. Porque? Ah, seu pai.

Mesmo morto aquele homem lhe causava problemas. Não era um mafioso temido, mas ainda assim, um mafioso e quando se tem a palavra máfia no meio, sempre associam logo outras palavras como “assassinato”, “drogas” e “prostituição”. Qual era o trabalho de seu pai então? Contrabando de armas e coisas leves como isso.

Apenas isso.

Quando completou seus 18 anos e foi recrutado pelo exército. Casou-se forçosamente com uma mulher desconhecida graças a seu pai, que havia prometido a mão do filho, a filha do chefe de seu amigo e sequer falavam um com o outro.

No exército não o discriminavam por conta disso ou pelo menos não o olhavam com medo. Ainda assim, não existia amizade. Passou-se o tempo e ainda mantinha a mesma posição, mesmo aos 20 anos e aquilo frustrava seus superiores. Sua preguiça e desleixo o fazia receber inúmeros castigos, como lavar o banheiro, mas logo dormia sentado no chão com as costas apoiadas na parede.

Então, eles chegaram. As pessoas que mudaram a sua vida.

Grimmjow Jeagerjaquez, Zaraki Kenpachi, Hisagi Shuuhei, Kuchiki Byakuya, Nnoitra Jirga, Luppi e Madarame Ikkaku e para completar, ele. Coyote Stark, formando assim, os “Laminas vermelhas”.

Finalmente ele mostrava seu potencial, surpreendendo a todos os oficiais e até os novatos que ouviram falar na desgraça que era aquele homem para o batalhão. Mostrou-se um bravo guerreiro e ganhou respeito como os outros, um herói.

Após a guerra, cada um foi para o seu canto. Zaraki adotou uma criança, Shuuhei desapareceu com Nnoitra, Kuchiki investiu em um hospital falido, Luppi viajou para outro país, Ikkaku investiu em uma boate e ele... Resolvera estudar advocacia.

Foi então que encontrou Lilinete. Uma criança geniosa e infantil que havia fugido de casa. Ela estava sendo coagida por dois rapazes de aproximadamente 15, 16 anos a entrar em um beco, mas era visível a todos que passassem na rua que pelo olhar dela, e como se debatia, que ela não os conhecia.

“Ninguém vai fazer nada?”

As pessoas apenas passavam olhavam assustada, cochichando entre si. Grande porcaria, deixariam a menina ser sequestrada sem se importarem com mais nada além de fofocar. Foi assim que se conheceram, a salvando de dois idiotas.

Descobriu que ela havia fugido de casa por causa de seu tio, que tentara violenta-la e quando contou para sua mãe, a mesma nada fez. Assim, Stark a levou pra casa, cuidou dela, a alimentou e resolveu que se aplicaria ao máximo aos estudos, para tomar a guarda daqueles marginais. Ele se tornou seu irmão mais velho desde então e se afeiçoaram um pelo outro de tal forma que não iam a lugar algum sem o outro. Stark até a levava para a faculdade com ele e mesmo reclamando ela ia, pois não queria estar com ninguém além de seu irmãozão.

Coyote Stark se tornou um grande advogado e mal recebera o diploma, a tomou como filha adotiva e ainda conseguiu a proeza de prender tanto tio, como mãe da menina. Mesmo sem prova alguma. Nada poderia dar errado agora, pois tinham um ao outro e jamais ficariam sozinhos novamente.

Bom, pelo menos foi isso o que pensaram.

Andando de mãos dadas na calçada, voltavam ambos pra casa, quando um caminhão passou da estrada para a calçada e por pouco não matou a ambos, o motorista havia adormecido no volante. Poucos segundos antes de os atropelar, Lilinete empurrou Stark para o lado com força, o fazendo bater contra a parede e nesse meio tempo, ela já havia sido levada pelo caminhão, borrando a calçada e o asfalto de vermelho para sempre.

Não é necessário dizer que ele entrou em choque e muito menos que acabou com qualquer chance que o motorista tinha de escapar/ficar em liberdade/pagar fiança. E assim, a solidão o tomou novamente.

Flashback Off

Notas finais
-Atualizada 2020