Maybe We Can Be Each Other's Company
9 They Don't Know About Us
Notas iniciais
O travesseiro de Blaine parecia já estar encharcado com a quantidade de lágrimas que ele derrubara nas últimas duas horas. Não sabia que tinha tantas lágrimas para derramar, não sabia que conseguiria chorar por tanto tempo por algo que ele nem mesmo pensou que poderia afetá-lo da maneira que afetou. Mais uma vez ele havia se apaixonado e mais uma vez seu coração havia sido partido, justamente por quem ele menos pensou que o machucaria.
A música que agora tocava no rádio ao lado de Blaine apenas o deixava pior. Deixou ligado o rádio apenas para não se sentir tão sozinho quanto estava se sentindo, mas aquela dor era horrível, aquela dor era demais para ele e a música não estava o ajudando.
People say we shouldn’t be together (As pessoas dizem que nós não deveríamos estar juntos)
Too young to know about forever (Somos muito jovens para saber o que é eterno)
But I say, they don’t know what they talk talk talking about (Mas eu digo, eles não sabem o que estão falando)
'Cause this love is only getting stronger (Porque esse amor só está ficando mais forte)
So I don’t wanna wait, any longer (Então, eu não quero esperar, por mais tempo)
I just wanna tell the world that you’re mine, girl (Eu só quero dizer ao mundo que você é minha, garota)
Blaine se abraçava mais ao travesseiro e apenas deixava suas lágrimas se esvaírem. Não tinha forças para lutar contra as mesmas. Pegou seu celular quando o mesmo vibrou. Queria que fosse Kurt o ligando, mas na verdade era apenas uma mensagem de seu melhor amigo perguntando se ele estava bem e se o mesmo poderia visita-lo no dia seguinte.
O moreno digitou, tremendo como nunca, uma resposta praticamente implorando para que seu amigo o visitasse hoje mesmo. Seu amigo mandou outra mensagem com um breve “tudo bem”, dizendo que estaria ali em vinte minutos. Blaine precisava de um abraço naquele momento e, ninguém melhor que seu melhor amigo para isso.
They don’t know about the things we do (Eles não sabem sobre as coisas que fazemos)
They don’t know about the I love you's (Eles não sabem sobre os "eu te amo")
But I bet you if they only knew (Mas eu aposto que se eles soubessem)
They will just be jealous of us (Eles simplesmente ficariam com inveja da gente)
They don’t know about the up all nights (Eles não sabem o que é ficar acordado todas as noites)
They don’t know I’ve waited all my life (Eles não sabem que eu esperei toda a minha vida)
Just to find a love that feels this right (Somente para encontrar um amor dessa forma)
Baby, they don’t know about, they don’t know about us (Amor, eles não sabem sobre, não sabem sobre nós)
A cabeça de Blaine parecia que ia explodir, tamanha era a sua dor. Não bastava seu coração estar batendo dolorosamente, sua cabeça precisava também doer. Quando algo ruim acontece, parece que vem uma tempestade de catástrofes logo em seguida. Era horrível as coisas acontecerem dessa maneira, mas mais horrível ainda era passar pelo que ele estava passando.
Ninguém merecia a dor de um coração partido, ainda mais por conta de alguém que parecia querer apenas o seu bem. Blaine apenas não conseguia entender.
Just one touch and I was a believer (Apenas um toque e eu era um crente)
Every kiss, it gets a little sweeter (Cada beijo, ele fica um pouco mais doce)
It’s getting better, keeps getting better all the time, girl (Está ficando melhor, cada vez melhor o tempo todo, menina)
Queria voltar no tempo, queria não ter se apaixonado, queria não ter conhecido Kurt, queria que nada disso tivesse acontecido. Queria que as coisas fossem diferentes, mas elas simplesmente não são.
Tudo que acontece na vida acontece por um motivo. Mas qual será o motivo para nossa dor? Qual o motivo de tantos sofrimentos que somos obrigados a passar por? Porque as coisas precisam necessariamente ser dessa maneira?
They don’t know about the things we do (Eles não sabem sobre as coisas que fazemos)
They don’t know about the I love you's (Eles não sabem sobre os "eu te amo")
But I bet you if they only knew (Mas eu aposto que se eles soubessem)
They will just be jealous of us (Eles simplesmente ficariam com inveja da gente)
They don’t know about the up all nights (Eles não sabem o que é ficar acordado todas as noites)
They don’t know I’ve waited all my life (Eles não sabem que eu esperei toda a minha vida)
Just to find a love that feels this right (Somente para encontrar um amor dessa forma)
Baby, they don’t know about, they don’t know about us (Amor, eles não sabem sobre, não sabem sobre nós)
Quando Blaine se apaixonou por sua primeira amizade colorida, ter seu coração partido machucou. Mas agora parecia estar doendo ainda mais. Parecia uma dor mais forte, mais intensa.
Blaine desligou o rádio. Aquela música estava o irritando. Uns quinze ou vinte minutos depois, Sebastian, melhor amigo de Blaine, já estava dento do apartamento do mesmo, sentado ao seu lado no sofá e o abraçando fortemente.
— Mas o que houve? Eu nunca te vi desse jeito! – Sebastian dizia apavorado. – Quer dizer, só naquela vez que...
— Aconteceu de novo, Seb. – Se queixou o moreno. – Eu novamente me apaixonei e me dei mal.
— Aquele menino que me falou sobre? O tal de Kurt? – Perguntou Sebastian, vendo Blaine assentir. – Mas pensei que ele fosse acabar gostando de você também...
— Não! Ele não gosta!
*FLASHBACK ON*
— Blaine, você por um acaso está apaixonado por mim? – Blaine gelou com aquela pergunta. O que faria agora?
Mentir e continuar com Kurt ou falar a verdade e arriscar um término de algo que eles nem mesmo tinham?
— S-sim... – Gaguejou Blaine. – E-estou... eu estou apaixonado por você, Kurt.
— Ah, meu Deus. Eu não acredito nisso! – Kurt parecia incrédulo. – Você prometeu que iria me contar!
— Estou contando agora. – Se defendeu o moreno.
— Agora é tarde demais. – Gritou Kurt. – Olha, eu vou embora e não quero que você venha atrás de mim. Você quebrou a sua promessa!
— Kurt, espera... não faz isso...
*FLASHBACK OFF*
— Só que já era tarde demais. Ele foi embora e me deixou aqui sozinho. Eu liguei para ele feito um louco e ele simplesmente não atendeu. – Desabafou o moreno.
— Dê um tempo a ele. Ele pode estar apenas confuso. – Sugeriu Sebastian, vendo o amigo negar. – Eu sei que você sempre joga na minha cara o fato de eu ser muito bem resolvido em relação a minha vida amorosa, já que não é a toa que sou casado há dez anos, mas a questão aqui, é que o menino pode ter se assustado. Você não me disse que ele tinha sido traído e tudo o mais? Vocês supostamente seriam apenas a companhia um do outro, não planejavam se apaixonar. Sei que não controlam o coração de vocês, mas sabiam que tinha chance disso acontecer. Agora é só esperar, ele pode ter medo de que você também o traia, já que sua faminha de pegador é bem visível.
— Mas desde que eu e ele começamos com “isso”, eu não fiquei com mais ninguém, Seb. Eu gosto dele de verdade. – Confessou ele. – Ele não me quer. Só pode ser isso.
— Como você é teimoso, Anderson! – Esbravejou o castanho.
[...]
Na segunda-feira pela manhã, Blaine parecia um caco. Estava com olheiras, olhos cansados e uma feição nada boa. Não fez questão nem de arrumar o seu cabelo, apenas vestiu seu terno e foi para a gravadora.
Ainda pela manhã acabou fechando dois contratos com dois cantores. Sabia que após o almoço teria uma terceira reunião, então foi cedo almoçar. Encontrou-se com Sebastian e almoçou com o mesmo em um restaurante próximo a sua empresa.
Durante o almoço, nada que pudesse entristecer Blaine fora citado, mas o moreno sentiu seu coração se destruir ainda mais ao ver que, duas mesas mais para frente, se encontravam Kurt e Colin, também almoçando. Sebastian se irritou quando dirigiu seu olhar na direção que Blaine fitava, sabia exatamente que aquele era Kurt e que o castanho só podia estar ali para irritá-lo.
O Smythe não se aguentou e sentou-se ao lado de Blaine, colocando sua mão sobre a dele em seguida.
— O que está fazendo? – Blaine perguntou confuso e Sebastian percebeu que Kurt os observava.
— Nunca causou ciúmes em alguém? Então... É isso o que estamos fazendo. – Explicou o castanho, dando uma risada exagerada justamente para chamar atenção.
— Acha que isso vai dar certo? – Perguntou o moreno, fingindo que ele e Sebastian estavam tendo a conversa mais animada do mundo, abriu até um sorriso para convencer com sua encenação. – Digo... Ele está almoçando com o ex-namorado dele.
— Aposto que ele fez isso só para te irritar. – Falou Sebastian, continuando com sua mão na de Blaine. – Por favor, não conte sobre isso ao Elli. Ele não vai gostar de saber que eu estava de mãos dadas com você.
— Tudo bem. – Blaine soltou uma alta risada, não queria ver seus amigos brigando. – Vocês estão bem? Como vai minha pequena Andie? – Se referiu a filha do amigo.
— Aprontando todas. Ela está ansiosa para o aniversário. Quem diria que ela já vai fazer cinco aninhos. – Refletiu o Smythe. – Parece que foi ontem que ela nasceu. Elli e eu choramos tanto de emoção ao pegar ela pela primeira vez assim que ela nasceu...
— Será que um dia eu terei sorte de ter alguém como Elli, uma filha como Andie já esperando pelo nascimento do segundo filho? – Perguntou o moreno, vendo o amigo com uma feição que claramente dizia que ele queria estapear Blaine.
— Você está se escutando? – Sebastian perguntou incrédulo. – Você está perdendo tempo aqui sentado comigo enquanto o amor da sua vida está sentado ali naquela mesa com outro. Se você realmente o quer, levante e vá até ele. Prove que você é muito melhor que aquele idiota sentado ali. Sei que se apaixonar para você não é algo fácil, então se quer as mesmas realizações que eu, corra atrás.
— Mas ai o ciúme não vai adiantar de nada. – Ponderou ele. – Tudo bem! Eu vou! Me deseje sorte.
— Boa sorte, gostosão! – Sebastian disse entre risos, observando seu amigo andar em direção a Kurt.
— Oi, Blaine... – Kurt mal teve tempo de falar alguma coisa, Blaine simplesmente o puxou da mesa, o agarrou pela cintura e o beijou.
Quando sentiu que Kurt se afastaria ele aprofundou o beijo, ao qual então Kurt se entregou sem nem pensar. Ao perceber que o castanho estava entregue, Blaine chegou a sorrir durante o beijo.
Após um certo tempo ele largou Kurt, disse um breve "te vejo no trabalho" e foi embora, arrastando Sebastian consigo. Ele entrou em sua sala sorrindo. O Smythe já havia ido embora e agora Blaine se encontrava sozinho em sua grande sala, aguardando pelo momento certo de ir para sua próxima reunião. O único problema é que a reunião seria com Colin. Aquilo não iria acabar bem.
— Boa tarde! – Blaine cumprimentou todos na mesa, olhando de maneira sarcástica para Colin. Kurt se juntou a eles minutos mais tarde e, como sempre, sentou-se ao lado de Blaine. – Vamos tratar sobre os detalhes finais de seu álbum, Sr. Banks?
— Não. – Colin simplesmente soltou sua resposta. – Eu não quero mais meu álbum em uma gravadora como a sua.
— O que isso quer dizer? – Perguntou Natasha, uma das produtoras da gravadora, responsável pelo álbum de Colin.
— Que eu não quero meu álbum sendo feito por uma gravadora onde o dono está fodendo seu funcionário. – E se tudo estava mal acabou de ficar péssimo.
Blaine apenas abriu a boca, mas não conseguiu falar nada. Todos os seus funcionários o olharam como se ele fosse um maníaco ou algo desse tipo.
— Você está apenas com inveja. – Kurt levantou irritado. – E ele não está fodendo nenhum funcionário, pelo menos não um qualquer. Se naquele almoço eu te mandei ficar afastado de mim, foi justamente porque eu e Blaine estamos namorando.
— Mas o que? – Cassie, uma outra produtora, levantou-se e encarou os meninos. – Você é gay, Blaine?
— Sim. – O moreno permanecia imóvel, mas conseguiu admitir aquilo. Estava espantado, olhando Kurt e todos ao mesmo tempo. – E eu não admito que alguém fale dessa maneira comigo. – Direcionou seu olhar a Colin. – Eu já pedi para que respeite meus funcionários.
— Transar com eles pode?
— O que eu faço ou deixo de fazer fora dessa empresa apenas diz respeito a mim. Eu contratei Kurt porque ele estava sem emprego, então criei um cargo qualquer e o coloquei. Ele é meu assistente pessoal, trabalha para mim e não para a empresa. – O moreno explicou, mais para os outros funcionários do que para Colin.
Ainda houveram brigas naquela tarde, mas Blaine permaneceu um tanto quanto estático. Estava sem palavras. Não falou com Kurt depois daquilo, mas não deixou de pensar no que o mesmo fez por nenhum segundo.
Ele tinha chamado Blaine de namorado apenas para defendê-lo, mas será que não tinha uma ponta de vontade no meio disso? Será que ele não queria aquilo de verdade?
Blaine chegou em casa um pouco tarde, havia ficado um bom tempo arrumando as coisas dos contratos, já que quebrou um dos contratos com Colin e, por sorte, não teria que pagar nada, já que a culpa não havia sido dele e sim de seu cliente.
Atirou-se no sofá para assistir televisão e levantou dali para ir dormir quase três horas da manhã. Avistou um pequeno envelope atirado no chão próximo a porta, se aproximou e o pegou. Já no envelope dizia que era de Kurt. O sorriso não foi evitado por parte de Blaine. Mas o que dizia dentro conseguia ser ainda melhor.
"Eu poderia muito bem chegar na sua casa, dizer o que sinto e acabar na sua cama, mas não é isso que eu quero. Quer dizer... Não dessa maneira, entende? Quero que as coisas sejam perfeitas e, para isso, precisamos ter algo que nunca tivemos. Preparado para conhecer minha casa e ter um primeiro encontro comigo? Estarei te esperando na sexta, B. Tenha uma boa noite."
E Blaine não podia conter sua ansiedade para sexta-feira, afinal, ele teria um encontro com o seu amor. As coisas poderiam ficar melhores?
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