Medicina Arriscada

16 Kensei e Stark retornam


Kensei e Stark retornam

De todas as coisas pelas quais Kensei já havia passado, aquela havia sido a maior de todas as humilhações. Em uma única noite havia apanhado do cara mais irritante de toda aquela boate, levado um fora de um garoto lindo, sido expulso permanentemente da boate GLS mais badalada da cidade, tudo na frente de todos sem sequer ter como replicar e por fim, quando decidira seguir os dois para saber onde o garoto morava, assistiu ambos se beijando e agarrando parte do caminho e até mesmo quando chegaram frente à porta do apartamento.

“Pelo menos o baixinho não deixou o idiota subir.”

Estando em casa, o professor de defesa pessoal se perguntava do porque ter recebido aquele murro. Ele viu pelo olhar do azul que o mesmo iria o agredir, mas mesmo assim, não conseguiu reagir a tempo. Aquilo o deixava fora de série, ainda mais porque haviam dois alunos seus naquela maldita boate e com certeza não ficariam de bico calado. Perderia muitos créditos por aquele acontecimento.

A televisão estava ligada e enquanto ele passava o café da manhã, ouviu nomes ditos no noticiário que o fizeram despertar.

— Estamos ao vivo do hospital Kenseikan, onde estão hospitalizados o Ex presidiário Zaraki Kenpachi, o presidente da exportadora de computadores, Aizen Sousuke e a vítima Aizen Yachiru. De acordo com relatos dos policiais, a adolescente de 17 anos vinha sofrendo com maus tratos e que ontem sofreu uma tentativa de estupro por seu tutor Sousuke, que foi impedido por Zaraki Kenpachi, ex capitão do exército e herói de guerra.

— Fomos informados de que durante a madrugada, para ser silenciada, sofreu uma tentativa de assassinato, também impedida pelo ex subordinado de Zaraki Kenpachi, Madarame Ikkaku, dono da boate Madarame.

— O autor da tentativa de assassinato é Ulquiorra Schiffer, braço direito de Aizen. Investigações estão sendo feitas para confirmar o envolvimento de ambos no crime.

— Soubemos também que ontem duas cirurgias foram realizadas por Grimmjow Jeagerjaquez. Zaraki recebeu durante a luta contra o agressor Aizen, uma média de quatro tiros, sendo um no peito, coxa, ombro e outro de raspão. Durante a luta, Sousuke sofreu apenas uma fratura no pulso. Todos estão se recuperando cada qual de sua cirurgia e passam bem.

— Mais informações daqui alguns minutos. Vamos agora com os comerciais.

— Grimmjow... Sabia que trabalhava como médico, apenas não sabia onde. Tenho muita sorte.

— Estamos aqui novamente do hospital Kenseikan com mais notícias sobre o caso que abalou São Paulo. De acordo com investigações de nossos repórteres, soubemos que Zaraki Kenpachi antes de ser preso, era pai adotivo de Aizen Yachiru. Agora com vocês, a repórter Neliel Tu Oderschvank.

— Ainda aqui do hospital Kenseikan, mais notícias surpreendentes. O renomado neurocirurgião Kuchiki Byakuya, dono do hospital Kenseikan, contratou o mais comentado cirurgião de todos os tempos, depois dele próprio, Hitsugaya Touchirou!

— Com autorização do juiz tanto para cursar a faculdade quanto para exercer a profissão, formou-se aos 14 anos em medicina. Hitsugaya Touchirou especializou-se em cardiologia, nefrologia, pneumologia e é médico-cirurgião. Aos 17 anos, é um prodígio e tornou-se um dos mais respeitados médicos.

— Ficamos agora com a moça do tempo.

Kensei Mugurama, que ao ouvir aquela história, congelou. Antes, estava colocando o café dentro da caneca, agora, apenas segurava o bule enquanto o líquido quente derramava pelas bordas e molhava a mesa de madeira. Estava estático sem saber o que pensar.

“Aquele garoto era tudo aquilo? E trabalhava junto de Grimmjow no mesmo hospital? Médico renomado? Ele? Aquele pirralho? Respeitado até mesmo entre outros médicos? Como poderia ser?”

O bule foi colocado na mesa com força, provocando um barulho alto e o olhar era de raiva, embora não houvesse motivos para àquilo, aparentemente.

— Espere só... Estudante de medicina ou não, eu o pegarei pra mim.

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Enquanto isso, no hospital Kenseikan, a assistente social conversava com a garota e com os policiais para ver o que fariam dali pra frente.

— Então, está decidido. Enquanto não finalizarem esta situação ela ficará na instituição. Não podemos deixar que ela volte para aquele ambiente com aquele homem, e também não podemos deixar que ela more com um ex presidiário. Somente o juiz decidirá o futuro dela.

Hitsugaya, que passava pela porta ouviu parte da conversa, mas não sendo de seu interesse, passou direto para atender seu mais novo paciente.

—Senhor Sousuke... De acordo com o prontuário, quem fez a cirurgia em seu pulso foi Hanatarou, mas por estar sofrendo de dores pulmonares, fui chamado. Estou certo?

— Está bem informado, mas não pedi que chamassem um enfermeiro estagiário. Pedi que chamassem o melhor pneumologista deste hospital. Quero apenas o melhor.

Hitsugaya estava acostumado com pacientes desavisados e tolos que julgavam-no apenas pela aparência, mas aquela pose e arrogância vinda do maior o fazia sentir-se enojado.

— Desculpe se não me apresentei. Sou Hitsugaya Touchirou e sou o melhor pneumologista neste e de qualquer outro hospital deste país. — Pra que modéstia, quando se tem um sujeitinho tão irritante como paciente? Aizen não parecia surpreso com a apresentação, desenhando um sorriso fino nos lábios.

— Oh, então é verdade que existe um jovem que aos 14 anos se formou em medicina e ...

— Sim, agora diga-me o que está sentindo, pois estou a trabalho, não para fazer social. – Sim, ele havia sido rude propositalmente e Aizen não conseguiu responder àquela afirmação da forma como queria e como lhe foi pedido, relatou o que sentia, recebendo como “recompensa”, o metal frio lhe tocando as costas.

— Respire. – E brincavam de siga o mestre... Aizen engolindo sapos. Detestava isso e não iria deixar barato. Ao terminar o exame, Touchirou pegou o prontuário, anotando na ficha e acrescentando uma folha de papel à ela.

— Não identifiquei qualquer anomalia, mas por garantia, fará dois raio X. Agora tenho de ir ver outro paciente, com sua licença.

“Ele só está com dores musculares por causa dos hematomas que vi nas costas, mas nem sabe diferenciar uma dor da outra? Que homenzinho difícil.” – Pensava se pondo a andar para a sala de Byakuya, parando ao lembrar-se que ele não apareceria naquele dia. Não sabia o motivo, mas devia ser algo muito grave, para que aquele homem incrível faltasse ao trabalho.

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— Hm? – Acabara de acordar e a dor de cabeça o acompanhava. Onde estava? Ah, sim, na casa de Stark. Sequer lembrava que o outro morava naquele prédio, até o mesmo aparecer no elevador. Não se lembrava se havia dito algo à ele sobre Hisana, mas sabia que deveria sair dali, não era educado dormir na casa dos outros ainda mais aquela hora.

“Que horas são mesmo?” – Ao olhar no relógio de pulso, se surpreendeu, levantando rapidamente da cama, sendo acompanhado de uma dor maior ainda. Seu corpo não estava acostumado a beber daquela forma. “Meu Deus! São oito da noite! Como isso aconteceu?”

Com a mão na cabeça, saiu procurando pelo seu amigo, não o encontrando em parte alguma, pensou que ele tinha saído e por isso, não viu problema em tomar um banho, pois deveria estar precisando de um. Assim, tirou suas vestes e enrolado em uma toalha de banho foi até o banheiro, fechando a porta atrás de si.

“O banheiro daqui é mais bonito e aconchegante que o de minha casa. Estranho, parece ter sido feito por parte. Não deve ser igual ao dos outros apartamentos.” – Abriu a cortina e se deparou com um Stark completamente nu, dormindo dentro da banheira cheia d’agua. O susto foi tamanho, que o moreno de pele alva tropeçou nos próprios pés e caiu no chão com as pernas abertas, mas não sem antes tentar segurar-se na cortina, que pelo peso, arrebentou-se.

Stark acordou pelo barulho e ao ver Byakuya caído no chão segurando uma parte da cortina arrebentada, as pernas abertas mostrando absolutamente tudo, a face corada pelo esforço feito, bocejou e deu um pequeno sorriso, continuando a admirar aquela linda cena.

— Bom dia, flor do dia. Tomou as aspirinas que deixei ao lado da cama? Aposto que está com ressaca.

— Desculpe, pensei que não estivesse em casa e vim tomar banho, mas quando te vi aqui, tomei um susto. – Disse soltando a cortina e usando a borda da banheira como apoio, levantando.

— Entra, então. Vou esfregar suas costas.

— Stark, você está sendo tão gentil comigo e não nos falamos a tanto tempo...

— Você precisa relaxar depois do que passou. Venha, depois te faço uma massagem. – Disse já se ajeitando na banheira para o outro entrar também. Estava cansado mesmo depois de ter dormido tanto. Chorar cansava e isso era um fator agravante, então porque negar mais essa ajuda? Não tinha porque dizer não.

— Ok. – Deixou a toalha que envolvia a cintura no porta toalhas e adentrou a banheira, fazendo com que um pouco da água derramasse pelas bordas.

— Faz muitos anos que não me banho com alguém, sabia? – Stark já foi casado e tinha tido uma filha adotiva, sendo que ambas morreram em épocas diferentes anos atrás e era tudo o que sabiam sobre ele. O contrário do que as pessoas pensavam, não era heterossexual, ou gay, mas bissexual. Até então, o alto moreno não havia identificado o motivo de querer proteger aquele seu ex companheiro de guerra e muito menos do porque de o achar tão adorável em sua fragilidade, mas ao ver ele caído no chão naquela posição constrangedora com as bochechas vermelhas, ele entendeu. Pela primeira vez em anos, voltava a sentir atração por alguém.

— Eu posso dizer o mesmo. – Ria minimamente Byakuya, que alheio as intenções do amigo, retirava as presilhas brancas do cabelo e as punha na saboneteira, pegando o shampoo em seguida.

— Byakuya, hoje quero te deixar o mais confortável possível. Tudo bem se eu lavar seus cabelos? – A pergunta pegou o menor de surpresa, mas não tinha do porque negar aquilo, então assentiu, entregando o shampoo ao outro, que começou a cuidar dos belos fios negros do nobre Kuchiki.

— Seus cabelos são tão macios... – Falou sem perceber e ao terminar de lavar, pegou o sabonete e a esponja, esfregando as costas do amigo.

— Obrigado, eu acho.

— Byakuya, desculpe se te pergunto isso, mas... Nunca esteve com ninguém desde...

— Não. Não estive. – Disse sério, sentindo o coração doer um pouco. – Ela foi a única.

— Desculpe.

— Tudo bem. Acho que se for você não tem problema falar sobre isso.

— Estou honrado. – Deixando o sabonete de lado, começou a massagear os ombros do menor com calma. – Mas agora relaxe, está muito tenso.

— Ahn... Stark, isso é bom. – A fala de Byakuya veio como se fosse um gemido, fazendo com que pela primeira vez o maior corasse.

— Fiz um curso. – Disse tentando permanecer calmo. – Nossa, quando você tomou massagem pela última vez? Está mesmo muito tenso.

— Acho que quando eu era adolescente... Faz muito tempo eu nem lembrava como era... Ahnn... Tão bom.

Os pelos da nuca do maior se arrepiaram e o arrepio seguiu por toda coluna. Se ele continuasse gemendo daquele jeito entraria em parafuso.

— Byakuya... Do nosso grupo, o Grimmjow e o Luppi são gays não é?

— Hã? Sim, acho que o Ikkaku e o Hisagi também, mas de onde veio esse assunto?

— Não, o Hisagi é bissexual. – Silêncio. Ele não responderia a pergunta do menor, não agora. – Eu só estava pensando, se você em algum momento teve curiosidade a respeito.

— Não sei, Stark. – Respondeu achando aquele assunto no mínimo suspeito, mas logo esquecendo-se disso ao sentir as mãos firmes trabalharem mais abaixo nas costas. – Isso! Aí mesmo, Stark.

— Como assim não sabe? – A curiosidade se avivou ao mesmo tempo que sentiu o corpo se arrepiar novamente. Será que Byakuya sabia do quão sensual eram aquele corpo molhado e macio junto aqueles gemidos lânguidos? Aquilo era um combo.

— Eu já tive curiosidade, mas eu nunca me senti atraído por nenhum homem antes, sabe? O Grimmjow até tentou, mas não conseguiu me fazer sentir nada por ele.

— O Grimmjow? Ora mas é claro que não sentiria nada por ele. Não sabe ser gentil ou romântico, é rude, mal educado e não tem paciência. Só quem gosta desse tipo de coisa que gostaria dele.

— ... – A massagem havia sido interrompida e Byakuya se virava para olhar Stark nos olhos. – Você está certo em tudo o que disse, mas... Porque o interesse nesse assunto?

— ... Terminou o banho? Se sim, vamos para a cama, que ainda faltam os braços e as pernas.

— Hã? Do que está falando? – Stark tinha uma excelente habilidade para mudar de assuntos e aquilo surpreendia o menor, que ficava cada vez mais interessado nos motivos dele.

— A massagem. Ela não é feita apenas nos ombros e costa, sabia? – Respondeu rindo com o canto da boca.

— Entendi. Tudo bem então, já terminei meu banho sim. – Disse levantando e saindo da banheira. Pegou a toalha e ficou a se enxugar, sendo assistido por um moreno que temia continuar com aquilo. Estava sendo muito esforço não deixar-se endurecer diante de tantos gemidos e ainda mais ver aquele lindo corpo se secando com tanta calma. É, precisaria de um psicólogo depois.

— Eu tou todo enjilhado, olha só pra isso. – Levantou da banheira e para descontrair mostrou a mão ao amigo.

— Mas também, Stark. Quem dorme dentro de uma banheira? Isso é perigoso.

— Aconteceu sem eu me dar conta, quando vi, tinha acordado e dado de cara com você no chão. Há, há, há. – Caminhando, agora ambos secos, foram para o quarto do maior, sendo que este pegou de dentro do guarda-roupa vestes para ambos. – Não vista nada além da samba canção, ok?

— Por quê? Ah, tinha me esquecido, a massagem.

— Exatamente, agora deite na cama de peito pra baixo e costas pra mim. – Disse vestindo a cueca branca e uma calça de seda que usava para dormir.

— Não me lembro se já fui tão bem tratado por alguém antes sem que eu tivesse de pagar depois.

— Do que está falando? É claro que você vai me pagar. – Falou brincando, mas ao ver que o outro o olhava sem entender, respondeu. – Era brincadeira, Byakuya.

— Sinto-me muito melhor agora, que tenho você comigo. Engraçado como que em poucas horas de propenso suicida passei para uma pessoa tão zen.

— Nem parece você falando. – A massagem dera início nas pernas, subindo aos poucos e se intensificaram nas coxas.

Era quase irresistível tocar aquela pele sem malícia e até então havia conseguido, mas aquelas coxas eram tão durinhas e tão branquinhas, que a massagem se tornou um tanto erótica ao começar a apertar a parte interna da coxa e um suspiro escapou dos lábios do menor, que envergonhava-se por estar sentindo excitação pelas mãos do amigo, que apenas queria o ajudar.

— Stark, não seria melhor passar para os braços? – Realmente estava envergonhado, mas perceber aquilo, fez com que o maior sorrisse e continuasse.

— Porque? Não terminei ainda.

— Por favor, Stark. – Contra a vontade, obedeceu ao amigo, sentando mais perto, ao lado dele, iniciou a massagem no braço do outro e só parou quando terminou de sentir a tensão, voltando enfim ao assunto que queria abordar.

— Byakuya, seria atrevimento meu se te pedisse permissão para te cortejar?

A pergunta assustou tanto ao menor que este sequer se moveu da cama, permanecendo deitado. Não soube o que pensar ou o que dizer.

Continua...

Notas finais
Atualizado 30/07/13