Medicina Arriscada

18 E o rebuliço continua


Notas iniciais
Peço desculpas pela demora EXAGERADA, mas foi impossível para mim nesses tempos. o Bloqueio criativo estava me empacando. (eu nem sabia que eu algum dia iria ter um bloqueio. Acho que foi minha arrogância que me pregou essa peça rsrs.)

E o reboliço continua

(No cap. anterior... ou quase)

— Byakuya, seria atrevimento meu se te pedisse permissão para te cortejar?

A pergunta assustou tanto ao menor que este sequer se moveu da cama, permanecendo deitado. Não soube o que pensar ou o que dizer.

No cap. atual:

— Hã? Perdão, o que disse?

“Então foi daí que veio o assunto sobre homossexualismo e se tenho ou não interesse ou curiosidade.”

— Eu disse... Bem, como você falou antes, já houve uma época em que você teve curiosidade e até tentou com Grimmjow, mas não deu certo porque ele era muito... Bruto, não é?

— Continue. – Já mais calmo, o menor se erguia, sentando na cama para o olhar sério. Ainda não sabia o que dizer ao outro e precisava ao menos ganhar tempo para processar o importante pedido.

— Não me entenda mal, por favor. Eu não lhe ajudei até então porque queria lhe seduzir, mas eu só me dei conta de que estava atraído por você quando te vi no banheiro.

— Esse foi o motivo do banho juntos, dos comentários sobre interesse em homens e da massagem?

— Não precisa me responder agora, isso é algo a ser pensado, ainda mais quando se está com o coração fragilizado.

Essa era uma das qualidades que Byakuya presava em Stark. Era maduro e respeitava os outros. Não iria se forçar ao outro como fez Grimmjow.

— Ah, isso me lembra... Como eu disse antes, não fui eu quem tentou com Grimmjow, foi ele quem tentou comigo. Não passamos dos beijos, ele realmente não é algo que eu iria querer pra mim.

— Isso nem precisava dizer. – Um riso baixo de ambos e logo o clima pesado havia se dissipado.

— Vou pensar a respeito. Agora me relembre onde está aquele comprimido? Minha cabeça doi e meus olhos também.

— Atrás de você tem um copo com água e uma cartela em cima da mesinha de cabeceira.

— Sim, achei. – E sem mais tocar no assunto, seguiram para vários outros, até adormecerem, Kuchiki na cama e Stark nas almofadas da sala, ao lado do sofá.

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No hospital, Yachiru havia voltado a dormir em sua maca e estava tranquila a respeito do que havia se passado. Não iria ficar na casa de seu agressor quando melhorasse e isso era um grande alívio, mas ainda assim, queria ficar com seu pai verdadeiro.

— Ken-chan... – Falava dormindo, chamando a atenção de Madarame, que havia voltado a montar guarda com autorização dos policiais, desta vez.

“Pobrezinha, depois de tudo o que passou ainda terá de ficar com os assistentes sociais, aquilo é uma prisão. Ainda bem que temos Stark conosco.”

o0o0o0o

“Como eu pensei, era mesmo dor causada por conta das contusões que ele sofreu. De acordo com o histórico tem uma observação escrita à lápis dizendo que antes de vir pra este hospital, houve uma briga contra aquele homem gigante. Zaraki Kenchachi, Kenpashi, sej lá qual seja o nome dele, é irrelevante no momento. Durante a briga que tiveram ele deve ter se machucado. Vai ver que foi isso que causou as contusões nas costas. Os hematomas eram enormes.”

Hitsugaya pensava sobre seu paciente, Aizen Sousuke enquanto caminhava para sua nova sala de atendimento. Ainda estava preocupado com Byakuya por ele ter faltado o trabalho e quando foi perguntar ao secretário dele, Renji afirmou que eram por motivos pessoais, mas que ele provavelmente voltaria quando terminasse de reorganizar seus assuntos pendentes.

— É, até ele tem problemas.

— ...shirou, Touchirou! Acorda! – Quando se deu conta, uma mão enorme balançava a frente de seu rosto. Sequer reparou que Grimmjow o chamava.

— Desculpe, estava com a mente longe. O que houve, Grimmjow?

— Tsc, essa sua carinha de indiferença de sempre me aborrece sabia? Eu esperava ser mais bem tratado.

— Tenho um relatório para fazer. Diga rápido o que é.

— Tava pensando da gente sair depois pralgum lugar aê.

(N.D.A: vamos fingir que “pra algum” é tudo junto. rsrs)

— Hump, e porque eu sairia com você depois do expediente? Tenho coisas a fazer. – A verdade era que o menor estava com medo. Não sabia se todo aquele rebuliço em seu coração era o mesmo que sentia por Hinamori. Traiu seus sentimento para com ela no momento em que permitiu que uma outra pessoa o beijasse. Pior, ele havia beijado de livre vontade o maior por iniciativa própria. Isso o estava frustrando desde então e sequer conseguia pensar.

— Porque, você pergunta? Porque eu quero, é claro. – Grimmjow estava sendo paciente demais para quem tem a personalidade dele, mas isso não era bem um problema. Queria ver ele fora do trabalho não por coincidência como na outra noite, mas porque ambos queriam se encontrar.

— Talvez outro dia, Grimmjow. Não da pra ficar saindo toda noite, tenho de trabalhar, sabe?

— Então é assim? Tsc. Poderia dar uma desculpa melhor sabia? – Ele estava irritado e Touchirou sabia disso, mas não queria pensar no assunto, ele já se afastava com as mãos dentro dos bolsos do jaleco.

“Como eu pensei, é impossível ficar normal na frente dele. Droga, meu coração está tão rápido, isso é muito problemático. Tudo culpa daqueles beijos.” – E pensando nisso, o menor voltou aos seus afazeres. Ao chegar no consultório, Renji estava o esperando com uma ficha em mãos.

— O que faz aqui? – Perguntou em seu tom habitual, constrangendo o ruivo, que não estava acostumado com aquele garoto tão novo o tratando tão desrespeitoso.

— Er... Bem, seu novo paciente é um jovem que tem convênio com a empresa Soul e pediu exclusivamente para ser atendido por você, quer dizer, pelo senhor.

— Hum, qual o nome dele? Algum motivo em especial para me requerer? – Enquanto perguntava ao maior, seguia até seu assento, puxando uma papelada que mais cedo dissera à Grimmjow que iria preencher.

“Requerer? Qual a idade desse menino?”

— Kensei Mugurama. Faz 6 meses desde sua ultima avaliação médica, de acordo com os registros.

— Hum, esse nome me é familiar. Mande entrar.

— Sim senhor. – O jovem medico prosseguiu com as anotações enquanto o ruivo saia do consultório. Não demorou para que a porta fosse aberta e o paciente viesse ao cômodo com seu ar de superioridade, como se estar alí fosse alguma vantagem. Ainda sem olhar para cima, prosseguiu com as notas, dizendo ao outro para se sentar.

— Sente-se, estou acabando.

— Claro, espero quanto tempo for necessário. – O tom da voz era de escárnio e aquilo chamou a atenção do menor, que ao ver quem era seu paciente, arregalou os olhos, surpreso.

— Não me diga que esqueceu de mim, vou ficar magoado, doutor. — O tom era de deboche, o que fez os olhos do menor o fitassem sério e largasse a caneta.

— De acordo com o atendente você não vem para uma avaliação faz 6 meses, estou correto? O que tem ocorrido com seu corpo desde então? Tem se alimentado direito?

— Oh, pretende continuar com isso, não é? Há há há ha isso vai ser interessante. Okay, vamos fazer do seu jeito. Sabe doutor, meu corpo não vai muito bem, como pode ver, meu maxilar está inchado e roxo, o que não da pra entender, já que fui socado no nariz.

Aquela situação era perigosa. Precisava fazer algo a respeito. Apertou um dos botões do aparelho telefônico em sua mesa e falou sem tirar os olhos do maior.

— Renji, deixe os seguranças de sobre aviso e haja o que houver, não deixe Grimmjow saber sobre este paciente e muito menos o deixe vir aqui, ok?

— Sim senhor, er... Algo errado?

— Até agora não. Espero que continue assim. – Com esta resposta, desligou o aparelho, pegando a ficha do homem.

— Oh, tão precavido, isso seria medo? Porque deixou nosso amiguinho fora de jogo? Seria mais divertido à três.

— Esta não é minha especialidade, senhor, mas devido ao fato de ter pedido para ser encaminhado para meu consultório não tenho outra escolha a não ser avalia-lo. Sente-se na maca.

— Me ignorando, né? Okay, sempre quis brincar de médico, mas nunca me imaginei sendo o paciente. Rsrs. – Já com ele sentado na maca, pegou seus instrumentos de avaliação médica. Lavou as mãos, as secou e colocou as luvas.

— Abra a boca e diga “A”. – Segurando um palito de sorvete frente à boca do maior, a colocando na língua e com a outra mão, um instrumento cuja ponta tinha um espelho.

— Parece que mordeu a bochecha por dentro durante a contusão. Está feio, mas nada que uma pomada de cicatrização não dê jeito. Irei lhe receitar “gengilone”. Agora vamos ao próximo passo.

Aquela brincadeira estava ficando chata. O garoto era o tempo todo sério e profissional, como poderia tirar troça dele, se não havia efeito algum?

— Olhe para cima. Vou olhar seu nariz. – Aquilo o estava mesmo aborrecendo e não tinha mais aquele sorriso sarcástico de quando entrou, mas uma boca retorcida de chateação.

A verdade era que o menor estava atento a qualquer movimento do outro, pois temia do que ele poderia ser capaz de fazer. Não conhecia nada dele, apenas sabia que tinha um gênio pior que o de Grimmjow.

—Tá. – um instrumento que parecia uma pinça com as pontas inclinadas para o lado e arredondadas foi inserida dentro de uma cavidade nasal, depois a outra e o menor se afastou, tirando as luvas e pegando a ficha do maior, anotando o que havia avaliado até então e colocou novas luvas.

— Quando esta pessoa lhe socou, seu nariz sangrou, certo? Suspeito que a cartilagem tenha sido machucada. Você teve muita sorte, pois pelo que eu vi e avaliei, o soco atingiu o maxilar e por ter sido com tamanha força, acabou socando em conjunto o nariz. Se tivesse atingido apenas o nariz, ele teria quebrado e você estaria com alguns problemas extras para resolver. Deixe que o nariz cicatrize por si só. Uma cirurgia não é necessária neste caso.

— Tsc, tão sério. Quantos anos tem mesmo? – Mais uma vez pegou outro instrumento, desta vez o martelo e bateu contra os dois joelhos e pés do outro.

— Minha idade é irrelevante no momento, vamos continuar. Seus reflexos me parecem bem também. Tem sentido alguma dor ou desconforto, além da relatada?

— Droga! Porque você é assim? Eu vim aqui apenas para lhe ver, sabia? Agindo como se fosse um médico de verdade... Você é maduro demais pra sua idade! Sequer brinca com seus colegas? Você tem amigos da sua idade? Como pode agir assim? Você não é um velho, sabia?

— Quando você entrou aqui, eu sabia que não queria atendimento de verdade. Porque está pagando por uma simples conversa?

— Porque eu sabia que você não iria sair comigo como se nada tivesse acontecido, oras!

— Isso é claro como água cristalina. Mas e então? O que você quer de mim? – Não havia mais necessidade de continuar com a farsa e as luvas eram descartadas no lixo. Voltando para seu assento, Hitsugaya cruzava os braços, esperando que o outro falasse o que havia vindo falar.

— Quando você estava comigo lá na boate ficou todo “não me toque” e por causa disso acabei recebendo um murro daquele lá. Porque disse que não gostava daquele tipo de coisa se você tava naquele lugar? E também, ele disse que você estava com ele, vocês estão juntos ou o que?

— Não seja estúpido. Porque eu estaria namorando com um cara? Eu não gosto de homens! – Era visível que o jovem médico estava envergonhado por conta de suas bochechas coradas e apenas por isso Kensei não replicou por ter sido chamado de estúpido.

— Não gosta? Oh... – O sorriso mais cruel que o pequeno havia visto em toda sua vida se resumiu nos lábios daquele que estava diante de si naquele momento e isso o assustou. — ... Mas acontece que eu vi.

— ... Não sei o que você viu e pouco me importa. Já fiz sua avaliação e estamos excedendo o tempo. Se quiser conversar, aqui está meu cartão, agora vá embora por favor, tenho pacientes para atender.

— Tsc... Agora que estava ficando bom. Tudo bem, aceitarei sua sugestão. – Pegando o cartão de visita da mão de Hitsugaya, o professor de defesa pessoal se foi, dando alívio ao pequeno médico, que quase que imediatamente voltou a ligar pro ramal do assistente.

— Renji, me traga um copo de água com açúcar por favor e diga para um dos seguranças seguirem o paciente para ter certeza de que ele realmente foi embora.

— Senhor, aconteceu alguma coisa? – O tom de voz era de preocupação e não era fingimento. Para Renji, Hitsugaya era apenas um garotinho precoce e se algo de ruim acontecesse com ele, trataria de se sentir responsável mesmo não tendo nada haver com o ocorrido.

— Faça o que pedi por favor.

— Sim senhor.

(...)

Enquanto isso, no apartamento de Coyote Stark, Kuchiki Byakuya acordava de seu sono aos poucos. Não lembrava a última vez em que se sentira tão relaxado.

Era em torno de 1 da tarde e o moreno de cabelos lisos bocejava ainda deitado na cama.

“Que horas são? Sinto que é tarde. Faz tanto tempo que dormi até descansar que até me sinto estranho. Não ter de levantar correndo para resolver os assuntos do trabalho, comer o café pela metade e me estressar. Tenho de agradecer ao Renji por isso.”

— Já acordou? Quer tomar café da manhã ou almoçar? – A voz sonolenta do amigo dizia que havia acabado de acordar também.

— Bom dia. Geralmente pediria pelo café, mas com a fome que estou, apenas um almoço aplacaria minha fome. – Dizia levantando da cama com calma.

— Sei bem do que está falando. Isso é obra do que você bebeu ontem a noite. – Stark, que estava encostado na porta, sorriu, bocejando em seguida.

— Entendo, irei lhe ajudar.

E assim, ambos foram pra cozinha preparar um almoço simples de estrogonofe de frango acompanhado de arroz.

Continua...

Notas finais
Agradeço a todos que estão lendo até agora esta fic que eu estou amando escrever e reler hahahah XD tenho complexo de pigmaleão - me matem.