Me duele amarte tanto
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Gabriele andava de um lado para o outro, impaciente. Havia uma hora que Lety se trancara no banheiro após pegar sua mala para que pudesse se trocar.
–Lety, se apresse, por favor!
Esperava que ela saísse para que, então, pudessem ir ao hospital.
–Já estou indo, dona Gabriele!-Ela gritou lá de dentro-Mais um minutinho e estou pronta!
–Não temos muito tempo, o horário de visitas já está acabando!
–Eu sei, eu sei...
–Ai, Lety!!!-Gabriele estava nervosa
A porta do banheiro foi aberta e Lety finalmente saiu.
–Podemos ir?
–Sim, dona Gabriele!
Caminhavam para o elevador quando Lety se lembrou de pegar algo e correu para sala de seu Fernando. Segundos depois ela retornou.
–Pronto! Ainda bem que estão todos no hospital.-Lety suspirou aliviada
–Graças a Deus!-Elas entraram no elevador-A propósito, você está lin...
E a porta do elevador se fechou.
**********
O quartel ainda aguardava pela resposta de seu Humberto e dona Terezinha. Vendo que eles pareciam negar o pedido delas, Ramón resolveu conversar com eles e tentar convencê-los.
–Com licença, seu Humberto, mas não pude deixar de notar que poderiam negar o pedido das minhas bonequinhas feias.-Ramón disse-Veja bem, seu Humberto, nós temos um carinho enorme pelo seu Ferny e gostaríamos muito de vê-lo! Como nosso querido ex-presidente e excelente amigo, eu acredito que deveríamos demonstrar este carinho neste momento tão difícil, não é?
–Sim, claro, Ramón.-Humberto concordou-Mas eu acho que não...
–Me desculpe, Humberto, mas...-Márcia o interrompeu-Fernando sempre gostou muito do quartel e dos rapazes então, seria bom se fossem visitá-lo.
–Tem certeza, Márcia?
–Claro, Terezinha! Fernando está passando por um momento complicado e o melhor é deixar que os amigos demonstrem o quanto ele é importante, não acha?
–Bem, por mim... Vocês podem ir!-Seu Humberto autorizou
–Ah! Obrigado, seu Humberto!-Ramón vibrou-Obrigado, dona Márcia! Dona Terezinha, cada dia mais linda!
–Ramon!-Paula Maria o repreendeu-Se comporta!
–Isso mesmo, bobão, não abuse da sorte!-Sara falhou dele
–Ai, Sara...-Ele resmungou-Que foi, hein?
–Se comporta, Ramón!-Joaninha ordenou
–Precisamos nos dividir pra ver quem vai primeiro!-Celso sugeriu-Ramón e eu vamos juntos!
–Isso mesmo, Celso, nosso querido amigo seu Fernando precisa do nosso apoio masculino!-Ramón concordou
–Façamos assim, Celso e Ramón vão primeiro, pois precisam voltar logo para Conceptos, certo?-Seu Humberto opinou-Logo em seguida vão Paula Maria e Lola, Sara e Joaninha e, por último, Marta e Irminha.
–Estamos de acordo?-Dona Terezinha quis saber
–Sim, dona Terezinha!-Sara afirmou
–Ah, não, amiguinhas!-Marta se manifestou-Por que Irminha e eu somos as últimas, hein? Isso não é justo! Até parecem que querem comer o bolo todo sozinhas e não deixar nenhum pedacinho para nós duas!
–Ai, Marta, não faça drama!-Joaninha pediu-Vocês vão por último porque o seu Humberto dividiu assim!
–Não reclame, Marta, o seu Humberto já fez muito nos deixando visitar o seu Fernando.-Paula Maria a lembrou
–Lembre-se, Martinha, os últimos serão os primeiros!-Irminha ditou
–Ai, tudo bem, mas não demorem muito!-Marta se conformou
–Eu posso levá-los até o quarto?!-Doutor Felipe perguntou
–Claro que sim, doutor!-Ramón puxou Celso pelo braço
–Sigam-me!
Felipe deu uma piscadela para Márcia e os conduziu ao quarto. As meninas do quartel perceberam o gesto e o pequeno sorriso que surgiu nos lábios de Márcia.
–Dona Márcia.-Sara a chamou-Que partidão de altura, hein?
–Sara, por favor!-Márcia ficou um tanto constrangida pela presença de Humberto e Terezinha
**********
Parte do quartel esperava na recepção enquanto a outra metade conversava na cantina do hospital acompanhadas por Márcia e Luigi além dos pais de Fernando.
–Irminha, você não acha que a Sara e a Joaninha estão demorando demais?-Marta estava impaciente
–Tenha calma, Martinha. Quem espera sempre alcança!
–Eu sei, mas esperar tanto está me dando uma fome...
Irminha riu dela.
–Acho que poderia comer dois sanduíches de presunto e um pastel de queijo...-Marta lambeu os lábios
–Saiam da frente!-Um sujeito gritou invadindo o local-Ela está vindo! É a mulher misteriosa!
–A mulher misteriosa???-Márcia se levantou
–Aurora, minha rainha!-Luigi correu para a porta
–Por favor, abram espaço!-Gabriele pedia a eles-Com licença, por favor, nos deixem passar!
Os jornalistas e paparazzis aproveitavam para fotografá-la em busca da melhor notícia para as revistas de fofocas.
–Aurora, por favor, nos dê uma entrevista!-Alguém solicitou
–Veio visitar o seu colega de trabalho?-Outro quis saber-Vocês estão tendo um romance?
–O que???-Aurora se virou para ele
–Vocês parecem estar apaixonados!-Ele concluiu-Então, vocês estão juntos?
De repente uma avalanche de jornalistas se juntaram para ouvir sua resposta e, quase sufocando, ela conseguiu escapar e correr para dentro do prédio.
–Aurora, meu amor, espere!-Omar surgiu repentinamente
Mesmo com certa dificuldades por causa do salto que usava, Aurora correu o mais rápido possível que conseguiu.
Não parou para saber aonde estava indo e, assim que viu duas mulheres saindo de um quarto, ela adentrou o cômodo e trancou a porta atrás de si.
–Ai, meu Deus, esta foi por pouco...-Suspirou aliviada
Mais alguns segundos respirando fundo ela se deu conta de que havia um paciente ali, então, resolveu desculpar-se.
–Me desculpe, sen...-Ela reconheceu o paciente-Seu Fernando???
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Sara e Joaninha se juntou ao restante do quartel assim que conseguiram passar pelos jornalistas.
–Ei, meninas, o que está acontecendo?
–A mulher misteriosa acabou de entrar aqui e os jornalistas estão atrás dela!-Lola exclamou Joaninha ficou boquiaberta.
–E o pior, disseram que seu Fernando e Aurora poderiam estar vivendo um romance!-Paula Maria completou
–Não?! Fala sério, isso parece novela, gente!-Joaninha retrucou
–Será que o seu Fernando se esqueceu da Lety e se apaixonou pela Aurora?-Sara questionou
–Nós precisamos levantar essa fofoca, amiguinhas!
–Tem razão, Martinha, isso é código vermelho!-Sara anunciou-Vamos para o banheiro!
aonde
–Aonde vão?
–Ao banheiro, dona Márcia, temos um código vermelho!-Irminha respondeu
–Mas até aqui???
–Dona Márcia, isso é uma emergência do quartel e não podemos desrespeitar este momento!-Sara esclareceu-Então, vamos!
Marta se aproximou de Márcia e cochichou.
–Se quiser, eu te conto a fofoca depois, dona Márcia!
Márcia a encarou e concordou com a ideia. Realmente estava mudando de atitude.
**********
Ela levou alguns segundos para sair de seu transe e se aproximar da cama em que ele repousava.
–Meu Deus, seu Fernando...
Vê-lo ali, lutando pela vida, a deixou desolada. Algo se partiu em seu peito quando imaginou a cena de seu acidente.
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