Me duele amarte tanto
22 Capítulo 22
Notas iniciais
"Ele usava um de seus tantos caros ternos escuros devidamente passado e alinhado ao seu corpo másculo. A camisa azul claro combinava perfeitamente com sua gravata listrada de cor azul marinho.
Seu cabelo estava penteado corretamente e o gel não permitia que um fio de cabelo sequer estivesse fora do lugar, mesmo assim, ela preferia seus cachos volumosos e que ele vestisse trajes mais simples, como o que usou durante sua estadia na pousada em que foram antes da viagem à Alemanha.
Estampava um lindo sorriso enquanto caminhava em direção a ela. Possuía um certo ar galanteador e o rastro de seu perfume demarcava o percurso que havia percorrido para alcançá-la.
Mais alguns passos e ele se postou frente a ela. Suas pernas se enfraqueceram ante a sua proximidade.
Talvez ele estivesse louco. Estavam na empresa e qualquer um poderia surpreendê-los naquela situação.
–Seu Fernando...-Ela o chamou
–Lety...
–Seu Fernando...
–Minha Lety...
–Que é, seu Fernando?-Ela lhe chamou a atenção
–Perdão! Eu só quero que saiba que a amo muito e não vou desistir do nosso amor!
Ela abriu a boca para dizer algo mas ele segurou seus lábios.
–Não diga nada, dona Lety. Tudo o que eu preciso é saber se você ainda me ama.-Ele desceu suas mãos para a cintura dela-Você me ama, Lety? Por favor, responda, dona Lety, pois eu não posso mais viver com esta incerteza."
–Lety! Por favor, responda! Lety!
–Sim, sim, eu o amo muito!-Lety repetiu
–Lety, amiga!-Paula Maria a chamou mais uma vez
–Paula Maria, o que aconteceu?-Ela voltou a realidade
–Eu é quem pergunto, amiga. Faz meia hora que estou te chamando e você estava aí parada olhando para o nada. Em quem estava pensando, hein?
–Não, nada, em ninguém.-Tentou disfarçar-Por que?
–Eu aposto que estava pensando no gatão do Aldo, você até disse assim: "Sim, sim, eu o amo muito!"-Paula Maria vibrou-Era nele que você estava pensando, né?
–Ai, Paula Maria, não diga bobagens! Vamos esquecer este assunto.
–Ai, amiga, não vai me contar a fofoca?
–Não tem fofoca nenhuma...
–Amiga má!-Paula Maria emburrou
–Melhor falarmos de trabalho. Algum recado para mim?
–Sim, o presidente da agência dos Estados Unidos ligou e pediu que você retornasse. Eu anotei o número, aqui está.-Ela colocou o papel sobre a mesa-Amiga, tem outra coisa...
–O que?
–As meninas do quartel e eu gostaríamos de pedir um favor a nossa querida amiga e presidente desta empresa.
–Qual é o favor?-Lety a olhava desconfiada
–Espera só um pouquinho.
Paula Maria correu para abrir a porta da sala e as meninas do quartel se desequilibraram, pois estavam apoiadas na porta tentando escutar a conversa.
–Aiii!-Elas se assustaram
–A gente não ouviu nada, Lety!-Joaninha disse
–Só estávamos passando por aqui quando Paula Maria abriu a porta...-Lola deu uma desculpa qualquer
–Tudo bem, meninas, eu sei que estavam ouvindo.-Lety as interrompeu-Vocês querem sair, não é?
Afirmaram com a cabeça.
–Para onde querem ir?
–Nós gostaríamos de visitar o seu Fernando, Lety.-Irminha respondeu
–Sentimos muita falta dele, Lety.-Marta admitiu
A presidente se sensibilizou com tal declaração.
Sabia que seu Fernando também gostava muito delas, tanto que as considerava seu quartel e certamente adoraria vê-las para receber o carinho que tinham por ele.
–Vocês podem ir!-Permitiu
–Ai, amiga, muito obrigada!-Paula Maria agradeceu
–Celso e Ramon podem ir conosco?-Joaninha se manifestou
–Tudo bem, mas não demorem, temos muito trabalho a fazer!
–Uh uh uh uh uh!-Elas festejaram
–Puxa, qual o motivo de tanta alegria?-Gabriele chegou
–Lety nos deixou visitar o seu Fernando.-Sara contou-Vamos, meninas!
–Nós vamos almoçar e depois vamos ao hospital porque eu estou com muita fome!
Marta comentou enquanto elas saiam da sala.
–Você está sempre com fome, Martinha. Nunca acaba, nunca acaba!-Lola reclamou
–Ai, essas meninas do quartel...-Gabriele riu
–Me desculpe, dona Gabriele, mas elas exageram quando nenhum dos executivos está aqui.
–Não se preocupe, gosto muito da empolgação delas!-Gabriele se sentou frente a ela-E, então, como está?
–Estou bem... Por que a pergunta?
–Você me parece um pouco cansada. Dormiu bem?
–Mais ou menos, fiquei acordada a noite toda pensando no programa de TV e no que vamos fazer para cumprir com o prazo de estréia. Também estou preocupada com seu Fernando.
–É, não está nada fácil... Precisamos continuar com as gravações e Luigi e eu estamos atrasados com a organização da festa de promoção.
–Sim, sim. Também temos que garantir que o programa será um sucesso antes que a imprensa faça algum tipo de especulação e divulgue o fracasso da Conceitos.-Lety apoiou a testa na mesa-O que vamos fazer, meu Deus?
–Olha, Lety, só existe uma maneira de controlar esta situação!
Gabriele deu um sorrisinho maroto e Lety a olhou, percebendo suas intenções.
–Ah, não, dona Gabriele!
–Ah, sim, Letícia Padilha Solís!
**********
Após o almoço, o quartel seguiu para o hospital espremendo-se em um táxi. Na recepção encontraram Márcia e Luigi, se aproximaram deles querendo saber do estado de seu ex-presidente.
–Ai, meu Deus! Nem aqui vocês respeitam os doentes, suas ariranhas.-Luigi as repreendeu
–Não fale assim, seu Luigi, por favor.
–Irminha, o que faz aqui? Por acaso apareceu alguma emergência que precise de minha criatividade?
–Não, seu Luigi, nós viemos apenas para visitar o seu Fernando.
–E tinha que trazer essas... essas ariranhas horrorosas?-Luigi gesticou nervosamente-Ativar escudo protetor!
–Letícia permitiu que viessem?
–Sim, dona Márcia.-Sara confirmou
–Dona Márcia, nós podemos ver o seu Fernando?
–Marta, eu não sei, eles só permitem a entrada de parentes e amigos íntimos da família.
–O que está acontecendo aqui?
Dona Terezinha os interrompeu.
As meninas do quartel a olhou apreensivas, esperando receber alguma bronca ou algo do tipo. Dona Terezinha não estava nada feliz com a algazarra que estavam fazendo.
–Não vão me responder?-Dona Terezinha exigiu
Sara e Joaninha cutucaram Marta para que ela pudesse respondê-la.
–Vai, Martinha, fala alguma coisa!-Lola aconselhou
–Bom, é que... que...-Marta tentou explicar-Sabe o que é, dona Terezinha?! Nós viemos aqui só para visitar o seu Fernando...
–É verdade, dona Terezinha, soubemos o que aconteceu e viemos para saber como ele está.-Sara completou
–Olá, meninas, como estão?-seu Humberto havia chegado-Vieram ver Fernando?
–Sim, sim, seu Humberto. Nós podemos?-Irminha questionou
Os pais de Fernando se encaram e depois observaram as expressões de Márcia e Luigi.
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