Medicina Arriscada

12 Cão do diabo II


Notas iniciais
Desculpem novamente pela demora. dessa vez foi porque eu ficava esquecendo de postar. tava feito faz tempo, daí eu só ficava "-ah, depois eu posto..." quando vi tinha se passado tempo demais XD~ Boa leitura

Cão do diabo II

— Não podem correr no hospital! – Uma enfermeira alertou aflita, vendo Madarame e o policial passarem correndo em disparado para o primeiro andar. Chegando ao quarto de Zaraki, não o encontrou e antes que o policial o alcançasse, Ikkaku se virou pro quarto de Yachiru, o abrindo de supetão, encontrando uma garotinha animada sentada na cama e um homenzarrão usando bata de hospital gargalhando com a menor.

— Hahahaha Ken-chan é o melhor! – Ria a menina enquanto batia palmas por algo que ele havia dito antes.

— Hei Ikkaku, vi que guardou bem esse lugar. Bom trabalho. – Mal havia falado e o careca batia continência.

— É uma honra senhor! – O policial que já havia chegado algum tempo, o olhava de forma inquisitiva por tê-lo feito correr daquele jeito por todo o hospital. – Mal pergunte, porque o senhor gritou?

— Oi Tsunzun-kun! – Dizia a menina, fazendo a continência do outro se desfazer imediatamente, para repreende-la.

— Você nunca vai me chamar pelo nome? – Perguntava o homem com os dentes cerrados.

— Mostra pra eles, mostra Ken-chan!

— HAHAHAHA só mais uma vez, ok? – A essa altura, pensando que sua pergunta não seria respondida pelo maior, nem perguntara mais sobre o assunto, mas ao ouvir aquilo, começava ele e o policial a suspeitarem de que aquele barulho não havia sido de todo mal.

Zaraki levantava da poltrona, onde não haviam mais as coisas que antes Ikkaku havia amontoado, pois o maior as havia guardado e em uma posição de zumbi/monstro, o maior começou a urrar. O olhar intenso dele acabava por causar desconforto no policial e o fez estremecer. De acordo com os dados e pela testemunha, aquele homem havia levado 39 tiros em um campo de batalha e o registro dizia que apenas porque ele quis. Ele deixou-se ser baleado pelos mais fracos para dar vantagem ao inimigo sobre ele. Os encorajava para avançar contra ele, pois sabia que não podiam com ele, correto? Que tipo de homem era Zaraki Kenpachi? Os relatos dizem que embora seja um herói de guerra, ele é um assassino sanguinário que vê prazer em lutar com inimigos fortes.

— Ahahahahah fez igual! Faz de novo Ken-chan! – A adolescente ria tanto que lagrimas escorriam dos olhos.

— Não, vamos acordar o pessoal dos outros quartos. Outro dia te mosto de novo.

— Ah, ele ta imitando aquele monstro carnívoro? – Pondo a mão na testa, o careca se surpreendia consigo mesmo por não ter percebido antes. – Ta igualzinho. Cara, saudades dessa época.

— Obrigada pelas roupas Tsunzun-kun! – Desistindo de seu nome verdadeiro, Ikkaku apenas acenou com a cabeça.

— Vocês estão esquecendo de uma coisa. Agora que a senhorita Aizen Yachiru acordou, teremos de fazer as perguntas.

— JAMAIS! Jamais a chame de Aizen novamente. Ela é minha filha. Zaraki Yachiru! – Batendo contra a parede, fez um estrondo, olhando ao policial com fúria nos olhos, enquanto que seu amigo permanecia calado e sério, abaixando a cabeça, pois sabia da perda que Zaraki havia tido. Não havia a visto crescer.

— É isso aí, Ken-chan! – Diferente do habitual, a voz animada da menina agora estava chorosa e levantava-se da cama ainda com o soro no braço para abraçar o homenzarrão, chorando com a face encostada em seu peito. – Quero voltar pra casa Ken-chan.

Sem saber ao certo o que fazer a abraçou com apenas um braço e se alguém de fora visse os dois, veriam apenas dois pacientes vestindo a bata do hospital se abraçando, o maior aparentando sentir uma dor fora do comum de acordo com o olhar que tinha, mas os que estavam naquele quarto sabiam. Era emoção demais para conseguir ficar impassível. Para tentar manter o profissionalismo, o ruivo interrompeu.

— Podemos ir a outra sala para fazer as perguntas ou pedir que eles se retirem, senhorita Yachiru. Fica a seu critério.

— Não! Eu quero eles comigo! – Se agarrou ainda mais forte ao pai, temendo ser tirada dele novamente, parecendo enfim uma criança.

— Hã? Eu também? – Apontando pra si mesmo, o careca olhava duvidoso pra menina, que balançava a cabeça afirmando o que havia dito antes.

— Eu te conheço desde pequena, tio.

— Tio...

— Ok que assim seja, sentem-se todos, por favor. – O ruivo dizia puxando um gravador do bolso e trocando a fita, começou. – Policial Kurosaki Ichigo data --/--/-- do hospital Kenseikan com a vítima Aizen Yachiru, outrora conhecida por Zaraki Yachiru. Como acompanhantes estão Madarame Ikkaku e Zaraki Kenpachi. Pode começar.

— Tudo aconteceu alguns anos atrás, quando o Ken-chan foi preso... Na esquina da escola havia um homem que vendia pipoca e todos os dias eu comprava um pouco pra comer enquanto esperava o Ken-chan me buscar.

Ele estava demorando e eu sentei no banco que tinha alí e como sempre puxei papo com o vendedor, então ele me ofereceu uma coisa estranha e como eu falei que não queria, ele tentou me forçar a comer aquilo e eu empurrei ele, mas era mais forte que eu, nesse momento, o Ken-chan apareceu e o puxou com força, lançando ele contra a parede. Eu estava assustada e o abracei. Nunca vou esquecer da cara que o Ken-chan fez quando viu o que tinha na mão do vendedor. Nesse momento ele ficou fora de sí e espancou ele até a polícia chegar e conter ele.

Os juízes decidiram que o Ken-chan tentou matar o homem, pelo estado grave em que ele foi deixado e o prenderam por tortura e tentativa de assassinato. Fui levada pela assistente social e no dia seguinte, fui adotada pelo Aizen Sousuke. Ele sempre insistiu em me chamar de filhinha adorável e na frente dos outros sempre me tratou bem, mas em casa ele sempre batia em mim. Quando completei 15 anos, ele começou a me assediar.

oOoOoOo

O depoimento continuou até que Zaraki não aguentando mais, abraçou sua pequena, suspirando longamente, para depois a olhar seriamente, voltando a se sentar. Ele estava se contendo para não correr o hospital inteiro e terminar o que havia começado na casa de Aizen e o matar.

— O que foi? Continuem. – Dizia cruzando os braços emburrado, como se nada tivesse feito.

— Eu trancava a porta do meu quarto sempre que ia dormir, porque houve uma tarde que eu tava chegando na casa dele e o vi com uma de minhas calcinhas na mão. Ele não me viu, mas eu o vi ir pro quarto dele. Todas as noites ele tentava abrir a porta do meu quarto e eu tinha medo que ele conseguisse. Foi assim até eu completar meus 17 anos, mas ontem ele me arrastou pelos cabelos até o quarto dele.

Eu pensei que ele ia me bater de novo, mas ele foi arrancando minhas roupas e eu fiquei com medo de verdade, porque só tinha eu e ele naquela casa. Comecei a gritar, mas nenhum vizinho iria ouvir meus gritos, as casas são muito afastadas umas das outras. Eu já estava com os pulsos amarrados na cama, e ele tirava a blusa quando ouvimos o barulho de vidro se quebrar. Ele pensou que algum carro havia batido contra uma pessoa, pois mês passado aconteceu isso e o barulho foi o mesmo. Mas não demorou nem 5 segundos e apareceu o Ken-chan pra me salvar.

(...)

Depois de contar o que ocorreu depois de Kenpachi ter aparecido para a salvar, o policial olhava para todos com seriedade e bagunçando os próprios cabelos alaranjados, falou nervoso que o olhavam em expectativa e quem visse de fora poderia jurar que o careca, o policial e o homenzarrão iriam partir pra briga ali mesmo, tamanha era a tenção e as sobrancelhas unidas sem dar descanso. Somente a garotinha permanecia calma, voltando a deitar-se na maca, com o soro prestes a acabar.

— O que me contou é muito sério e bate com o que Zaraki Kenpachi me passou durante o testemunho dele, portanto, sugiro que entrem com uma denuncia contra Aizen Sousuke enquanto ainda temos tempo. Existe um prazo para flagrantes e ainda há algumas horas para fazerem isso. Posso escolta-los até a delegacia, já que houve uma tentativa de homicídio.

A garota olhou pro ex pai adotivo e o fitou por longos minutos, tendo o olhar retribuído em silêncio ininterrupto, até que ela finalmente olhou pro policial e lhe sorriu.

— Ok cabelo de fogo, Você nos leva assim que eu sair do hospital, combinado?

— Cabelo de... Ora sua... – Antes que o ruivo se desse conta, foi interrompido pelas rizadas histéricas de Ikkaku, que apontava pra Ichigo.

— Você é a vítima agora. Desista do seu nome, porque ela não vai mais usar.

— Parabéns. Ela gostou de você. – Dizia Zaraki levantando da poltrona e indo em direção à sua cria, afagando os cabelos rosados da mesma.

oOoOoOo

— O que você quer dizer com “eu falhei”? – A voz de Aizen se pronunciava calma diante daquelas informações. Diante dele estava Ulquiorra com sua face imparcial.

(N.d.A. Vocês devem estar se perguntando de como ele escapou do policial loiro que estava o guardando, não é?)

Flashback on

— Droga, agora terei de ficar com esse cara até eles voltarem. Nem posso conversar, porque ele não fala nada. – Continuava resmungando sozinho sem se importar se Ulquiorra ouviria seus muxoxos ou não. Calmo, permanecia olhando para um único ponto na parede. Era uma formiga que caminhava sozinha, manchando na parede branca o ponto marrom se movia cada vez mais para cima em movimentos ondulares.

Passou assim boa parte de seu tempo observando a pequena criatura, até perceber que não mais ouvia as reclamações do loiro. Este se encontrava sentado com a cabeça encostada na parede, dormindo profundamente com um pouco de saliva escorrendo pelo canto da boca. Não era a imagem exemplar para um policial, mas era excelente a oportunidade que tinha. Precisava avisar a Aizen o que acontecera e assim, pegou uma bata que se encontrava naquele quarto e o carregou nas mãos, cobrindo os pulsos onde as algemas os prendia para que assim, ninguém suspeitasse e caminhou até onde sabia que seu mestre estava.

— Olá Ulquiorra, porque demorou? – Perguntou Aizen com um sorrisinho mínimo nos lábios, esperando as boas novas.

— Eu falhei. – Respondeu em um murmúrio baixo, para apenas ele escutar, embora só existisse os dois naquele quarto.

Flashback off

— Fui emboscado por Madarame Ikkaku. Ele preparou uma armadilha. Foi muito engenhoso da parte dele me enganar com um corpo falso.

— Como? O que isso quer dizer? Como ele sabia que iriamos...

— De acordo com Madarame, Zaraki o preveniu de nosso ataque surpresa.

— Tsc, aquele maníaco... Não é a toa que se tornou capitão tão cedo. – Ria de forma maligna o moreno agora mais calmo, arrancando o escalpe das veias, fazendo com que sangue e soro pingasse ao chão. Aquela visão era bela para Ulquiorra, que admirava seu mestre ainda sem se mover desde que chegara.

— Conte-me tudo.

oOoOoOo

Ao acordar, o policial loiro vê seu detento comportado, sentado na cadeira onde o havia deixado. Ele não dormia a tanto tempo por conta dos casos que estava lidando e acabou cometendo o deslize de dormir em atividade. Definitivamente aquele moreno era entediante. Mal sabia ele que o mesmo acabava de voltar de um passeio de uma hora e que se o policial tivesse acordado dois minutos antes o teria pego no flagra em seu retorno.

— Ulquiorra Schiffer. Que horas são? – Perguntava mais para si mesmo que para o outro, verificando no relógio em seu pulso as horas. – Nossa, já tão tarde? Droga, onde está aquele ruivo afinal?

oOoOoOo

— Este foi o depoimento da vítima Yachiru. – Finalizava o ruivo desligando o gravador e o pondo de volta no bolso. – Agora que está tudo aqui, enviarei para meus superiores e o juiz determinará a sentença de Aizen Sousuke. Eles lhe encaminharão para a assistente social, mas Zaraki Kenpachi poderá tentar tomar sua paternidade, já que agora não está mais preso e tudo foi esclarecido. Só que conhecendo aqueles caras, eles vão arrumar pra cima dele e o farão pagar uma multa por ter invadido propriedade alheia e quebrado bens de terceiros. Algo do tipo. Arrumem um bom advogado.

Zaraki sorria enquanto ouvia tudo o que era dito e piscou pra rosada, respondendo ao ruivo de forma animada:

— Pode ter certeza que temos um ótimo advogado. Vamos ver se aquele otário do Stark vai servir de alguma coisa é agora.

— Stark? Onde eu já ouvi esse nome... Ah lembrei! É um daqueles que participaram das Laminas vermelhas certo?

— Ora, está bem informado, não é? – Sim, ele mesmo e pelo que ouvi falar, depois que eu fui preso ele resolveu se tornar advogado e parece que conseguiu ser alguém na vida.

— Desista dele capitão. Aquele cara continua o mesmo de sempre. É capaz de chegar atrasado na audiência e mesmo com toda a competência do mundo, não é possível ganhar uma causa se ele não estiver presente.

— Tsc... Você tem razão. Bem, então eu levo ele eu mesmo. Como você disse, é capaz dele se atrasar porque dormiu demais. – Respondia Zaraki cruzando os braços com os lábios retorcidos em irritação, enquanto o policial observava a conversa. Ele estava simpatizando com os suspeitos e isso não era nada bom para si como policial, então resolveu fazer seu trabalho.

— Muito bem, agora que tudo está resolvido, Madarame Ikkaku, vamos voltar para onde seu amiguinho está.

— Aquele cara definitivamente não é meu amigo! – Exaltado, Ikkaku gritou com o policial, que algemou o pulso esquerdo do carequinha no seu próprio pulso direito, acabando por irritar ainda mais o dono da boate. – O QUE? O que você pensa estar fazendo, seu doido? Eu já não tava liberado? O que eu fiz de errado pra me prender?

—Tá... Tá... Que seja, agora vem comigo. A culpa é sua por ter corrido daquele jeito sem eu lhe liberar direito, deveria assinar uns papéis. – Sem esperar a resposta desaforada do outro, o ruivo foi puxando-o com a maior paciência do mundo, tão atípica dele, ignorando completamente todos os desaforos que eram dirigidos a ele.

oOoOoOo Continua oOoOoOo

Notas finais
Atualizada: 30/07/13 XD graças a saphy-chan está melhor S2