Medicina Arriscada

19 O fim de um é o início de outros


Notas iniciais
Bora matar a vadia? bora! hehe se casem seus lindos! eu shippo o meu shipp

O fim de um é o início de outros

Havia se passado muitas horas desde que o famoso Kuchiki houvesse adentrado o prédio e nesse meio tempo, Hisana não havia ficado parada. Ela havia conseguido contatar o síndico e assim, pode descobrir através dele onde aquele tal Stark morava. Apartamento 901 com acesso exclusivo para a cobertura.

“Então, era ele o maldito que havia herdado dois andares. Ele quem nos alugou o apartamento onde estamos, vai ser uma excelente desculpa”

Nesse meio tempo, Byakuya acordava completamente descansado. Era uma situação única para aquele que acordava todos os dias as seis da manhã e só ia dormir a meia noite em diante, dependendo se havia ou não plantão. Embora fosse o dono daquele hospital o qual trabalhava, não tinha interesse em agir como uma criança mimada e trabalhar todos os dias o fazia se sentir bem. Era a primeira vez que ele tirava “férias”, por assim dizer. Se espreguiça na cama com um pouco de fome e sorri em ver onde estava.

Reparou em uma montanha de travesseiros e almofadas no chão e espalhado entre elas, estava seu amigo, que enquanto ele dormia, havia trazido da sala para o quarto onde estavam, toda aquela maciez.

— Stark?

Naquelas horas de descanso havia guardado seu amigo, enquanto lia.

— Está com fome? São sete da manhã.

Byakuya havia passado tempo demais naquele apartamento, mas não queria ir embora ainda. Em menos de 24 horas havia feito tantas coisas das quais nunca havia feito antes, que se pegava rindo e imaginando o que estava passando pela própria cabeça pra ter feito tudo aquilo.

— Meu amigo, o que está acontecendo comigo?

Confuso, fechou o livro e o deixou no chão ao lado de onde estava, para então voltar o olhar a seu hóspede, que continuou a falar.

— Faltei ao serviço, acordei tarde, comi, bebi até me embriagar, dormi na casa de alguém e fiz dessa casa minha. Me deixei levar e até recebi massagem feita pelo dono da residência. Desde quando tenho tão pouca vergonha?

O moreno de cabelos cacheados sorriu largo com a narrativa dos acontecimentos recentes e sem pressa se ergueu para ir até o outro, lhe buscando a mão mais próxima, a beijando com ternura.

— Fala como isso tudo fosse ruim. De tudo o que aconteceu até agora, a única coisa que me incomoda é o motivo que o fez chegar aqui.

Nesse momento, a campainha toca e Byakuya suspira, soltando a mão da dele, o incentivando a atender. A compreensão silenciosa se fez e o outro partiu até a porta a qual abriu. Disparado como um furacão entra as pressas uma mulher nervosa esbaforindo:

— Onde está aquele homem?

A voz irritadiça da pequena era alta o bastante para que o Kuchiki pudesse ouvir e sem esperar respostas ela seguiu adentro como se morasse alí, deixando o dono da residência tão surpreso que demorou para entender a situação, quase correndo para segurar a outra antes que chegasse no quarto.

— O que pensa estar fazendo? Não causou problema suficiente?

A baixinha puxou o braço para se soltar e nesse momento, o moreno altivo de olhar inquisitivo saiu do quarto vestido apenas com uma calça e cruzou os braços a olhando com desprezo.

— Quantos crimes pretende cometer até estar satisfeita Hisana?

A garota recua sem entender aquela reação vinda do homem que costumava domar, mas volta a atacar o outro irritada.

— Crime? Seu inapto! Invade minha privacidade e agora vem me acusar de criminosa?

O homem suspirou e voltou o olhar para Stark, que entendendo o pedido do outro, seguiu listando o que sabia até então.

— De acordo com o código penal, Fingir a própria morte, adultério, falsificação de documentos, invasão de propriedade... São crimes os quais você cometeu.

Enfurecida, a pequena pegou o objeto mais próximo e arremessou contra o dono da casa que desviou a tempo do vaso quebrar contra a parede ao lado e cacos se espatifaram, acabando por cortar o braço do homem.

— ... Dano de posse privada e agressão com lesão corporal simples. Você está inspirada, heim mulher?

O sangue escorre pelo braço, pingando no chão. Byakuya corre até o amigo preocupado e tenta ver se o corte havia sido profundo ou se por azar havia atingido algum nervo, mas vendo que era algo superficial, suspira aliviado. Stark sorri agradecendo mentalmente a outra por ter feito aquilo acontecer e seguiu até a porta, a trancando para que ela não pudesse escapar.

— O que está fazendo? Porque está trancando?

O olhar cansado do maior pousou sobre o celular e depois para Byakuya, que o entendendo, assentiu com a cabeça. Era incrível como se entendiam tão bem, mas nenhum dos dois percebia aquilo. Tendo a aprovação do mesmo, Stark pegou o celular e enviou uma mensagem no whatsapp, ignorando os gritos irritados da outra que continuava descontrolada.

— Deixa eu tratar você enquanto esperamos.

Sorriu com a atenção do outro e apontou na direção da despensa. Não demorou mais do que segundos para que o moreno de cabelos lisos seguisse para o local e voltasse com uma pequena maleta de primeiros socorros.

Vendo que os dois continuavam a ignorar a mesma, ela seguiu para a porta com o intuito de buscar seu namorado para dar uma lição neles, mas vendo que a chave que estava alí não abria a porta, ficou confusa.

— A porta não abre a não ser que você saiba a senha. Não uso apenas a chave, sabe.

A pequena viu então uma pequena tranca automática ao lado e rangeu os dentes com força, tentando se controlar. Nesse momento, o telefone de Stark tocou e o atendeu com a mão livre enquanto Byakuya tratava o braço ferido.

— Alô? Sim, 901. Isso mesmo. Tive de trancar, mas você sabe a senha. Não se preocupe.

Desligou o aparelho, deixando o visitante aliviado e a invasora nervosa. Ela não era idiota, sabia que alguém estava vindo. A porta deu um clique e abriu, fazendo Hisana recuar alguns passos e três pessoas adentraram a residência com suas glock em mãos, prontos para as utilizar caso necessário, mas vendo que não havia ninguém armado, dois deles guardaram as armas, deixando apenas a capitã Soi Fong seguir com a mesma nas mãos, mais distante.

Yoruichi observou em silencio a cena do crime e começou a tirar fotos de todo o local incluindo as pessoas que alí estavam, para então deixar a câmera pendurada em seu pescoço com descaso. Hisana estava com os punhos fechados mantendo distancia, não podia agir contra policiais armados.

— Stark, você tá um lixo. O que aconteceu? — Shunsul Kyoraku era famoso por não se importar muito com o trabalho, mas como era extremamente competente, ninguém se atrevia a demitir aquele homem.

— Resumo: Fingir a própria morte, adultério, falsificação de documentos, invasão de propriedade, dano de posse privada e agressão com lesão corporal simples.

Byakuya havia terminado o tratamento e terminava de guardar os itens na caixa de primeiros socorros, quando a invasora começou a murmurar com o intuito de tentar atuar, se fazendo de vítima.

— O que estão falando? Eu sou a vítima aqui! Vim ver o meu marido e esse homem agarrou meu braço, me machucando. Consegui me soltar, mas estava com medo do que ele pudesse me fazer e joguei a primeira coisa que vi nele pra fugir.

Na mente dos policiais que alí estavam, apenas uma coisa se passava:

“Stark tem preguiça até de comer. Como um homem desse seria capaz de ir até alguém pra fazer qualquer coisa? é problemático demais pra ele.”

— Não sou nenhum expert no assunto, mas sei que isso é calúnia e difamação.

Vendo o policial agir daquela forma, a garota explodiu rompendo a atuação e começou a esbaforir enquanto apontava para eles:

— Quem vocês pensam que são para agir assim comigo? Policiais eram para serem neutros, vocês estão do lado dele desde o início. Quanto ele pagou pra vocês? Eu pago o dobro!

— ... Uau. Desacato e suborno! Acha que oferecer propina é legal? Você tem o direito de ficar calada, aconselho que use. Estou com medo que essa louca continue aumentando a lista de infrações. Vamos prender essa maluca, depois pegamos o testemunho do flagrante.

Yoruichi seguiu algemando a ex enfurecida e a levou para fora, enquanto Kyoraku pegava amostras do sangue que estava no chão e em seguida punha os cacos do vaso dentro de sacolas a vácuo como evidencia.

— Vocês não podem fazer isso comigo! Vocês estão me machucando!

Em menos de meia hora, os policiais haviam se despedido afim de prender o cumplice de Hisana e seguir à delegacia e estavam sozinhos novamente. Muita coisa havia acontecido e estavam mentalmente cansados, mas haviam ganho muito com aquilo tudo. Byakuya finalmente abriu os olhos e aquele show pode fazer a dor desaparecer de seu peito. Ele conseguia respirar sem sentir os ombros pesados e tinha a seu lado um aliado inesperado.

As correntes que o prendiam haviam desaparecido completamente e como um homem livre, conseguia enfim pensar em si. Estavam ambos na copa, sentados no sofá onde tinham permanecido por longos minutos em silêncio, cada qual pelo seu próprio motivo. A musica clássica seguia tocando no laptop próximo deixando o ambiente tranquilo e assim como o ambiente, estava Byakuya quando decidiu tomar a iniciativa e por a mão em cima da de Stark, murmurando tímido a ele:

— Minha resposta... Eu permito.

A surpresa do maior veio acompanhado de um rubor inesperado, entrelaçando os dedos nos do outro ao ver que o médico desviava o olhar envergonhado. O coração de ambos batia nervoso, e permaneceram assim por longos minutos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.