Medicina Arriscada
10 Cão do diabo
Notas iniciais
Cão do diabo I
(N.D.A: De volta para a história principal)
Depois de todo o ocorrido, Ikkaku fez o que fazia de melhor no antigo internato. Puxou a poltrona que havia no quarto para o parente que ali fosse pernoitar e a arrastou para longe da maca a qual estava a garota inconsciente, fechou as cortinas e apagou as luzes, deixando assim o quarto em breu absoluto, a não ser por um feixe suave de luz que escapava por entre as cortinas fechadas. Na poltrona foram colocadas as sacolas, a mochila do careca e dois travesseiros bem posicionados que logo foram cobertos por um lençol, o volume dava a ideia de que havia alguém dormindo ali, reforçado pela escuridão.
Tudo que fez, o levou a lembrar de quando estudava no internato militar e fingia estar dormindo na cama, quando estava escondido dentro do guarda-roupa. Na época era difícil de lidar com seus superiores durante a noite.
Agora que tinha tudo preparado, se escondeu no banheiro, mantendo a porta entreaberta para observar qualquer movimento que fosse feito no quarto sem que o vissem.
Com a escuridão a seu favor, uma isca a vista e uma testemunha de um crime que estava aparentemente longe de qualquer proteção. A vítima perfeita para Aizen.
Tinha em mãos sua arma favorita, que já havia retirado de dentro da calça e a partir daquele momento, ficaria de tocaia. Uma única enfermeira vinha sempre de uma em uma hora, tirando a bolsa de sangue quando ficou vazia e trocando um soro por outro.
Passaram-se horas até que uma pessoa diferente adentrou o lugar.
A porta foi aberta e rapidamente fechada pelo homem de cabelos lisos e negros que de tão alvo, custava a acreditar que não era um albino. Se aproximando da garota, de costas para a porta do banheiro, o homem alto e magro puxou uma adaga que havia escondida antes por entre a bainha da calça e o corpo, coberta pela camisa polo.
— Desculpe menina, não é pessoal. São ordens de Aizen-sama. – Murmurou num tom quase inaudível. Foi neste momento que o mesmo sentiu uma sensação de metal gélido pressionar sua nuca de forma firme, quase o cortando.
— “Aizen-sama” continua o covarde de sempre pelo visto. – Dizia com sarcasmo o careca, que havia saído furtivamente de seu esconderijo e imobilizado o moreno com sua ação.
— Quero que se vire lentamente para mim com suas duas mãos fechadas no cabo da adaga e a segure firme sem se mover até eu mandar.
Obedecendo o que foi dito, o jovem se virou, deixando que o outro visse que tinha olhos lindamente verdes e tatoos em forma de risco em sua face que pareciam lágrimas negras. O moreno olhou para a poltrona, vendo que a pessoa nela estava muito quieta e com seu tom de voz habitual perguntou:
— Quem? – Para confirmar as suspeitas do moreno, Ikkaku ascendeu as luzes com o cotovelo, sem desviar a mira do pescoço do alvo. – Um truque. Entendo, fui descuidado. O que fará comigo?
— Você continua o mesmo frio, calculista e apático de sempre, Ulquiorra Schiffer. Feche os olhos que lhe conto. – Sem nada a perder e curioso, fechou os olhos como o outro havia dito e nesse tempo, Ikkaku acionou o botão para chamar a enfermeira, que ao chegar, soltou um gritinho agudo ao ver a cena, deixando o moreno ainda mais curioso.
— Pode abrir os olhos agora. Vocês sabiam que de acordo com a lei, qualquer cidadão pode dar voz de prisão à alguém que cometeu algum delito? Ulquiorra Schiffer, Você está preso sob a acusação de porte ilegal de arma, suspeita de formação de quadrilha e tentativa de assassinato. Você tem o direito de permanecer calado. Tudo o que disser poderá ser usado contra você no tribunal.
A cada palavra dita pelo careca, fez com que o acusado ficasse preocupado por aquele a quem servia. As palavras formação de quadrilha implicava que havia outro envolvido e isso poderia levar à Aizen. O moreno demonstrava preocupação, coisa que o careca jamais havia testemunhado no ex colega de classe.
— Enfermeira, no térreo tem dois policiais que estão aguardando a melhora da menina e de Zaraki. Chame-os aqui por favor.
— Sim! – Em um gritinho agudo, a senhora idosa deu as costas e correu, infringido as regras do hospital com aquele ato.
— ... Motivo. – O moreno murmurou ao outro, que ainda mantinha a ponta da lança contra a garganta deste. – Qual motivo o levou a isso? Ficar aguardando o inimigo. Você sabia que eu viria. Como?
— Digamos que somos parecidos em parte. Você segue seu líder e eu o meu.
— Dentre todos os homens, Aizen-sama se destaca e brilha tão ou mais que o sol. – O careca iria responder se não fosse pela chegada dos policiais com a enfermeira, que os seguia distante, temendo se envolver mais ainda. Vendo os homens pegarem suas armas e apontarem tanto para Ulquiorra quanto para ele, Ikkaku se surpreendeu.
— Joguem suas armas no chão! Vocês estão presos!
— Hã? Do que estão falando? Este homem acaba de tentar matar esta garota e inclusive, já dei voz de prisão á ele.
— Não tente nos enganar, larguem as armas! – Sem paciência para discursão, Ikkaku olhou para o moreno e balançou a cabeça afirmativa para ele, que com a ordem do careca, jogou sua adaga no chão, a fazendo cravar contra o carpete em pé e em seguida, Ikkaku fez o mesmo, largando sua preciosidade no chão com carinho para não arranhar.
— Esperem, ele disse a verdade! Eu vi quando esse senhor falou para ele essas coisas que os policiais falam. E também foi ele quem me chamou e pediu para chamar vocês. – Surpresos pelo que ouviram, o policial ruivo e o loiro abaixaram as armas, algemando apenas o moreno.
Ao apreenderem as armas de ambos, os levaram a uma sala vazia do hospital, onde deram início às perguntas, sendo primeiro interrogado o careca.
— Como você entrou aqui com uma lança sem ninguém notar e porque estava levando ela contigo? Quem anda com uma arma não costuma ter boas intenções.
— Ei, calma lá uma pergunta de cada vez. Tsc agora só me faltava essa. Em primeiro lugar, eu nunca me separo dela, em segundo, eu estava de tocaia a mando do capitão, pois ele previu que atacariam a garota para ela não depor contra o covarde. E em terceiro lugar, tenho porte de arma, então posso sim levar pra onde quiser minha belezinha, que eu já tou ficando louco longe dela!
— Quem é seu capitão? – Perguntava o policial loiro, enquanto o ruivo se afastava para ligar para alguém do celular.
— Não é da sua conta, cabeludo. – Falava o careca com os braços cruzados, olhando para o loiro, que tinha os longos cabelos soltos, muito atípico para um policial.
— Zaraki Kenpachi. – Ulquiorra, que ainda não havia dito nenhuma palavra desde a captura, se pronunciou sentado na cadeira, permanecendo algemado.
— Cala a boca, Schiffer! Você tem o direito de permanecer calado. Porque não o usa? – Falava frustrado, o dono da boate.
— Zaraki? Não é o cara que estamos vigiando? – Perguntou o loiro ao ruivo, que voltava com o celular desligado.
— De acordo com os dados que me enviaram pro meu e-mail... – O ruivo pegava um tablet de dentro do bolso e abria o e-mail rapidamente. — ... Zaraki Kenpachi é ex capitão do exército e foi o primeiro recruta a subir de cargo tão rápido. Assumiu um grupo independente que se recusava a usar armas de fogo e decidiram usar armas brancas, todos eles.
— O QUE? Que tipo de lunáticos vão pra guerra com facas?
— Ei, olha como fala, facas não. – Em um muxoxo, Ikkaku repreendia o policial, que o olhava surpreso, sem entender.
— Tenho os nomes dos integrantes e os dados do que eles usaram no lugar das armas convencionais:
Kuchiki Byakuya — 1 Katana
Grimmjow Jeagerjaquez – 1 Katana
Luppi – 1 katana e 1 bastão de baseball?
Stark – 1 katana
Nnoitra Jirga — 6 Katanas?
Zaraki Kenpachi – 1 Katana
Hisagi Shuuhei – 1 Katana
Madarame Ikkaku – 1 Lança.
— Por incrível que pareça, todos sobreviveram ilesos, menos Hisagi que levou um tiro na perna e Zaraki que levou... Os dados devem estar errados.
— 39 tiros. Há! Ele é ou não é o máximo? – Ria orgulhoso o careca, que não percebia os olhares inquietos dos policiais. – Os dados não estão errados. Eu mesmo vi. Estive ao lado dele o tempo todo. Quando ele percebia o medo do inimigo, ele dizia:
“- Quero que atire em mim. Eu sou bom desportista e te dou um tiro de vantagem. Vamos! Atire!” – Ikkaku imitava seu capitão, abrindo os braços como que deixasse o peito a mostra para o tiro.
— Kuchiki é dono deste hospital e Jeagerjaquez trabalha aqui e você veio aqui a mando dele mesmo não sendo mais seu capitão, porque?
— Não respondo perguntas pessoais. – Dizia descruzando os braços.
Depois de muitas perguntas, a maioria não respondida ou pelo menos, não da forma como queriam, o rapaz foi solto para testemunhar contra o moreno num outro dia. Por enquanto estaria livre para fazer o que bem entendesse e só teria sua arma de volta quando mostrasse a eles o comprovante de porte de arma, embora pudessem descobrir isso com apenas uma ligação, pois queriam avaliar a arma para saber se havia sido usada a pouco tempo ou não.
Na vez de Ulquiorra, os policiais ficaram desconfortáveis pelas palavras monossilábicas e olhar frio, ausente de emoções.
— Porque estava com uma adaga em um hospital?
— ...
— Tem porte de arma também e nunca se separa da sua adaga ou o que?
— Não tenho.
— Madarame Ikkaku em seu depoimento citou que impediu de que você assassinasse a garota hospitalizada.
— Policial, poupe tempo e me leve. – Surpreendendo os policiais e irritando o careca, o moreno falou com naturalidade embora continuasse com sua frieza habitual.
— Que pessoa difícil. Escute garoto, você tem o direito de permanecer calado, mas nós temos a obrigação de ler seus direitos e lhe fazer essas perguntas, faz parte do protocolo e mesmo que não diga nada, continuaremos a perguntar. Você é jovem, não deve querer ir pra prisão.
— Na verdade, não me importo. – Nesse momento, Ikkaku socou a parede, praticamente gritando de raiva:
— Não importa, desde que o maldito “Aizen-sama” esteja bem, não é?
— ... – Cansados, os policiais revezaram para prosseguir com as perguntas, e foi quando um grito gutural foi ouvido do andar acima à eles e algo de metal cair no chão.
— MESTRE! – Ikkaku gritou com o olhar assustado e impulsivo, correu, acabando por derrubar uma cadeira no chão e com sua atitude, fez com que o policial ruivo corresse atrás dele, enquanto que o loiro se viu obrigado a ficar com o suspeito.
oOoOoOo Continua oOoOoOo
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