Medicina Arriscada

4 Confronto de rivais


Confronto de rivais e amores

Perto do hospital Kenseikan, um adolescente de 17 anos caminhava em direção ao local onde trabalharia a partir deste dia, imaginando que havia aceito a oferta de emprego sem sequer saber de quanto ganharia, o que faria ou todo o resto. Só o fato de trabalhar ao lado daquele homem que para si era o próprio Deus, o deixava feliz, mas devia ter pensado no resto também. Kuchiki Byakuya enviara para si naquela manhã tudo sobre o contrato.

“Sócios? Jamais pensei tão longe. Sequer sabia o que um sócio devia fazer antes de ler o contrato.”

— Hitsugaya Touchirou. Há quanto tempo, não é? – Ao ouvir aquela voz, o menor sentiu seu corpo inteiro tremer de raiva, saindo de seus pensamentos para a realidade mas sequer se moveu para olhar para o dono da mesma.

— O que quer dizer com isso, Ichimaru Gin? Até ontem, nos víamos todos os dias.

— Até ontem, hã? Então é verdade? Foi mesmo demitido? – O sorriso da serpente beirava a antipatia e falsidade, aproximando-se até chegar a frente do garoto, que já esperava pela aproximação, mas nada fez a não ser erguer o olhar para cima e fitar os olhos miúdos do homem que mais odiava.

— Acha mesmo que alguém de minha competência seria demitido? Seria mais fácil demitirem alguém sem importância como você.

— Oh! Estamos de ovo virado hoje, não estamos? – O sorriso do maior diminuíra ao ouvir o que Hitsugaya havia dito, mas sem recuar, continuou o espetando com seus dizeres:

— Fale por si só. – Virando o corpo para o outro lado, começou a contornar o corpo do maior que empatava sua passagem, quando o mesmo lhe sussurrou com um sorriso maior que os anteriores:

— A senhora Ichimaru manda lembranças. – Instantaneamente o menor parou de andar, arregalando os olhos. Sequer sabia o que estava sentindo no momento. Alegria por ela lembrar dele, ódio por ela ter adquirido aquele sobrenome nojento, tristeza por ser impossível de a ter para si.

— ...Diga à ela que jamais a reconhecerei como uma Ichimaru. Ela sempre será apenas Hinamori para mim. Agora licença, está me atrasando e preciso trabalhar.

— Claro. – Abrindo espaço para o garoto, o deixou seguir.

Havia descoberto o que os outros tentavam esconder desde ontem. Ichimaru Gin havia ouvido por Kira, que seu detestado rival Touchirou havia pedido demissão no dia anterior e o diretor geral do hospital Soul S. já havia oferecido o máximo que poderia oferecer em dinheiro e benefícios para que o menor pudesse ficar, mas ele negou firme e respondera de forma imperativa que sentia, mas não haveria nada que o mesmo pudesse fazer, pois havia decidido sair daquele lugar e nada nem ninguém o faria mudar de ideia.

Gin se mordeu de ódio por ver a aflição de Tousen, que jamais ofereceria tudo aquilo para mais ninguém daquele hospital, mas apenas àquela criança arrogante.

— Então o pequeno gênio já está empregado... Neste bairro temos apenas dois hospitais particulares e apenas um deles conseguiria pagar o cachê que esse medíucrezinho costuma pedir. Kenseikan.

— Renji, ele está atrasado. Ligue para ele, não gosto de atrasos.

— Desculpe se me atrasei, mas ocorreu um imprevisto à duas quadras daqui.

— Veio à pé? – Byakuya se virou para contemplar o dono da voz.

— Sim. Moro apenas à três quarteirões daqui.

— Devo ligar pra ele? – Renji ria divertido ao ver que por trás daquela seriedade toda, Byakuya estava feliz.

— Não seja tolo Renji. Prepare os relatórios e veja o motivo de Grimmjow ter abdicado sua folga para fazer duas cirurgias. Isso me preocupa.

— Sim senhor. – Feliz, Abarai foi seguir as ordens do patrão, que já conversava com o menor em seu consultório.

— Leu o contrato?

— Sim. – O menor começava a reparar no quão impecável era aquela sala. Tudo tão bem organizado e arrumadinho. Até mesmo o cheiro daquele lugar combinava com aquele homem admirável.

— E o que acha das propostas? – Sentado em sua cadeira, punha seus cotovelos sobre a mesa, entrelaçando os dedos da mão esquerda com os da mão direita, olhando atentamente para o adolescente.

— Tentador, mas não acho que possa manter uma sociedade com alguém por hora, pois não tenho experiência. Talvez em um futuro próximo, possa pensar nisso, mas primeiro devo estudar sobre isso para não cometer gafes.

— Está recusando toda a proposta ou apenas a sociedade? – Sem perceber, Byakuya franzia o cenho, preocupado.

— Estou recusando apenas a sociedade, mas como disse, pretendo que isso seja temporário. – Como sempre, Hitsugaya estava sério, mas naquele momento, sentia medo de perder o que tanto queria.

— Excelente, não podia esperar menos de alguém com suas indicações. Que assim seja. A oferta do salário e seus outros cargos dentro da Kenseikan lhe agradam?

— Muito. – O medo foi sumindo aos poucos ao ouvir a resposta do moreno, vendo o maior descruzar os dedos e levar o indicador a um dos botões do telefone, o apertando.

— Renji, quero que traga a segunda proposta trabalhista de Hitsugaya Touchirou e o contrato que está de acordo com a mesma.

— Sim senhor.

— Segunda?

— Sim. Eu previ que fosse recusar a sociedade e preparei dois contratos. Este, que lhe mostrei e um outro, mantendo tudo o que lhe foi mostrado anteriormente, menos a sociedade.

Os olhos do rapaz brilharam em expectativa. Ele era brilhante.

Neste momento, a porta do consultório foi aberta pelo ruivo tatuado que ao ver o olhar de admiração vindas do menor para seu chefe, sentiu uma sensação estranha dentro do seu peito que parecia ser ciúme. Parou de andar e ficou olhando a cena. Aquela criança sequer havia notado que ele estava ali, apenas olhando para seu chefe, o que deixava o ruivo apenas com maior raiva, até que foi desperto de seus pensamentos pela voz imperativa de seu amigo.

— Algum problema Renji? – Chamando a atenção de Hitsugaya que virou a face para o ruivo que virou o olhar para o moreno, visivelmente curioso, pois seu secretário jamais havia sido avoado daquele jeito.

— Não, desculpe. – Continuou o caminho, deixando os papeis na mesa de seu superior, olhando de esguelha para o baixinho, pensando quais seriam os sentimentos que ele alimentava pelo seu chefe.

— Renji? – Byakuya mantinha a sobrancelha esquerda arqueada, observando seu secretário que continuava avoado.

— Sim? – O tatuado voltou o olhar para o moreno que ao perceber que o ruivo permanecia no transe, disse:

— Já pode ir.

— ... Ah! Desculpe senhor. – Rapidamente se retirou do consultório que no momento estava servindo de escritório.

— Por favor o perdoe, ele não costuma ser assim. – Byakuya voltava o olhar ao menor, que até então tentou se manter quieto, mas a curiosidade foi maior.

— Tudo bem. Ele é seu secretário, não é? Não imaginei que alguém como o senhor aceitaria pessoas como ele.

— Por favor, não contrato pessoas por sua aparência, mas pela competência delas. Se fosse assim, não cogitaria a ideia de contratá-lo. Agora vamos voltar a este assunto. – Deu os papeis que haviam sido entregues pelo ruivo ao garoto e o observou os pegar.

— Entendo, então vamos aos negócios. – Mesmo já sabendo o que estava escrito, se deu ao trabalho de ler cada linha até constatar que estava realmente de acordo com o combinado e puxou uma caneta da mesa do Kuchiki, assinando o papel sem sequer falar nada.

— Seja bem vindo ao hospital Kenseikan. Espero que seja tão bom quanto acredito ser, dê o melhor de si. – Disse estendendo a mão como se aquilo fosse selar o acordo de fato e não a assinatura de ambos.

— Sempre dou o meu melhor. – Respondeu o menor, apertando a mão do moreno.

oOoOoOo Continua oOoOoOo



Notas finais
-Atualizado 30/07/13-