Me duele amarte tanto
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Estar diante de seu Fernando a quebrantou.
Mesmo vestida de Aurora, uma mulher firme e inatingível, teve pesar do que acontecera a ele, e suas pilastras emocionais se desmancharam em lágrimas.
Como ele poderia ter feito aquilo a si mesmo? Como preferira a morte ao viver sem ela? Amor? Ciúmes? Loucura?
Ela não soube responder, porém, este não era o Fernando Mendiola pelo qual se apaixonara. Onde estava o Fernando risonho e garanhão? Por onde andava o orgulhoso ex-presidente da Conceptos? E como poderia reencontrar o homem maravilhoso e encantador que nela despertou um amor tão puro e infinito? Seu superherói, aonde poderia achá-lo?
–Seu Fernando...-Ela se posicionou ao lado da cama-Por que você fez isso?
Após ler a famosa carta de Omar Carvajal ela não conseguiu acreditar em tais palavras. Leu e releu, porém continuava descrente. Seu coração se recusava a aceitar outra tragédia, pois ainda estava se curando. Desceu do céu ao inferno em questão de segundos com cada palavra fria e desmoderada. Mais um engano, mais um erro e uma nova ferida.
Seu desejo era morrer! E, inconscientemente, orou para que isso acontecesse. A resposta veio mais rápido possível, quase morreu afogada. Mas, olhando para trás, percebeu que o melhor desejo que poderia ter era mais um dia de vida para ser feliz e amar.
–Seu Fernando, eu... eu... "Droga!"
Ainda ficava tímida e nervosa ao falar com ele de maneira mais íntima. Fez uma careta entortando o biquinho e respirou fundo, lembrando-se do que trazia em suas mãos.
–Olha, seu Fernando, eu trouxe o bonsai que te dei...-Ela exibiu a pequena planta, sorrindo-Sei que você gosta muito dele.
Uma recordação lhe preencheu a memória a fazendo sorrir mais abertamente.
–Você se lembra de quando fomos ao mercado para comprar os ingredientes para o nosso jantar e o senhor encheu o carinho de verduras? Hihihihihi...-Riu mais-Pegou um brócolis achando que era bonsai e disse que bastava colocar em um vasinho e podar.
Levou a mão à boca quando não conseguiu segurar mais sua risada. Seu Fernando era assim, lhe presenteava com as situações mais cômicas e inimagináveis, e ela retribuía com sua marcante gargalhada. Completamente diferente de Aldo que era sério e conseguia facilmente expor suas emoções, seus pensamentos e sentimentos, também.
–Pena que o nosso jantar não deu certo...-Comentou-Graças a Pilar Zacarias... Lety debochou do jeito autoritário da modelo.
Encarou seu Fernando e teve a impressão de que ele observava sua demonstração de ciúmes.
–Tá, tá, seu Fernando!-Rendeu-se-Confesso que ainda sinto ciúmes dela! Ela... ela era uma mulher muito bonita, elegante... E todos olhavam pra ela!
Ali estava Letícia Padilha Solís, por trás de Aurora, contudo, seu coração continuava tímido, sensível e meigo, apaixonado por Fernando Mendiola.
–Mas o senhor, seu Fernando, olhava somente para mim...
Lety gentilmente segurou a mão esquerda dele, pois havia fraturado a outra, e a acariciou.
Sentir novamente a pele dele a fez arrepiar. Aquela mesma mão, no dia de seu aniversário, havia tocado seu corpo para se unirem em um ato de amor e paixão.
Ela tocou o rosto dele pedindo a Deus para que o fizesse ficar bom logo, doía muito vê-lo em semelhante estado. E, em um sussurro, declarou.
–Seu Fernando, eu te amo...-Beijou-lhe a bochecha
De repente ela ouviu um alvoroço vindo do corredor, correu para espiar pela janela e se assustou ao ver os jornalistas se aproximando do quarto. O quartel vinha logo atrás seguido por Márcia, Luigi, Omar, Carolina, Gabriele e os pais de Fernando que tentavam, em vão, conter os paparazzis.
–Eu preciso sair daqui...
Aurora já estava nervosa. Deu uma última olhava em seu Fernando e se despediu dele ganhando o corredor do hospital.
–Ali está ela!-Um dos jornalista gritou
–Aurora, Aurora, por favor, espere!-Luigi pediu-Minha rainhaaa!
–Deixem-a em paz, seus aproveitadores!-Omar exigiu-Aurora, meu amor, eu vou te salvar deles!
Eles seguiram atrás dela, porém, Marta e Gabriele desistiram da corrida. Marta adentrou o quarto de seu Fernando e por lá ficou.
–Ai, seu Fernando, se o senhor visse essa confusão por causa da Aurora...-Ela se sentou na cama-Por que o senhor fez isso, seu Fernando? Eu não posso vê-lo sofrendo desse jeito! Gabriele se colocou ao lado da porta, escutando-a.
–O senhor está mesmo apaixonado pela Lety, né? Pena que ela escolheu o Aldo!-Marta deu de ombros-Se eu fosse a Lety, tinha escolhido o senhor, seu Fernando! O senhor é mais bonito, mais divertido e eu sempre contava as fofocas ao senhor...
–Marta?!-Gabriele a chamou
–Olá, dona Gabriele, eu só estava conversado com seu Fernando, sabe? Nada demais!
–Não se preocupe com isso, Martinha, na verdade, eu ouvi o que você disse a ele... E percebi que você sente um carinho muito especial pelo Fernando. Isso é muito importante em um momento como este!
–Obrigada, dona Gabriele! Eu gosto muito do seu Fernando, sabe? Sempre o vi como um amigo.
–Ele é um amigo maravilhoso...
–Sempre me roubava um pouco do meu lanche ou do meu almoço!
Elas riram.
–Bem, eu já vou indo, meu gorducho já deve estar me esperando. Até mais tarde, dona Gabriele! Se cuide, seu Fernando!
–Até mais tarde, Martinha!
Gabriele caminhou em direção a cama e, estudando a fisionomia dele, retrucou.
–Você é muito querido, Fernando, não se esqueça disso!
Acarinhou os cachos dele e sorriu ao recordar-se da primeira vez em que o viu. De início se encantou pelo jeito extrovertido e um tanto neurótico dele.
–Le...
Gabriele ouviu um murmúrio, era Fernando.
–Lety...-Fernando se agitou-Lety, não... vá...
Fale com o autor