Medicina Arriscada

11 Pensamentos impuros


Notas iniciais
nem sei se demorei pra postar, só sei que gostei do cap.

Pensamentos impuros

Touchirou estava deitado na cama que havia comprado juntamente com seu apartamento perto da zona nobre da cidade, e embora não fosse cara, também não eram baratas as despesas porém, sempre recebia o suficiente para manter-se e ajudar sua mãe, única parente viva que conhecia.

Após sua rotina de trabalho, Kuchiki havia conversado em particular com o jovem prodígio e dito para ele não se preocupar sobre o ocorrido e que entendia que ele não tivera culpa alguma, pois Grimmjow sempre atacava os estagiários ou os novatos e se preferível, devesse o evitar nas primeiras semanas de trabalho, pois esse é o momento em que ele se comporta daquele jeito “inapropriado” como o próprio havia mencionado.

Havia ido pra casa para descansar, mas cada segundo a mais naquele lugar se tornava uma tortura e se sentia sufocado mesmo com o ventilador e ar-condicionado ligados. Não estava calor, mas sentia-se assim.

“Então ele sempre age assim... O que eu estou pensando afinal? Somos homens! E eu... Eu amo a Hinamori.”

Largado na cama, punha a mão na testa, fechando os olhos. Estava frustrado, abatido e o pior de tudo era que sentia culpa por ter gostado do beijo dele. Como poderia ter gostado de sentir os lábios de um homem tocando os seus? Como poderia querer beija-lo? Querer toca-lo? Ansiar pelos toques daquele homem?

“Isso não está certo. Definitivamente eu preciso esquecer isso. Preciso sair pra algum lugar, qualquer lugar. Ficar em casa não vai adiantar nada.”



O0o0o0O

Em uma boate badalada o som agitado de música eletrônica batia e os corpos se moviam em ritmo animado e viciante na pista de dança enquanto que um homem alto de beleza exótica dançava ora com uma mulher de cabelos verdes, ora com uma ruiva que havia acabado de conhecer, então, de repente, sua atenção foi voltada para uma cena que jamais havia pensado em presenciar antes.

“Oh, então aquele pirralho também gosta de lugares assim? Imagino como ele passou pelos seguranças se é menor de idade.”

— Peraê Neliel. Tem uma coisa que preciso ver. Tchau Inoue. – Se despedindo das garotas, Grimmjow pensou em sondar o menino pra ver o que ele estava fazendo em um lugar como aquele onde só haveria pessoas do tipo que ele não se envolveria. Podia não o conhecer, mas sabia que tipo de personalidade o baixinho tinha.

— Não se mete em encrenca Grimmjow – Neliel que conhecia o amigo havia anos sabia bem como era o gênio dele, mas não ligava muito, desde que não sobrasse pra ela.

O0o0o0O



Pra onde iria? Sua única amizade era com Hinamori, que agora estava casada com o homem que mais odiava e não conseguiria contar algo tão intimo pra ela e pra ninguém. Teria de guardar isso para si, pois os únicos que sabiam disso eram ele, Grimmjow e Byakuya que havia descoberto por acaso. Realmente não poderia contar isso pra ninguém e nem comentar isso com eles. Estava tão nervoso e acabara entrando em uma fila pra entrar numa boate.

Na hora em que pediram sua identidade, mostrou sua carteira de trabalho, que acabara trazendo consigo. Trajava um jeans comum e blusa azul celeste sem mangas e enquanto o segurança avaliava se era verdadeira ou não, o viu sorrir, devolvendo-a.

— Não vou te impedir de entrar, deve ter dado muito trabalho pra fazer uma carteira dessas e ainda errar a idade. Médico? Entra aí, vai.

Sem dar margens para protesto do menor, o segurança abriu a porta e o empurrou pra dentro sem sequer esperar que pagasse a entrada. Resmungando, não viu outra opção a não ser continuar seu trajeto. Viu pela primeira vez aquele tipo de ambiente. A música era alta demais para um espaço tão apertado e embora houvesse ar-condicionado, as pessoas suavam devido a atividade física exercida. Porque achavam aquilo divertido se era tão ensurdecedor? As pessoas nem deveriam ouvir umas as outras.

“Mas é claro, não estão aqui pra conversar, estão aqui pra dançar.”

Olhou pro lado e viu o bar e sem perder tempo, andou em direção a ele, sentando em um dos bancos.

— Coca-cola – O barman estranhou aquele garoto dentro da boate, mas desde que não estivesse pedindo por álcool, tudo bem. Logo lhe deu o pedido e pediu pelo card.

— Do que está falando? – Do card que você recebeu quando pagou pela entrada. Nele que eu anoto o que você pega e no fim você paga sua conta.

Agora que o homem havia dito, havia recebido uma pulseirinha cor de rosa neon e um passe de papel que havia guardado no bolso. Retirando os dois, entregou pro barman, que o auxiliou a por a fita no pulso. Feito isso, permaneceu sentado, tomando sua coca com o olhar impassível, tentando imaginar no motivo que levava as pessoas a gostarem daquilo. Foi quando um homem alto sentou ao seu lado, o chamando.

— Nunca te vi aqui antes. Me chamo Kensei Mugurama. Qual seu nome? – Ele era alto como Grimmjow e os cabelos branco platinado eram quase cinza. Devia ter a mesma idade que a do azul, pois o físico era parecido. Ambos eram fortes, altos...

”Meu Deus, estou pensando nele de novo.”

— Me chamo Hitsugaya e é minha primeira vez aqui. – Disse sem se importar com o outro que vestia uma regata azul marinho e calça verde musgo folgadona que dava um ar sexy ao maior.

— Logo vi. Eu dou aula de defesa pessoal e sempre que saio da academia tomo banho e venho aqui pra tirar o estresse do trabalho mas e você, faz o que?

— Medicina.

— Nossa, que surpresa! Pensei que fosse menor de idade e havia entrado com identidade falsa.

— Não sou esse tipo de pessoa, mas... — Antes de responder, o homem desviou o olhar dele para o barman pedindo duas, coisa que entendeu apenas quando o maior lhe deu um copo com algum líquido que fedia a álcool.

— Por minha conta. – Dizia o maior com um sorriso nos lábios que não soube identificar de início, mas lembrava de já o ter visto antes.

— Desculpe, Não gosto desse tipo de coisa. – Respondia da forma mais educada que podia, pois o instrutor de academia já havia anotado em seu card a bebida.

— Não, eu que peço desculpas, não perguntei que bebida você gostava. Pode pedir, eu pago.

— Tudo bem, eu ainda tenho minha coca. – Bebia um gole e antes que se desse conta, sentiu o braço do maior por seu ombro o envolvendo, deixando o menor surpreso com aquilo.

— Você é difícil mas vale a pena, é bonito e parece ser inteligente pra estar estudando medicina. Que tal sair comigo?

Hitsugaya sentia o estômago embrulhar. Havia suspeitado de tanta boa vontade do maior, mas jamais havia imaginado aquela situação, pois além de estarem em um lugar público, não era comum ver um homem dando em cima de outro homem.

— Desculpe, poderia me soltar? Eu não gosto desse tipo de coisa. – Hitsugaya falava tentando se afastar do maior, que apenas o apertava mais contra si.

— Do que está falando? Você entrou aqui, não entrou? É claro que você gosta “desse tipo de coisa”, senão sequer passaria perto daqui. Você veio com intenções de arrumar companhia, ou então nem sentaria no bar.

— Me solte, o que deu em você? – Foi então que ele reparou que na pista de dança alguns homens dançavam uns com os outros e mulheres dançavam umas com as outras. Pessoas do mesmo sexo encostados na parede se abraçando e se instigando uma a outra, do lado oposto em outra parede mais escura havia um casal de homes se agarrando, buscando avidamente mais contato entre os corpos. Foi então que o menor se tocou do que o instrutor falava e parou de lutar, congelado pelo choque.

— Hum, gosta de bancar o difícil, mas na verdade você também quer, não é? – Falava o homem que roçava o nariz pelo pescoço do médico, que estava tão abalado que mantinha o olhar arregalado em um ponto qualquer. As luzes dançantes o estavam cegando e tudo não passava de um borrão. Iria desmaiar? Foi então que avistou um borrão azul e uma das mãos do jovem tentou alcançar aquele borrão que se movia rápido em sua direção. Já sentia a língua molhada do homem lhe tocar o pescoço e o medo se apoderar de seu corpo, até ouvir uma voz que fez o foco da visão voltar.

— Ei otário, o que pensa que tá fazendo? – Em um puxão, se viu livre dos braços do homem alvo, que irritado, olhou para aquele que ousava tomar de si o garoto mais lindo que havia encontrado no lugar.

— Como é que é? Quem você pensa que é pra – E a fala do instrutor é interrompida por um soco na cara que o fez cair contra a bancada de bebidas do barman, que conhecendo o histórico do azul, havia se escondido debaixo da bancada assim que o avistou andando naquela direção com o olhar irado.

— Ele tá comigo e se você ou qualquer idiota se aproximar dele, eu mato! – Embora gritasse, Grimmjow sentia Touchirou tremer em seus braços e era visível mesmo pra quem estivesse de fora que o menor estava assustado. Com isso, quem estava perto havia parado de dançar para assistir ao pequeno barraco que Grimmjow havia causado e sem querer sujeitar o menor a mais traumas, cuspiu as palavras com raiva.

— O aviso tá dado. — Dando as costas pro outro, levou o companheiro pra frente de uma sala isolada onde haviam seguranças. – Quero entrar. – Os seguranças se entreolharam e por ver a confusão de longe, acabaram abrindo a porta sem se importarem com a tal burocracia, que geralmente consistia em ligar pro chefe e perguntar se tal pessoa poderia entrar. Dentro da sala a prova de som, Grimmjow sentou o menor, que começava a ficar mais calmo.

— Grimmjow? Opa, o que aconteceu e quem é essa criança? – Yumichika que estava no escritório de Ikkaku olhava para a situação a estranhando.

— Ele é o novo médico que Byako contratou e veio aqui sei lá por qual motivo, só sei que tava no bar e um otário o agarrou. Ele ficou meio em choque sei lá por qual motivo.

— Que tipo de lugar é esse? – Touchirou que estava até então calado, havia andado até ali apenas porque foi guiado pelo maior.

— Hã? Como assim? Grimmjow, o que você fez? – Um olhar suspeito foi dado pelo narcisista, que olhava o azul. – Não pensei que alguém belo como você poderia começar a aliciar crianças.

— QUE? Vai se fuder seu afetado! Touchirou, o que você tava fazendo aqui? Você nem tem idade pra entrar aqui.

— Que irritante. Eu entrei aqui por engano, pensei que aqui era uma boate, não uma casa de prostituição. – Virando a face pro lado, o menor falava com calma sem aparentar desconforto em dizer aquilo e por isso não viu a cara chocada do amigo e de Yumichika, que demoraram um pouco para assimilar aquilo.

— Você esta confundindo as coisas, isso aqui é uma boate com certeza, mas é uma boate GLS. Está escrito no letreiro em neon bem grande: “Boate GLS Madarame”.

— Ei garoto, porque aquele cara te agarrou? Deu pra perceber de onde eu tava que você não queria e eu tenho certeza que ele também sabia disso, então porque? – Grimmjow estava pela primeira vez o olhando com calma e sério.

— Está tudo bem com você? Ele não fez nada de mais, fez? – Demonstrando preocupação, o moreno o olhava agora condoído. Talvez ele nem fosse gay e tivesse tido uma má impressão dos homossexuais por culpa de um idiota. Com certeza ele deveria ser feio, porque pessoas bonitas não fazem esse tipo de coisa. Pelo menos era o que Yumichika pensava.

— Esqueçam, em todo caso, eu estava em casa sem fazer nada e resolvi dar uma volta pelo quarteirão pra me distrair e quando vi uma fila curta percebi que era uma boate mas nem olhei pro letreiro, só fui entrando. O segurança pensou que eu tivesse feito eu mesmo minha carteira de trabalho e eu nem pude reclamar, porque ele me jogou aqui pra dentro. Vou confessar que isso me irritou. Fui pro bar beber uma coca e esse cara sentou do meu lado e já veio conversando, me oferecendo bebida e depois me agarrou do nada.

— Filho da puta miserável, aposto que ele queria te embebedar. – O azul agora fechava os punhos com força, olhando pro menor com raiva, embora não estivesse com raiva dele.

— Não sei, só sei que comecei a passar mal e enxerguei tudo borrado... Não consegui pensar em nada.

— ... – Touchirou, quer que eu te leve pra casa ou vai continuar aqui? –

— Antes que vocês vão embora quero que me aponte esse tal cara. Eu não quero esse tipo na nossa boate. Vou informar agora mesmo ao Ikkaku que estou suspendendo um cliente. – E sem esperar, pegou o celular e ligou pro amigo.

— Alô? – Hei, o que aconteceu pra me ligar? – Ikkaku atendia na outra linha dentro do quarto da Yachiru.

— Grimmjow entrou na sua sala com um lindo garotinho contando uma história estranha e precisamos expulsar um cliente da boate permanentemente. Tudo bem?

— O QUE? – Que cliente é esse? O que o Grimmjow fez e porque tem uma criança dentro da boate?

— Não sei ainda quem é o tal cliente, mas seja quem for agarrou a força esse menino. Ele chegou com uma cara tão feia que eu fiquei surpreso quando ele voltou ao normal, mostrando um rostinho tão lindo.

— Você fala coisas estranhas, mas enfim, é contra as regras da casa fazer isso, então pode expulsa-lo.

— Ok. Deseje-me sorte. Vou precisar. – Desligando o celular, Yumichika se dirigiu a ambos com um olhar calmo e um sorriso maligno nos lábios. Vamos aos negócios.

— Não será necessário, eu não pretendo voltar aqui, então não precisa perder seu cliente. – Dizia o garoto que observava o rapaz de forma receosa. Ouvira toda a conversa do telefone que estava no viva voz.

— Não posso permitir que ele permaneça nesta casa, você ouviu o dono, ele disse que é contra as regras da casa e além do mais, eu tenho certeza de que Grimmjow irá quebrar a boate toda vez que ver esse cara aqui, então é a melhor opção.

— Tch. E então? Sabe pelo menos o nome do cara? — Mais calmo, o azul relaxava no sofá, pondo o braço em volta da cintura do menor que não fez nada além de corar.

— Kensei Mugurama. Ele veio se apresentando e parece que trabalha dando aula de defesa pessoal. Pensou que eu era estudante de medicina quando disse minha profissão.

— Aposto que ele vai dizer por aí que foi pego desprevenido.

— Grimmjow! Eu perguntei o que você tinha feito! Você bateu em outro cliente de novo?

Erguendo as mãos em defesa, o azul sorriu brincalhão.

— Ei, calma lá! Foi por um bom motivo e eu me segurei, dei apenas um soco. Por mim teria espancado aquele cara até ele desmaiar. Preferi levar o Touchirou pra cá antes.

— Antes? Grimmjow!! Ikkaku já te falou que não quer que você quebre mais nada ou vai pagar do seu bolso, ouviu? Agora chega de enrolação, vamos até esse cara antes que ele cause mais problemas ou não possa reconhece-lo.

O0o0o0O

No bar, Kensei praguejava segurando um pano de prato com gelo no nariz que sangrava. Havia visto os dois entrarem numa sala onde haviam seguranças na porta e parecia ser de acesso apenas para funcionários ou algo do tipo. Demoraram, mas finalmente os dois saíram com alguém, que chamou um dos seguranças e foram todos em direção ao DJ, que interrompeu a música a pedido do moreno, isso fez com que todos da pista de dança parassem de dançar e olhassem um Dj aflito com medo da reação pública. Yumichika pegava um microfone que havia na mesa de som e o ligava, começando seu pequeno discurso.

— Em nome de Madarame Ikkaku... Eu, Yumichika Hasegawa o estou representando. A alguns minutos houve uma afronta contra as regras da boate, que inclusive estão no verso do card que damos na entrada pra vocês. Peço que leiam atentamente antes de fazerem qualquer coisa. Por causa dessa infração, estamos suspendendo o cliente Kensei Mugurama desta boate permanentemente.

Nesse momento uma luz foi posta em cima do rapaz que estava no bar com o olhar turvo de raiva. Jogou o pano com gelo em cima do balcão com força, fazendo com que as pedras de gelo se espalhassem e algumas caíssem no chão. Nesse momento um segurança que já havia se prontificado a ficar perto caso ele causasse mais confusão tomasse alguma providencia e foi até ele, segurando-o pelo pulso.

— Senhor, pedimos cordialmente para que pague seu card e vá embora de forma pacífica.

— Grimmjow Jeagerjaquez, eu sei quem você é e eu vou descobrir quem é esse garoto nem que seja a ultima coisa que eu faça! Vocês vão se arrepender! – Levado arrastado para fora do lugar por dois seguranças, o homem rosnava as palavras com raiva e agressivo quase feriu os seguranças enquanto se debatia, causando cochichos entre os outros clientes.

— Agora, pedimos desculpas pelo inconveniente e todos os que se sentiram incomodados com o ocorrido, favor relatar para nós pelo site ou ligue para nós. Fiquem agora com o DJ Hisagi Shuuhei!

— Fudeu. Você ouviu o que ele falou, não ouviu, narciso? Ele pretende se vingar de mim e do Touchirou pela merda que “ele” fez. Pode, um negócio desse?

— Bem, isso era o esperado. Mas eu jamais imaginaria que ele fosse tão lindo. Como um mal caráter pode ser assim? É uma pena.

— Grimmjow, senhor Yumichika, agradeço por tudo, mas agora eu já vou indo. – Hitsugaya, que até então permanecia quieto, se pronunciou e assim que o fez, foi em direção a saída para pagar seu consumo.

— Tchau narciso, vou indo também. – Se despedindo de Yumichika, Grimmjow acompanhou o menor, que preferiu não comentar sobre a presença do outro. Ambos pagaram e saíram sem dizer uma palavra sequer. A noite estava fria e já passava das 3 horas. Não havia muitas pessoas nas ruas, as lojas fechadas com exceção apenas o posto de gasolina e um supermercado 24 horas estavam abertos. As estrelas do céu pareciam cintilar mais devido a pouca iluminação e em silêncio, caminhavam sem qualquer destino aparente.

Hitsugaya estava tenso pois desde que saíram do estabelecimento queria o agradecer, mas não conseguia pela vergonha que o tomava.

— Grimmjow, o que você estava fazendo num lugar como aquele? Eu já falei que entrei por engano, mas e você?

Surpreso pela pergunta, Grimmjow parou de andar, o olhando como quem não acredita no que ouviu.

— Depois de te agarrar naquela sala você não entendeu? Eu gosto de homens. Não é tão incomum eu estar lá, mas você por outro lado, senhor heterossexual... Foi isso que me levou a ficar te olhando de longe.

O menor ruborizou ao ouvir aquilo, tendo forçado a si mesmo a parar depois que o outro havia o feito, acabou lembrando acidentalmente daquela situação “constrangedora”. Momento este que tentava a todo custo esquecer a medida que o tempo passava e agora ele o forçava a lembrar.

— Não fale coisas desnecessárias. – Virava o rosto pro lado, tentando evitar que Grimmjow visse seu rubor, embora o mesmo já tivesse notado.

— Desnecessário? Qual parte? A parte em que você é heterossexual, a parte em que você é menor de idade, a parte em que fiquei te observando de longe ou a parte em que você foi agarrado por mim? – Enchia o menor com perguntas, se divertindo com a situação, pois sabia que aquilo estava mexendo com o garoto de cabelos platinados. – Touchirou, seja franco comigo. Você gostou?

Hitsugaya via a conversa caminhar para um rumo perigoso e tentando se livrar da pergunta, voltou a caminhar sem olhar para trás e muito menos responder ao outro. Vendo a reação do baixinho, o maior apertou o passo, o segurando pelo pulso e o virando para si, reparando o rubor em sua face ser maior que das outras vezes.

— ... Porque está fazendo isso comigo? Eu tenho 17 anos, sou homem, você nem me conhece e ainda me beijou e tocou daquele jeito. O que você quer de mim afinal? – Embora o olhar estivesse irritado, a voz fraquejava a medida que ia falando, demonstrando a fragilidade do pequeno gênio.

— E daí que você é homem? Eu já não falei que gosto de homens? Também me assustei quando senti tesão por você. Não é costume meu sentir isso por crianças, mas senti.

— Criança? Ora seu... – Diante da distração momentânea, Grimmjow aproveitou para tomar os lábios do garoto, que arregalou os olhos em surpresa, sem saber se deveria ou não retribuir aquele beijo roubado.

Ele era lascivo, belo, tinha um gênio terrível, era grosseiro e rude, mas ao mesmo tempo tão gentil. Ele era a própria inconstância em pessoa e aquilo apenas fazia aquele beijo se tornar mais tentador.

Logo Hitsugaya envolvia o pescoço em um abraço, retribuindo o beijo, esquecendo-se dos avisos de Byakuya e de tudo o mais que o preocupava quando sentiu os braços fortes envolverem sua cintura e o puxar para mais perto do maior, tendo assim melhor contato.

Grimmjow pensava que finalmente havia conseguido capturar aquele coração arredio e sem se importar se alguém iria ver a cena, desceu as mãos para a bunda do menor, a apertando com vontade, suspirando enquanto a sentia e neste momento, o beijo foi interrompido abruptamente por Touchirou, que o empurrou com força e lhe deu um tapa forte na face e embora estivesse arfando e corado, conseguiu convencer o outro com apenas o olhar que se fizesse aquilo de novo, se arrependeria.

— O que pensa estar fazendo? Estamos em um lugar público! E se alguém visse?

O menor estava preocupado com alguém ver aquilo, mas não estava chateado por ter sentido as mãos do amante em si. Aquela constatação fez o ardor do tapa desaparecer completamente, dando lugar para um sorriso malicioso nos lábios de Grimmjow.

— Não farei mais em locais públicos. Agora... Posso te levar pra casa? – Como resposta, recebeu um aceno de cabeça indicando que sim. O maior pegou a mão do garoto e assim caminharam mais alguns quarteirões.

Tudo ocorreu sem que notassem estar sendo observados por olhos atentos de um homem vingativo.

oOoOoOo Continua oOoOoOo

Notas finais
Atualizada 30/07/13